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Rezas

Eu gostaria de abrir este post, dizendo que as rezas não são propriedades de nenhum sacerdote, que somente “os mais velhos” podem conhecer e saber de cor. Isto é enganação, enrolação, embromação e falta de caráter de quem retém a informação. Conhecemos muito bem as rezas que não podem sair do ilè Ikú, todo iniciado tem o direito a conhecer, rezar e aumentar o seu portfólio de conhecimento.

Nosso saudoso e que tanto contribuiu com nosso culto Altair T’Ògún, entendeu este problema e publicou o livro de rezas mais completo que conhecemos: Elégun. Portanto iniciados, adeptos e abian, comecem a decorar suas rezas, vocês vão precisar.

Òrìsà gbe wa o.

As rezas são expressões dos desejos que nós queremos manifestar de forma séria e sincera. A reza então significa comunicar nosso desejo às divindades para que nos apoie e nos ajudem a assegurar que nossos desejos se concretizem.

Muitas pessoas não sabem como rezar para que se obtenha o efeito desejado. Algumas pessoas rezam mecanicamente e esperam resultados. Desafortunadamente, os resultados não serão positivos por um longo tempo. Na história do homem, o rezar é o entendimento de como se trabalhar uma reza que nós apreciamos e como fazer com que ela funcione para nós.

Ifá reconhece três tipos de rezas:

As rezas sócias religiosas

As rezas de precaução.

As rezas ocultas esotéricas

Reza sócio religiosa

 

Este tipo de reza é a mais comum entre as três. Geralmente é usada pelos líderes religiosos, os maiores ou aqueles que demostram apreço por alguém que lhes fez um favor ou necessitam de um.

Aqueles que estão buscando ajuda também utilizam este tipo de reza.

Estas rezas se dizem durante batizados, ocasiões importantes como: bodas, funeral, devoções matutinas e etc.

Quando alguém entra em uma casa, que acaba de comprar ou construir, as pessoas vêm e compartilham da alegria pelo esforço da pessoa feliz. O sacerdote encarregado rezará para que as divindades dêem a mesma sorte a todos os presentes. Quando alguém da à luz a um filho, durante o batismo de um bebe, o sacerdote rezará para que as divindades estendam a mesma sorte a todos os presentes. Quando um casal se casa, o sacerdote oficiante rezará aos deuses para que estenda essa felicidade para todos os presentes. Quando um jovem morre o sacerdote reza aos deuses para que ponha um fim à morte prematura. Todos os presentes devem dizer àse, pois estaram se resguardando dos equívocos desta reza. Todos nós sabemos que todos não podem ter a mesma sorte, todos nós sabemos que nem todas as pessoas poderão ter uma casa, nem todos poderão ter filhos, nem todos poderão se casar formalmente e nem todos viveram até a velhice. Também quando as pessoas buscam ajuda de alguém, a pessoa que necessita de ajuda deverá rezar aos deuses para que abençoe a pessoa que está buscando ajudá-la. Quando o benfeitor é capaz de cumprir as expectativas da pessoa que buscou ajuda, se fará outra onda de rezas pelos bons gestos do benfeitor.  Quem está buscando ajuda pede aos deuses que abençoe seu benfeitor e que os faça maiores do que nunca.

Isto é muito comum entre os que pedem e os que levam vidas relacionadas com a medicina. Essas rezas podem fazer com que as coisas passem ou não (benção). Sem exagerar, porém a pessoa que reza e a que recebe a benção são felizes.

Em outras ocasiões, a pessoa faz algo grande ou oportuno para a sociedade ou para algum mais velho da sociedade. Os que recebem essas bênçãos devem aprecia-la e comover-se para rezar por esta pessoa por algo que foi feito por eles para que receba as bênçãos e a bondade das divindades.

Todos os envolvidos devem dizer àse para que as orações se tornem realidade.

Aqueles que não são capazes de pagar em dinheiro o favor que lhe prestaram, ou aqueles que não aceitam qualquer tipo de recompensa também são eficazes, normalmente são pagos com cerimonias sócio-políticas, com honrarias, medalhas, certificados e etc.

Os heróis, os líderes de comunidade, aqueles que foram trazidos para frente da sociedade, os jovens que se destacam por seus serviços a sociedade, podem receber serviços de reza especial em apreço às boas ações em prol da sociedade.

De qualquer maneira, em vez deste encurtamento, as rezas sócias religiosas têm um efeito muito profundo nos que as recebem. Estas rezas não são à base de nenhuma força ou energia que engrandeça a manifestação destas rezas.

Como uma nota pratica, ainda assim, neste tipo de reza, aqueles que devem ter êxito, definitivamente terão êxito e aqueles que devem fracassar definitivamente fracassaram.

 

Rezas para precaução:

 

Este é o tipo de reza que as pessoas oferecem regularmente e ao mesmo tempo reforçam com medidas práticas para assegurar sua manifestação. Isto requer, mas do que meras súplicas às divindades reivindicando sua ajuda.

Uma pessoa que pede por sucesso deve trabalhar duro para conseguir o êxito, uma pessoa que pede para ter filhos deve se casar, copular, encontrar remédios para as enfermidades ginecológicas, se houver alguma e esperar pelo melhor, uma pessoa que pede para ter vida longa, deve ter cuidados com seu corpo, de sua saúde, comer bem e ter uma dieta bem balanceada e rezar pelo melhor e etc. Estas são as chaves para o êxito que se espera que os praticantes de Ifà sigam.

É Òsé Méjì que estabelece que aqueles que planejam ter êxito devem ser trabalhadores e dedicados.

 

Neste Odù, Ifá diz:

 

Sekúbe, o Bàbáláwo de Ìbàdàn (cidade nigeriana).

Este foi o Bàbáláwo que consultou Ifá para os filhos de Ìbàdàn.

Quando choravam lamentando-se por sua inabilidade em conseguir êxito financeiro.

Eles foram aconselhados a oferecer ebo

Eles aceitaram.

Depois de algum tempo, logo depois,

O sucesso e a riqueza tinham chegado.

Viajantes de Ìpo e Ọfà (cidades míticas da história yorùbá)

Vocês não podem ver que sem trabalhar duro, ninguém conseguirá êxito?

 

Então qualquer oração para o sucesso financeiro deve, como meio para alcançá-la, ser apoiada pelo trabalho duro e dedicação ao dever. Caso contrário, a oração vai ser uma mera oração sócia religiosa, que não será apoiada por nenhuma divindade.

No Odù Òtúrúpon-Ngbònwú (Òtúrúpon-Òfún), Ifá diz que para viver muito se deve aprender a pisar precavidamente e com extremo cuidado.

Neste Odù, Ifá diz:

 

Bom para você oferecer sacrifício, o Bàbáláwo de Ègbá (uma tribo)

Bem feito por realizar rituais, o Bàbáláwo de Ìjèsà (povo de Ìlẹşà)

Parte do algodão é adicionada como medida adicional a que foi trazida

Òtúrú carrega o algodão sem girá-lo.

Estas foram às declarações de Ifá aos seis anciãos.

Quando estavam indo a Ilé Ifè (capital espiritual nigeriana)

Para pedir por sua longevidade.

Eles foram aconselhados a oferecer sacrifício.

Eles aceitaram

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê uma vala

Não planeje brincar

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê uma casa se incendiando

Não entre nela

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê um homem louco com um facão

Não o espere (ou tente ser um herói)

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você come com satisfação

Não busque ter azia

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Em tempos de tribulações

Não cometa suicídio

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

 

Aqueles que desejam viver muito devem oferecer muito mais que uma grande oração às divindades. Eles devem se assegurar de não fazer nada que possa causar a morte imediata. Também devem evitar o que pode encurtar suas vidas.

 

Rezas ocultas esotéricas

 

É o tipo de reza que é realizada por forças e energias físicas e metafisicas. Este é o tipo de oração que contém todos os segredos da vida. Quanto mais se sabe essas orações e as domina, mais você se torna maior.

Verificou-se que se alguém entende este trabalho ou seus mecanismos que qualquer parte da natureza, alguém pode utilizar este conhecimento para realizar maravilhas para alguém ou para si mesmo ou para a sociedade em que se desenvolve.

Neste tipo de reza se utilizam métodos para atrair o poder dos objetos ao nosso redor, animados ou inanimados.

As pessoas usam plantas, ramos, troncos, folhas animais e/ou partes dos animais, insetos, ratos ou partes do rato, peixe, água, azeite e etc., para energizar suas orações para que se manifestem da maneira que elas querem, as pessoas também utilizam o nome das divindades, deuses, semideuses, espíritos, ancestrais, vento, sol, lua, meteoros e etc., e o poder da palavra falada para energizar as orações.

