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Òsá mèjì

Òsá méjì

 

Orí buruku ki i wu tuulu.

A ki i da ese asiweree mo loju-ona.

A ki i m’ orí oloye lawujo.

A dia fun Mobowu ti i se obinrin Ògún.

Orí ti o joba lola, enikan o mo ki toko-taya o mo pe’raa won ni were mo.

Orí ti o joba lola, enikan o mo.

 

Uma pessoa de mau Orí não nasce com a cabeça diferente das outras.

(Não devemos julgar pelas aparências).

Ninguém consegue distinguir os passos do louco na rua.

(Um destino ruim não é identificado pelo olhar)

Uma pessoa que é líder não é diferente e também é difícil de ser reconhecida.

(Nascemos predestinados a liderança, Ọrúnmìlá forma seus líderes)

É o que foi dito à Mobowu, esposa de Ògún, que foi consultar Ifá.

(Ela precisava conhecer seu destino)

Tanto esposo quanto esposa não deviam se maltratar tanto, nem física e nem espiritualmente.

(A luta pela liderança não deve ser agressiva, um líder é notado, ele não se faz notar).

O motivo é que o Orí vai ser coroado e ninguém sabe como será o futuro da pessoa.

(Não devemos menosprezar ninguém. Como será o seu futuro amanhã?).

 

Um abraço a todos e que luz de Obàtálá esteja sempre em seus caminhos e que meu òrìsà os ajude a caçar.

Foi um ótimo convívio, quem sabe um dia poderemos nos falar ou mesmo nos conhecer.

O dàbo

Da ilha

 

Fé, crença e disciplina

 

Para aqueles que ainda pensam que dançamos (Sirè) no salão como pura vaidade e brilho.

Para aqueles que ainda pensam que somos uma religião de pobres coitados descendentes de uma turma vista sem eira e nem beira.

Para aqueles que pensam que nossa religião faz pacto com demônios e afins.

Para aqueles que estão dentro da religião e ainda não acordaram, recomendo a leitura e analise deste texto, com várias mensagens nas entrelinhas e muitas metáforas.

Aqui está o nosso desenho, a nossa Fé, a nossa Crença e a nossa Disciplina.

Se você acha que eu sou careta demais para o ‘seu gosto’, desculpe!

Mas, eu sou careta e não sou para o ‘seu gosto’.

Isto é Ișẹșẹ (Tradição).

A Tradição de nossos ritos, de nossa forma de louvar, curvar, deitar, ajoelhar, rezar, comer, confraternizar, cantar e interagir com o Universo, sem oceano a nos separar ou quem sabe para nos ligar.

No último dia 20 de agosto comemoramos o dia de Ișẹșẹ L’Àgbà, A Tradição mais antiga.

O texto abaixo eu recebi de uma pessoa que nunca vi em minha vida, que nunca trocou uma palavra comigo, porém, creio eu, que o trabalho que fazemos acabou despertando algo neste Bàbáláwo nigeriano que o inspirou a me enviar esta mensagem e eu retribuo dividindo ela com vocês.

Falemos um linha sobre Ifáyàbàlè, da elisão: Ifá Ìyà Bàbá ilè.

Que significa:

A Sabedoria dos Pais e Mães da Terra. 

Isto está dentro do rito de reafirmação da crença., isto nada mais é do que vigiar, então…

Acho que foi a intenção desta mensagem Ifá diz que devemos nos vigiar constantemente, pois, somente assim não incorreremos novamente em erros e nem vamos relaxar.

Vigiar, vigiar e vigiar.

Sobre a atividade fim de nossa Religião:

Alguém já se questionou ou se perguntou sobre este assunto?

Quem poderia responder?

Uma boa leitura

Da Ilha.

 

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Fé, crença, autocontrole e autodisciplina são a base sobre a qual uma vitória concreta, sucesso, realização, boa saúde, longa vida e felicidade estão baseados.

Antes de esperar grandes coisas de si mesmo ou de sua vida, você deve levar em consideração certas coisas desconhecidas ou não, vibrações visíveis ou outros fatores e para ter todos estes visíveis, precisaremos de disciplina espiritual, extrema fé, crença, autocontrole e autodisciplina.

Ninguém ganha coisa alguma do Pai da luz, sem devoção pessoal ou disciplina espiritual, a renúncia ao prazer corporal, abster-se de álcool, tabagismo, fofoca, preocupação, ciúmes e outra vibração negativa que prive sua alma de alcançar a glória e a vitória.

Fé traz o melhor para você e fé em si mesmo e a fé no Deus infinito e suas numerosas divindades nos levam ao sucesso absoluto, progresso e vitória, que se estendem de geração a geração.

Podemos desenvolver nossas capacidades e energia através da disciplina para solidificar a fé e neutralizar o nosso medo, preocupação e decepção para alcançar o sucesso.

Medo deprime, preocupação destrói, ansiedade mata, você sabe que a fé cria energia abundante e vibração que transforma todas as coisas a nosso favor. Não devemos permitir que o medo perturbe a nossa vida, quando sabemos que os fundamentos de todas as coisas emanam da fé. A Fé provoca e esperamos o melhor, o medo é pessimista e a fé é crescente em direção à luz e a morada de Deus.

A fé é otimista.

Medo anuncia fracasso, enquanto a fé é sinônimo de sucesso, progresso, vitória e riqueza. Não pode haverá cortejamento por parte do medo, das situações de penúria, quando a mente estiver saturada com a fé e a disciplina pura. A preocupação não pode existir onde há fé e disciplina, devemos acreditar em Olódùmarè, a infinita misericórdia.

Lembre-se que uma poderosa fé prolonga a vida, porque a fé eleva e garante o perfeito funcionamento do mecanismo do corpo. A fé vê além do conjunto temporário a sua volta e põem em marcha todas as vibrações positivas que trazem todas as coisas boas a sua vida e a sua porta. Seja fiel e disciplinado, eu acredito que você verá a glória de Deus.

Medo e preocupação podem deixar o funcionamento do seu corpo perturbado, afetando o perfeito funcionamento do fluxo divino de energia.

Fora da fé você faz seus sacrifícios, a fé que você tem em seus rituais e a crença completa farão você se iniciar para o seu òrìşà e outras divindades, para levantá-lo da floresta do cavaleiro punitivo, o castigador celestial.

Não importa o que você está passando agora ou que tipo de problemas estão surgindo, você luta contra estas forças contrárias ao lado de Olódùmarè através da sua fé e Ele enviará as suas divindades preponderando a oferta de possível solução para o problema. A fé é a solução para os desafios invisíveis e visíveis da vida.

Disciplina, fé/crença, autocontrole, oração e outras atividades espirituais são os maiores operadores de milagres e mudanças na vida de muitas pessoas e ainda realiza maravilhas na vida da maioria em todo o universo.

Por que você tem que esperar para cultivar o saudável hábito da oração, da disciplina e da fé completa.

Dedique tempo aos esforços, desenvolva o espírito de oração, faça sacrifícios e seja disciplinado, busque a sabedoria de Odù, faça suas iniciações, no momento certo, você verá a bênção de Deus e de seus inúmeros Irúnmòle fluindo através de você para seus vizinhos, sua família e seu trabalho, como a água da chuva que cai do céu para o solo.

As pessoas que possuem fé abundante olham para Deus como solução para situações mais agudas eles tem a forte crença de que o poder infinito, mais forte do que eles, irá dirigir seus passos e guiar suas vidas.

Quando o mal vem a eles e a catástrofe os enfrenta, a disciplina, a fé e a crença, fazem eles olharem além do infortúnio e ver o sol atrás das nuvens, ver a vitória e nenhuma derrota.

Não importa o que possa acontecer, eles sabem, e com certeza, que Deus em Sua infinita divindade lhes dará a vitória

Lembre-se que a preocupação deve ser substituída pela fé, a derrota pela crença, a ociosidade pela oração.

Iniciações e disciplina de modo a cumprir o destino divino. Nunca se esqueça de fazer a sua parte, trabalhar duro, trabalhar com sabedoria, trabalhar com disciplina e estar comprometido com o que é bom e grandioso, para permitir que o fluxo de energia positiva flua em sua vida.

Fé, disciplina, crença, sacrifício, rituais e suas iniciações, o tornarão mais jovem, vigoroso, otimista, esperançoso e irradiará vida na glória de Olódùmarè.

Para quem ainda não sabe, FÉ é ausência de duvida!

Seja bom e você será abençoado.

Seja disciplinado para terminar o que você está fazendo com a ajuda do Todo-Poderoso e Grande Olódùmarè.

 

 

Ire Aláàfià

 

Olayinka Babatúnde Adewuyi 

 

Tradução Odé Gbàfáomi.

 

Agosto é o mês de Òşún em Ọșogbo, pela honra e a gloria deste irúnmolè

Há inúmeras divindades no panteão yorùbá. Alguns estudiosos dizem que elas são duzentos e um (201), enquanto alguns estão dizem que são quatrocentos (400) e os outros dizem que eles são quatrocentos e um (401). A pesquisa mostrou que as divindades em terra yorùbá são mais de quatrocentos e um, ainda que a maioria delas estejam esquecidas e elas sejam apenas pontos de referências na história.

