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O candomblé e o tempo

In: “Concepções de tempo, saber e autoridade da África para as religiões afro-brasileiras” por Reginaldo Prandi

Parte II

Um novo adepto do candomblé ou outra religião afro-brasileira tradicional que tenha nascido e sido criado fora dessa religião, na qual ele ingressa por escolha pessoal, não é caso raro (Prandi, 2000a). Desde que o candomblé se transformou numa religião aberta a todos, independentemente da origem racial, étnica, geográfica ou de classe social, grande parte dos seguidores, ou a maior parte em muitas regiões do Brasil, é de adesão recente, não tendo tido anteriormente, nem mesmo no âmbito familiar, maior contacto com valores e modos de agir característicos dessa religião. Na maioria dos casos, aderir a uma religião também significa mudar muitas concepções sobre o mundo, a vida, a morte. O novo adepto do candomblé, ao frequentar o terreiro, o templo, e participar das inúmeras atividades coletivas indispensáveis ao culto, logo se depara com uma nova maneira de considerar o tempo. Ele terá que ser ressocializado para poder conviver com coisas que, nos primeiros contactos, lhe parecerão estranhas e desconfortáveis. Ele tem de aprender que tudo tem sua hora, mas que essa hora não é simplesmente determinada pelo relógio e sim pelo cumprimento de determinadas tarefas, que podem ser completadas antes ou depois de outras, dependendo de certas ocorrências, entre as quais algumas imprevisíveis, o que pode adiantar ou atrasar toda a cadeia de actividades. Aliás, esses termos “atrasar” e “adiantar” são estranhos à situação que desejo considerar, pois no candomblé, como já disse, tudo tem seu tempo, e cada actividade se cumpre no tempo que for necessário. É a actividade que define o tempo e não o contrário.

As festas de candomblé, quando são realizadas as celebrações públicas de canto e dança, as chamadas cerimónias de barracão, durante as quais os orixás se manifestam por meio do transe ritual, são precedidas de uma série de ritos propiciatórios, que envolvem sacrifício de animais, preparo das carnes para o posterior banquete comunitário, fazimento das comidas rituais oferecidas aos orixás que estão sendo celebrados, cuidado com os membros da comunidade que estão recolhidos na clausura para o cumprimento de obrigações iniciáticas, preparação da festa pública e finalmente a realização da festa propriamente dita, ou seja, o chamado toque. Preparar o toque inclui cuidar das roupas, algumas costuradas especialmente para aquele dia, que devem ser lavadas, engomadas e passadas a ferro (é sempre uma enormidade de roupas para engomar e passar!); pôr em ordem os adereços, que devem ser limpos e polidos; preparar as comidas que serão servidas a todos os presentes e providenciar as bebidas; decorar o barracão, colhendo-se para isso as folhas e flores apropriadas etc. etc.

Num terreiro de candomblé, praticamente todos os membros da casa participam dos preparativos, sendo que muitos desempenham tarefas específicas de seus postos sacerdotais. Todos comem no terreiro, ali se banham e se vestem. Às vezes, dorme-se no terreiros noites seguidas, muitas mulheres fazendo-se acompanhar de filhos pequenos. É uma enormidade de coisas a fazer e de gente as fazendo. Há uma pauta a ser cumprida e horários mais ou menos previstos para cada actividade, como “ao nascer do sol”, “depois do almoço”, “de tarde”, “quando o sol esfriar”, “de tardinha”, “de noite”. Não é costume fazer referência e nem respeitar a hora marcada pelo relógio e muitos imprevistos podem acontecer. No terreiro, aliás, é comum tirar o relógio do pulso, pois não tem utilidade. Durante a matança, os orixás são consultados por meio do jogo oracular para se saber se estão satisfeitos com as oferendas, e podem pedir mais. De repente, então, é preciso parar tudo e sair para providenciar mais um cabrito, mais galinhas, mais frutas, ou seja lá o que for. Em qualquer dos momentos, orixás podem ser manifestar e será preciso cantar para eles, se não dançar com eles. Os orixás em transe podem, inclusive, impor alterações no ritual. Eles podem ficar muitas horas “em terra” enquanto todos os presentes lhes dão atenção e tudo o mais espera. Durante o toque, a grande cerimónia pública, a presença não prevista de orixás em transe implica o alargamento do tempo cerimonial, uma vez que eles devem também ser vestidos e devem dançar. A chegada de dignitários de outros terreiros, com seus séquitos, obriga a homenagens adicionais e outras sequências de canto e dança. Embora haja um roteiro mínimo, a festa não tem hora para acabar. Não se sabe exactamente o que vai acontecer no minuto seguinte, o planeamento é inviabilizado pela intervenção dos deuses.