Estas rezas requer um grande poder de observação, conhecimento esotérico e habilidade para abster-se de todos os tabus para entender o propósito porque Olódùmarè criou todas as coisas da natureza e como elas trabalham e afetam todas as outras coisas individual e coletivamente antes que estes recursos abundantes de poder possam ser devidamente identificados e usados.

Não existe um limite para o poder que uma pessoa possa possuir, tudo depende da capacidade da pessoa adquirir conhecimento que é a chave para abrir a porta para este poder.

Aproximar os mecanismos de trabalho da natureza ou parte desta faz toda a diferença entre rezar e esperar limitadamente os resultados.

De forma alguma as explicações exaustivas de como fazer farão elas funcionarem em nós. Todos os livros de texto de rezas não podem fazer justiça a isto. Estes exemplos se dão para abrir os olhos dos que trabalham com rezas, enquanto o leitor é livre para implementá-las em sua vida.

 

O Odù Òfún mèjì (Epá Odù) orienta a humanidade a rezar com fervor, com afinco, com fé, sem dúvidas. Para que o objetivo seja alcançado, para que a reza seja o motor do sacrifício.

Não adianta nada, tomar banho, fazer jejum, dormir na esteira, colocar roupa limpa, fio de contas maravilhosos, trabalhar na casa de àse, dançar para a divindade, oferecer sacrifício, se a fé não estiver presente.

Pode-se obter o resultado pela invocação e atuação da energia, porém, o resultado é efêmero, pois, não há sustentação. Não há uma base, uma renovação no oxigênio da energia.

Pense nisso.

Nosso culto vai além de 99,9% das perguntas postadas aqui neste blog.

Nosso culto é filosófico, é o culto a entidade chamada Orí (VOCÊ), cultuamos e buscamos a divindade para que nos favoreçam, pois, assim foi determinado.

A divindade que neste mundo está a bilhões de anos não precisa de você para nada.

Ela continuará sendo esta força imensurável, incontrolável, inimaginável em seu poder, reforço a mensagem, ela não precisa de você e tampouco de mim.

Se você não busca-a, se você não acha a conexão entre você e ela, não haverá iniciação, sacerdote, pai de santo (odeio este termo), ogan, Èkèjì e outros mais que darão jeito nesta situação.

É você, somente você, que tem interesse neste assunto e é sua responsabilidade manter esta chama acesa. Não coloque culpa nas pessoas, no sacerdote ou quem quer que seja. Faça uma análise de tudo que você vem fazendo, do seu comportamento, do seu caráter, da sua promiscuidade, mentiras, intrigas, fofocas, tabus rompidos, enganações e etc.

Seja sincero com você, pelo menos uma vez na vida, pois, você nunca engana um alguém (seja ele quem for, visível ou invisível), você com toda certeza engana a si mesmo.

E dentro de Àtúnwá (o ir e vir para este mundo dentro de nossa cosmogonia) perder a viagem é muito desgastante, inevitavelmente acumularemos karma para a próxima viagem ao Ayè (nosso mundo).

Existe uma grande diferença em ser crente e ser fanático.

Crente é quem crê e o fanático…, dispenso descrevê-lo.

Não ter vergonha de suas divindades quando em público, conhecer suas divindades e saber qual o papel delas no universo e no nosso mundo. Assumir sem qualquer vestígio de vergonha sua crença e sua filosofia espiritual de vida.

 

 

Texto: Ifá, A chave da compreensão.

Fásínà Fálàdé

Rezas: Patrimônio Mundial da Humanidade conforme decreto da Unesco.

 

Tradução e texto final: Odé Gbàfáomi.

http://www.orisaifa.blogspot.com

 

 

 

 

Ògúndá mèjì

Ògundá mèjì

Este é o Òpèlè Ifá (instrumento de consulta do Bàbáláwo) mostrando a figura do Odù Ògúndá mèjì.

O texto é um Iton deste Odù.

Iton não são verdades absolutas, são narrativas que nos ajudam a entender o valor do mito gerado por sua historia ‘de vida’ e importância dentro do culto de Ifá/Òrìsà.

Ògúndá Mèjì foi um dos mais poderosos divinadores, tanto no céu como na terra. Ele era considerado por ter a força de Ògún e a inteligência de Ọrùnmìlá em seu trabalho. Foi ele quem revelou a estória da segunda tentativa de fazer as divindades colonizar a terra. Òbàrà Bòdí um dos discípulos de Òrùnmìlá revelará mais tarde os detalhes da primeira tentativa de colonizar a terra e como foi fundada.

Ògún, a divindade do ferro e a mais velha das divindades criadas por Deus era também fisicamente mais forte que todas as 200 divindades. Ele freqüentemente era referido como o Desbravador de Caminhos, porque guiou a segunda missão de reconhecimento do céu para a terra. Diz Ògúndá-Mèjì, que foi por conta dos atributos físicos de Ògún que Deus apontou-o para abrir uma trilha para a segunda habitação na terra. Ele era conhecido por ser egocêntrico, vaidoso e quase nunca consultava alguém para aconselhar-se.

Ele confiava quase que exclusivamente em suas habilidades produtivas e força física. O que explica o porquê não se incomodou em ir a divinação ou consultar alguém quando foi indicado por Deus para empreender a tarefa de estabelecer habitação na terra.

Assim que recebeu de Deus a ordem de prosseguir, ele o fez quase que imediatamente. Deus lhe deu 400 homens e mulheres para acompanhá-lo na missão. Chegando a terra, não demorou em descobrir as consequências de não fazer os preparativos adequados antes de virem do céu.

Seus seguidores mortais logo ficaram com fome, e exigiram comida. Já que vieram para o mundo sem nenhum suprimento, ele apenas poderia recomendar-lhes a cortar gravetos de uma floresta próxima para comer. O processo de se alimentar com gravetos não os satisfez e logo seus seguidores começaram a morrer de fome. Apreensivo por perder todos os seus seguidores por inanição decidiu retornar para o céu e comunicar o Pai Todo Poderoso que sua missão era impossível.

Em seguida Deus convocou Olókun, a divindade da água para guiar a segunda missão para a terra.

Ele também é igualmente orgulhoso e cheio de alto confiança. Também lhe foi dado 200 homens e 200 mulheres para acompanhá-lo. Ele também não fez nenhuma consulta nem divinação com os mais velhos celestes antes de vir para a terra. Chegando ele também não teve indício de como alimentar seus seguidores. Ele apenas pediu-lhes para beberem água quando ficassem com fome. Já que a água não podia alimentá-los com eficiência, começaram a morrer de fome. Logo em seguida, ele também retornou com seus seguidores que sobreviveram ao céu para informar o fracasso de sua missão. Deus então convocou Ọrùnmìlá, acompanhado por 200 homens e 200 mulheres para estabelecer uma habitação na terra. Ọrùnmìlá ponderou se ele poderia ter sucesso na missão a qual tinha desafiado os esforços dos mais velhos e das divindades mais fortes como Ògún e Olokún.

Deus persuadiu-o a fazer o seu melhor, porque era necessário despovoar o céu, estabelecendo uma habitação satélite na terra. Seu servo fiel Òpèlè avisou Ọrùnmìlá a não recusar a tarefa porque com as preparações adequadas, ele estava convencido que o sucesso o aguardava.

Com as palavras de persuasão de seu Òpèlè favorito, Ọrùnmìlá concordou em partir na missão, mas apelou a Deus em lhe dar a indulgência para se preparar em alguns dias antes de partir.

Ọrùnmìlá implorou as divindades mais velhas do céu para assisti-lo no planejamento de sua missão.

Eles lhe garantiram que ele teria sucesso em estabelecer uma habitação na terra. Ògúndá-Mèjì, um de seus próprios filhos pediu-lhe seis cawries e avisou-o para coletar um de cada dos animais e plantas comestíveis no céu, para a missão. Ele também avisou para dar um bode para Èşù e apelar para Èşù segui-lo para a terra na missão.

Após fazer todos os sacrifícios prescritos, ele foi finalmente liberado por Deus. Antes de partir implorou a Deus para permitir que Ilè, a divindade da habitação, fosse com ele.

Mas Deus lhe disse que não era sua intenção divina despachar duas divindades para terra ao mesmo tempo, já que Ele pretendia mandá-las uma após outras. Deus, entretanto assegurou a Ọrùnmìlá que ele teria sucesso na terra, e enviaria seu servo Òpèlè para voltar ao céu e buscar Ilè, para auxiliá-lo. Ele então partiu para a terra.