A coisa mais importante a saber é que, existem inúmeras divindades em terras yorùbá e cada uma é dotada de poder e responsabilidade na administração teocrática do universo. As divindades yorùbá tal como um ser humano tem diversas partes, tais como: olhos, pernas, mãos, orelhas e assim por diante. Nenhum deles é independente e não pode realizar com êxito sem interagir ou cooperar com outros ou alguns membros ou partes do corpo. Òşún está entre as divindades mais poderosa das terras yorùbá, ela tem um relacionamento mais profundo com outras divindades do panteão yorùbá.

Há um mito de que Òşún foi esposa de Şàngó, o deus do trovão e do relâmpago.

Isto é probatório, quando vemos parte do oríkì de Òşún que diz assim:

Por causa do Àmàlà

Òşún procura por Şàngó.

Em troca ela recebe yánrin (um vegetal) por causa de filhos.

O oríkì de Òşún acima revela um tipo de relação conjugal entre Òşún e Şàngó. Não foi somente com Şàngó que Òşún teve relação, ela também teve relação com Osányìn o deus das ervas. Uma das músicas que eles cantam para Òşún durante o festival de Òşún em Ọșogbo, também revela isso.

A canção é assim:

Eu seguro profundamente em Osányìn como um escudo

Eu seguro profundamente em Osányìn como um escudo

Nunca uma guerra capturou Òròkí

Eu seguro profundamente em Osányìn como um escudo

 

Esta canção revela que Osányìn é um forte escudo de proteção para a defesa da floresta de Òşún e sua comunidade em geral. A comunidade de Ọșogbo é considerada uma tribo de Òşún (Àgbàlá Òşún).

Por isso, Ibúsanyìn, é o escudo, que não permitirá qualquer agressão externa ou intrusos nos Òròkí (ie Ọșogbo), que é o tribunal de Òşún. Da canção, outra coisa que podemos descobrir é que Òşún é um curandeiro tradicional, que usa água fria, enquanto Osányìn também é um curandeiro que usa ervas.

Em seguida, ela implica que ambos estão desempenhando papéis importantes e complementares para garantir a boa saúde da humanidade. É evidente que o tipo de relação entre Osányìn e Òşún não é uma questão de superioridade ou inferioridade, é reciprocidade na natureza.

Isto é contrário à lenda em Ọșogbo que Òşún tomou o poder de Osányìn. O poder e o papel de Osányìn e a mostra desta literatura é que a relação entre Òşún e Osányìn é reciproca.

Òşún também é uma Àjé que é parte integrante do sistema de cura em terras ioruba. Da mesma forma, Osányìn está intimamente associada com as Àjé no processo de curar em terras yorùbá. A estrutura do festival de Òşún em Ọșogbo também revela que, Osányìn e Òşún estão intimamente relacionados e associados no elo existente entre do sistema de cura entre os yorùbá. Wenger (1990: 61) observou que:

O pássaro abriga Osányìn e suas implicações mágicas para com Àwọn Ìyàámi (as Àjé), que são as detentoras do ambivalente positivo e negativo, as forças mágicas.

A proximidade de Osányìn com Àwọn Ìyàámi, orienta seus feitos psicossomáticos curativos eficazes, especialmente sua capacidade de transformar a magia – influxo emocional da histeria destrutiva das forças criativas e os rituais.

O trecho acima corrobora com nosso ponto de vista no que diz respeito à relação entre Òşún e Osányìn. Dentro dos sete dias de atividades do festival de Òşún em Ọșogbo, um dia inteiro é dedicado à realização de rituais para Osányìn.

Como eles adoram Òşún anualmente, em público, eles fazem o mesmo para Osányìn. A edição das dezesseis lamparinas de Osányìn fazem farte do oríkì coletivo da comunidade de Ọșogbo.

 

Oríkì Òşún

 

Eu tenho prazer em visitar Ọșogbo.

E visitar a corte de Òşún.

Onde eles fazem corante índigo.

E eles usam argamassa de bronze para bater,

Descendência das dezesseis lamparinas

Que brilha em Òròkí Ilé

Se ela brilhar para o rei

Ela brilhará para Òşún

Se ela brilhar para os Irùnmolè (divindades)

Ele vai brilhar para o povo (ser humano)

 

A citação acima revela que a lamparina de Osányìn não é apenas para o benefício de Òşún e Osányìn sozinhos. Ela é útil para eles, é útil para os nativos de Ọșogbo, para as outras divindades e a humanidade também.

Esta apresentação é contrária a visão de algumas pessoas que tem a opinião de que Òşún se aproveitou das dezesseis lamparinas de Osányìn, quando ela conquistou este último. A reverencia durante o festival de Òşún, a Osányìn, revela e reafirma a oralidade da verdade sobre o relacionamento destes dois irúnmolè e que não validam opiniões em contrário.

Um mito revela que Òşún e Ợya já foram casadas com Şàngó.

Isso significa que Ợya e Òşún foram co-esposas na casa de Şàngó.

Isto é evidente no oríkì Òşún que diz:

 

Quem vai me acompanhar até a casa da minha mãe?

Minha mão direita eu vou usar para fazer meu cordão Kẹlẹ

Minha mão esquerda eu vou usar para segurar meu cordão baba.

O centro vou usar para segurar o Şęrę.

Ajude-me a saudar Òşún, a mãe misericordiosa.

 

Em terras yorùbá, contas kẹlẹ pertence a Ợya, baba é um cordão que pertence a Òşún, enquanto Şàngó possui Şeré, uma cabaça medicinal.

Todos estes são temas ou emblemas dessas divindades.

Se visualizarmos o oríkì de Òşún acima, veremos que Ợya situa-se no lado direito da Sàngó que fica no centro, enquanto Òşún é visto do lado esquerdo. Se um homem dorme entre duas belas senhoras (mulheres) ele vai usar a mão direita para tocar sua mão direita e a mão esquerda para tocar a outra à esquerda.

Sàngó, que fica no meio, é o marido enquanto Ợya e Òşún são duas co-esposas. Isto é estabelecer que, estas três divindades são inter-relacionadas. É também prova que tanto Òşún quanto Ợya são deusas do rio. Portanto, elas estão interligadas uma a outra. Existe ainda um outro mito que revela que Sàngó tinha muitas mulheres e que Òşún era uma delas, outros mitos incluem Ợya e Oba, que também são divindades fluviais.

Diz o ditado assim:

Obìnrin pò lợwợ Olúkòso Àrèmú, şìşe yànyánnşe l’Òşún fi gbórí lợwợ gbogbo wọn.

Isso é, Şàngó tem muitas esposas, Òşún se tornou sua melhor esposa, porque ela sabe como cuidar dele.

Şàngó ainda é chamado Olúkòso Àrèmú. O ditado acima revela que Şàngó tinha muitas mulheres, Òşún está entre elas, e que, a sua atitude de cuidar de Şàngó, fez dele “seu animal de estimação” (algo muito querido).

De fato, Òşún está inter-relacionada com outras divindades em terras yorùbá.

Várias atividades ocorrem durante o festival de Òşún em Ọșogbo que revelam que ela está inter-relacionada e interligada a várias divindades em terras yorùbá, tais como: Ifá, Ợbàtálá, Èşù, Ègbé, Orí e assim por diante.

Quando Ìyá Òşún e o Àwòrò Òşún, querem escolher a data do festival de Òşún eles vão perguntar a Ifá. Durante o período do festival real, os sacerdotes de Ifá, Ợbàtálá e Eégúngún também participam. Isto significa que eles estão interligados; Ọrúnmìlá interconectado e interdependente já foi o marido de Òşún. A história conta que, foi Ọrúnmìlá quem ensinou Òşún a arte da adivinhação que é chamado Ẹẹ́rìndínlógún.

O papel de Òşún no processo de cura tradicional entre os yorùbá é muito importante. Da mesma forma, o ciclo de cura tradicional será quebrado, se Ifá e Osányìn forem retirados dele.

Portanto, podemos ver Ọrúnmìlá, Osányìn e Òşún como colegas de trabalho ou como parceiros interligados.

Durante Òşún festival, um dia inteiro é dedicado ao culto de Orí (destino). Os yorùbá consideram Orí uma divindade importante a quem eles adoram.

Dizem até que:

 

Não ofereça Obi como sacrifício para qualquer divindade por muito tempo, vamos sacrificar a Orí.

Não há nenhuma divindade que possa apoiar ou beneficiar uma pessoa sem o consentimento de seu Orí).

 

O dia do sacrifício para Orí no festival de Òşún em Ọșogbo é chamado o dia da Ìboríbọadé.

