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Òrisà Oko

orisa oko

Òrìsà Oko é o Deus da Fazenda, o Deus da Agricultura, uma Divindade de suma importância na Cultura Yorùbá, mas pouco conhecido no Brasil. No Terreiro de Òsùmàrè ele é festejado há séculos, por meio de obrigações internas e cânticos que destacam o seu grande poder sobre a agricultura. No Candomblé, a exemplo das folhas e água, usamos em abundância os grãos, tubérculos e frutos que a agricultura nos fornece, razão que já evidencia quão importante esse Òrìsà é para a nossa cultura.

Uma antiga história Nàgó, conta que um grupo de pessoas de uma cidade resolveu tramar contra “Olasi”, eles falaram que quando Olasi saísse da sua fazenda eles iriam roubá-lo e bater nele. Essas pessoas tinham grande inveja de Olasi, pois ele tinha grande facilidade em cultivar a terra.

Quando Olasi ficou sabendo da intenção dos seus inimigos, resolveu consultar Ifá, o grande Deus do Oráculo. Ifá disse à Olasi que ele deveria permanecer em sua fazenda por um longo período, cuidando das coisas da terra e que não retornasse à cidade, num período mínimo de um ano. Assim Olasi fez. Nesse período, as pessoas da cidade próxima a fazenda de Olási começaram a passar por grandes dificuldades. As mulheres não engravidavam mais… Os homens não conseguiam trazer alimentos para casa… Toda a cidade ficou em caos.

Nesse período, Olási ficou plantando tudo o que conseguia, criando dessa forma, uma grande produção. Na fazenda de Olasi havia de um tudo. Inhame, milho, feijão, Obì, tudo em abundância. Mas ninguém da cidade desfrutava de toda essa fartura, pois Olasi não retornou mais à cidade.

Prestes de completar um ano, um ancião da cidade consultou Ifá para saber o que a população deveria fazer para que tudo voltasse ao normal. Por meio do jogo, ele descobriu que tudo o que estava acontecendo foi em razão da traição que algumas pessoas da cidade iriam fazer à Olasi. Ifá disse ao ancião, que ele deveria reunir todas as pessoas da cidade e que juntos, eles deveriam ir à fazenda (Oko) de Olási, levando bebidas, tambores e tocando flautas. Quando lá chegassem deveriam pedir perdão à Olasi, pedindo que ele regressasse à cidade.

No outro dia, o ancião reuniu a população da cidade e comunicou o recado de Ifá. Todos foram tocando tambores até a fazenda, quando lá chegaram ficaram maravilhados com tanta fartura, com tantos inhames, com tanto milho. Quando Olasi foi recebê-los eles começaram à gritar: “Òrìsà Oko!!! Òrìsá Oko!!! Òrìsà Oko!!!” (Deus da Fazenda, Deus da Fazenda, Deus da Fazenda).

A partir daquele momento, ele nunca mais foi chamado de Olasi, todas as pessoas o chamavam de “Òrìsà Oko”. Ele perdoou a população, mas disse que, todos os anos as pessoas deveriam fazer uma grande procissão agradecendo por tudo de bom que a terra lhes oferecia. Òrìsà Oko deu a população muitos grãos e inhames e eles voltaram para a cidade em procissão, agradecendo à Òrìsà Oko.

Assim nasceu a procissão de Òrìsà Oko, o Deus da fazenda, o Deus da Agricultura.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Asè Ògòdó

Consciência Negra

Símbolos de resistência, quilombos preservam cultura negra em PE

No estado, há atualmente 112 quilombos reconhecidos pelo governo federal.
Em Vicência, antiga casa-grande virou sede de associação quilombola.

Imagem de Zumbi fica na praça de entrada do Quilombo Trigueiros, em Vicência (Foto: Renan Holanda/ G1)Imagem de Zumbi fica na praça de entrada do Quilombo Trigueiros, em Vicência (Foto: Renan Holanda/ G1)

Logo na entrada do distrito, uma imagem de Zumbi dos Palmares em azulejos recepciona quem chega. E, de certo modo, anuncia que ali se passaram episódios emblemáticos da nossa História. No Quilombo Trigueiros, em Vicência, na Mata Norte de Pernambuco, os resquícios do tempo de escravidão estão impressos em cada ruela da comunidade, onde moram 367 famílias. No Brasil, a Fundação Palmares, ligada ao Ministério da Cultura, é o órgão responsável por formalizar a existência de quilombos e assessorá-los no acesso a políticas públicas de ingresso à cidadania.

Na definição da Fundação, “quilombolas são descendentes de africanos escravizados que mantêm tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo dos séculos”. O povoado de Trigueiros foi assim reconhecido em 2008. No Brasil, são 2.431 comunidades quilombolas. Em Pernambuco, há 130 atualmente. Outras dez estão em processo de reconhecimento no estado.

Quando aboliram a escravidão, ficamos escravos do dinheiro. Meu pai queria que eu estudasse e, ainda novinho, lembro o patrão falando: ‘Pra quê estudar? Pra cortar cana?’ Eu sentia cheiro de escravidão”
José Severino da Silva, 67 anos,
neto de escravos

Muitas das mudanças realizadas ou em curso no Quilombo Trigueiros se devem a esse reconhecimento formal da Fundação Palmares. “A gente se achava diferente, mas não tinha essa ideia de quilombola. Toda comunidade tem seus costumes. Aqui, por exemplo, pode trazer a banda mais cara para tocar no São João, mas se não tiver uma palhoça e um sanfoneiro, nem adianta. No outro dia, o pessoal não estaria satisfeito”, explica a presidente da Associação Quilombola de Trigueiros, Edriane Barbosa.

Curiosamente, a sede da instituição funciona na antiga casa-grande do povoado. As iniciais do antigo senhor de engenho ainda cravadas no imóvel – JGCP, José Gomes da Cunha Pedrosa – mostram que a comunidade não nega suas memórias, mas deseja reescrever essa parte da história. “Quando aboliram a escravidão, ficamos escravos do dinheiro. Meu pai queria que eu estudasse e, ainda novinho, lembro o patrão falando: ‘Pra quê estudar? Pra cortar cana?’ Eu sentia cheiro de escravidão”, lembra o aposentado José Severino da Silva, 67. Seu avô era jagunço de senhor de engenho; o pai fazia trabalhos braçais.