Tão logo Ọrùnmìlá partiu, Èşù foi contar a Ògún que Ọrùnmìlá estava viajando para terra pela rota a qual ele (Ògún) estabeleceu. Ògún imediatamente foi bloquear a rota com uma espessa floresta.

Quando os partidários de Ọrùnmìlá se aproximaram da floresta, não sabiam o que fazer. Ele enviou o rato para procurar um caminho através da floresta. Antes que o rato retorna-se, Ògún apareceu a Ọrùnmìlá e interrogou-o pela ousadia em prosseguir para a Terra sem informá-lo. Ele, entretanto explicou que havia enviado Èşù para informá-lo e quando Ògún relembrou que foi Èşù quem realmente avisou-o, imediatamente limpou a floresta para Ọrùnmìlá prosseguir em sua jornada.

Antes de deixá-lo, Ògún avisou Ọrùnmìlá que apenas outra obrigação ele lhe devia, era alimentar seus seguidores com os gravetos da mesma forma que ele fez, e então Òrúnmìlá prometeu fazer.

Nesse meio tempo, Èşù também informou à Olokún que Ọrùnmìlá estava em seu caminho para a terra para ter sucesso aonde eles falharam. Olokún reagiu provocando um largo rio para bloquear o avanço. Quando Ọrùnmìlá veio à margem do rio, despachou um peixe para procurar uma passagem através do rio. Enquanto aguardava pelo retorno do peixe, Olokún apareceu e interrogou-o porque ele ousou embarcar em uma viagem para a terra sem obter sua permissão.

Ọrùnmìlá explicou que longe de desdenhar Olokún, ele tinha na verdade enviado Èşù para informá-lo de sua missão na terra. Quando Olokún compreendeu que Èşù tinha vindo a ele, retirou a água para Ọrùnmìlá prosseguir em sua jornada. Contudo alertou Ọrùnmìlá que ele estava sob a obrigação divina de alimentar seus seguidores como ele (Olokún), com água. Ọrùnmìlá prometeu acatar o conselho de Olokún. Sem mais obstáculos em seu caminho, Ọrùnmìlá prosseguiu sua jornada.

Chegando ao mundo, ele rapidamente avisou a todos os seus seguidores masculinos para limpar o mato e construir cabanas temporárias cobertas com esteiras. Quando aquela tarefa foi completada, retiraram os produtos agrícolas e sementes que ele trouxe para seus seguidores plantarem no mato que tinham limpado. Ao anoitecer todos eles se retiraram para dormir em suas cabanas. Èşù, que tinha recebido um bode antes da missão partir do céu, foi trabalhar nas sementes plantadas e nos animais. Quando eles levantaram ao amanhecer, descobriram que todos os produtos agrícolas tinham não apenas germinado, mas tinham produzido frutos, prontos para a colheita. Estes incluíam inhames, plantações, milho, vegetais, frutas, etc. Ao mesmo tempo toda a criação que eles trouxeram do céu tinham se multiplicado durante a noite. Aquele foi o primeiro milagre operado por Ọrùnmìlá na terra, como uma manifestação direta dos sacrifícios que ele fez antes de vir do céu.

Quando seus seguidores então pediram por comida antes de se lançarem ao trabalho rotineiro do dia, ele lhes disse, em respeito à injunção de Ògún, para cortar gravetos do mato ao lado para comer. Eles fizeram como lhes foi dito. Após mastigarem os gravetos por um longo tempo, lhes disse para beberem água como ele foi advertido em fazer por Olókun. O processo de acatar as instruções dadas a ele por Olókun e Ògún é seguido até os dias de hoje por toda a humanidade, por meio da rotina de começar o dia com a mastigação de gravetos ou escovação dos dentes e enxaguando a boca com água.

Tendo atendido aos desejos de seus mais velhos, Ọrùnmìlá disse ao seu povo para se alimentar com os animais e plantas que abundavam no povoado. Eles tinham sucesso em preparar o terreno para uma habitação permanente na terra. Satisfeito que nada então ficou em seu caminho para o sucesso na terra, Òpèlè propôs a Ọrùnmìlá que era hora de enviá-lo para informar a Deus que a terra já estava adequadamente habitável o suficiente para Ilè juntar-se a ele. Ọrùnmìlá concordou, mas lhe disse que ele primeiro convocaria Èşù para acompanhá-lo na terra antes de pedir por Ilè. Tendo prometido anteriormente acompanhá-lo assim que fosse convocado, Èşù imediatamente concordou em acompanhar Òpèlè a terra.

Antes da chegada Ọrùnmìlá pediu a seus seguidores para construir uma cabana para Èşù na entrada do povoado. Tão logo Èsù instalou-se em seus aposentos, Ọrùnmìlá enviou um bode a ele. Ele ficou muito feliz em comer a sua comida preferida, a qual imaginou que não estaria disponível na terra.

Quando Òpèlè veio conferir se Èşù estava bem, o primeiro lhe disse-lhe para pedir a Ọrùnmìlá para perdoá-lo por causa das dificuldades iniciais que criou antes do mesmo partir do céu, incitando Ògún e Olókun contra ele. Ọrùnmìlá perdoou e implorou a Èşù para ficar na terra para ser seu posto de ouvinte, prometendo sempre alimentá-lo. Após aguardar em vão pelo fracasso de e retorno para o céu de Ọrùnmìlá e seus seguidores, Olokún decidiu no céu retornar a terra para descobrir como a missão estava indo. Quando Olokún chegou a terra, encontrou Èşù que lhe disse que Ọrùnmìlá tinha tido sucesso em tornar a terra habitável. Quando Olokún encontrou Ọrùnmìlá, pediu-lhe para perdoar por conta dos obstáculos iniciais criados por ele. Ọrùnmìlá lhe disse que as desculpas não eram necessárias porque o sucesso não é gratificante sem dificuldades iniciais. Contudo Ọrùnmìlá disse para Olokún concordar em viver com ele na terra. Ele então concordou em fazê-lo, mas insistiu que teria que ir ao céu para pedir ao Pai Todo Poderoso para permiti-lo retornar com seus seguidores. Olókun chegou ao céu e Deus permitiu-lhe retornar a terra com seus seguidores.

Quando Ògún ouviu que Olókun havia partido para acompanhar Ọrùnmìlá na Terra, ele também decidiu ir e ver as coisas por si mesmo. Quando Òpèlè viu Ògún partindo do céu para a Terra, alertou Òrúnmìlá que imediatamente instruiu seus seguidores a dar outro bode a Èşù para evitar algum choque entre eles. Quando Ògún chegou, Èşù ainda estava comendo seu bode e estava muito ocupado para se incomodar. Ele simplesmente indicou a Ògún para seguir para onde Ọrùnmìlá morava. Assim que Ọrùnmìlá viu Ògún, se ajoelhou para cumprimentá-lo, sendo seu irmão mais velho. Ògún retribuiu a altura desculpando-se com Ọrùnmìlá pelas dificuldades iniciais que criou para ele. Novamente Ọrùnmìlá explicou que as desculpas eram desnecessárias porque sem aqueles problemas duros, provavelmente não teria tido indicio de como alimentar seus seguidores. Ọrùnmìlá então persuadiu Ògún em ficar na Terra com ele, porque sem ele (Ògún) era impossível alguma tecnologia se desenvolver na Terra. Ọrùnmìlá explicou que sabia apenas fazer divinação, mas que não sabia como inventar ou fabricar. Sentindo-se lisonjeado, Ògún rapidamente concordou em retornar ao céu para ter permissão de Deus para voltar com seus seguidores para a terra. Ògún por fim retornou com seus seguidores.

Foi naquele estágio que Ọrùnmìlá finalmente enviou Òpèlè para trazer Ilè do céu. Quando Òpèlè narrou a mensagem de Ọrùnmìlá para Deus, o Pai Todo Poderoso, instantaneamente convocou Ilè para seguir para a Terra para auxiliar Ọrùnmìlá. Èşù foi novamente o primeiro agente que Ilè encontrou chegando a Terra. Èşù encaminhou-o para encontrar Ọrùnmìlá em sua cabana. Longe de desafiar Ilè como fez com Olokún e Ògún, Èşù implorou a Ilè que ele sempre seria mais bem sucedido que seus irmãos mais velhos e sem ele ninguém teria satisfação completa na Terra, porque ele era caracteristicamente paciente e inofensivo. Quando Ilè encontrou Ọrùnmìlá, prestou-lhe respeito, fazendo-o capaz de vir e auxiliá-lo na terra. Ọrùnmìlá retrucou proclamando com seu instrumento de autoridade (Àşè) que:

Se respeito lhe fosse prestado, seria sempre estendido a Terra;

Olokún sempre moraria na água tendo em vista o rio que usou para bloquear sua aproximação a terra, mas que ele seria o distribuidor de riquezas e prosperidade para a espécie humana;

Ògún sempre seria usado para produzir grandes feitos, mas que ele próprio sempre trabalharia agitadamente noite e dia e não teria paz de mente.