Isso significa que há uma ligação entre Òşún e Orí. Ela é uma reparadora da cabeça no mundo espiritual. O Pente de Òşún tem poder místico de embelezar cabeças. Sua água está habilitada com a capacidade de lavar a má sorte das pessoas que optaram por uma cabeça ruim em seu período pré-gestacional no céu de acordo com a crença yorùbá. O tipo de cabeça que um indivíduo possui determina o sucesso ou o fracasso de uma pessoa. Porém Òşún, tem o poder de curar cabeças ruins, com a ajuda de sua água.

Eégúngún é também um culto tradicional e de destaque nas comunidades yorùbá.

Esta é a forma de pagar homenagem aos pais falecidos que se pensa estarem tomando papel ativo e proeminente nos assuntos da família ou da comunidade que deixaram para trás. Um dia inteiro é dedicado ao culto de Reis e Rainhas falecidos. Este dia é conhecido como Ayaba Ìsàlè.

Entre os Yorùbá, Şànpònná é normalmente referido como o deus da varíola, que costumava ser a principal doença das crianças em uma comunidade.

Uma visita ao santuário de Òşún no palácio será uma convicção de que Òşún e Şànpònná estão interligados. Isto é porque, eles oferecem sacrifícios a eles (os motivos) juntos ao mesmo santuário, no mesmo altar.

Da mesma forma, existe a crença dos yorùbá de que existem crianças espirituais misteriosas que têm o seu Ègbé, Sociedade Celeste. Elas são chamadas de Ẹmẹrẹ ou Elẹrẹẹ. Seu líder é chamado Ìyà Ẹrẹ ou Ìyà Jànjàsá. Esta sociedade foi a principal responsável pela alta taxa de mortalidade infantil em terras yorùbá no passado.

Portanto, eles geralmente trazem sofrimentos, aflições e pena para o povo. Ao lado do grande santuário de Òşún está localizado o santuário de Ègbé Òrun. Isto não é acidental ou casual, mas sim, deliberado. É dever de Òşún pôr fim às travessuras deste misterioso grupo de crianças. Òşún como uma deusa tem poderes cósmicos e místicos e ela pode interagir livremente com o mundo espiritual.

Talvez seja por causa de sua interação com esses seres espirituais que torna possível para ela frear os males da humanidade. Por isso, existe um tipo de relação entre eles. Em Ọșogbo, há o festival de imagens durante o qual os seus devotos trazem as imagens de várias divindades das terras yorùbá para o mercado local, em novembro. Eles começam a cantar o oríkì de cada uma dessas divindades para invocar seus espíritos. Esta adoração e veneração é feita de forma verbal. É durante este festival que os novos membros do culto de Òşún são iniciados.

Em resumo, a relação de Òşún e outras divindades é uma indicação de que a perfeita e saudável proteção, de cura e salvamento do ser humano não está nas mãos de uma única divindade. Todos interagem e se relacionam para usar o Àse que Olódùmarè deu a cada um, concretamente, para manter a lei, a paz e a ordem do universo.

 

Bayreuth Estudos Africanos Documentos de Trabalho

(October 2005)

George Olusola Ajibade

Pergunte a Ifá

Aos amigos internautas, iniciados e abian  que ainda não tiveram acesso ao Corpus literário de Ifá, mostraremos um de seus versos contidos no Odù Èjì Ogbè (Èjì Onilè).

Estas mensagens cifradas e as parábolas são uma rotina neste tipo de literatura que há pouco tempo atrás tinha-se conhecimento apenas através da oralidade. Hoje temos acesso a vários livros, blog, site e trabalhos avulsos para podermos começar a entender este mundo, ainda novo para o ocidente, chamado filosofia de Ifá.

Este Corpus Literário contém 16 Odù chamados Olódù (Èjì Onilè, Òsá, Òbàrà, Òfún e etc.) e 240 Ọmọ Odù, cada um deles trás em seu Corpus Literário algo perto de 1648 versos/poemas/mensagens de Ifá (O porta voz, aquele que guarda os ensinamentos de Olódùmarè), o que temos abaixo é um exemplar destas mensagens. Os sacerdotes de Ifá devem ter estes versos de cor, o maior número possível, pois, estes versos se completam, somando-se a ele, o tabu do consulente, o etùtú, o osè dùdù e mensagem de Ifá para a mudança da sua vida.

Somente assim conquistaremos vitórias, somente obedecendo a orientação de Ifá conseguiremos chegar a um bom lugar.

 

Boa leitura.

Da Ilha 

Éjì Ogbè

 

Nós lançamos Ifá com nossa mão (Nós batemos Ikin).

Nós pressionamos Ifá no chão.

Elesa a gbo gi (nome do sacerdote)

Foi lançado Ifá para Ogbè (foi feito o jogo).

Quando ele vinha do Céu para a Terra.

Eles disseram que Ogbè iria entrar no mundo.

Ogbè foi aconselhado a realizar sacrifício (fazer ebo).

Ogbè consultou os itens para o sacrifício.

Ogbè deve sacrificar um rato para trilhar caminhos no mato.

Um peixe para traçar caminhos através do oceano.

Um galo para limpar os caminhos na Terra.

Eles disseram que Ogbè alcançaria o mundo.

Ogbè realizou o sacrifício.

Ogbè se aventurou.

Ele chegou à floresta.

Ogbé ficou perplexo.

Èsù sussurrou no ouvido dele.

Lembre-se você tem um rato para abrir caminho na floresta.

Ogbé usou o rato.

O rato desbravou um caminho pela floresta.

Èsù disse para Ogbè segui-lo.

Quando ele saiu da floresta.

Ogbè encontrou o oceano.

Ogbè ficou perplexo.

Èsù sussurrou no ouvido dele.

Lembre-se você tem um peixe para traçar um caminho através do oceano.

Ogbè deixou o peixe cair na água.

O peixe começou a nadar.

Èsù disse para Ogbè segui-lo.

Quando ele nadou para fora da água.

Ele encontrou a cidade.

Ele não sabia que direção tomar.

Èsù sussurrou no ouvido dele.

Lembre-se você tem um galo para encontrar um caminho na Terra.

Èsù disse para Ogbè seguir o galo.

Ogbè chegou ao centro da cidade.

Ele ficou feliz e começou a dançar e se alegrar.

Nós lançamos Ifá com nossas mãos.

Nós pressionamos Ifá no chão.

Elesa gbo gi (nome do sacerdote).

Foi ele quem lançou Ifá para Ogbè.

No dia que ele estava vindo do Céu a Terra.

O rato usa seu Orí para abrir caminhos na floresta.

O peixe usa seu Ori para abrir caminhos no oceano.

O galo usa seu Ori para abrir caminhos na Terra.

Ogbè, portanto, tornou-se popular (ele obteve sucesso).

A estrela de Ogbè não deve cair como as folhas das árvores.

Ogbè deve ascender um caminho através da dificuldade.

Sagrado Odú Éjì Ogbè.

 

De acordo com a filosofia e estilo de vida do òrìsà, a vida é uma viagem.

Àjò l’ayè, a viagem da vida, é marcada por muitos portais de iniciação. Cada portal exige uma separação do passado, em favor do que é e o que será. E tão misterioso quanto possa parecer, a viagem fundamental, bem como os portais da iniciação, são tão naturais quanto à própria vida. Desde o nascimento até a adolescência, passando pela idade adulta e além, todas as nossas experiências são ritos de passagens ao longo do caminho da vida.

 

Ainda assim, o caminho leva-nos através de alguns territórios perigosos, durante o qual as decisões importantes devem ser tomadas, esperamos não só sobreviver à viagem, mas também prosperar. No versículo acima, Ifá usa as metáforas da floresta, do oceano e da terra para exemplificar a gama de capacidade de adaptação e preparação necessárias para a navegação bem sucedida.

 

E a dificuldade de sucesso?

Quando você falha, você é forçado a se ajustar, buscar novas metodologias e fazer novas alianças. Mas quando você é bem sucedido, é tentador tentar aplicar novamente as mesmas práticas que uma vez funcionaram tão bem às novas circunstâncias. Infelizmente, isso raramente demonstra ser eficaz. Você tem que tentar todas as novas práticas, mas, ao mesmo tempo, manter um senso claro de verdade pessoal e identidade.

 

No verso de Éjì Ogbè acima, foi Èsù que repetidamente lembrou Éjì Ogbè dos itens de sacrifício que ele estava carregando e quando deveria fazer uso deles em diferentes fases da viagem.

E este é o segredo do sucesso a longo prazo:

Cada um de nós, sem exceção, tivemos alguém que acreditou em nós e nos deu a orientação adequada e que precisávamos para satisfazer a paisagem em constante mudança na jornada da vida.

 

Às vezes, apesar de nosso conhecimento, do nosso talento e experiência só precisamos de alguém para nos dizer o que fazer e quando devemos fazê-lo!

A nossa capacidade de reconhecer esses momentos e nos dar bons conselhos vai fazer a diferença entre ser chamativo e inesquecível, entre competência e excelência, entre ser competitivo e ser superior.

 

Como saber mais sobre como estabelecer uma relação com um conselheiro confiável que irá ajudá-lo a otimizar seus dons e talentos naturais?