Quando se vai ao terreiro, é aconselhável não marcar nenhum outro compromisso fora dali para o mesmo dia, pois não se sabe quando se pode ir embora, não se sabe quanto tempo vai durar a visita, a obrigação, a festa. Aliás, candomblé também não tem hora certa para começar. Começa quando tudo estiver “pronto”. Os convidados e simpatizantes vão chegando num horário mais ou menos previsto, mas podem esperar horas sentados. Então muitos preferem chegar bem tarde, o que pode acarretar novos atrasos. E não adianta reclamar, pois logo alguém dirá que “candomblé não tem hora”. Uma vez, depois de muita espera, perguntei a que horas iria o candomblé realmente começar. A resposta foi: “Depois que mãezinha (a mãe-de-santo) trocar de roupa.” Enfim, o tempo será sempre definido pela conclusão das tarefas consideradas necessárias no entender do grupo, a fórmula: “quando estiver pronto”.

Essa ideia de que o tempo está sujeito ao acontecer dos eventos e ao sabor da realização de tarefas necessárias pode ser observada no quotidiano dos terreiros também fora das festas. Pesquisadores que estão se iniciando em trabalho de campo se espantam muito com a “falta de horário” das mães e pais-de-santo, tendo que esperar horas e horas, se não dias, para fazer uma entrevista que pensavam estar agendada para um horário bem determinado. Clientes que vão ao terreiro para o jogo de búzios ou outros serviços mágicos também podem se sentir incomodados pelo modo como o povo-de-santo usufrui do tempo.

Em 1938, a antropóloga americana Ruth Landes veio ao Brasil para estudar as relações raciais entre nós e permaneceu vários meses em pesquisa junto aos candomblés de Salvador. É muito interessante o relato de seu primeiro encontro com a jovem Mãe Menininha do Gantois, que décadas depois viria a ser a mais famosa mãe-de-santo do Brasil. Marcada a visita, Menininha a recebeu e com ela começou a conversar com muita simpatia. Chegou então uma filha-de-santo que cumprimentou a mãe com todas as reverências, dizendo-lhe alguma coisa em voz baixa. Menininha pediu licença à antropóloga para se retirar um momento, dizendo-lhe que ficasse à vontade e que voltaria em seguida. A tarde se esvaiu, com muita movimentação na casa, muitas pessoas chegando e saindo, mas a mãe-de-santo não voltou à sala. Com o dia já escuro, discretamente, Ruth Landes voltou para seu hotel. Só tempos depois pôde continuar sua conversa com a ialorixá. Soube mais tarde a antropóloga que a mulher que interrompera a entrevista trazia problemas e que a mãe fora cuidar dos rituais necessários para resolver a aflição da filha (Landes, 1967: 86-99). Comentando o episódio, Ruth Landes escreveu: “Durante a minha permanência na Bahia pasmava-me a liberdade que as mães tomavam com o tempo. Menininha não voltou à sala aquele dia e como soube, subsequentemente, sempre se atrasava, sempre demorava. Era um privilégio da sua posição, aceito como natural numa terra de aristocracia e escravidão. Que era o tempo? O tempo era o que se faz com ele e ela estava sempre ocupada” (Landes, 1967, p. 95). O que Landes atribuiu a privilégios numa terra de aristocracia e escravidão era, entretanto, a expressão de uma concepção africana de tempo muito diferente daquela a que estamos habituados por força de nossa cultura europeia.