Ele então disse aos três para seguirem em seus caminhos em separado. Os três deixaram os aposentos de Ọrùnmìlá. Eles mal haviam se movido para fora do aposento, quando subitamente Ilè desfaleceu morto. Assim que caiu morto seu corpo desapareceu da vista e em seu lugar uma constelação de casas, prédios, e residências surgiram no chão. Desta forma, Ilè tinha se transfigurado em casas respeitáveis para todos os habitantes existentes e futuros morarem. Ọrùnmìlá rapidamente deixou sua cabana coberta de esteiras e foi para ficar no melhor e mais agradável aposento produzido para ele por Ilè. Ògún ficou aborrecido e se recusou a ficar em qualquer um dos aposentos providenciados por Ilè. Então construiu sua própria casa caindo aos pedaços, chamada izegede, a qual onde ele está até hoje.

Olokún também se sentiu provocado e voltou-se para a água para constituir-se nos oceanos, mares e rios dessa terra. Os homens e as mulheres trazidos para a Terra por Ọrùnmìlá, Olókun e Ògún, logo começaram a casar entre si e multiplicar-se pelos quatro ventos desta terra.

É importante relembrar que o fim da vida e reencarnação posterior dos seguidores que inicialmente vieram com Ọrùnmìlá, Ògún, Olókun e outras divindades tornaram-se os sacerdotes e filhos destas divindades até hoje e para a eternidade. Aqueles que desviaram o caminho do rebanho, ou que não foram privilegiados em descobrir sua família, são os homens e mulheres que passam por todos os tipos de dificuldades na Terra.

Neste estágio Òpèlè partiu para o céu, mas avisou a Ọrùnmìlá para procurar por ele depois de algum tempo no caminho para a fazenda. Por fim transformou-se em uma árvore cujo os frutos são usados até hoje para preparar o instrumento divinatório Òpèlè. Ele disse à Ọrùnmìlá como usar as sementes que ele traria dali em diante para divinação.

Por: Bàláláwo Osamoro

Tradução Odé Gbàfáomi

http://www.orisaifa.blogspot.com

O Homem das estradas,

O homem das montanhas e da Criação.

Usaremos sua espada para tocar o solo.

Mo jùbá Ojisé

Comentário:

A escrita de Ifá diz que no dia em que todos os 16 Imortais do Ikolè Ayè chegaram a Terra, havia incerteza sobre o seu propósito no novo planeta. Enquanto os Imortais estavam considerando o problema, concordaram com a chegada de Osetura (Princípio Divino), que veio para o Ikolè Ayè na forma de Odù de Èsù (Mensageiro Divino da Transformação), que é o XVII Olódù (Princípio Divino) a partir do Ikolè Òrun. Foi Èsù Òdàràa quem disse que sabia o propósito da vida no Ikolè Ayè, mas os Imortais o consideraram muito jovem e insignificante para se consultado sobre uma questão tão importante.

Em resposta, Èsù Òdàrà fez os Imortais se misturarem, o que aumentou o número de 17 para 256. Maior ficou a confusão dos Imortais no novo mundo e a confusão levou a males e doenças. Quando Imortais perguntaram o propósito de Èsù no novo país, Èsù Òdàrà perguntou sobre o que ele ganharia. Naquela época, Èsù Òdàrà disse que não iria responder, a menos que fizessem uma oferta.

A oferta foi feita. Òdàrà Èsù disse: “Gente da Terra estava destinado a ter uma vida boa e através de ofertas ao Espírito, eles seriam orientados para a vida boa.”

Neste papel como mensageiro divino, Èsù é a primeira força espiritual que deve ser abordada durante o ritual e a cerimônia.

Isso ocorre porque o Èsù é o Dono do Mistério que traduz a linguagem humana para a linguagem da natureza e que traduz a linguagem da natureza para a linguagem humana. A chave para este mistério é o conceito de Ifa para a Verdade.

Ifá ensina que a Verdade é o que existe como é, não como pensamos que deveria ser.

A verdade é o ventre da criação, que está situado no Mistério de Olódunmárè (Fonte da Criação).

É o caráter interno de Olódunmárè que reflete a verdade. A natureza interna de Olódunmárè e chamada de Oniwaben funfun.

Que significa: Mestre do Mistério do bom caráter e da Luz.

A referência aqui para a Luz está relacionada com a essência luminosa do Ser em si.

Neste papel de Mensageiro Divino, Èsù tem um papel a perturbar aqueles que se tornaram complacentes e como conseqüência dessa negligência, perdem a responsabilidade de encontrar o seu propósito no mundo.

No Ocidente há uma noção comum de que tal ruptura, caos e desastres naturais são eventos aleatórios, não regidos pelo direito natural.

Os físicos modernos têm estudado este fenômeno em um ramo da ciência chamada Teoria do Caos.

Segundo esta teoria, os eventos que parecem aleatórios ou caóticos seguem um padrão definido, que aparece quando visto por longos períodos de tempo.

Esta teoria é consistente com a cosmologia de Ifá, que mostra que o que parece ser o caos é uma forma da natureza manter-se estável.

Pela obra e graça do Divino Mensageiro (Èsù), responsavel pelo movimento e equilibrio do Universo.

Como vemos Èsù está muito além de uma garrafa de cachaça, uma vela, um padê e um charuto.

Por Áwo Fatunmbi

Tradução Odé Gbàfáomi

Ọșogbo é a capital do estado de Òşún da Nigéria, está localizada entre Ibòkun, Ikirun, Ede e Akodá. Ela pode ser encontrada na latitude 70 e longitude 4,500 leste. Vale a pena contar a história do mito fundador de Ọșogbo antes de nos aprofundarmos no festival de Òşún em Ọșogbo. De acordo com fontes orais e secundárias, há pelo quatro relatos históricos sobre a origem da comunidade de Ọșogbo.

A primeira conta diz-se que houve luta pela sucessão ao trono de Ibòkun, o que fez um dos príncipes, Ọwátẹ, migrar para outro assentamento. Quando saiu de Ibòkun, ele foi acompanhado por seus amantes de ambos os sexos para fundar Ìpólé-Òmu.

Foi assim que Ọwátẹ tornou-se o primeiro rei de Ìpólé-Òmu. Não muito tempo após o assentamento de Ìpólé, eles foram confrontados com a escassez de água, que o fez consultar Ifá para ter uma pista para o seu problema. Ifá disse a Ọwátẹ para se mover a fim de obter água, mas Ọwátẹ se recusou a sair.

Quando Tìméhìn e Ọláròóyè que eram os filhos mais velhos de Ọwátẹ, viram que seu pai não estava pronto para sair de Ìpólé-Òmu, eles decidiram procurar uma fonte de água para melhorar a situação. O lugar inteiro era uma floresta muito grossa naquele tempo, embora Tìméhìn nada temesse, ele era um caçador valente. Ìdin léké (Òdí’ Ìretè) foi o Odù Ifá que lhe apareceu naquele dia. Em sua aventura, eles se reuniram em Òròkí que era um rio.

Este Ìpólé está localizado nas terras Ìjèsà e não em terras Èkìtì em Badejo (1991:96), situado perto da cidade de Èkìtì que é perto de Ìkogòsì. Ìpólé Èkìtì é chamada de Ìpólé Ìlóró que antigamente se chamava Ìpólé Àpá. Eles migraram para um local que atualmente é Ìpólé-Ìjẹşà.

Esta informação foi fornecida pelo rei de Ìpólé Ìjèsà no ano 2.000.

A informação que recebemos do Sr. Yekeen, é que Òròkí é uma divindade feminina como Òşún. Ele disse também que Tìméhìn e Láròóyè aparecem sobre as águas de Ọkanlá atrás do palácio do Àtàója em Ọșogbo.

Também nos foi transmitido que ela era uma Àjé que acomodou Òşún em Ọșogbo, quando ela vinha de Ìgèdè-Èkìtì. Além disso, a própria pessoa nos disse que ela (Òròkí) foi a única que disse a Láròóyè e Tìméhìn como apaziguar Òşún. Porém, ela não gosta de fama como neste owé:

A kìí fòkìkí pòkìkí.

Nós não anunciamos o que já foi promulgado.