Com o gradual desenvolvimento de Trigueiros, as heranças do período escravocrata vão desaparecendo. Seu Severino, por exemplo, que é mais conhecido por Goió, conta que a comunidade cresceu tanto que os cachorros precisam tomar cuidado ao dormir nas ruas, devido à quantidade de carros. Os três que ele tinha – Chaves, Chapolin e Chiquinha – morreram atropelados. O aposentado guarda quase nenhum ressentimento dos tempos de exploração: “Hoje, sou rico”. A casa onde vive com a mulher tem sala com televisão e cadeira de balanço, além de um quintal onde criam algumas galinhas.

Seu Dito largou o trabalho nos engenhos de açúcar para vender os balaios que ele mesmo produzia (Foto: Renan Holanda/ G1)Seu Dito largou o trabalho nos engenhos de açúcar
para vender os balaios que ele mesmo produzia
(Foto: Renan Holanda/ G1)

Relato parecido tem Benedito José da Silva, 72, ou simplesmente Seu Dito. Trabalhou em engenhos de cana-de-açúcar por anos até resolver despender esforço em causa própria. Era final dos anos 1960. “Tive fé em Deus que nunca mais ia cavar sulco para ninguém”, lembra. Aprendeu a fazer balaios e ia ao Recife pelo menos uma vez na semana para tentar vendê-los a comerciantes do Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa). “Os primeiros que eu fiz eram meio ruins. Um cara lá pegou, olhou e disse que era uma bomba”, conta, bem humorado. Depois se aperfeiçoou na prática e ganhou a vida vendendo balaios até ano passado.

Quilombo urbano
Para dificultar sua localização e ainda recriar, de certa forma, as estruturas de convivência africanas, os quilombos se assentavam em locais distantes, geralmente cravados em áreas de mata ou floresta. O surgimento dessas comunidades muito está ligado à cultura açucareira. Entretanto, a Fundação Palmares também reconhece os chamados quilombos urbanos, localizados em capitais e grandes centros. No Brasil, há três desse tipo, um deles em Olinda.

Rua principal do Quilombo Portão do Gelo leva o nome de Severina Paraíso da Silva, a Mãe Biu (Foto: Renan Holanda/ G1)Rua principal do Quilombo Portão do Gelo leva o nome de Severina Paraíso da Silva, a Mãe Biu (Foto: Renan Holanda/ G1)

A comunidade Portão do Gelo foi reconhecida como quilombo urbano, o único de Pernambuco, em 2006. Sua história é vinculada diretamente à religião, mais especificamente à Nação Xambá. Os cultos dessa tradição foram trazidos ao Recife pelo babalorixá Artur Rosendo nos anos 1920. Após seguidas perseguições às religiões de matrizes africanas, o terreiro, chamado Santa Bárbara, instalou-se definitivamente em Olinda, em 1951, no bairro de São Benedito. Ali, fruto da resistência da Nação Xambá, nasceu e se desenvolveu o Quilombo Portão do Gelo.

Todas as pessoas que vieram a esse país vieram como imigrantes. Elas tiveram a opção de vir ou não. Nós não, nós fomos obrigados, porque viemos na condição de escravos. Não somos escravos, mas fomos escravizados, é bom que se diga. Então o governo tem por obrigação fazer esse reparo social com essas pessoas que vieram para um lugar que não queriam”
Babalorixá Ivo de Xambá, responsável pela comunidade Portão do Gelo, único quilombo urbano de Pernambuco, situado em Olinda

O babalorixá Ivo de Xambá é, atualmente, o responsável por preservar as tradições da comunidade. Para ele, a partir do momento em que se classifica uma comunidade como quilombola, o governo passa a reconhecer formalmente sua responsabilidade em levar políticas públicas àquele local. “Todas as pessoas que vieram a esse país vieram como imigrantes. Elas tiveram a opção de vir ou não. Nós não, nós fomos obrigados, porque viemos na condição de escravos. Não somos escravos, mas fomos escravizados, é bom que se diga. Então o governo tem por obrigação fazer esse reparo social com essas pessoas que vieram para um lugar que não queriam”, assevera.

Para preservar a identidade, memória e evolução do terreiro e da Nação Xambá em Pernambuco, foi criado o Memorial Severina Paraíso da Silva, nome de batismo de Mãe Biu, que reagrupou a família dispersada pela repressão dos anos 1930. No local, inaugurado em 2002, há fotos, pertences e vestimentas usadas pelas ialorixás da Nação. As limitações de tamanho e também de ordem financeira impedem que o espaço, localizado nos fundos do Terreiro Santa Bárbara, abrigue ainda mais itens.

Na visão de Ivo, o senso de preservação das tradições Xambá faz com que o Portão do Gelo seja uma espécie de fortaleza para questões religiosas e sociais. Eles estão buscando, junto ao poder público, a realização de um censo dentro da comunidade para que se possa saber sua população exata, as principais demandas e prioridades. “Criar o quilombo não é só uma área de resistência, mas é fazer com que o governo faça intervenções para privilegiar aquilo que eles [quilombolas] não tiveram, que é uma educação de melhor qualidade, a questão profissional. Toda as benesses que o cidadão comum teve ao longo desse tempo e que essas pessoas não tiveram”, explica.

Ivo de Xambá observa imagens de Memorial criado nos fundos de terreiro (Foto: Renan Holanda/ G1)Ivo de Xambá observa imagens de Memorial criado
nos fundos de terreiro (Foto: Renan Holanda/ G1)

Legislação
A definição legal de quilombo só veio a ser formalizada por meio do Decreto 4.887, de 2003, que assim considera os remanescentes dessas comunidades: “Os grupos étnico-raciais, segundo os critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida”. O próprio termo “quilombo”, que na legislação colonial era enquadrado como crime, sumiu da base legal brasileira durante o período republicano.

Segundo um documento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), vinculada à Presidência da República, o termo apenas veio a reaparecer na Constituição de 1988, como uma categoria de autodefinição. Por meio do artigo 68 da Constituição, finalmente se reconheceu aos remanescentes de quilombos o direito à propriedade definitiva das terras que ocupavam.

Por serem quilombolas, os moradores do Portão do Gelo, por exemplo, têm um cadastramento diferenciado no Bolsa Família. No Quilombo Trigueiros, também por meio do governo federal, estão sendo construídas 40 casas populares e outras 49 já foram autorizadas. “O quilombo hoje é, nada mais nada menos, essa fortaleza que não vai só proteger a questão social e religiosa do homem negro, mas também vai junto ao governo buscar mecanismos de melhoramento”, resume Ivo de Xambá.