Para o pensador africano John Mbiti, enquanto nas sociedades ocidentais o tempo pode ser concebido como algo a ser consumido, podendo ser vendido e comprado como se fosse mercadoria ou serviço potenciais – tempo é dinheiro -, nas sociedades africanas tradicionais o tempo tem que ser criado ou produzido. Mbiti afirma que “o homem africano não é escravo do tempo, mas, em vez disso, ele faz tanto tempo quanto queira”. Comenta que, por não conhecerem essa concepção, muitos estrangeiros ocidentais não raro julgam que os africanos estão sempre atrasados naquilo que fazem, enquanto outros dizem: “Ah! Esses africanos ficam aí sentados desperdiçando seu tempo na ociosidade” (Mbiti, 1990, p. 19).

O candomblé e o tempo

In: “Concepções de tempo, saber e autoridade da África para as religiões afro-brasileiras” por Reginaldo Prandi

Parte I

Diferentes sociedades e culturas têm concepções próprias do tempo, do transcurso da vida, dos fatos acontecidos e da história. Em sociedades de cultura mítica, também chamadas sem-história, que não conhecem a escrita, o tempo é circular e se acredita que a vida é uma eterna repetição do que já aconteceu num passado remoto narrado pelo mito. As religiões afro-brasileiras, constituídas a partir de tradições africanas trazidas pelos escravos, cultivam até hoje uma noção de tempo que é muito diferente do “nosso” tempo, o tempo do Ocidente e do capitalismo (Fabian, 1985). A noção de tempo, por se ligar à noção de vida e morte e às concepções sobre o mundo em que vivemos e o outro mundo, é essencial na constituição da religião.

Muitos dos conceitos básicos que dão sustentação à organização da religião dos orixás em termos de autoridade religiosa e hierarquia sacerdotal dependem do conceito de experiência de vida, aprendizado e saber, intimamente decorrentes da noção de tempo ou a ela associados. Assim, muitos aspectos das religiões afro-brasileiras podem ser melhor compreendidos quando se consideram as noções básicas de origem africana que os fundamentam. Da mesma maneira se pode ampliar o conhecimento sobre valores e modos de agir observáveis entre os seguidores dessas religiões quando consideramos a herança africana original em oposição a concepções ocidentais com que a religião africana teve e tem de se confrontar no Brasil, sobretudo nas situações em que concepções de diferentes origens culturais se opõem e provocam ou propiciam mudanças naquilo que os próprios religiosos acreditam ser a tradição afro-brasileira, seja ela doutrinária, seja ritual. As noções de tempo, saber, aprendizagem e autoridade, que são as bases do poder sacerdotal no candomblé, de caráter iniciático, podem ser lidas em uma mesma chave, capaz de dar conta das contradições em que uma religião que é parte constitutiva de uma cultura mítica, isto é a-histórica, se envolve ao se reconstituir como religião numa sociedade de cultura predominantemente ocidental, na América, onde tempo e saber têm outros significados.

O candomblé de que trata o presente texto é a religião dos orixás formada na Bahia, no século XIX, a partir de tradições de povos iorubás, ou nagôs, com influências de costumes trazidos por grupos fons, aqui denominados jejes, e residualmente por grupos africanos minoritários. O candomblé iorubá, ou jeje-nagô, como costuma ser designado, congregou, desde o início, aspectos culturais originários de diferentes cidades iorubanas, originando-se aqui diferentes ritos, ou nações de candomblé, predominando em cada nação tradições da cidades ou região que acabou lhe emprestando o nome: queto, ijexá, efã (Silveira, 2000; Lima, 1984). Esse candomblé baiano, que proliferou por todo o Brasil, tem sua contrapartida em Pernambuco, onde é denominado xangô, sendo a nação egba sua principal manifestação, e no Rio Grande do Sul, onde é chamado batuque, com sua nação oió-ijexá (Prandi, 1991). Outra variante iorubá, esta fortemente influenciada pela religião dos voduns daomeanos, é o tambor-de-mina nagô do Maranhão. Além dos candomblés iorubás, há os de origem banta, especialmente os denominados candomblés angola e congo, e aqueles de origem marcadamente fom, como o jeje-mahim baiano e o jeje-daomeano do tambor-de-mina maranhense.