Pergunte a Ifá.

 

Àse.

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As vezes me pego pensando nos ensinamentos de um dia-a-dia de uma casa de Àse.

Me pergunto por que a figura divina de Olódùmarè é tão invisível em nossas conversas, por que Deus tem todo este aspecto religioso cristão?

Por que a ‘mesquinharia’ do olhar apenas para “O nosso òrìsà”, como o mundo se encerrasse ali naquela figura divina.

Por que o meu é importante?

Por que o seu é importante?

Por que o coletivo é relegado?

São questionamentos que estão fora do movimento principal de nossa religião, o amor fraterno e universal. Quanta vezes nos pegamos encolhidos na carência de alguma coisa e não sentimos a mão da fraternidade nos tocar e ao mesmo tempo não nos colocamos do outro lado da moeda e não conseguimos enxergar as necessidades alheias.

Por que será?

Eu acredito que não nos interessa muito saber das necessidades particulares (excluindo as fofocas) de uma pessoa, isto pode acarretar dispêndio: de tempo, dinheiro ou qualquer outra coisa que terei que doar.

Pensamento óbvio: Melhor não me meter nisso!

E por que não queremos nos envolver, por que nos recusamos a ajudar?

Existem pessoa completamente desprendidas destes sentimentos, porém, apenas para os mais chegados, os da nossa turma.

Vejo vários relatos de pessoas aqui no blog querendo ‘virar’ com suas entidades para poder prestar caridade.

Será?

Será que este amor fraterno e universal somente te toca quando você está incorporado, ou será que o lisonjeio dos comentários lhe fazem falta?

Aquela coisa que estamos careca de saber:

Os elogios e os ‘depoimentos’ das curas maravilhosas da Vovó, do Vovô, do Caboclo, do Povo das ruas, Beijada/Erè, esse pai de santo “joga prá cacete” (sorry) e etc., ai o ego infla, o personagem ganha status dentro do Eu interior do médium e a vaidade sobe a cabeça (desculpem o tema não é este).

O famoso deixa que Eu vou te dar um negocio para você fazer e tudo será resolvido, ou, vai lá em casa que eu vou botar a Pomba-gira na terra para resolver isso.

Alguém seria capaz de dizer que já se ofereceu a ajudar como ser humano, em vez de dar lugar a famosa ajudinha espiritual, pois, a experiência me diz que muitas vezes a pessoa quer ser ouvida e não escutada, quer um ombro, uma palavra amiga.

Não quer ouvir a verdade, quer apenas falar e se iludir em seu mundo egocêntrico e tem gente que acha que precisa da ajuda divina para ajudar esta pessoa. Quando na verdade você, apenas você, projetando sua sensibilidade espiritual poderia ajudar esta pessoa, com seu ombro, com seu ouvido atendo, com apenas com uma nota de 50,00 reais ou menos (aqui falamos de quem não tem o que comer) ou então revelando a verdade que ela não quer e teima em não ouvir.

Este tipo de gente escuta a energia (entidade) por que o ser humano a muito se ausentou de suas responsabilidades de ser um Ser Humano.

O texto abaixo nos remete a nossa relação com Olódùmarè e alguns de seus ensinamentos, mais uma vez, coloco o assunto em pauta para uma reflexão.

Que tipo de orientação espiritual estamos buscando e ao mesmo tempo oferecendo?

Se você acha careta falar de Deus, que Deus e o amor universal passam longe de nosso culto/religião, você com certeza deve ser uma dessas pessoas que vivem escondidas em um mundinho muito pequeno e que precisa ouvir algumas verdades.

Da Ilha.

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Esta questão tem ocupado a atenção de pensadores através das eras. Alguns filósofos argumentam que a relação entre Deus e o homem é como a relação entre um pai já falecido e seus sobreviventes.

Outros têm argumentado que Deus viveu uma vez, mas que morreu há muitos milênios atrás e que é seu espírito que continua a orientar as questões do sistema planetário, da mesma maneira que alguns acreditam que as almas dos ancestrais continuam a ditar as principais regras de algumas questões.

As revelações de Ọrùnmìlá confirmam que a existência de Deus não pode e nunca poderá ser objeto de debate. A maneira pela qual ele tem ordenado o projeto do céu e de toda a terra e também a justiça divina para aqueles que contrariam as leis naturais, são provas inquestionáveis para as regras intervencionais de Deus em nossas vidas.

É minha visão que o conceito de uma personalização e personificar Deus, que está velando constantemente os assuntos de todas as suas criaturas onde quer que elas possam estar, pode conclusivamente ser defeituosa. A ideia de um Pai impiedosos que condena infratores para sempre ao fogo eterno do inferno é simplesmente uma atrocidade e insustentável. Se um simples mortal não pode ser impiedoso o bastante para condenar uma criança má aos lobos ou ao fogo abrasador, por que deveria alguém pensar do Pai como sendo ainda pior que um humano cruel.

As punições para algumas contravenções as leis naturais são postas abaixo, elas não estão baseadas na vontade de Deus. Portanto nós não esboçaremos para Deus uma figura de um disciplinador, que se assenta a julgar tudo e todas as ofensas cometidas por suas criaturas. As sanções penais por ofender as leis da natureza são retribuídas automaticamente. Elas são similares à aplicação das leis terrestres.

A lei representa reforço cumprindo o ditado contra alguma ofensa independente de ser ele ou não filho daqueles que fizeram a lei, que está acima de algumas circunstâncias normais. É desnecessário dizer portanto que Deus não pode causar dano a espécie humana, é o modo que está decretado para fazer, para aqueles que transgredirem as leis naturais. Assim sendo, nenhum dano “feito por Deus” ao homem deixa de ser um dano feito a ele mesmo, já que a humanidade é uma personificação do Seu próprio ser.

Deus é o mesmo para tudo que existe, o que inclui ambas as criaturas orgânicas e inorgânicas. Nós todos desempenhamos um papel ou outro para fazer o Corpo de Deus todo trabalhar com mais eficiência. As forças do bem e do mal coexistem dentro de sua composição fisiológica, assim como eles existem dentro dos nossos corpos microscópicos.

A relação entre Deus e nós mesmos é análoga ao nosso relacionamento com os organismos vivos que funcionam dentro dos nossos corpos. Para atuarmos e vivermos como seres humanos, nós temos milhões de células agindo dentro dos nossos corpos, cada qual representando um papel distinto.

Não há forma pela qual influenciarmos diretamente o caminho destas células a executarem suas funções individuais, exceto por meio de nossa conduta geral. Por exemplo, quando alguém bate uma de suas mãos na mesa para marcar um ponto, esse alguém causou danos a centenas ou milhares de células vivas dentro de algum corpo e há células que talvez tenham estado suplicando dentro de algum corpo por algum tipo de libertação.

Do mesmo jeito, qual emoção pode proporcionar para Deus matar centenas ou milhares de suas criaturas, componentes da espécie humana, plantas e animais em um terremoto?

Fazê-lo não lhe dá prazer nem quando o mundo destrói a si mesmo nas guerras. Guerras são conflitos intra fratricidas dentro do corpo de Deus, visto que os conflitos fazem parte do processo da vida.

Nós não temos como antever os pedidos e aspirações dos organismos vivos dentro do nosso corpo, exceto que suas condições refletem em nosso próprio visual e saúde. Se eles estão saudáveis e sadios, fazem bem o seu trabalho e também se sentem saudáveis. Ao mesmo tempo, Deus está feliz quando as minúsculas células dentro de seu corpo, plantas, animais, água, fogo, sol e lua, homens e mulheres estão todos executando suas funções satisfatoriamente e com alegria.

Ọrùnmìlá por outro lado revela que Deus uma vez teve existência física e que era frequentemente possível para auxiliares próximos, às divindades e seres vivos interagirem com ele, como nós abertamente interagimos com nossos pais. Como o sistema planetário expandiu em tamanho e população, a tarefa de dar ouvidos a todo mundo veio a ser embaraçosa, ao ponto que Ele decidiu evaporar no ar fino. Contudo antes de fazê-lo deste modo, ele designou as 200 divindades para assumirem a responsabilidade de julgar e intervir nos assuntos do céu e da terra.

Não é portanto um acidente da história que cada uma das variadas divindades tem seus próprios seguidores e adeptos. Os adoradores de Ògún, Òşún, Olokún, Òrìşà N’La, Şàngó, Cristo, Buda, Bruxaria, Judaísmo, Ọrùnmìlá, Asupúrú e etc., mas não têm justificativa para reivindicar superioridade em seus meios de adoração acima dos outros, porquê de acordo com a revelação de Ọrùnmìlá, cada um destes ramos vai para diferentes partes do mundo para auxiliar as forças do bem a predominarem sobre as forças do mal. O denominador comum entre todos eles é que aconselham seus seguidores a não fazerem mal algum e não destruir seus companheiros, porquê e contra as leis naturais. Eles (as divindades também) todos estão sujeitos as leis naturais, que seus seguidores então façam aos outros o que também desejam para si mesmos.