Antiga casa-grande foi transformada na sede da Associação Quilombola de Trigueiros (Foto: Renan Holanda/ G1)Antiga casa-grande foi transformada na sede da Associação Quilombola de Trigueiros (Foto: Renan Holanda/ G1)

 

Culto a Divindade Orô

Orô é uma divindade masculina que representa a ancestralidade dos Homens, é um Deus similar à Iyámi, o Culto a Orô representa o culto indireto a Ikú, é um dos cultos aos mortos, Deus da Destruição é considerado como o portal para a ressurreição. Segundo um de seus mitos, toda alma ancestral masculina para que pudesse renascer na Terra deveria ir ao seu encontro, a alma teria de ser devorada pelo Deus. Orô é considerado como um Deus incontrolável, conta-se que quando Orô sai pelas ruas ninguém deve ficar em seu caminho ou será sacrificado. Orô possui uma voz extremamente grossa e cavernosa, seu grito ecoa como um trovão na floresta da morte, ele absorve a vida de tudo. A única divindade que trata com Orô é Xangô, pois foi o único a fazer os Ebós necessários para isso. Apenas homens podem prestar culto a Orô.

 

Muitas sociedades alcançaram o título de “poderosas” na Religião Yorubá, mas nenhuma alcançou o prestígio da Sociedade Secreta Orô. Na antiguidade esta sociedade, semeava o terror dentro do poder, já que seus emissários ocultos, por baixo de máscaras impediam o abuso de sacerdotes, monarcas inclusive de anciões, que formavam o conselho central do reino. A missão desta sociedade, prevalecia em todas as exigências religiosas e era tão poderosa, que possuía o direito de vigiar se os governantes respeitavam os preceitos morais divinos. Eles são os defensores e reguladores da ordem tradicionalista, do cuidado com o conhecimento, do folclore, da história e dos mitos. Os membros desta sociedade, desempenhavam múltiplas funções sociais. Os membros da Sociedade Orô, se preocupavam, com o adequado “respeito ao culto dos ancestrais”, mantendo-o vivo, por tanto, os membros desta sociedade se encarregavam de conseguir que os mortos fossem enterrados conforme determinados rituais apropriado e sua almas chegassem com segurança ao reino dos mortos, inclusive aquelas pessoa, que por infelicidade fossem mortas em acidentes ou tivessem mortes trágicas. Orô Aboluaje, é o título que se lhe dá e seu significado seria: “o que pode recolher da areia da vida o chefe dos feiticeiros”, é um espírito deificado dos homens. Orô recebe o nome de Ita e tem um companheiro com o qual lhe chama ao vento, seu nome é Irelê, com o qual caminha e se alimenta.  Ele é representado por um filete, cuja confecção é um segredo e vive encima dele. Orô é chamado de Deus do mistério. Segundo o Odu Ogbe-Osa, onde disse que vagava pelo bosque e fundou o estado de Kwara, a deidade do segredo do retiro e do encanto. Na antiguidade a Sociedade Orô, estava vinculada à Sociedade Ogboni(Osugbo), eram os executores dos criminosos; quando um criminoso era condenado pela Corte Ogboni, eram os membros do Culto de Orô, os que executavam a sentença. Quando Orô, saía à rua durante a noite, os que não pertenciam a esta sociedade deveriam ficar recolhidos em suas casa ou corriam o risco de morrer. Eles estabeleciam “o toque de recolher”. Durante o ano havia de sete à nove dias dedicados as festividades de Orô, especialmente em lua nova, onde as mulheres teriam que permanecer trancadas dentro de suas casas, com exceção as poucas horas, em que era permitido saírem para diversos fins. No sétimo dia nem sequer isto seria permitido, sob rigorosa pena de morte. Deveriam permanacer trancadas, sem importar qual era seu status social ou título de nobreza. Quem desobedecia as regras desta sociedade era executado. Orô é uma das forças sobrenaturais que atuam durante a noite. Esta divindade trás prosperidade, mas ao mesmo tempo a destruição.

 

 

Oró Aféfé Ikú! (Orô o vento da morte!)

 

A Sociedade Orô (Orùn ou Oró Lewé)

A Sociedade Orô é considerada entre os Iorubás a mais poderosa. Entre os Oyo e os Egba (cuja capital é Abeokuta) seu poder político supera as exigências religiosas. Orô possui o direito de vigiar se os governantes respeitam os preceitos morais divinos. Orô está basicamente a serviço dos espíritos dos mortos e por isso só aparecem de noite. Seu emblema é um pedaço plano de ferro ou madeira (sobre tudo de madeira de Óbó ou Kam, que as bruxas (Aje) não podem ver nem farejar, presa a um cabo com corda, o que a converte em uma madeira que zúmbi (emitindo um som todo particular ao ser manuseada). Cada Sociedade dispõe normalmente de dois tipos destes utensílios. Um é pequeno e se conhece com o nome de Ise (moléstia) e o tom estridente que produz, se conhece como Ajá Orô / Aaja Orò ( Cachorro de Orò / Vento de Orò = Orò Afefe Ikú! ). O outro provem dos madeiros grandes chamados Agbe (espada) e emite um tom surdo que é considerado como a mesma voz de Orô, este som anuncia que a morte está ameaçando alguém. Orò reproduz a voz dos mortos e por isso se diz que  os mortos os chamam. A adoração de Orô deve ser realizada de preferência sob a Lua Nova. Os adeptos da sociedade, costumavam levar máscaras de madeira, porém estas não chegam a cobrir todo o rosto.

Oriki Orô

“Óró mà nì kó.
Óró mà jà kó.
Óró Tóhùn tíré síté.
Óró Óhùn Ótòhùn nì ímà wà kírì.
Ásè!”

Tradução

“Orô causa confronto.
Orô não me cause confronto.
Orô tem a voz do poder.
Orô tem uma voz que ressoa por todo o Universo.

Que assim seja.”

 

 

Ofo t’Orô

 

Werewere Orô yê o! Werewere Orô yê o!

Werewere Orô yê o! Werewere!

Orô yê o!

Werewere Orô yê o! Werewere!

Sesé kurú ru

Obà nen yê!