Foram principalmente os candomblés baianos das nações queto (iorubá) e angola (banto) que mais se propagaram pelo Brasil, podendo hoje ser encontrados em toda parte. O primeiro veio a se constituir numa espécie de modelo para o conjunto das religiões dos orixás, e seus ritos, panteão e mitologia são hoje praticamente predominantes. O candomblé angola, embora tenha adotado os orixás, que são divindades nagôs, e absorvido muito das concepções e ritos de origem iorubá, desempenhou papel fundamental na constituição da umbanda, no início do século XX, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Hoje, todas essas religiões e nações congregam adeptos que seguem ritos distintos, mas que se identificam, nos mais diversos pontos do país, como pertencentes a uma mesma população religiosa, o chamado povo-de-santo, que compartilha crenças, práticas rituais e visões de mundo, que incluem concepções da vida e da morte. Terreiros localizados nas mais diferentes regiões e cidades interligam-se através de teias de linhagens, origens e influências que remetem a ascendências que convergem, na maioria dos casos para a Bahia, e que daí apontam, no caso das nações iorubás, para antigas e, às vezes, lendárias cidades hoje situadas na Nigéria e no Benim.

A idéia que norteia o presente trabalho é refazer inicialmente essa trajetória, religando a África dos orixás aos terreiros de candomblé de nações iorubás, que podem hoje ser encontrados na Bahia, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Distrito Federal e outros Estados, para, num segundo momento, procurar entender como e por quê as antigas heranças religiosas vão sofrendo mudanças e adaptações no contexto das transformações socioculturais que modelam o Brasil atual. Embora o texto presente esteja focado na observação do candomblé iorubá, para o qual podemos contar com uma etnografia que permite estabelecer comparações entre o que se observou na África e o que se observa no Brasil, é fato que muitas das conclusões podem ser, em maior ou menor grau, aproximadas para o conjunto das religiões afro-brasileiras, quando não extravasadas para além do universo estritamente religioso, em outras dimensões da cultura popular brasileira.

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Muito em brave vamos ter aqui uma surpresa boa para os nossos leitores! Fiquem atentos, e entretanto , se tiverem oportunidade, não deixem de assistir a este documentário! Hoje deixamos aqui o “aperitivo”! ;)

Axé!

O candomblé e o tempo

In: “Concepções de tempo, saber e autoridade da África para as religiões afro-brasileiras” por Reginaldo Prandi

 Parte III

Antes da imposição do calendário europeu, os iorubás, que são a fonte principal da matriz cultural do candomblé brasileiro, organizavam o presente numa semana de quatro dias. O ano era demarcado pela repetição das estações e eles não conheciam sua divisão em meses. A duração de cada período de tempo era marcada por eventos experimentados e reconhecidos por toda a comunidade. Assim, um dia começava com o nascer do sol, não importando se às cinco ou às sete horas, em nossa contagem ocidental, e terminava quando as pessoas se recolhiam para dormir (Mbiti, 1990, p. 19), o que podia ser às oito da noite ou à meia-noite em nosso horário. Essas variações, importantes para nós, com nosso relógio que controla o dia, não o eram para eles.

Cada um dos quatro dias da semana iorubá tradicional, chamada ossé, é dedicado a uma divindade (Ojô Awô, Ojô Ogum, Ojô Xangô, Ojô Obatalá, respectivamente, dia do segredo ou de Ifá, dia de Ogum etc.), regulando uma atividade essencial para a vida de todos os iorubás tradicionais: o mercado. O mercado ou feira funciona em cada aldeia e cidade num dos dias da semana, todas as semanas ou a cada duas, três ou quatro semanas. Até hoje, as mulheres vão vender seus produtos nos mercados de diferentes cidades, fazendo dessa atividade uma instituição fundamental para a sociabilidade iorubá e a regulação do cotidiano. Os iorubás tradicionais reconheciam a existência do mês lunar, mas lhe davam pouca importância, sendo muito mais importantes as épocas de realização das grandes festas religiosas, marcadas pelas estações e fases agrícolas do ano, que eles chamavam de odum. O dia era dividido não em horas, mas em períodos, que poderíamos traduzir por expressões como “de manhã cedo”, “antes do sol a pino”, “com o sol na vertical”, “de tardinha” etc. A noite era marcada pelo cantar do galo.