Aqueles que contrariam esta regra de ouro, levam a sua gratificação apropriada aqui mesmo na terra Tendo em vista o que já nos foi mencionado, é claro que a relação entre Deus e os homens é comparada ao Pai que envia suas crianças para fora de casa para seguirem diferentes vocações para o progresso de toda a família.

O pai envia a cada uma de suas crianças o discernimento para determinarem como melhor cumprirem suas tarefas. Ele está interessado apenas no resultado final dos esforços de suas crianças.

Deus nos criou com mãos, pés, inteligência e discernimento para possibilitar nos virarmos por nós mesmos dentro das amplas regras do conjunto de ética chamado de Leis Naturais.

Deus não veda a ninguém fazer o bem ou o mal, porque está decretado nas leis naturais que assim como a noite segue o dia, qualquer um que faz o bem terá boa chegada em seu caminho e aquele que faz o mal sem dúvida colherá os frutos do mal.

Ọrùnmìlá revela que Deus apenas ri em duas circunstâncias, uma quando uma pessoa perversa que tramou o mal contra o seu próximo, vai de joelhos implorar a Deus por um favor, Deus ri imensamente. Por outro lado, quando pessoas estão tramando contra uma pessoa com um coração limpo, e eles rezam a Deus para abençoar seus planos maléficos, Deus se ri deles.

Se você planta milho, você simplesmente pode esperar colher milho. Ninguém pode justificavelmente esperar que a serpente dê a luz a uma ave. Isto é contra as leis divinas do universo.

Este é o motivo pelo que as divindades só podem dar ouvidos para a voz dos justos.

Aqueles que recorrem ao uso de remédios diabólicos para obter sucesso em suas intenções maléficas, não angariam o suporte das divindades.

Nem Deus e nem algum de seus servos cooperará com alguém que reza por ajuda para destruir ou prejudicar seus amigos, companheiros ou vizinhos.

Envolver-se em má conduta uns contra os outros companheiros na esperança que após isto implorando dia e noite pode salvar alguém dos longos braços da justiça divina, é com certeza colocar a eficácia da oração em dúvida.

Qualquer pessoa só pode desejar ter sucesso se também encorajar o sucesso alheio. Ninguém pode obstruir constantemente a ação da justiça e esperar altos poderes para fazer justiça à causa de alguém. Esta é a Lei Divina (do justo retorno).

Muitos mensageiros do céu têm através das eras tentado ensinar o mundo como servir a Deus.

Todos eles têm enfatizado, sem exceção, que o único caminho verdadeiro do servo de Deus é fazendo o bem para vossos amigos, companheiros, vizinhos e até mesmo inimigos.

Que favor pode esperar o homem de Deus, quando ele se recusa a usar seu carro para levar a esposa do seu vizinho ao hospital quando ela entra em trabalho de parto?

O homem que nega seu carro, passará a uma vítima moribunda de um acidente sem nenhum auxílio para levá-lo ao hospital, mesmo buscando a ajuda de Deus dezesseis vezes por dia, não virá a ele, por que ele não propagou isto anteriormente. Se ele houvesse prestado auxílio a um necessitado em seu momento mais crítico,

Deus também poderia vir ajudá-lo através de alguma fonte quando ele estivesse em dificuldades.

Podem as orações trazer libertação ao homem que recusou ajudar um colega de trabalho com N2,00 para alimentar sua família, quando de fato ele tinha acima de N300,00 em seu armário de cozinha naquele momento tão crítico?

Não devemos orar pelo que não temos ganhado (pedir indiscriminadamente). Nós apenas podemos angariar a benevolência das divindades, se não hesitarmos em auxiliar aqueles que necessitaram de nós em momentos anteriores.

Aqui se encontra a similaridade entre a oração e o sacrifício. Para que a oração se manifeste deve estar claro que o ofertante tenha sacrificado previamente seu esforço, hora ou dinheiro a ajudar ao necessitado. Isto se aproxima estreitamente ao sacrifício físico feito freqüentemente às divindades quando desejamos angariar sua ajuda.

Este é o motivo pelo qual Ọrùnmìlá recomenda a seus seguidores nunca recusar ajuda a amigos, vizinhos ou companheiros necessitados. Veremos como as forças das trevas punem o homem que ocultou o cervo, o qual matou no mato, parecer com um cadáver humano, simplesmente porque ele não queria que nenhum dos membros de sua comunidade partilhasse dele. Ele perdeu duas de suas crianças antes de ser capaz de relacionar casualmente a sua traição com a morte de suas crianças.

De fato Ọrùnmìlá avisa a seus seguidores para ter sempre comida em casa, de acordo com a possibilidade, com o intuito de que visitantes famintos encontrem o que comer. Ele assegura que qualquer um que se porte desta forma, nunca será rejeitado de forma que só irá consolidar sua hospitalidade. Portando nos mantendo no bom caminho, e nos orientando para fazê-lo, conseguiremos permanecer felizes como alguém que só é verdadeiramente feliz fazendo os outros felizes. Há muitas pessoas ingratas no mundo, mas a vítima da ingratidão sempre vive muito mais que o ingrato.

A estória de como Deus enviou Nene ir buscar caracóis (ìgbín) para sacrifício.

Sem fazer questionamento algum ela partiu para sua tarefa. Deus a chamou de volta para lhe entregar quatro presentes para a jornada, uma noz de cola (obi), uma pimenta (ataare), um pedaço de giz (ẹfun), e uma peça de pano branco. Ela sabia que naquela época os caracóis não estavam disponíveis no céu, mas ela estava determinada a vasculhar toda a extensão e largura do céu e da terra para trazer os caracóis.

Depois de vagar no mato por algum tempo, Èşù a divindade do mal, se transfigurou em quatro tipos diferentes para colocá-la a prova.

Primeiro uma velha senhora apareceu para ela e implorava por giz para fazer alguma coisa por sua filha que estava em trabalho de parto. Nene a favoreceu com o pedaço de giz que Deus tinha lhe dado.

A seguir um velho senhor apareceu para ela implorando por um pedaço de pano branco para levar remédio para seu filho mais velho que estava sofrendo de convulsões. Num gesto de genuíno interesse e simpatia, ela cedeu a única peça de pano que Deus lhe havia dado.

Não muito longe dali, uma mulher surgiu com uma criança chorando em suas costas. A criança estava com fome. Assim que Nene ouviu o choro da criança, correu até a mãe para saber o que estava acontecendo. A mãe explicou que tinha estado na floresta o dia todo sem nenhuma comida para dar ao seu filho. Obi era principal alimento no céu. Nene então, deu o único obi que tinha para a mulher, que ficou muito feliz.

Finalmente um caçador se juntou a ela para pedir por uma pimenta, a qual ela igualmente de boa vontade repartiu. Com o que, ela tinha beneficiado com o os quatro presentes recebidos de Deus.

Assim que ela deu a pimenta ao caçador, ele se afastou um pouco e retornou para encontrá-la.

Ele lhe perguntou o que fazia na floresta.

Quando ela explicou que fora enviada por Deus na busca de caracóis.

O caçador disse-lhe para esperar. Ele abriu a pimenta e lançou as sementes no mato.

Então ele disse a ela para entrar no mato na direção em que ele havia lançado as sementes da pimenta.

Ela foi ao mato e viu um número incontável de caracóis.

A de se notar que foi a única alternativa de Nene, dispor dos presentes para obter o que estava procurando. Se ela tivesse se acomodado em casa ou se ajoelhado na floresta para rezar para os caracóis virem até ela, teria falhado em sua missão.

Pode se notar também que Deus não disse a ela o que deveria fazer com os presentes que lhe deu. Ela estava livre para usar seu próprio discernimento.

 

A OBRA COMPLETA DE ỌRÚNMÌLÁ

Por Òsámoro

Tradução: Odé Gbàfáomi.

 

Rezas

Eu gostaria de abrir este post, dizendo que as rezas não são propriedades de nenhum sacerdote, que somente “os mais velhos” podem conhecer e saber de cor. Isto é enganação, enrolação, embromação e falta de caráter de quem retém a informação. Conhecemos muito bem as rezas que não podem sair do ilè Ikú, todo iniciado tem o direito a conhecer, rezar e aumentar o seu portfólio de conhecimento.

Nosso saudoso e que tanto contribuiu com nosso culto Altair T’Ògún, entendeu este problema e publicou o livro de rezas mais completo que conhecemos: Elégun. Portanto iniciados, adeptos e abian, comecem a decorar suas rezas, vocês vão precisar.

Òrìsà gbe wa o.

As rezas são expressões dos desejos que nós queremos manifestar de forma séria e sincera. A reza então significa comunicar nosso desejo às divindades para que nos apoie e nos ajudem a assegurar que nossos desejos se concretizem.

Muitas pessoas não sabem como rezar para que se obtenha o efeito desejado. Algumas pessoas rezam mecanicamente e esperam resultados. Desafortunadamente, os resultados não serão positivos por um longo tempo. Na história do homem, o rezar é o entendimento de como se trabalhar uma reza que nós apreciamos e como fazer com que ela funcione para nós.