 

Tradução

 

Oh! Orô que vive com pressa, oh! Orô que vive com pressa

Oh! Orô que vive com pressa, impaciente!

Oh! Orô o eterno

Receba a oferenda, poder que surge da morte

Rei eterno.

 

Texto: Oba kaloje/Internet

IYAMI

Ìyàmì

Uma das mais importantes e perigosas Divindades do Candomblé, a grande mãe ancestral Ìyàmì. Essas grandes senhoras são, sem dúvidas, o maior símbolo do poder feminino da cultura yorùbá.

Antes de tudo, é importante recordarmos que o culto às Mães Ancestrais, chegou ao Brasil, ainda à época da escravidão, sobretudo por meio de Maria Júlia Figueiredo, do Terr…eiro da Casa Branca do Engenho Velho, que possuía dois dos mais importantes títulos nas sociedades femininas yorùbá, o de Ìyálode (chefe entre as mulheres) e Erelu (supremo título feminino na sociedade Ogboni). É muito importante salientar o papel de Maria Júlia Figueiredo (Ìyá Omoniké), para a formação desse culto no Brasil, bem como os seus títulos honoríficos, trazidos da África, pois há quem erroneamente acredite que o conhecimento litúrgico acerca das Ìyàmì seja algo recente no Brasil.

Fato é que nas mais antigas e tradicionais comunidades de Candomblé da Bahia, o culto à Ìyàmì sempre existiu, no entanto, o respeito que existe em relação a essa Divindade fez e faz com que o seu culto seja restrito e não participado à maioria. A evocação dessa importante Divindade em rituais como o Ipade, bem como, os assentos mais que centenários existentes nos tradicionais terreiros, corroboram a constatação desse culto ter sido introduzido no Brasil, juntamente com o surgimento do Candomblé na Bahia.

Ìyàmì é tida como a perigosa feiticeira yorùbá, por isso recebe o nome de Ìyàmì Ajé (minha mãe a feiticeira). O medo e respeito acerca dessa divindade são tão significativos que, o seu principal nome (Osoronga), quase nunca é pronunciado nas Casas de Candomblé. Quando isso ocorre, a pessoa que está sentada se levanta, cruzando a barriga e a nuca em sinal de respeito e reverência. O mesmo ocorre na cerimônia do Ipade, quando as filhas da comunidade cruzam a barriga e nunca, sempre que pronunciado o nome, por completo, da grande mãe ancestral.

O primeiro nome Ìyàmì, que significa “Minha Mãe”, antecede os diversos “apelidos” que são utilizados para mencionar a grande mãe ancestral, tais como o mencionado “Ìyàmì Osoronga” (que não deve ser pronunciado em momentos indevidos), “Ìyàmì Eleye”, “Ìyàmì Ajé”, “Ìyàmì Agba” dentre muitos nomes.

O poder de Ìyàmì é intangível e desmedido, ela é sem dúvida alguma, uma das Divindades mais poderosas do Candomblé e, essa é uma das razões para que as pessoas tenham tanto receio e medo em relação a Ìyàmì. No Ipade, Ìyàmì é louvada por meio de cânticos específicos que enaltecem as suas características e por meio de oferendas que apaziguam a sua cólera, fazendo com que exista o equilíbrio necessário para a realização das festividades.

Em momento algum podemos deixar de lado o perigo existente acerca de Ìyàmì, no entanto, não podemos igualmente deixar de recordar que Ìyàmì, é também, o próprio princípio genitor feminino, a representação máxima da ancestralidade feminina. Muitos dizem, de forma indevida, que Ìyàmì é uma divindade do mal. A verdade é que Ìyàmì jamais pode ser deixada de lado, isso sim desperta a sua cólera e seus aspectos mais perigosos.

Ìyàmì é o maior símbolo da ancestralidade feminina e a maior representação feminina é o ventre, simbolizado na cultura yorùbá pela cabaça (igba) e pelo ovo (eyin adiye). Ìyàmì é a grande dona do ventre, razão pela qual, muitas mulheres com dificuldade de engravidar recorrem a ela, para conseguir realizar o sonho da maternidade. Ìyàmì tem grande poder sobre toda a parte genitora, uma das reverências que as mulheres realizam para Ìyàmì, é justamente tocar a árvore sagrada dessa Divindade com a barriga, em sinal de respeito e clamando por proteção e filhos.

Os terreiros de Candomblé que colocam em suas portas ou assentos de Ìyámì, um pequeno alguidar com ovos e azeite de dendê, estão apaziguando a grande mãe e pedindo para que as intrigas, confusões e discórdias não adentrem ao terreiro. Como já mencionado, o ovo representa o ventre e, por consequência Ìyàmì, o azeite de dendê, diferente do que muitos acreditam, por sua vez, tem o poder de apaziguar, de trazer a calma (eró).

Outro símbolo dessa poderosa Divindade é o pássaro, por isso, ela também é chamada de Ìyàmì Eleye (a mãe dona do pássaro, em especial, a coruja). Aqui em Salvador, é comum se ouvir das antigas egbon do Candomblé que, quando uma coruja (owiwi) canta, Ìyàmì está anunciando a sua chegada o que pode em muitos casos, ser um mau presságio. Quando isso acontece, elas imediatamente cruzam a barriga e a nuca.

Muitas histórias discorrem sobre a ligação das Ìyàmì com os pássaros, com as penas das aves (Mãe poderosamente emplumada). Em uma antiga foto constante no terreiro da casa branca, Ìyá Júlia (Ìyá Lode, Erelu) aparece com uma pena de um pássaro na cabeça, mostrando novamente a sua ligação com o culto dessa Divindade. Ainda hoje, é comum veremos antigas egbon do Candomblé, carregando entre os cabelos, uma pena de pássaro.

Algumas historias de Ifá, ilustram que Ìyàmì tem o poder de se transformar em pássaro, empoleirando-se em algumas árvores como Iroko e Ajanrere. Esse, por sinal, é um dos motivos para que as pessoas não fiquem debaixo da copa de Iroko durante a noite, pois acreditamos que ela se esconde em seus grandes galhos.