A contagem dos dias e das semanas era praticada em função de cada evento, de modo que a mulher era capaz de controlar a duração de sua gestação, assim como o homem contava o desenrolar dos seus cultivos, mas sem datação (Ellis, 1974, pp. 142-151). Os iorubás tradicionais consideravam duas grandes estações, uma chuvosa e outra seca, separadas por uma estação de fortes ventos, de modo que cada ano podia durar alguns dias a mais ou a menos, dependendo do atraso ou adiantamento das estações, mas isso não importava, uma vez que os dias não eram contados. Os anos passavam como passavam as semanas e os dias, num fruir repetitivo, não se computando aritmeticamente cada repetição.

Nas cortes dos reis iorubás havia funcionários encarregados de manter viva a memória dos reis, e eles eram treinados para recitar os eventos importantes que marcaram o reinado de cada soberano, mas os episódios não eram datados, fazendo com que a reconstrução recente da história dos povos iorubás não comportasse uma cronologia para os tempos anteriores à chegada dos europeus, vendo-se obrigada a operar com mitos e memórias lançados num passado sem datas (Johnson, 1921).

Como o tempo é cíclico, fatos inesperados são recebidos com espanto. Assim, as ocorrências cíclicas da natureza – por exemplo, as fases da lua e as estações climáticas – são encaradas como acontecimentos normais da vida, mas o que escapa do ritmo normal do tempo é visto com preocupação e medo, como um eclipse, uma enchente etc. O nascimento de gêmeos, que contraria o desenlace normal da gestação, constitui também um fato excepcional.

Os afro-descendentes assimilaram o calendário e a contagem de tempo usados na sociedade brasileira, mas muitas reminiscências da concepção africana podem ser encontradas no cotidiano dos candomblés. A chegada de um novo odum, ano novo, é festejada com ritos oraculares para se saber qual orixá o preside, pois cada ano vê repetir-se a saga do orixá que o comanda: será um ano de guerra, se o orixá for um guerreiro, como Ogum, de fartura, se o orixá for um provedor, como Oxóssi, será de reconciliações, se for de um orixá da temperança, como Iemanjá, e assim por diante. O ossé, a semana, constituiu-se num rito semanal de limpeza e troca das águas dos altares dos orixás. Cada dia da semana, agora a semana de sete dias, é dedicado a um ou mais orixás, sendo cada dia propício a eventos narrados pelos mitos daqueles orixás, por exemplo, a quarta-feira é dia de justiça porque é dia de Xangô. As grandes festas dos deuses africanos adaptaram-se ao calendário festivo do catolicismo por força do sincretismo que, até bem pouco tempo, era praticamente compulsório, mas o que a festa do terreiro enfatiza é o mito africano, do orixá, e não o do santo católico.

Embora o candomblé e outras religiões de origem africana sejam de formação recente, aqui constituídas somente depois das primeiras décadas do século XIX, as datas de fundação dos terreiros, assim como as que marcam os reinados de sucessivas mães e pais-de-santo no início, são desconhecidas. Seus nomes são bem lembrados e seus feitos são cantados e festejados nas cerimônias que louvam os antigos fundadores – o padê nos candomblés mais velhos -, mas nada de datas. Esse passado brasileiro também já se fez mito.

Feliz Ano Novo!

A todos vós, que nos têm acompanhado nesta caminhada, leitores, amigos e colaboradores, desejamos que 2010 seja um ano repleto de  Amor e Alegria!