Ifá reconhece três tipos de rezas:

As rezas sócias religiosas

As rezas de precaução.

As rezas ocultas esotéricas

Reza sócio religiosa

 

Este tipo de reza é a mais comum entre as três. Geralmente é usada pelos líderes religiosos, os maiores ou aqueles que demostram apreço por alguém que lhes fez um favor ou necessitam de um.

Aqueles que estão buscando ajuda também utilizam este tipo de reza.

Estas rezas se dizem durante batizados, ocasiões importantes como: bodas, funeral, devoções matutinas e etc.

Quando alguém entra em uma casa, que acaba de comprar ou construir, as pessoas vêm e compartilham da alegria pelo esforço da pessoa feliz. O sacerdote encarregado rezará para que as divindades dêem a mesma sorte a todos os presentes. Quando alguém da à luz a um filho, durante o batismo de um bebe, o sacerdote rezará para que as divindades estendam a mesma sorte a todos os presentes. Quando um casal se casa, o sacerdote oficiante rezará aos deuses para que estenda essa felicidade para todos os presentes. Quando um jovem morre o sacerdote reza aos deuses para que ponha um fim à morte prematura. Todos os presentes devem dizer àse, pois estaram se resguardando dos equívocos desta reza. Todos nós sabemos que todos não podem ter a mesma sorte, todos nós sabemos que nem todas as pessoas poderão ter uma casa, nem todos poderão ter filhos, nem todos poderão se casar formalmente e nem todos viveram até a velhice. Também quando as pessoas buscam ajuda de alguém, a pessoa que necessita de ajuda deverá rezar aos deuses para que abençoe a pessoa que está buscando ajudá-la. Quando o benfeitor é capaz de cumprir as expectativas da pessoa que buscou ajuda, se fará outra onda de rezas pelos bons gestos do benfeitor.  Quem está buscando ajuda pede aos deuses que abençoe seu benfeitor e que os faça maiores do que nunca.

Isto é muito comum entre os que pedem e os que levam vidas relacionadas com a medicina. Essas rezas podem fazer com que as coisas passem ou não (benção). Sem exagerar, porém a pessoa que reza e a que recebe a benção são felizes.

Em outras ocasiões, a pessoa faz algo grande ou oportuno para a sociedade ou para algum mais velho da sociedade. Os que recebem essas bênçãos devem aprecia-la e comover-se para rezar por esta pessoa por algo que foi feito por eles para que receba as bênçãos e a bondade das divindades.

Todos os envolvidos devem dizer àse para que as orações se tornem realidade.

Aqueles que não são capazes de pagar em dinheiro o favor que lhe prestaram, ou aqueles que não aceitam qualquer tipo de recompensa também são eficazes, normalmente são pagos com cerimonias sócio-políticas, com honrarias, medalhas, certificados e etc.

Os heróis, os líderes de comunidade, aqueles que foram trazidos para frente da sociedade, os jovens que se destacam por seus serviços a sociedade, podem receber serviços de reza especial em apreço às boas ações em prol da sociedade.

De qualquer maneira, em vez deste encurtamento, as rezas sócias religiosas têm um efeito muito profundo nos que as recebem. Estas rezas não são à base de nenhuma força ou energia que engrandeça a manifestação destas rezas.

Como uma nota pratica, ainda assim, neste tipo de reza, aqueles que devem ter êxito, definitivamente terão êxito e aqueles que devem fracassar definitivamente fracassaram.

 

Rezas para precaução:

 

Este é o tipo de reza que as pessoas oferecem regularmente e ao mesmo tempo reforçam com medidas práticas para assegurar sua manifestação. Isto requer, mas do que meras súplicas às divindades reivindicando sua ajuda.

Uma pessoa que pede por sucesso deve trabalhar duro para conseguir o êxito, uma pessoa que pede para ter filhos deve se casar, copular, encontrar remédios para as enfermidades ginecológicas, se houver alguma e esperar pelo melhor, uma pessoa que pede para ter vida longa, deve ter cuidados com seu corpo, de sua saúde, comer bem e ter uma dieta bem balanceada e rezar pelo melhor e etc. Estas são as chaves para o êxito que se espera que os praticantes de Ifà sigam.

É Òsé Méjì que estabelece que aqueles que planejam ter êxito devem ser trabalhadores e dedicados.

 

Neste Odù, Ifá diz:

 

Sekúbe, o Bàbáláwo de Ìbàdàn (cidade nigeriana).

Este foi o Bàbáláwo que consultou Ifá para os filhos de Ìbàdàn.

Quando choravam lamentando-se por sua inabilidade em conseguir êxito financeiro.

Eles foram aconselhados a oferecer ebo

Eles aceitaram.

Depois de algum tempo, logo depois,

O sucesso e a riqueza tinham chegado.

Viajantes de Ìpo e Ọfà (cidades míticas da história yorùbá)

Vocês não podem ver que sem trabalhar duro, ninguém conseguirá êxito?

 

Então qualquer oração para o sucesso financeiro deve, como meio para alcançá-la, ser apoiada pelo trabalho duro e dedicação ao dever. Caso contrário, a oração vai ser uma mera oração sócia religiosa, que não será apoiada por nenhuma divindade.

No Odù Òtúrúpon-Ngbònwú (Òtúrúpon-Òfún), Ifá diz que para viver muito se deve aprender a pisar precavidamente e com extremo cuidado.

Neste Odù, Ifá diz:

 

Bom para você oferecer sacrifício, o Bàbáláwo de Ègbá (uma tribo)

Bem feito por realizar rituais, o Bàbáláwo de Ìjèsà (povo de Ìlẹşà)

Parte do algodão é adicionada como medida adicional a que foi trazida

Òtúrú carrega o algodão sem girá-lo.

Estas foram às declarações de Ifá aos seis anciãos.

Quando estavam indo a Ilé Ifè (capital espiritual nigeriana)

Para pedir por sua longevidade.

Eles foram aconselhados a oferecer sacrifício.

Eles aceitaram

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê uma vala

Não planeje brincar

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê uma casa se incendiando

Não entre nela

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê um homem louco com um facão

Não o espere (ou tente ser um herói)

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você come com satisfação

Não busque ter azia

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Em tempos de tribulações

Não cometa suicídio

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

 

Aqueles que desejam viver muito devem oferecer muito mais que uma grande oração às divindades. Eles devem se assegurar de não fazer nada que possa causar a morte imediata. Também devem evitar o que pode encurtar suas vidas.

 

Rezas ocultas esotéricas

 

É o tipo de reza que é realizada por forças e energias físicas e metafisicas. Este é o tipo de oração que contém todos os segredos da vida. Quanto mais se sabe essas orações e as domina, mais você se torna maior.

Verificou-se que se alguém entende este trabalho ou seus mecanismos que qualquer parte da natureza, alguém pode utilizar este conhecimento para realizar maravilhas para alguém ou para si mesmo ou para a sociedade em que se desenvolve.

Neste tipo de reza se utilizam métodos para atrair o poder dos objetos ao nosso redor, animados ou inanimados.

As pessoas usam plantas, ramos, troncos, folhas animais e/ou partes dos animais, insetos, ratos ou partes do rato, peixe, água, azeite e etc., para energizar suas orações para que se manifestem da maneira que elas querem, as pessoas também utilizam o nome das divindades, deuses, semideuses, espíritos, ancestrais, vento, sol, lua, meteoros e etc., e o poder da palavra falada para energizar as orações.

Estas rezas requer um grande poder de observação, conhecimento esotérico e habilidade para abster-se de todos os tabus para entender o propósito porque Olódùmarè criou todas as coisas da natureza e como elas trabalham e afetam todas as outras coisas individual e coletivamente antes que estes recursos abundantes de poder possam ser devidamente identificados e usados.

Não existe um limite para o poder que uma pessoa possa possuir, tudo depende da capacidade da pessoa adquirir conhecimento que é a chave para abrir a porta para este poder.

Aproximar os mecanismos de trabalho da natureza ou parte desta faz toda a diferença entre rezar e esperar limitadamente os resultados.

De forma alguma as explicações exaustivas de como fazer farão elas funcionarem em nós. Todos os livros de texto de rezas não podem fazer justiça a isto. Estes exemplos se dão para abrir os olhos dos que trabalham com rezas, enquanto o leitor é livre para implementá-las em sua vida.

 

O Odù Òfún mèjì (Epá Odù) orienta a humanidade a rezar com fervor, com afinco, com fé, sem dúvidas. Para que o objetivo seja alcançado, para que a reza seja o motor do sacrifício.

Não adianta nada, tomar banho, fazer jejum, dormir na esteira, colocar roupa limpa, fio de contas maravilhosos, trabalhar na casa de àse, dançar para a divindade, oferecer sacrifício, se a fé não estiver presente.

Pode-se obter o resultado pela invocação e atuação da energia, porém, o resultado é efêmero, pois, não há sustentação. Não há uma base, uma renovação no oxigênio da energia.