Muito embora, grande parte do culto de Ìyàmì é destinada às mulheres, existe a dança de Gèlèdè, realizada por homens. Nessas danças, os homens prestam homenagem à Ìyàmì, com máscaras que simbolizam a própria imagem da Grande Mãe Ancestral. A dança realizada por homens, mostra de forma contundente que a mulher tem o poder da vida, pois todos são gerados no ventre feminino, todos nasceram de uma mulher, sendo fundamentalmente importante se curvar ante à poderosa mãe. No Brasil, a dança de Gèlèdè não perdurou, talvez pelo fato da supremacia da mulher nos terreiros e, ainda talvez, pelo forte culto à Egúngún, os grandes ancestrais masculinos, que diferente do culto à ÌYámì, tem quase que sua totalidade de rituais, liderados por homens.

Todas as mulheres e todas as Divindades femininas – principalmente Òsun, Oba, Yewa, Oya, Nana e Yemoja, possuem uma grande ligação com Ìyàmì. Cada uma dessas Divindades possui uma justificativa que ilustra sua ligação com Ìyàmì, mas o fato de todas serem mães e poderosas em suas sociedades, reflete de forma abrangente esses laços.

No Asè Òsùmàrè, à época das festividades de Òsun, existe um ritual carregado de simbolismo, na qual as mulheres do Terreiro carregam as águas para a árvore consagrada à grande e poderosa mãe. As mulheres do Terreiro, principalmente as Agba, dançam e cantam em homenagem àquela que representa o maior poder da mulher na sociedade Nàgó. Nessa ocasião, a nossa Agba, Mãe Walquíria de Òsun, que possui no Terreiro de Òsùmàrè, o título de Ìyálode, carrega a máscara consagrada à Ìyàmì, evidenciando-nos de forma contumaz a manutenção desse importante culto no Brasil.

Embora seja um ritual interno, realizado diante somente dos filhos da casa, é uma cerimônia muito importante para todos, pois revitaliza a importância da mulher e do poder feminino, remetendo-nos à mais pura essência da nossa cultura ancestral. É fundamental, ainda, pois apazigua os poderes dessas grandes mães, transformando sua energia num poderoso agente de proteção, seja para casa, seja para os filhos do egbe.

Obviamente, esse culto é cercado de segredos que não podem ser revelados aos não iniciados e, em momento algum, podemos esquecer que estamos escrevendo num ambiente que é aberto a todos. No entanto, mesmo com o cuidado de não participar o Awo (mistério) desse culto, nós do Terreiro de Òsùmàrè, esperamos ter contribuído para o esclarecimento sobre essa importante Divindade do Candomblé, Ìyàmì Agba.

Terreiro de Òsùmàrè

Por Áwo Falokun Fatunmbi

 

Em minha opinião, o único, o mais importante, é a premissa sobre a qual se baseia Ifa, é a crença de que a vida funciona.

Ifa diz:

 

Ọlọkún ma npese onje fun àwọn ợmợ okun.

Que significa:

O Espírito do Oceano sempre fornece alimento para os filhos do mar.

 

Ifa é baseado na crença de que, se viver em harmonia com o Eu interior e o mundo, recebemos uma bênção, ire ợmợ (filhos), ire ọwó (dinheiro), ire agbo ato (vida longa).

A partir desta premissa, surge a noção de que se a minha vida fica melhor, a sua vida fica melhor.

  • Quanto mais eu sou capaz de cuidar de meus filhos, recebo a bênção de abundância e de boa saúde, mais fácil se torna para os outros fazer o mesmo.
  • Como isso é possível?
  • É possível, porque como minha vida fica melhor, tenho mais recursos disponíveis para ajudar aqueles que me rodeiam.
  • Sua vida não fica melhor se eu gastar meu tempo com ciúmes do que você tem e se envolver em esquemas que podem me levar para longe de você.
  • Qualquer difamação do outro é uma difamação de si mesmo.
  • O fundamentalismo em todas as suas manifestações religiosas é baseado em uma consciência da escassez.
  • Dizendo que eu sou o intérprete da vontade de Deus é frequentemente uma justificativa mal disfarçada para a ganância.
  • Se você acredita que a escassez é uma lei universal da natureza, a ganância é necessária para a sobrevivência.
  • Se você acredita que a abundância é a Lei Universal, a generosidade é a consequência inevitável.
  • Minha experiência como estudante de Ifa me diz que a natureza se sustenta a partir de um poço com potencial infinito.
  • Abundância é a Lei Universal da Criação.
  • Se isso é verdade eu não sou dependente dos outros para criar a minha boa sorte.
  • Se eu cuidar das questões pessoais a abundância e a autotransformação vão me encontrar.
  • Nenhuma mudança interna ocorre quando eu estou preso a questões de ciúme, inveja e ganância.
  • Se eu perder meu tempo querendo o que você tem, vou usurpar a experiência de aprender com o que eu preciso.

Tenho me divertido com um trombone de Jazz por 50 anos.

Durante os primeiros vinte anos eu queria tocar como JJ Johnson e eu sempre ficava decepcionado com meus esforços.

Um dia eu decidi tocar como eu sabia e passei a gostar do meu som desde então.

  • Em contraste com uma perspectiva dogmática, o ponto de vista dinâmico é baseado em uma metodologia de ver o mundo que envolve a possibilidade de crescimento contínuo e constante mudança.
  • Teólogos ocidentais se referem a esta perspectiva como gnóstico.
  • Ifa não se baseia em dogma, é apenas uma maneira de olhar o mundo.
  • Ele está firmemente enraizado na abordagem gnóstica, o que significa que abrange a busca da autodescoberta, em vez de propagar uma doutrina definida.

A palavra gnóstica deriva do grego gnoses que significa conhecimento das coisas espirituais ou aquele que possui um conhecimento místico.

Um ponto de vista gnóstico é muitas vezes difícil de descrever, pois qualquer tentativa de conceituação prejudica sua premissa.

O que pode ser dito sobre a visão de mundo gnóstico é que ele abraça a ideia de a consciência humana é capaz de tornar-se elevada em estados alterados (possessão por parte do òrìşà ou profunda reflexão), abrindo as janelas da percepção humana e nos permitir ver interações que são outra forma de ver o oculto.

Ifa refere-se a essa mudança como:

Òrúnmìlá wa l’onà Ayè.

Que significa:

Voltar ao tempo em que o Espírito do Destino (Ọrúnmìlá) andou na terra.

É também uma referência ao nome do louvor do Espírito do Destino, o Elérìípín, ou seja, testemunha da criação.