A todos vós, o nosso muito obrigado, pois sem a vossa presença e participação, este espaço não seria possível.

Que todos os Orixás nos abençoem com um novo ano cheio de paz e saúde!

Deixo também votos de que a intolerância religiosa e o racismo acabem de uma vez por todas!

Axé!

Os Orixás de 2010

As previsões dos Orixás para 2010 reservam fortes emoções para o ano que está prestes a começar.
No próximo ano, os orixás protectores são Yemanjá, Xangô e Oxóssi.

Os Orixás em 2010 assumem uma postura rigorosa, condenando a má conduta. A intensidade será também um lema para o próximo ano, onde a busca pelo poder poderá ser a causa de grandes conflitos.

Senhora dos mares e mãe de quase todos os outros orixás, traz fartura, romantismo e gravidez. Março, Abril, Junho, Julho e Agosto são os meses mais favoráveis para as mulheres e também os mais rentáveis para todos os que trabalham com produtos dirigidos ao público feminino. Procure, sempre que possível, usar roupas brancas e decore o seu ambiente com vasos de flores.

Representante da justiça que conta com o apoio de 12 ministros. O próximo ano será promissor para as pessoas batalhadoras, que vão à luta para realizar os seus sonhos e ambições profissionais. Aqueles que seguem pelo caminho certo e respeitam a justiça devem conseguir sucesso em vários pontos da vida

É também Xangô quem rege (junto com Logun Edé e Yemanjá) o odú EJI-LAXEBARÁ, que será o odú regente de 2010.
Este odú, em 2010 irá trazer boas oportunidades para quem não se deixar abater por pequenos problemas. Por outro lado, este odú também traz problemas climáticos sérios, como chuvas, tempestades e raios.

Profissionalmente, este odú apela às pessoas para que sejam persistentes e organizadas no intuito de alcançar a oportunidade de colocar em ordem contas em atraso e dívidas em geral. Para quem está a equacionar a possibilidade de mudança na área profissional este é o ano, no entanto, nunca deixe de avaliar bem todas as situações antes de tomar uma decisão tão séria. 2010, no entanto, indica que com cuidado, haverá uma franca possibilidade de crescimento.

No Amor, devemos concentrar-nos em tudo o que há de positivo na nossa vida amorosa, e abrir espaço a novas oportunidades, sempre acreditando na felicidade. Este é o ano em que deve colocar definitivamente para trás das costas o seu passado, retendo dele apenas as lições aprendidas. Também no amor o ano de 2010 promete crescimento e desenvolvimento.

Na Saúde, o alerta vai para a ansiedade, da qual você se deve soltar. Procure especialmente dar atenção especial às doenças relacionadas a cabeça buscando orientação médica caso surja algum problema (pessoas com problemas de vícios e doenças mentais devem ter cuidados redobrados em 2010).

É o caçador, aquele que providencia a alimentação. Oxóssi avisa que em 2010, principalmente no mês de Novembro, você deve cuidar para que nada falte em sua casa. Controle com rigor o seu orçamento familiar.

Vem aí mais um ano, e mais uma oportunidade para nos elevar e aprimorar como pessoas, pais, filhos, avós, religiosos, etc…

Aproveitemos então, ao iniciar este novo ano, e para além de pedirmos o amparo material, pensemos também sobre a oportunidade de crescimento e evolução, pois muitas vezes necessitamos romper com os nossos sentimentos para crescer.

Uma vez que será Yemonjá a principal regente do ano de 2010, deixo aqui algumas dicas para fazer a sua oferenda  na entrada do ano:
Oferenda a Yemonjá: Velas branca, azul claro e prata, champanhe branca, uva branca, rosas brancas, palmas brancas. Pode fazer as suas oferendas  à beira mar.
Ervas para banhos e defumações: Alfazema, Rosa Branca, Camomila Flor, Hibisco Flor, Manjerona, Mulungu Casca, Noz Moscada, Margarida.

A seguir, estão relacionados os Orixás e as características que vão marcar os 12 meses de 2010.