Isto é contrário à ideia de Farotimi D.O. (1990:31):

Os governantes eram filósofos naturais e pensadores que sempre tomaram medidas adequadas antes de embarcar em qualquer ação e as decisões nunca foram lamentadas. Foi por isso que as pessoas se referiam a Ọșogbo como uma cidade onde as pessoas pensam profundamente antes de tomar qualquer decisão, o que se diz na linguagem yorùbá:

Ìlú tí wón gbé ń rò ó kí á tó şe é.

Ou simplesmente: Ìlú Òròkí.

Nossa visão também é contrária à Badejo (1996:34) que diz:

Òròkí refere-se a uma mulher famosa, provavelmente de Ọșogbo. Pode ser o nome de uma ex sacerdotisa da deusa Òşún.

Ela disse-lhes sobre a água de Ọkanlá e que eles deveriam beber. Eles partiram de Òròkí e continuaram sua jornada. Foi assim que encontraram uma corrente de água e eles decidiram montar uma tenda em sua margem.

Este é o lugar onde eles chamaram Ohùn totó, depois o nome da mãe de Ọláròóyè.

Mais tarde, a água também secou e eles continuaram sua busca.

Neste momento à Ọláròóyè foi dado o poder administrativo para coordenar as pessoas. Porque, seu irmão, Tìméhìn não tinha tempo para tal, porque ele era um caçador. Então, Ọláròóyè enviou Tìméhìn e alguns caçadores corajosos para procurar água. Em sua aventura, Tìméhìn atirou em um elefante durante o trabalho e trouxe sua cabeça para o santuário de Ògún na cidade.

Isto é visto no oríkì de Ọșogbo, eles são os descendentes de quem levou o elefante conhecido na cidade de Ọșogbo. Eles fazem alusões ao elefante histórico morto por Tìméhìn.

Eles continuaram a jornada e encontraram Ọsànyín uma poderosa divindade que estava engajada em uma séria batalha. No final Ọsànyín assistiu Tìméhìn e os outros caçadores dando-lhes dezesseis pontos de luz (Àtùpà Olójú Mẹrìndínlógún) como uma fonte de energia para eles. Ele ordenou que observassem a iluminação anual.

Pelo que podemos ver no festival anual de Òşún em Ọșogbo, um dia inteiro é dedicado à iluminação, o ritual dos dezesseis pontos de lâmpada de Osányìn.

A importância desses dezesseis pontos de lâmpada de Osányìn é elogiado pelas pessoas no Oríkì de Ọșogbo:

A descendência das dezesseis lâmpadas.

Que brilham em Òròkí Ilé.

Elas brilham para o rei

Elas brilham para Òşún

Elas brilham para as divindades.

Ela vai brilhar para as pessoas.

Depois que eles receberam as lâmpadas de Osányìn eles encontraram o rio Òşún quando seguiam em frente. Quando eles chegaram lá, eles decidiram se estabelecer.

Eles estavam cortando uma grande árvore e ela caiu no rio, eles ouviram uma voz dizer: Magos da floresta, vocês quebraram todos os meus potes de indigo.

Da mesma forma, discordamos de Wenger (1990), que considera que Òròkí é a irmã mais nova de Òşún. Se Òròkí não é suprema para Òşún, no entanto, elas devem ser iguais em status como divindades.

Ọkanlá é água de nascente.

Ela está atrás do palácio do Àtàója até hoje (a nascente).

Eles a transformaram em um poço. A história diz que a água deve ser pega e bebida por cada Àtàója, pois, é considerado uma fonte de energia para eles. Além disso, é uma herança cultural para os reis de Ọșogbo, este ritual eles devem sempre realizar.

Osányìn é uma divindade poderosa nas terras yorùbá. Ele é uma divindade eminente e tem o conhecimento adequado das ervas medicinais e é o patrono de todas as ervas.

Eles ficaram apavorados com aquela voz e consultaram Ifá para saber o que fazer.

Ifá disse-lhes que era Òşún a deusa do rio, que estava irritada com a invasão de seu império. Além disso, eles devem se afastar desta área antes mesmo de descansarem. Eles enviaram mensagem para o rei Ọláròóyè, dizendo que tinham visto um bom lugar para se estabelecerem e que havia água.

Quando Ọláròóyè chegou, eles tiveram que oferecer sacrifícios, como fora ditado por Ifá.

Depois de oferecerem o sacrifício, um grande peixe chamado Ikò, o mensageiro de Òşún, saiu da água e Ọláròóyè estendeu as mãos para receber Ikò. O aparecimento deste peixe simboliza a aceitação e a eficácia do sacrifício.

A partir deste evento, nasceu o título de rei de Ọșogbo, o Àtàója. Este nome é cunhado em:

Eni tó tẹwọ gba ẹja.

A pessoa que estendeu a mão para receber o peixe.

Esta é a elisão de Àtàója até os dias de hoje.

Outro relato fala que Ajíbógun era o filho de Owá Ìlẹşà. Ele decidiu deixar Ìlẹşà e ir para outro lugar já que não estava satisfeito com seu pai. Depois de muito apelo para que Ajíbógun não deixasse a cidade ele recusou decididamente ao apelo de seu pai.

Ele deixou a cidade com Ọláròóyè, Tìméhìn, Ògìdán, Talo e Sègi lợla. Seu primeiro assentamento foi chamado de Òpólé, onde permaneceu por algum tempo, antes da morte de Ajíbógun.

A morte de Ajíbógun e a escassez de água em Ìpólé o fez deixar o local. Quando eles estavam se preparando para deixar o local, o Ọwá de Ìlẹşà mandou uma mensagem para que voltassem para Ìlẹşà, porém, eles recusaram. Tìméhìn e Ògìdán que eram caçadores tiveram que assumir a liderança em sua jornada na floresta em busca de água. Quando estavam à procura, eles encontraram um grande rio.

Eles decidiram cortar uma árvore para marcar o local e facilitar a identificação do mesmo, para quando eles trouxessem as pessoas de Òpólé.

Quando a árvore caiu na água, eles ouviram uma voz misteriosa que dizia:

Oşó igbó, ẹ pèlé – Mago da floresta, bem feito!

Oşó igbó, ẹ rọra – Mago da floresta, vá com calma

Gbogbo ìkòkò aró mi ni ẹ ti fó tán – Vocês quebraram todos os meus potes de índigo!

Eles tiveram medo e fugiram.

Quando estavam em disparada, eles foram chamados de volta pela mesma voz. A voz revelou ser Osún. Ela disse-lhes para se afastaram um pouco para terminar sua tarefa.

Ela disse que eles deveriam estar adorando a ela anualmente. Este é o festival anual de Osun em Ọșogbo. Quando Ògìdán e Tìméhìn voltaram para Ọwá seus povos souberam que Ọláròóyè lutou com Osányìn e que ele tinha apreendido os dezesseis pontos de lâmpada.

Iko que significa, um mensageiro ou representante, portanto, Iko Òsún refere-se ao seu mensageiro ou representante. Iko Osun é um grande peixe que costumava aparecer no passado, mas não pode mais aparecer por causa da transformação do culto de Òsún. (Cf Bolanle Awe et al (1995:8)

A iluminação dada por  Osányìn com esta lâmpada é feita durante um dia inteiro durante o festival Òsún de Ọșogbo até hoje como apontado no primeiro relato histórico.

A terceira consideração é assim:

Ọwá Adéfokàn-balè-bí-àdàbà é o filho de Ajíbógun, também conhecido como Obòkun, a descendência de Òlófín-Ayè Odùduwà Adéfokàn-balè vivia com seu pai em Ìlemùré, que agora é chamado Ibòkun.

Depois que ele partiu de seu pai fundou Ìpólé-Òmu. Embora Ọwá Adéfokàn-balè fosse o primeiro Ọwá de Ìpólé-Òmu mas haviam cerca de oito Ọwá que governaram lá. O último Ọwá de Ìpólé foi Ọláròóyè cujo irmão mais velho, Tìméhìn foi um grande caçador; que estava dando um grande apoio ao rei. Foi durante o mandato de Ọláròóyè que eles estavam enfrentando escassez de água em Ìpólé-Òmu. Esta crise fez Tìméhìn, um caçador valente começar a procurar água na floresta. Em sua busca por água, eles encontraram o rio Òşún, e decidiram montar uma tenda, antes que eles pudessem trazer outras pessoas para o local. Como eles estavam cortando uma árvore, que caiu no rio e eles ouviram uma voz misteriosa de dentro da água:

Oṣò igbó, – Feiticeiro da floresta!

Ẹ pèlé – Acalme-se!

Gbogbo ìkòkò aró mi ni ẹ ti fó tán – Você quebrou todos os meus potes índigo!

Ẹ sún sókè kí ẹ lè gb’èrù – Se mova ali para que possa florescer!

Ẹ sún sókè kí ẹ lè gb’èrù – Se mova ali para que possa florescer!