  • Testemunhar a criação é perceber as forças invisíveis da natureza que sustentam a dinâmica e a forma no mundo visível.
  • Em termos práticos, isso sugere que é possível concentrar a nossa atenção de uma forma que ilumine tanto um problema como a sua solução simultaneamente.
  • A minha experiência de meditação sobre os símbolos sagrados usados ​​para identificar os vários versos dos Odu Ifa tem o potencial de iluminar a polaridade entre causa e efeito.
  • Os símbolos usam linhas simples para representar as linhas de expansão e linhas duplas para marcar a contração.
  • Cada Odu tem oito conjuntos de linhas simples e duplas agrupadas em dois conjuntos verticais de quatro.
  • Se você inverter todas as linhas do símbolo do Odù, tornando as linhas simples em duplas e as linhas duplas em simples você pode identificar o versículo que é a fonte do problema descrito no verso original.
  • Esta é uma maneira de começar a entender e compreender a ideia de polaridade e equilíbrio (Aqui falamos para os Bàbáláwo)
  • Toda ação na Natureza tem uma reação igual e oposta.
  • Qualquer um que tenha passado algum tempo na floresta sabe que para qualquer coisa viver outra coisa deve morrer.
  • A palmeira que chega a maturidade coloca seus pequenos brotos em sua sombra.
  • A cobra come o rato, o rato come o lagarto e assim por diante até a cadeia alimentar se completar.
  • Nada é intrinsecamente bom ou mau.
  • Cada sim carrega um não.
  • Bênçãos exigem um sacrifício.
  • A alegria do casamento inclui limitações à independência pessoal.
  • A realização de aprender uma habilidade inclui a negligência de algum outro campo de estudo.
  • Ambiguidade é à base de toda a experiência.
  • Quem aprecia a dinâmica da natureza e da vida no mundo, vai ver a futilidade da criação do dogma.
  • O elemento do caos e da mudança faz todas as conclusões serem limitadas e eventualmente obsoletas.
  • A crença em qualquer doutrina não é garantia de ser apropriado no momento.
  • Ifa não tem credo e não tem mandamentos.
  • Ifa usa a adivinhação como um processo de comunicação com o espírito e com o Eu superior (ìpọnri).
  • A adivinhação se torna uma fonte de tabu pessoal e orientação individual e não uma fórmula para o condicionamento de uma comunidade inteira.
  • Eu talvez precise ser monogâmico nesta vida.
  • Você pode precisar ser polígamo.
  • Tabu de uma pessoa não tem impacto direto sobre o comportamento do outro.
  • A adivinhação pode ser feita para toda uma comunidade, mas a adivinhação é uma resposta a uma preocupação específica.
  • A mensagem do Espírito para uma determinada comunidade ou para um grupo específico de pessoas e não se estende a outras comunidades.
  • De vez em quando alguém vai me pedir para comentar sobre o conteúdo de uma adivinhação a partir de outro adivinho.
  • Eu não acho que seja apropriado responder a esta pergunta que não seja em termos gerais.
  • Adivinhação inclui a invocação do Espírito.
  • A interpretação envolve mensagens do Espírito dirigidas a uma pessoa específica.
  • Sem ter estado presente para ouvir a intervenção do Espírito qualquer comentário por mim seria desinformado e derrotaria todo o propósito da adivinhação como uma ferramenta para a resolução de problemas.
  • Tenho notado também que, quando alguém está à procura de uma segunda opinião sobre um determinado versículo de Odu está frequentemente procurando confirmação do dogma ao invés de seguir as instruções do adivinho original.
  • Para abraçar uma perspectiva gnóstica é necessário considerar a possibilidade de que a Criação é uma emanação da Fonte e que todas as coisas são um reflexo da base do ser.
  • Os teólogos referem-se a essa ideia como uma aliança com a Fonte, é a crença de que o Criador se revela através da Criação.
  • Em Ifa emanação de Fonte é chamado de Òrìsà que significa consciência selecionada.
  • Òrìsà é a qualidade específica da consciência encontrada em uma determinada força da natureza.
  • O que sentimos e aprendemos na presença de fogo é diferente do que sentimos e aprendemos na presença da água.
  • A metodologia de Ifa para estudar a consciência da Natureza é a primeira a examinar a consciência de si mesmo e ver como se auto refletem as forças maiores e de dimensões transcendentes.
  • É essa metodologia que torna o estudo de Ori o primeiro passo no caminho para a compreensão do áwo (segredo) ou o mistério da criação.
  • As complexidades desta jornada tornam o estudo de Ifa um processo contínuo de auto revelação e crescimento.

 

Isto é Ifá, isto é Òrìşà, isto é uma orientação para uma forma de se viver com mais tranquilidade.

Nossa religiosidade está além das pequeninas coisas que nos impedem de evoluir.

Se você quer benção de òrìşà, mude seu comportamento e faça o seu sacrifício.

 

Seja bom.

Seja honesto.

As divindades apoiam quem age desta forma.

 

Ire Àláàfíà.

 

 

 

 Que nossa musicalidade sagrada já tem extrapolado os muros das casas de axé nós já estamos cansadas e cansados de saber e de ouvir. Sua utilização para outros fins sempre foi alvo de críticas e polêmicas no meio religioso, mas, longe de discutir opiniões, o que eu me propus hoje foi trazer exemplos de belos, lindíssimos e inspiradores trabalhos musicais que utilizam em seus arranjos elementos de nossas musicalidades de forma enfática ou auxiliar.

Eu não entendo de arranjo, de crítica musical ou qualquer coisa do gênero, apenas sei dizer “gostei” ou “não gostei”. Por isso, trago para o blog alguns grupos que eu vim conhecendo e que tenho escutado nos últimos tempos para que quem não conhece também os conheça. Selecionei alguns nomes, procurei algumas palavras que falam sobre os grupos e links para vocês ouvirem as faixas de cada um.

Infelizmente esses grupos não veiculam muito (ou quase nada) nos grandes canais midiáticos e fazem o trabalho de divulgação pela internet usando também a contribuição de internautas que compartilham, disseminam, tiram a música da internet e levam para o seu dia a dia (como eu).

Espero que vocês gostem!