Exu
Exu vai exigir em 2010 que cada um responda pelas suas promessas e preste conta de seus actos. Além disso, por ser a divindade do sexo e da procriação, sua influência levará as pessoas, mais do que nunca, a reagir contra o aborto.

Nanã
A senhora dos pântanos, sugere que em 2010 você faça uma profunda reflexão sobre todos os actos de sua vida. Não tenha medo de demolir o que você construiu com bases frágeis. Assim, suas novas conquistas serão sólidas e duradouras.

Iansã
Senhora dos raios e das tempestades, Iansã governa também os mortos, mantendo o elo entre o passado e o presente para garantir que exista o futuro. Em 2010 ela vai dar a maior força para as mulheres. Mesmo os mais românticos sonhos femininos, como um grande amor ou uma gravidez, poderão transformar-se em realidade.

Ogum
Graças à influência desse Orixá guerreiro, um clima de disputas e decisões rápidas vai envolver o ano de 2010. Mas quem agir sem pensar nas consequências poderá dar-se mal, avisa Ogum. Portanto, só entre numa contenda se tiver a certeza de que poderá vencê-la.

Ibejis
Os Ibejis, Orixás infantis avisam que em 2010, em especial nos meses de Janeiro, Março, Abril, Maio e Outubro, darão a maior força para as crianças e os adolescentes, que terão mais oportunidades de expor suas ideias e objectivos. Além disso, esses Orixás irão apoiar tudo o que for feito pelos jovens e facilitar o diálogo entre pais e filhos.

Oxaguiã
Ele representa a personificação jovem de Oxalá. Trata-se de um guerreiro impulsivo, que quer sempre tudo ou nada. Ele avisa que em 2010, principalmente no mês de Fevereiro, você deve apostar alto em seus objectivos. Você terá uma oportunidade e tanto de melhorar sua vida, mas precisará de coragem e prudência para tomar as decisões acertadas.

Omolú
Este Orixá da doença e da cura avisa que durante Março, Setembro e Outubro de 2010, é preciso tomar muito cuidado com a saúde física e mental. É bom tentar uma dieta e não consumir bebidas alcoólicas. Também é bom evitar o fumo. Lute para manter a saúde de seus relacionamentos: aja com muita calma em casa, no trabalho e na escola.

Ewá
Protectora dos estudantes, intelectuais, artistas e místicos, e dona das ilhas, Ewá ajuda todos os que se sentem cercados, perseguidos ou sem chance de mostrar o seu valor. Ela aconselha que em 2010, em especial em Maio, você deve soltar sua criatividade, sem duvidar em nenhum instante que atingirá seus objectivos.

Oxum
Bela e sedutora, Oxum – senhora das águas doces – protege os relacionamentos amorosos. Ela avisa que em 2010, em especial no mês de Agosto, você deve deixar seu romantismo se manifestar, pois há grandes chances de você ter um novo e duradouro amor.

Oxumaré
Ora homem, ora mulher, Oxumaré é o deus das transformações. Ele avisa que em 2010, principalmente no mês de Julho, você deve se manter bem informado, para ver as mudanças pelas quais passará o mundo. Será um modo de verificar que ninguém é dono da verdade e que você tem o direito de defender suas opiniões.

Nota: Informação baseada em diversas fontes e consultas.

Desejo a todos um excelente final de ano e um feliz ano novo cheio de boas acções e realizações!

Conforme prometido este post será dedicado ao Nicollas, que me inspirou a falar sobre educação e cultura religiosa. E com o decorrer o tempo eu me enveredei por caminhos que me levaram a este seminário, então, obrigado Nicollas.

O texto original dedicado ao Nicollas estava muito mau humorado e resolvi reescrever.