Pense nisso.

Nosso culto vai além de 99,9% das perguntas postadas aqui neste blog.

Nosso culto é filosófico, é o culto a entidade chamada Orí (VOCÊ), cultuamos e buscamos a divindade para que nos favoreçam, pois, assim foi determinado.

A divindade que neste mundo está a bilhões de anos não precisa de você para nada.

Ela continuará sendo esta força imensurável, incontrolável, inimaginável em seu poder, reforço a mensagem, ela não precisa de você e tampouco de mim.

Se você não busca-a, se você não acha a conexão entre você e ela, não haverá iniciação, sacerdote, pai de santo (odeio este termo), ogan, Èkèjì e outros mais que darão jeito nesta situação.

É você, somente você, que tem interesse neste assunto e é sua responsabilidade manter esta chama acesa. Não coloque culpa nas pessoas, no sacerdote ou quem quer que seja. Faça uma análise de tudo que você vem fazendo, do seu comportamento, do seu caráter, da sua promiscuidade, mentiras, intrigas, fofocas, tabus rompidos, enganações e etc.

Seja sincero com você, pelo menos uma vez na vida, pois, você nunca engana um alguém (seja ele quem for, visível ou invisível), você com toda certeza engana a si mesmo.

E dentro de Àtúnwá (o ir e vir para este mundo dentro de nossa cosmogonia) perder a viagem é muito desgastante, inevitavelmente acumularemos karma para a próxima viagem ao Ayè (nosso mundo).

Existe uma grande diferença em ser crente e ser fanático.

Crente é quem crê e o fanático…, dispenso descrevê-lo.

Não ter vergonha de suas divindades quando em público, conhecer suas divindades e saber qual o papel delas no universo e no nosso mundo. Assumir sem qualquer vestígio de vergonha sua crença e sua filosofia espiritual de vida.

 

 

Texto: Ifá, A chave da compreensão.

Fásínà Fálàdé

Rezas: Patrimônio Mundial da Humanidade conforme decreto da Unesco.

 

Tradução e texto final: Odé Gbàfáomi.

http://www.orisaifa.blogspot.com

Ògúndá mèjì

Ògundá mèjì

Este é o Òpèlè Ifá (instrumento de consulta do Bàbáláwo) mostrando a figura do Odù Ògúndá mèjì.

O texto é um Iton deste Odù.

Iton não são verdades absolutas, são narrativas que nos ajudam a entender o valor do mito gerado por sua historia ‘de vida’ e importância dentro do culto de Ifá/Òrìsà.

Ògúndá Mèjì foi um dos mais poderosos divinadores, tanto no céu como na terra. Ele era considerado por ter a força de Ògún e a inteligência de Ọrùnmìlá em seu trabalho. Foi ele quem revelou a estória da segunda tentativa de fazer as divindades colonizar a terra. Òbàrà Bòdí um dos discípulos de Òrùnmìlá revelará mais tarde os detalhes da primeira tentativa de colonizar a terra e como foi fundada.

Ògún, a divindade do ferro e a mais velha das divindades criadas por Deus era também fisicamente mais forte que todas as 200 divindades. Ele freqüentemente era referido como o Desbravador de Caminhos, porque guiou a segunda missão de reconhecimento do céu para a terra. Diz Ògúndá-Mèjì, que foi por conta dos atributos físicos de Ògún que Deus apontou-o para abrir uma trilha para a segunda habitação na terra. Ele era conhecido por ser egocêntrico, vaidoso e quase nunca consultava alguém para aconselhar-se.

Ele confiava quase que exclusivamente em suas habilidades produtivas e força física. O que explica o porquê não se incomodou em ir a divinação ou consultar alguém quando foi indicado por Deus para empreender a tarefa de estabelecer habitação na terra.

Assim que recebeu de Deus a ordem de prosseguir, ele o fez quase que imediatamente. Deus lhe deu 400 homens e mulheres para acompanhá-lo na missão. Chegando a terra, não demorou em descobrir as consequências de não fazer os preparativos adequados antes de virem do céu.

Seus seguidores mortais logo ficaram com fome, e exigiram comida. Já que vieram para o mundo sem nenhum suprimento, ele apenas poderia recomendar-lhes a cortar gravetos de uma floresta próxima para comer. O processo de se alimentar com gravetos não os satisfez e logo seus seguidores começaram a morrer de fome. Apreensivo por perder todos os seus seguidores por inanição decidiu retornar para o céu e comunicar o Pai Todo Poderoso que sua missão era impossível.

Em seguida Deus convocou Olókun, a divindade da água para guiar a segunda missão para a terra.

Ele também é igualmente orgulhoso e cheio de alto confiança. Também lhe foi dado 200 homens e 200 mulheres para acompanhá-lo. Ele também não fez nenhuma consulta nem divinação com os mais velhos celestes antes de vir para a terra. Chegando ele também não teve indício de como alimentar seus seguidores. Ele apenas pediu-lhes para beberem água quando ficassem com fome. Já que a água não podia alimentá-los com eficiência, começaram a morrer de fome. Logo em seguida, ele também retornou com seus seguidores que sobreviveram ao céu para informar o fracasso de sua missão. Deus então convocou Ọrùnmìlá, acompanhado por 200 homens e 200 mulheres para estabelecer uma habitação na terra. Ọrùnmìlá ponderou se ele poderia ter sucesso na missão a qual tinha desafiado os esforços dos mais velhos e das divindades mais fortes como Ògún e Olokún.

Deus persuadiu-o a fazer o seu melhor, porque era necessário despovoar o céu, estabelecendo uma habitação satélite na terra. Seu servo fiel Òpèlè avisou Ọrùnmìlá a não recusar a tarefa porque com as preparações adequadas, ele estava convencido que o sucesso o aguardava.

Com as palavras de persuasão de seu Òpèlè favorito, Ọrùnmìlá concordou em partir na missão, mas apelou a Deus em lhe dar a indulgência para se preparar em alguns dias antes de partir.

Ọrùnmìlá implorou as divindades mais velhas do céu para assisti-lo no planejamento de sua missão.

Eles lhe garantiram que ele teria sucesso em estabelecer uma habitação na terra. Ògúndá-Mèjì, um de seus próprios filhos pediu-lhe seis cawries e avisou-o para coletar um de cada dos animais e plantas comestíveis no céu, para a missão. Ele também avisou para dar um bode para Èşù e apelar para Èşù segui-lo para a terra na missão.

Após fazer todos os sacrifícios prescritos, ele foi finalmente liberado por Deus. Antes de partir implorou a Deus para permitir que Ilè, a divindade da habitação, fosse com ele.

Mas Deus lhe disse que não era sua intenção divina despachar duas divindades para terra ao mesmo tempo, já que Ele pretendia mandá-las uma após outras. Deus, entretanto assegurou a Ọrùnmìlá que ele teria sucesso na terra, e enviaria seu servo Òpèlè para voltar ao céu e buscar Ilè, para auxiliá-lo. Ele então partiu para a terra.

Tão logo Ọrùnmìlá partiu, Èşù foi contar a Ògún que Ọrùnmìlá estava viajando para terra pela rota a qual ele (Ògún) estabeleceu. Ògún imediatamente foi bloquear a rota com uma espessa floresta.

Quando os partidários de Ọrùnmìlá se aproximaram da floresta, não sabiam o que fazer. Ele enviou o rato para procurar um caminho através da floresta. Antes que o rato retorna-se, Ògún apareceu a Ọrùnmìlá e interrogou-o pela ousadia em prosseguir para a Terra sem informá-lo. Ele, entretanto explicou que havia enviado Èşù para informá-lo e quando Ògún relembrou que foi Èşù quem realmente avisou-o, imediatamente limpou a floresta para Ọrùnmìlá prosseguir em sua jornada.

Antes de deixá-lo, Ògún avisou Ọrùnmìlá que apenas outra obrigação ele lhe devia, era alimentar seus seguidores com os gravetos da mesma forma que ele fez, e então Òrúnmìlá prometeu fazer.

Nesse meio tempo, Èşù também informou à Olokún que Ọrùnmìlá estava em seu caminho para a terra para ter sucesso aonde eles falharam. Olokún reagiu provocando um largo rio para bloquear o avanço. Quando Ọrùnmìlá veio à margem do rio, despachou um peixe para procurar uma passagem através do rio. Enquanto aguardava pelo retorno do peixe, Olokún apareceu e interrogou-o porque ele ousou embarcar em uma viagem para a terra sem obter sua permissão.

Ọrùnmìlá explicou que longe de desdenhar Olokún, ele tinha na verdade enviado Èşù para informá-lo de sua missão na terra. Quando Olokún compreendeu que Èşù tinha vindo a ele, retirou a água para Ọrùnmìlá prosseguir em sua jornada. Contudo alertou Ọrùnmìlá que ele estava sob a obrigação divina de alimentar seus seguidores como ele (Olokún), com água. Ọrùnmìlá prometeu acatar o conselho de Olokún. Sem mais obstáculos em seu caminho, Ọrùnmìlá prosseguiu sua jornada.