Abayomy Afrobeat Orquestra

Imagem da internet

O repertório da orquestra formada por 13 integrantes é composto por composições próprias, releituras de músicas brasileiras e do Afrobeat, gênero musical criado pelo ativista nigeriano Fela Kuti. 
A banda nasceu em outubro de 2009 para a primeira edição carioca do Fela Day, evento que celebra o nascimento de Fela Kuti, realizado simultaneamente em diversas cidades do mundo. Desde então, vem se destacando pela qualidade musical, com shows dançantes e vibrantes.
Abayomy é uma palavra da língua Yoruba plena de significados positivos, algo como “encontro feliz” ou “aquilo que nos dá prazer”. Afrobeat é um gênero musical e um movimento cultural criado por Fela Kuti, na Nigéria (África), nos anos 70, e tem como base a percussão africana, com ricas improvisações e identidade contemporânea, mesclando música Yoruba com jazz, highlife e funk, e uma marcante presença de vocais”. (http://www.overmundo.com.br/agenda/abayomy-afrobeat-orquestra)

LINK ~> https://www.youtube.com/watch?v=TN4jo-rpV

   Xo

Guga Stroeter & Orquestra HB

guga estroerte

O álbum Xirê Reverb de Guga Stroeter e Orquestra HB debruça-se sobre a seqüência de canções devocionais que é praticada nos terreiros da nação Ketu, uma das mais tradicionais da Bahia. Além dos 3 tambores e do agogô, foram acrescidos instrumentos de sopro, contrabaixo, piano, vibrafone e recursos eletrônicos sintonizando esses cantos ancestrais – interpretados por Aloísio Menezes – com as sonoridades da música contemporânea.” (http://www.tratore.com.br/)

LINK ~> https://www.youtube.com/watch?v=u9I4UyBbMXc

Neste endereço estão as faixas do CD completo: https://soundcloud.com/guga-stroeter

Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz

As raízes ritmicas afrobaianas observadas através da harmonia do jazz. Esta é a proposta musical do grupo Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, a BigBand instrumental baiana de percussão e sopros.

Criada em 2006 pelo instrumentista Letieres Leite, a Rumpilezz é regida pela sensibilidade sonora e marcada pela influência do Jazz em sua construção harmônica. Suas composições, concebidas a partir das claves e desenhos rítmicos do Universo Percussivo Baiano, têm como referência histórico-musical as grandes agremiações percussivas como o Ilê Aiyê e Olodum, os Sambas do Recôncavo e o culto sagrado afrobaiano do Candomblé.” (http://rumpilezz.com/a-orkestra/rumpilezz/)

LINK ~> https://www.youtube.com/watch?v=kXjyilEmD_s

 

Grupo Bongar

Grupo-Bongar

O Bongar é composto por seis jovens integrantes do terreiro Xambá do Quilombo do Portão do Gelo, em Olinda. O grupo foi fundado em 2001, com o propósito de levar aos palcos a tradicional festa do Coco da Xambá, que se realiza na comunidade há mais de 40 anos, no dia 29 de junho. O grupo Bongar tem um trabalho voltado para preservação e divulgação da cultura pernambucana. A formação musical dos integrantes tem origem no universo popular, especificamente da comunidade religiosa Xambá. O Bongar mostra em suas apresentações toda a musicalidade do Coco da Xambá, uma vertente desse ritmo tão presente no Nordeste do Brasil, além de ciranda, maracatu, candomblé, entre outros ritmos da cultura de raízes. O Bongar também realiza oficinas de percussão e dança popular, confecção de instrumentos, aulas-espetáculos e palestras. O público, através do show do Bongar terá a oportunidade de conhecer, não só a música e a dança deste coco tão peculiar, mas compreender a formação histórica e cultural desta Nação. O Bongar tem uma musicalidade muito forte de diversas influências musicais, vivenciadas nos cultos afro-brasileiros, principalmente da linhagem Xambá. Os integrantes do grupo herdaram toda essa musicalidade desde a infância, ouvindo os mais velhos e aprendendo com eles os toques, as loas e as danças, durante as festas da Casa Xambá”. (http://www.xamba.com.br/bon.html)

LINK ~>https://www.youtube.com/watch?v=kSZaP65FRBs

Grupo Korin Orisha

korin

Korin Orishá é um grupo musical surgido em 2006 que em 2009 fez o lançamento do seu primeiro álbum, Suíte Afro-Recifense, com cânticos sagrados dos Orixás no culto nagô pernambucano.

“O resultado é um diálogo entre instrumentos de corda (violino, viola e violoncelo) e de sopro (flauta, clarineta e fagote), típicos de uma formação clássica, com sabor afro-brasileiro: tanto a percussão, por meio de atabaques do candomblé, abê e gongê, quanto o canto, preservado na língua iorubá, remetem à experiência musical e religiosa africana”, como diz a matéria de Luiz Fernando Moura, publicada no Jornal do Commercio (22/09/09).

Herdamos uma tradição cultural dos africanos trazidos para o Brasil na época da escravidão. Temos que nos impor a missão de restaurar, reviver ou, pelo menos, não deixar morrer essa cultura”, explica o babalorixá do candomblé nagô, professor José Amaro Silva dos Santos (UFPE), regente, arranjador e produtor do grupo.

Com o resgate em mente, o Kori Orishá rodou 16 Estados brasileiros com patrocínio do Sesc. Passou por Acre, Amazonas, Roraima e Tocantins. No Sul, atravessou Paraná e Rio Grande do Sul. Entre vários shows pelo Nordeste, o grupo viajou por vários municípios pernambucanos e terminou a turnê no Rio de Janeiro somando um total de 42 apresentações.” (https://www.facebook.com/ogelawo?fref=nf)

LINK ~https://www.youtube.com/watch?v=P7bv4SxbPiI

Alabê Ketujazz

Alabê Ketu Jazz é um grupo musical que apresenta a percussão tradicional do candomblé da nação Ketu em uma roupagem jazzística.

As composições são diálogos da percussão com o saxofone, como no Candomblé dialoga o Rum (o atabaque que conduz o ritual) com o Orixá.
Alabê Ketu Jazz é o encontro do Jazz com a música tradicional do Candomblé, religião Afro brasileira.” (http://www.coletivobaoba.com/identidade-grafica-e-visual-da-banda-alabe-ketu-jazz/)

 

LINK ~> https://www.youtube.com/watch?v=t13f_Yj3i4g

 

Opanijé 

Opanijé

Novidade do hip hop que vem de Salvador, o Opanijé disponibilizou seu disco de estreia na rede. Lançado no ano passado, o trabalho inova por trazer ritmos e referências da cultura afro dentro do rap.