No dia 18/12 eu estive presente no 1o Seminário Estadual Sobre Intolerância Religiosa e Direitos Humanos. Lá eu ouvi  a fala de vários líderes religiosos de grande destaque, e não estavam somente representantes do candomblé  e umbanda,  se bem que  a maioria de fato eram de nossa religião. Mas tivemos representação de quase todas as religiões, e em alguns momentos eu fiquei emocionado com as palavras de líderes como o Sro Salah Al-Din da religião islâmica e da Sra Lea Lozinsky representante da comunidade Judaica, e da Sra Miriam Batuli do povo Cigano, em todas as falas eles nos lembraram os massacres de seus povos simplesmente porque eles eram diferentes ou porque tinham credo diferente ou porque um louco achou que eles não deveriam existir.

Estas falas nos lembraram que a intolerância é um caminho sem volta que frequentemente leva a criação de tiranos e tiranizados. Tivemos também muitos discursos conciliatórios e que pregaram a paz como o Pai Pedro Miranda representante da umbanda. Tivemos também discursos inflamados como do Babalorixa Ivanir dos Santos que deu “nome aos bois” e lembrou que de todas as representações presentes, somente os que nos agridem, que nos perseguem, que nos condenam e humilham não estavam presentes. O que queremos não é Tolerância, é o nosso direito de não sermos coagidos, discriminados, é o nosso direito a livre expressão de nosso credo, não queremos ser Tolerados, somos cidadãos e merecemos respeito, queremos respeito, exigimos respeito.

Este foi um primeiro passo para fortalecer e dar visibilidade a uma questão que a cada dia se torna mais forte no nosso meio, a intolerância religiosa, que vem deixando marcas profundas na nossa comunidade, com terreiros  sendo agredidos, pais e mães de santo sendo expulsos de suas roças e proibidos de tocar seus candomblés e umbandas. Temos que ter muito claro que isso é mais que uma questão de “religião certa” e “religião errada”, é uma questão política, de um projecto político para um Estado totalitário e discriminatório, um Estado religioso, ferindo frontalmente o que diz nossa constituição “Somos um Estado/País é laico (não tem religião nem privilegia um única religião)”. Temos que entender que por trás desta máquina religiosa de formar “zumbis” está um interesse maior, um mal maior, um projecto maior de controle pelo Poder. Foi um seminário também onde o Poder Público através da Secretaria de Segurança se mostrou sensibilizado e disposto a colaborar para extirpar este mau de nosso meio, mas tenha certeza que sem o seu empenho nada disso será viável, nada disso será válido.

Eu na minha condição de blogueiro, líder religioso e formador de opinião estou aqui relatando a vocês o que eu vi, o que está acontecendo no front, mas é preciso que estejamos mais que unidos, mais que ligados, é preciso que estejamos participativos e actuantes, que não nos calemos. Hoje foi anunciada a criação da Delegacia Especial para Crime de Intolerância Religiosa, se por um lado isso é bom, por outro mostra o tamanho do problema, mas ao menos hoje temos a lei ao nosso lado, temos  a quem recorrer.

Tivemos também alguns momentos de descontracção com a apresentação do coral Imalê Ifé, de crianças atendidas por um grupo em Duque de Caxias onde se faz percussão, sem recursos, sem tambores adequados, sem quadra, sem patrocínio, mas com dedicação e vontade de fazer o bem e mostrar aos pequenos que é possível ter uma vida longe do crime e das drogas, que estudar ainda é uma boa solução para formar um bom cidadão. Mas onde estamos que não colaboramos efectivamente para dar condição a este grupo? Estamos preocupados com “qualidades” com “pombagiras” com “trazer o marido/mulher”, nosso caminho é maior, nosso caminho é mais duro e mais pedregoso, mas quando trilhamos juntos o caminho fica mais fácil. Os nossos antepassados já trilharam, já pavimentaram nosso caminho, agora é nossa vez, deixemos de olhar somente o nosso problema pessoal, olhemos em torno e além do que vemos sempre, vamos quebrar paradigmas, vamos nos unir.

Espero que em breve eu possa trazer para vocês o resultado e propostas dos grupos de discussão que foram formados neste Seminário e dar boas notícias a nossa comunidade.

Sobre o meu texto que estava muito mau humorado. Eu vou re reescrever, por que este tb ficou meio seco rsrsrsrsrsrsrssrrssr Tomeje do Ogum.

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