Chegando ao mundo, ele rapidamente avisou a todos os seus seguidores masculinos para limpar o mato e construir cabanas temporárias cobertas com esteiras. Quando aquela tarefa foi completada, retiraram os produtos agrícolas e sementes que ele trouxe para seus seguidores plantarem no mato que tinham limpado. Ao anoitecer todos eles se retiraram para dormir em suas cabanas. Èşù, que tinha recebido um bode antes da missão partir do céu, foi trabalhar nas sementes plantadas e nos animais. Quando eles levantaram ao amanhecer, descobriram que todos os produtos agrícolas tinham não apenas germinado, mas tinham produzido frutos, prontos para a colheita. Estes incluíam inhames, plantações, milho, vegetais, frutas, etc. Ao mesmo tempo toda a criação que eles trouxeram do céu tinham se multiplicado durante a noite. Aquele foi o primeiro milagre operado por Ọrùnmìlá na terra, como uma manifestação direta dos sacrifícios que ele fez antes de vir do céu.

Quando seus seguidores então pediram por comida antes de se lançarem ao trabalho rotineiro do dia, ele lhes disse, em respeito à injunção de Ògún, para cortar gravetos do mato ao lado para comer. Eles fizeram como lhes foi dito. Após mastigarem os gravetos por um longo tempo, lhes disse para beberem água como ele foi advertido em fazer por Olókun. O processo de acatar as instruções dadas a ele por Olókun e Ògún é seguido até os dias de hoje por toda a humanidade, por meio da rotina de começar o dia com a mastigação de gravetos ou escovação dos dentes e enxaguando a boca com água.

Tendo atendido aos desejos de seus mais velhos, Ọrùnmìlá disse ao seu povo para se alimentar com os animais e plantas que abundavam no povoado. Eles tinham sucesso em preparar o terreno para uma habitação permanente na terra. Satisfeito que nada então ficou em seu caminho para o sucesso na terra, Òpèlè propôs a Ọrùnmìlá que era hora de enviá-lo para informar a Deus que a terra já estava adequadamente habitável o suficiente para Ilè juntar-se a ele. Ọrùnmìlá concordou, mas lhe disse que ele primeiro convocaria Èşù para acompanhá-lo na terra antes de pedir por Ilè. Tendo prometido anteriormente acompanhá-lo assim que fosse convocado, Èşù imediatamente concordou em acompanhar Òpèlè a terra.

Antes da chegada Ọrùnmìlá pediu a seus seguidores para construir uma cabana para Èşù na entrada do povoado. Tão logo Èsù instalou-se em seus aposentos, Ọrùnmìlá enviou um bode a ele. Ele ficou muito feliz em comer a sua comida preferida, a qual imaginou que não estaria disponível na terra.

Quando Òpèlè veio conferir se Èşù estava bem, o primeiro lhe disse-lhe para pedir a Ọrùnmìlá para perdoá-lo por causa das dificuldades iniciais que criou antes do mesmo partir do céu, incitando Ògún e Olókun contra ele. Ọrùnmìlá perdoou e implorou a Èşù para ficar na terra para ser seu posto de ouvinte, prometendo sempre alimentá-lo. Após aguardar em vão pelo fracasso de e retorno para o céu de Ọrùnmìlá e seus seguidores, Olokún decidiu no céu retornar a terra para descobrir como a missão estava indo. Quando Olokún chegou a terra, encontrou Èşù que lhe disse que Ọrùnmìlá tinha tido sucesso em tornar a terra habitável. Quando Olokún encontrou Ọrùnmìlá, pediu-lhe para perdoar por conta dos obstáculos iniciais criados por ele. Ọrùnmìlá lhe disse que as desculpas não eram necessárias porque o sucesso não é gratificante sem dificuldades iniciais. Contudo Ọrùnmìlá disse para Olokún concordar em viver com ele na terra. Ele então concordou em fazê-lo, mas insistiu que teria que ir ao céu para pedir ao Pai Todo Poderoso para permiti-lo retornar com seus seguidores. Olókun chegou ao céu e Deus permitiu-lhe retornar a terra com seus seguidores.

Quando Ògún ouviu que Olókun havia partido para acompanhar Ọrùnmìlá na Terra, ele também decidiu ir e ver as coisas por si mesmo. Quando Òpèlè viu Ògún partindo do céu para a Terra, alertou Òrúnmìlá que imediatamente instruiu seus seguidores a dar outro bode a Èşù para evitar algum choque entre eles. Quando Ògún chegou, Èşù ainda estava comendo seu bode e estava muito ocupado para se incomodar. Ele simplesmente indicou a Ògún para seguir para onde Ọrùnmìlá morava. Assim que Ọrùnmìlá viu Ògún, se ajoelhou para cumprimentá-lo, sendo seu irmão mais velho. Ògún retribuiu a altura desculpando-se com Ọrùnmìlá pelas dificuldades iniciais que criou para ele. Novamente Ọrùnmìlá explicou que as desculpas eram desnecessárias porque sem aqueles problemas duros, provavelmente não teria tido indicio de como alimentar seus seguidores. Ọrùnmìlá então persuadiu Ògún em ficar na Terra com ele, porque sem ele (Ògún) era impossível alguma tecnologia se desenvolver na Terra. Ọrùnmìlá explicou que sabia apenas fazer divinação, mas que não sabia como inventar ou fabricar. Sentindo-se lisonjeado, Ògún rapidamente concordou em retornar ao céu para ter permissão de Deus para voltar com seus seguidores para a terra. Ògún por fim retornou com seus seguidores.

Foi naquele estágio que Ọrùnmìlá finalmente enviou Òpèlè para trazer Ilè do céu. Quando Òpèlè narrou a mensagem de Ọrùnmìlá para Deus, o Pai Todo Poderoso, instantaneamente convocou Ilè para seguir para a Terra para auxiliar Ọrùnmìlá. Èşù foi novamente o primeiro agente que Ilè encontrou chegando a Terra. Èşù encaminhou-o para encontrar Ọrùnmìlá em sua cabana. Longe de desafiar Ilè como fez com Olokún e Ògún, Èşù implorou a Ilè que ele sempre seria mais bem sucedido que seus irmãos mais velhos e sem ele ninguém teria satisfação completa na Terra, porque ele era caracteristicamente paciente e inofensivo. Quando Ilè encontrou Ọrùnmìlá, prestou-lhe respeito, fazendo-o capaz de vir e auxiliá-lo na terra. Ọrùnmìlá retrucou proclamando com seu instrumento de autoridade (Àşè) que:

Se respeito lhe fosse prestado, seria sempre estendido a Terra;

Olokún sempre moraria na água tendo em vista o rio que usou para bloquear sua aproximação a terra, mas que ele seria o distribuidor de riquezas e prosperidade para a espécie humana;

Ògún sempre seria usado para produzir grandes feitos, mas que ele próprio sempre trabalharia agitadamente noite e dia e não teria paz de mente.

Ele então disse aos três para seguirem em seus caminhos em separado. Os três deixaram os aposentos de Ọrùnmìlá. Eles mal haviam se movido para fora do aposento, quando subitamente Ilè desfaleceu morto. Assim que caiu morto seu corpo desapareceu da vista e em seu lugar uma constelação de casas, prédios, e residências surgiram no chão. Desta forma, Ilè tinha se transfigurado em casas respeitáveis para todos os habitantes existentes e futuros morarem. Ọrùnmìlá rapidamente deixou sua cabana coberta de esteiras e foi para ficar no melhor e mais agradável aposento produzido para ele por Ilè. Ògún ficou aborrecido e se recusou a ficar em qualquer um dos aposentos providenciados por Ilè. Então construiu sua própria casa caindo aos pedaços, chamada izegede, a qual onde ele está até hoje.

Olokún também se sentiu provocado e voltou-se para a água para constituir-se nos oceanos, mares e rios dessa terra. Os homens e as mulheres trazidos para a Terra por Ọrùnmìlá, Olókun e Ògún, logo começaram a casar entre si e multiplicar-se pelos quatro ventos desta terra.

É importante relembrar que o fim da vida e reencarnação posterior dos seguidores que inicialmente vieram com Ọrùnmìlá, Ògún, Olókun e outras divindades tornaram-se os sacerdotes e filhos destas divindades até hoje e para a eternidade. Aqueles que desviaram o caminho do rebanho, ou que não foram privilegiados em descobrir sua família, são os homens e mulheres que passam por todos os tipos de dificuldades na Terra.

Neste estágio Òpèlè partiu para o céu, mas avisou a Ọrùnmìlá para procurar por ele depois de algum tempo no caminho para a fazenda. Por fim transformou-se em uma árvore cujo os frutos são usados até hoje para preparar o instrumento divinatório Òpèlè. Ele disse à Ọrùnmìlá como usar as sementes que ele traria dali em diante para divinação.

Por: Bàláláwo Osamoro

Tradução Odé Gbàfáomi

http://www.orisaifa.blogspot.com

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