A banda carrega a raiz africana já no nome. Opanijé, no candomblé, é um toque sagrado entoado para orixás e é tocado junto com uma comida chamada Obulajé. O termo vem do iorubá e quer dizer “aceitar comer”. A produção desse primeiro disco, que começou a ser gravado em 2011 e terminou ano passado, é de Andre T. O lançamento é do selo Garimpo Musical. (http://revistaogrito.ne10.uol.com.br/page/blog/2014/03/14/novidade-do-rap-baiano-opanije-mistura-hip-hop-e-cultura-afro/)

LINK ~> https://www.youtube.com/watch?v=NaRzqxLqtwU

Metá Metá

Metá Metá – que significa três em um em iorubá – apresenta um repertório com várias canções inéditas, de compositores contemporâneos.

Descrição

O trio trabalha com a diversidade de gêneros musicais brasileiros, utilizando arranjos nus e econômicos que ressaltam elementos melódicos e signos da música de influência africana no mundo, explorando o silêncio e o contraponto, fugindo das ideias convencionais, seja nas características estéticas, ou seja, no modo alternativo de compartilhar a sua arte. No show, o trio chama ao palco os músicos Marcelo Cabral (baixo), Samba Ossalê (percussão) e Sérgio Machado (bacteria). Com a banda, Metá Metá revela o lado mais pulsante do cd, com grooves dançantes, e arranjos em que a polifonia explorada pelo trio se expande para dialogar agora com referências do rock, afrobeat e dos batuques brasileiros em geral.”

LINK ~> https://www.youtube.com/watch?v=4mT_fITFSz0

Grupo Abaçaí, Orquestra HB e Convidados : Agô! Cantos Sagrados de Brasil e Cuba

Brasil e Cuba possuem praticamente as mesmas origens religiosas quando se pensa em África. Com o passar do tempo, a música sacra dos dois países correram paralelas (gerando cada qual sua expressão musical popular particular), mas sempre por caminhos tão diferentes que nos dias de hoje parece ser muito difícil encontrar uma conexão entre as duas culturas sem que o resultado sonoro resulte estranho em alguns momentos.

(…) O modo como se canta e se fala influencia de tal forma uma composição que há sutilezas que se manifestam ainda que de forma quase imperceptível, mas no resultado final da obra mostram traços indeléveis de formação e reconstrução das culturas humanas. Mas no geral, os músicos, das cordas, sopros, cantores e ritmistas – com a direção do grande Ari Colares – brasileiros e cubanos se encontram, na verdade, num grande xirê – uma celebração da música e das artes no retorno feliz a suas raízes ancestrais.” (http://discosbrasil2.blogspot.com.br/2010/10/grupo-abacai-orquestra-hb-e-convidados.html)

LINK ~> https://www.youtube.com/watch?v=fXdLIMBD-UY

(Fora estes, há tantos outros trabalhos que também são compostos nos moldes parecidos de alguns desses grupos citados: ainda temos Rita Benneditto com o seu famoso Tecnomacumba, Lucio Sanfilippo, Mariene de Castro etc. Os afoxés são detalhes à parte que mereciam um post somente para eles, dada a quantidade, história e beleza.)

Axé,

Dayane

Erê do Candomblé Ketu/Nagô

No Candomblé o Erê é uma energia oriunda do Orixá  ligada ao inconsciente infantil do noviço, o Erê participa como sendo um elo de incorporação.

É também por meio do Erê que o Orixá se interioriza ao noviço aprendendo as coisas fundamentais do candomblé, como as danças e os ritos e toda a liturgia.

O Erê é o mensageiro do Orixá em qualquer situação, inclusive, podendo substituí-lo momentaneamente em várias circunstâncias, inclusive no xirê.

Em casos raros em que o Orixá foge (desincorporar subitamente) é o Erê que toma a frente, até de forma lúdica, mantendo o iyawo em transe para posterior retorno do Orixá.

O Erê também cumpre funções que o zelador determinar dentro da Casa de Santo, podendo lavar, cozinhar, passar e cumprir as multas ou chimbas aplicadas ao filho.

A palavra Erê vem do Yorubá, iré, que significa “brincar”.

O Erê também recebe oferendas que são as comidas do seu Orixá, e também, simbolicamente, brinquedos infantis, festas, bolos, aí já dentro do sincretismo religioso.

O Erê é responsável pelo cumprimento litúrgico do ronkó independente do iyawo  estar virado ou não, é o vigia do Orixá.

O Erê também responsável pelo resguardo do iyawo defendendo-o contra tudo e em qualquer momento em que estiver fora da Casa de Santo.

O Erê quando muito bem educado e doutrinado, pode ocupar depois de algum tempo, lugar de destaque na Casa de Candomblé podendo dar eventualmente, consultas, indicar ebós, etc.

O Erê estará sempre ligado as determinações do Orixá, pois sem a presença do Orixá não haverá Erê, é condição básica a presença do Orixá para  o que o mesmo deixe o Erê chegar, como também para o Erê ir embora, o Orixá também retornará realinhando as energias.

O Erê acompanhará sempre o sentimento do Orixá  com os mesmos Ewós, kizilas, ajeuns e indumentária básica.

No dia  seguinte a festa da saída do Iyawo, um novo ritual acontece chamado Panan, que é o reaprendizado do dia dia, quebra de ewós, readaptação a vida social, onde pode  haver a participação do Erê, o Erê ganhará um nome que esteja intimamente ligado ao seu Orixá, escolhido por quem o apadrinhou.

Todos os iniciados tem Erê, porém nem todo Orixá deixa o Erê, ainda assim existe um orô para chamar o Erê. Erê Mi!

Os Erês podem participar e serem vistos em algumas casas antigas no ritual chamado  “Carurú de Ibeji”, onde são homenageados os Orixás gêmeos que regem o nascimento do Orixá no ronkó. Só não podemos confundir Erê de Orixá de personalidade infantil com os Orixás Ibeji.

Hoje em dia quase não se vê mais um orô de Erê, o  sincretismo os uniu as crianças da Umbanda, Ibejadas, Cosme e Damião, etc.

Erê cura, reza, faz ebó, presente, passado, futuro e fala sério brincando!

Texto: Fernando D’Osogiyan

Foto: Internet

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