Este acontecimento os fizeram perguntar a Ifá o que eles fariam.

Ifá disse a eles para oferecer sacrifício a Òşún e eles ofereceram.

Foi assim que eles se estabeleceram neste lugar até hoje.

A quarta consideração diz que a cidade de Ọșogbo é uma comunidade heterogênea. O relato de pessoas de Ìrẹsàadú, Ìrẹsàapa, Òbà, Ìliè e outras cidades e aldeias vieram até os dias atuais, como os agricultores e pescadores deỌșogbo. Seus homens estavam na agricultura e na pesca, suas esposas foram ajudá-los a vender peixe para o povo de Ìjẹşà, Ìpólé-Òmu. Este grupo de pessoas foi chamado Gbónmi porque a sua principal ocupação era a pesca. Eles não estavam em uma cidade, mas em um assentamento de baixa densidade (Wenger 1990:27). Suas esposas também estavam vendendo mingau de milho (ègbo). Este relato diz que o nome Ọșogbo foi cunhado a partir de Ìsò ègbo, isto é, o lugar / local onde se vende ègbo. Um dos nossos informantes, Mr. Yekeen disse: “Gbónmi l’àgbà Ọșogbo – Gbónmi é sênior para Ọșogbo.

Há contradições sobre as histórias do mito ou história de Ọșogbo.

Rev. Samuel Johnson em seu próprio relato é de opinião que foi durante o século 16, quando Aláàfin Kórì era o rei do império de Ọyọ quando Ọșogbo foi fundada. Durante esse tempo, alguns saqueadores de Ìjẹşà interceptaram pessoas em seu caminho para o mercado de Apòmù. Foram essas pessoas que procuraram a assistência de Aláàfin Ọyọ. A pessoa enviada pelo Aláàfin era um caçador valente, que fundou a cidade de Ede. Ele era Tìmì de Ẹdẹ. Quando o Aláàfin de Ọyọ enviou Tìmì, o Ọwá de Ileșa também enviou o Àtàója para neutralizar o poder de Tìmì, e ele também deu a Àtàója o comando do culto do rio Òşún (Samuel Johnson 1921:155-160).

É uma tarefa hercúlea endossar qualquer das narrativas acima sobre o mito/história de Ọșogbo. Ao mesmo tempo, não podemos dizer que qualquer uma delas é falsa. Isto porque, temos de aceitar os mitos de cada sociedade, como a verdade, como eles foram apresentados e aceitos pelas sociedades (Joseph Miller 1980:1-60). Eu acho que a coisa ideal a fazer é trazer ospontos / questões mais salientes e comuns a essas narrativas que têm a sua base na sociedade contemporânea.

A primeira questão a destacar é que as pessoas Ijesa fundaram a comunidade de Ọșogbo, mesmo que as pessoas de cidades como Ìrẹsàadú, Ìrẹsàapa, Òbà e Ìliè tenham existido escassamente nos arredores e imediações. Podemos, então, dizer que Ọșogbo é um conglomerado das pessoas de Oyo e Ileșa.

Outro problema trazido à tona é que a partir de cada mito narrado acima, Osun está relacionada com o estabelecimento da cidade de Ọșogbo. Em outras palavras, podemos dizer que foi Òşún que batizou Ọșogbo. Além disso, é a relação de Òşún com os fundadores de Ọșogbo que trouxe o título de seu rei Àtàója. Portanto, sem Òşún não podemos conhecer Ọșogbo.

Isso significa que o fundamento histórico e a autoridade política dessa comunidade estão vinculados a Osun como uma divindade. Em conclusão, o oríkì de todos os reis de Ọșogbo,mostra que o passado e o presente de Ọșogbo está relacionada tanto com a comunidade de Ìjẹşà, quanto Ọyọ. Isto significa que o poder político em Ọșogbo atesta isso, se examinarmos o oríkì de todos os reis de Ọșogbo começando desde o primeiro até o atual Àtàója.

• Àtàója Ọláròóyè Gbádéwòlú (1670-1760)

• Àtàója Sògbódẹdẹ (1760-1780)

• Àìná Sérébù (1780-1810)

• Àbógbé (1810-1812)

• Òbódegbéwá (1812-1815)

• Àtàója Láhànmí Òyípi (1815-1840)

• Àtàója Òjo Adíò Òkégè (1840-1854)

• Àtàója Ọládéjọbí Ọládélé Mátànmí I (1854-1864)

• Àtàója Ògúnníkèé Dúrósinmi Fábòdé (1864-1891)

• Àtàója Bámigbólá Àlàó (1891-1893).

• Àtàója Àjàyí Ọlósundé Oyètònà (1893-1903)

• Àtàója Àtàndá Olúkéyè Olùgbèjà Mátànmí II (1903-1917)

• Àtàója Kòfowórọlá Àjàdí Lájọmọ Ọlátònà (1918-1920)

• Àtàója Àlàbí Kóláwọlé (1920-1933)

• Àtàója Samuel Oyèdòkun Àkànó Látònà II (1933-1943)

• Àtàója Samuel Adéléyẹ Adénlé I (1944-1975)

• Àtàója Ọlátidóyè Iyìọlá Oyèwálé Mátànmí II (1976 till date).

Destes dezessete reis (incluindo os regentes) de Ọșogbo todos eles têm descendência tanto paternal ou materna deÌjẹşà. Mesmo que os governantes desta comunidade estejam ligados a Ọyọ e Ìjẹşà, o oríkì-Orílè de Ọșogbo também estabelece o fato que o povo de Ìjẹşà estabeleceu Ọșogbo. Não somente isto, Ọșogbo como uma comunidade não pode ser separada de Osun religião.

A questão pertinente:

Nós podemos perguntar: Òşún é a única divindade de Ọșogbo?

A resposta para isso é Não!

Por:

Die Bayreuther Online-Reihe “Bayreuth African Studies Online” präsentiert

Forschungsergebnisse des Afrika-Schwerpunkts der Universität Bayreuth.

October 2005.

George Olusola Ajíbádé

Tradução: Odé Gbàfáomi

Campanha de Sensibilização Anemia Falciforme

Vamos ajudar esta campanha.
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Entendendo o Orí

Quando nascemos, o Orí (cabeça), é o primeiro òrìsà que recebemos, é quando tomamos nosso primeiro banho de sangue, nele trazemos as impressões que estão gravadas no inconsciente, a nossa origem no universo.

Este Orí está ligado ao Orí òrun pelo nosso Iponri, ele é fonte da inteligência para a sobrevivência no ayé (Terra) e dele (Orí), geramos toda a força propulsora que nos conduz em nossa jornada não somente para a vida em si, mas também na saúde, prosperidade e equilíbrio. Nosso Orí está diretamente ligado ao Orí òrun, portanto ele conhece nosso destino e desta forma nos conduzirá na passagem do mundo físico para o mundo espiritual e vice e versa.

Assim, Orí = Origem do ser, está ligado ao òrun e ao mesmo tempo ligado a Terra (ayé), sobrevivendo após a morte para transmutar a morte física para a vida do espírito e desta forma guardando em sua memória as marcas de sua origem.

“O pensamento provoca a ação e a ação provoca a reação” e todos os frutos colhidos serão a resposta de nossa conduta, de nosso equilíbrio tanto mental como emocional. Isto quer dizer que podemos ter um bom Orí, que saudaremos Olorí rẹ e para aqueles com um mau Orí diremos Olorí Burúkú, aquele que tem cabeça ruim.

Olódùmarè, nosso Deus maior nos deu a vida e a liberdade de buscar a perfeição espiritual, deixando conosco a sabedoria arbitral, a qual somente poderá ser compreendida com um bom Orí, assim diz o Oríkì:

Nada se faz sem um bom Orí.

Um bom Orí é aquele que está sempre alerta, sempre sacrificando, sempre buscando evolução, sempre melhorando seu caráter e suas maneiras.

Ifá em nossa vida

Ifá, é a soma da sabedoria suprema, da cosmogenia e da cosmologia, da vida e da morte, do nascimento e da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade. São estas forças que conduziram a sustentação do planeta vivo.

Neste processo tão poderoso, aquele que for iniciado em seu Culto estará agregando a si uma permissão para obtenção de um poder muito maior perante Olódùnmarè, assim existindo a necessidade por parte dos Sacerdotes, conhecedores plenos da extensão deste mesmo poder, avaliar o candidato com muita clareza e assim permitindo ou não esta iniciação.

Nem todos estão habilitados a carregarem em seu Orí, esta força que liga o ser com o sagrado. Seus Sacerdotes, apoiados nos conhecimentos milenares, carregados por uma cultura de tradições em botânica, mineralogia e zoologia conseguem unir os elementos da natureza à energia vital de cada indivíduo procurando o equilíbrio entre as forças espirituais e materiais de cada um, esta união da ciência com o mundo espiritual precisa de mentes sãs.

A transformação dos filhos iniciados em Ifá:

No momento da iniciação o destino vivido por esta pessoa até então, estará sendo limpo e enterrado, dela serão retiradas todas as forças contrárias e haverá uma mudança no trajeto até então vivenciado, fazendo com que seu Orí encontre o destino do momento de sua concepção, apagando as imperfeições consequentes de sua vida refletida pela sociedade onde nasceu, cresceu e vive para reencontrar a sua origem perfeita.

Mas para que esta força de fato venha adentrar em seu Orí e passe a fazer parte de sua existência estes novos filhos deverão procurar além de cumprir leis, entender e estudar o sentido desta filosofia para que a magia desta iniciação prevaleça neste Orí, sendo ela independente de seu òrìsà guardião.

Ifá é um Culto Tradicional considerado a fonte de todas as outras formas de adoração. É um livro de orientação, um roteiro, que trata você como indivíduo único e através do qual receberá suas regras de conduta pessoais Eéwò (tabus) de acordo com sua origem ancestral, leis estas que irão levá-lo a obtenção da realização de sua felicidade de acordo com sua própria história e missão.

Aqui não pode haver a alimentação de sonhos que não fazem parte de seu destino, mas a leitura daquilo que você sempre foi, desde os primórdios e a busca de seu aprimoramento através das soluções apresentadas nos jogos divinatórios de Ifá.

Assim em nada se parece a qualquer religião, associações ou fraternidades que existem, onde todos são tratados como massa independendo da inteligência e onde seu Eu Interior não é respeitado.

O aprendizado correto da forma de cultuá-lo requer um grau elevado no domínio de seu comportamento, já cheio de vícios de personalidade, este é o verdadeiro àse, o nascer novamente com a maturidade e a consciência adquirida e poder reformular sua vida de forma a satisfazer sua trajetória na Terra.

Texto escrito por Odé Gbàfáomi, embasado em artigo do Áwo Fatunmbi.

Ire Bàbá.

Vemos com frequência diversos amigos e irmãos de fé, internautas se lamentando por terem incorrido em algum tipo de erro relativo ao comportamento pessoal, amoroso, social ou religioso.

As atitudes, os atos, as palavras, os pensamentos, calunias/difamações e sentimentos negativos de ódio, raiva, ira ou qualquer coisa que valha, são pontos a serem discutidos neste artigo.

Nossas atitudes não são amenizadas por um simples gesto de arrependimento. O arrependimento e pedido de desculpas são relativos ao caráter pessoal, ao crescimento espiritual, desenvolvimento da inteligência emocional e aprendizado.

Um verso de Ogbè Yonu (Ògè’Ògúndá) nos diz:

A descendência de Okika

Adivinhação por Ifa foi feita pelos descendentes de Orubutu.

Os descendentes de Orubutu.

Foi lançado Ifá para a garrafa quebrada (Opalábà).

A prole de Orubutu e Opalábà.

Ifa foi lançado para aqueles em Oyilajbomono (foi feito jogo).

Eles têm apenas uma esposa

E eles a trouxeram furtivamente de longe

Ifá não está em casa.

Eis porque as pessoas me ridicularizam.

Quando ele chegar, ele me socorrerá.

Ọbàrà Òsé é aquele que recupera Ogbè Yonu.

Qualquer um que tomar a mulher do sacerdote de Ifá.

A folha Idi vai criar problemas em sua casa.

Ifá não está em casa.

Eis porque me ridicularizam.

Quando ele chegar, vai me redimir

Ọbàrà Òsé logo vai trazer a salvação para Ogbè Yonu.

Ele que roubou a mulher do sacerdote de Ifá.

O rato gigante vai cavar o túmulo de todos e levá-los para o òrun (céu)

Ifá não está em casa.

Por isso estão me ridicularizando.

Quando ele chegar vai me resgatar.

Ọbàrà Òsé logo vai trazer a salvação para Ogbè Yonu.

Ele que levou a esposa do sacerdote de Ifá.

A folha Akawoleri mo lo tete.

Certamente eles chorarão como o orvalho que cai sobre a folha.

Ifá não está em casa.

Por isso me ridicularizam.

Quando ele chegar, vai me resgatar

Ọbàrà Òsé logo trará salvação para Ogbè Yonu.

A reparação divina sempre vem em sua hora mais propicia.

Dentro de nossa religião não temos:

O arrependimento das faltas cometidas durante a vida e a garantia da salvação.

Nossos valores são outros.

Somos os responsáveis, e os unicamente responsáveis, por nossos atos e vamos prestar conta destes atos, com o agravante de podermos distribuir esta falta por nossa família no òrun (reino espiritual), dentro do conceito de Àyànmọ (aquilo que recebemos como um karma).

Não negamos a existência de ebó e orações que se prestam a aliviar a carga ou mesmo livrar a pessoa de uma falta cometida.

No Odù Òyékù’Òtúúrúpòn vemos o bàbáláwo fazer ebo para esta finalidade.

Ọrùnmìlá me perdoará, o Perdão me perdoará.

Se água mata um ser humano, isto será perdoado.

Se um rei mata um ser humano, ele será perdoado.

Ọrùnmìlá!

Permita que eu seja perdoado nesta questão!

Permita que todas as pessoas da cidade perdoem-me em consideração a esta questão, como a chuva em todas as casas eu serei perdoado pela comunidade.

Dois …. e ……. cauwries muito bem oferecidos.

Ewé: moer todas as folhas de Ifá e mistura com ìyèrósùn.

Coloque a mistura em dois pequenos….

Embrulhe e use, até o perdão ter sido recebido.

Este é o ebo confeccionado pelo Bàbáláwo.

Eu me pergunto:

Qual o tamanho/gravidade de sua falta, para merecer tal ‘perdão’?

Não podemos nos enganar, neste quesito. Não estamos negociando apenas com seres humanos e o conceito de falta/erro é muito mais amplo do que possamos imaginar.

O Odù Òkánrán’ Òdí fala:

Este é um rato marrom

O que rói grama com facilidade

Este é rato Afeebojo.

O que corrói silenciosamente a grama.

Essa foi a previsão de Ifá para Ariyunbese,

Filho de Ilaminrin-Akoko.

Quando ela sofria de perda de filhos recém nascidos.

Ela foi orientada a fazer um sacrifício e abster-se de coisas proibidas (èèwọ-tabu)

Ariyunbese não levou a sério o conselho de Ifá.

Então, o que realmente come crianças Ariyunbese?

É a sua intemperança, é a sua relutância em abster-se de comer caracóis (tabú para ela).

Isso é o que realmente devora as crianças, Ariyunbese.

Estou certo de que o texto fala por si completamente e não há necessidade de elaboração. Este texto, cita apenas em um exemplo e explica o que pode acontecer (não o fato narrado) se você não seguir as proibições, há inúmeros exemplos em outros versículos dos Odù Ifá, mostrando como as situações ruins podem acontecer ao se violar as proibições e os tabus.

Portanto tentar se esconder, tentar ludibriar, ocultar a verdade de você mesmo, fingir que o mal é menor, que não há tanto perigo, que tudo pode ser resolvido com um ‘engambelo’ ao Òrìșà ou ficar de ‘castigo’ no barracão um fim de semana recolhido vai lhe dar a certeza do tão esperado perdão para sua falta. Bem…. Deixa pra lá.

Se o erro foi cometido de caso pensado, se foi uma falta com conhecimento de causa, se foi um ato intempestivo, um momento de raiva ou fúria, devemos nos lembrar novamente de nossos ensinamentos sagrados, devemos nos lembrar das 16 Leis máximas de Ifá que estão contidas no Odù Òfún’kárán (ver texto clicando em minha foto), devemos nos lembrar que não devemos manipular uma ‘faca’ em momentos de raiva ou descontrole.

Uma faca não pode ser tão amolada a ponto de querer cortar seu próprio cabo.

A colheita, o resultado, de nossos atos é certa!

Não nos iniciamos nesta religião para podermos ter acesso a coisas que a vaidade deseja, a iniciação é se reiniciar, é se reciclar, é mudar de vida e atitude, é crescer e aprender com todas as falhas e faltas do passado, o Odù Èjì Onilè (Ogbè mèjì) nos diz:

Iniciamos você nos segredos de Ifá ou Òrìșà

Você deve se reiniciar.

Foi assim que Èjì Ogbè (Èjì Onilé) foi iniciado.

Então ele mergulhou na floresta Sagrada.

Iniciamos você nos segredos de Ifá/Òrìșà.

Então, você deve reiniciar-se.

Se você chegar ao topo da palmeira (Igi Opè -Dendezeiro).

Não deixe suas mãos soltas.

Èjì Ogbè, o mais elevado de Odù, passou por auto iniciação, mesmo depois de ser levado a floresta sagrada (Igbòdù) para a iniciação (Te’fa, iniciação do Bàbáláwo), ele mergulhou de volta para a floresta.  Este ato mostra que mesmo um iniciado deve voltar para a floresta (seu interior), a fim de ensinar a si mesmo.  E, mesmo nessa estrofe curta, Ifá nos lembra que, mesmo que ao atingir o auge da compreensão e do conhecimento, nossa arrogância deve desaparecer, para não deixar que a nossa mão se perca e venhamos a desmoronar e cair da palmeira.

A auto reiniciação é uma ferramenta poderosa que deve ser usada para você não mais incorrer nos erros que podem lhe levar as dores de cabeça, aos arrependimentos e consequentemente a punição (ões), que pode ser nesta vida, em outra ou mesmo no seu retorno ao òrun.

Após nossa morte passamos pelo portão que liga o Ayè (mundo físico) ao Òrun (mundo espiritual), e ali, deveremos prestar contas ao Onibode (Senhor do portão), Èşù, sim, ele mesmo!

A ele vamos nos reportar em primeira instância e teremos ao nosso lado uma poderosa testemunha que nos acompanhou durante toda a vida, que esteve ao nosso lado por toda nossa caminhada e ela será a fiadora de nossas palavras, Ojiji e este é um dos seus trabalhos.

Quando dizemos que Ifá está presente em nossas vidas e nossa vida está dentro dos ditames sagrados de Ifá (A voz de Olódùmarè) e somos levados a interpretar Ifá mesmo sem querer, é porque o mundo é/está interligado, todas as coisas estão conectadas, mesmo sem saber estamos recitando um verso/ensinamento de Ifá.

Veja o exemplo em uma música do cantor/compositores Lenine/Ivan Santos, que mesmo sem saber (talvez) nos fala sobre o que me inspirou neste dia.

Ele fala sobre assumir a responsabilidade pelas suas atitudes.

Do it.

Tá cansada, senta

Se acredita, tenta

Se tá frio, esquenta

Se tá fora, entra

Se pediu, aguenta 2x

Se sujou, cai fora

Se da pé, namora

Tá doendo, chora

Tá caindo, escora

Não tá bom, melhora 2x

Se aperta, grite

Se tá chato, agite

Se não tem, credite

Se foi falta, apite

Se não é, imite

Se é do mato, amanse

Trabalhou, descanse

Se tem festa, dance

Se tá longe, alcance

Use sua chance 2x

Se tá puto, quebre

Tá feliz, requebre

Se venceu, celebre

Se tá velho, alquebre

Corra atrás da lebre 2x

Se perdeu, procure

Se é seu, segure

Se tá mal, se cure

Se é verdade, jure

Quer saber, apure 2x

Se sobrou, congele

Se não vai, cancele

Se é inocente, apele

Escravo, se rebele

Nunca se atropele

Se escreveu, remeta

Engrossou, se meta

Quer dever, prometa

Prá moldar, derreta

E não se submeta 2x

Link: http://www.vagalume.com.br/lenine/do-it.html#ixzz33zmWkEgI

Resumindo:

Uma das melhores virtudes que um ser humano ou um ser humano iniciado nos mistérios do Òrìșà (principalmente) deve ter dentro de si é a Verdade (Òtító), é ela que vai lhe levar pelo caminho mais fácil da vida, será ela que vai lhe ajudar a carregar o fardo, ela vai lhe aliviar a carga e as tentações, ela vai levar para longe os maus pensamentos, vai trazer a reflexão para dentro de você, vai fazer de você um ser humano melhor, mais justo, mais apegado a espiritualidade e não a religião em si, vai deixar seu interior mais confortável. Vai fazer você ouvir, em vez de simplesmente escutar, vai lhe levar a reflexão, vai lhe proporcionar o amadurecimento dos sentimentos.

Ela vai guiar seus passos, vai clarear seus caminhos como um lanterna.

Ela vai lhe dar menos arrependimentos as suas atitudes, pense nisso e experimente!

Nossa religião é riquíssima em ensinamentos, Ifá, a base de nossa religião está sempre nos ajudando com seus conselhos e sua filosofia.

Veja o que diz o Áwo Fatunmbi em seu livro Ìbà’se Òrìşà:

“Dentro da estrutura do ritual de Ifá, o Odù é usado para invocar Òsá’túrá (Odù que nos fala sobre a importância da verdade) e Èsù, que é tanto o Mensageiro Divino, como o Guardião da Verdade. Este duplo papel tem causado alguma confusão entre aqueles que têm escrito sobre a posição de Èsù na cosmologia do Ifá. A confusão parece estar baseada em um mal-entendido sobre o papel da Èsù em causar distúrbios. Uma das funções da desordem natural em assuntos do cotidiano é sacudir a consciência para liberar a sua autoindulgência e pensamento rígido. Porque a Terra está em constante processo, todas as percepções da relação entre o Eu e o mundo estão em constante estado de fluxo. Aqueles que negam ou ignoram a natureza dinâmica desta relação são regularmente lançados a um estado de confusão, como resultado de algumas mudanças inesperadas dos acontecimentos. Em termos simples, a percepção humana da verdade está em constante mudança (muito cuidado com isto) e uma das funções de Èsù é nos lembrar que a busca humana da verdade nunca deve estagnar.

Dizer que Èsù é o guardião da verdade é sugerir que a verdade nunca pode tornar-se um conjunto fixo de regras ou dogmas. Em vez disso, a Verdade é uma maneira de olhar para si mesmo e o mundo, é um estado de ser (deveria ser a realidade continua dentro de todos), em vez de um ato de conhecimento. Este é um conceito ilusório para alguns ocidentais, porque fomos condicionados à ideia de que a verdade é estabelecida por fatos objetivos. A ideia de que a Verdade só pode ser descoberta se formos periodicamente sacudidos em nossas noções preconcebidas, é perturbador para aqueles que querem que a religião tenha as respostas corretas sobre qualquer assunto”.

Diz o Odù Òsá’túrá:

Òsá Aláwo diz: O que é a Verdade?

Eu digo: O que é a Verdade?

A Verdade é o sacerdote do òrun que protege o mundo.

Òrúnmìlá diz que a Verdade é o espírito que protege o mundo invisível.

A Verdade é o conhecimento que Olódùmarè está aplicando.

Òsá Aláwo a questão novamente é:

O que é o certo?

Eu digo: O que é a Verdade?

Òrúnmìlá disse que a natureza de Òtító é o caráter de Olódùmarè.

A Verdade é a palavra que não muda.

A Verdade é Ifá.

A Verdade é a palavra indestrutível.

A Verdade é o poder sobre todas as atribuições.

A bênção que dura para sempre.

Esta foi a declaração do Ifá aos habitantes da Terra.

Eles sempre foram avisados a fazer a coisa certa.

É preciso ser honesto.

Quem é correto será apoiado pelas divindades.

Um provérbio yorùbá nos remete novamente aos ensinamentos sagrados onde a afirmação do caráter é uma constante, nos direcionado, sempre, para o caminho mais virtuoso.

Novamente Fatunmbi nos brinda com um comentário sobre este Owe Ifá (proverbio de Ifá).

Tọọro looma Ilẹ Ifẹ.

É um caminho reto que leva a Ilẹ Ifẹ.

Comentário:

Aqueles que acreditam em destino, aqueles que acreditam no poder de Òrìșà e aqueles que acreditam no processo de construção do bom caráter, sabem que o caminho para descobrir o destino pessoal é reto, estreito e sem ambiguidades.

Ilè Ifè é a capital espiritual dos yorùbá e está localizada no Estado de Ọșun, Nigéria (antiga Ọyọ State). Mas há outra Ilẹ Ifẹ, existente no Òrun.

Esta Ilẹ Ifẹ é considerada a casa da Criação.

É o lugar de descanso para aqueles antepassados que já cumpriram o seu destino dentro do Reino da Terra.

O caminho para Ilẹ Ifẹ no Òrun não deve ser alterado, ele é o compromisso de construir um bom caráter por meio da orientação de Ifá / Òrìșà.

Literatura mais ocidental sobre Òrìșà e Òrun, são associados com o céu e identificam-no como um morador no céu.

No entanto, a cosmologia de Ifá localiza Ilẹ Ifẹ, por analogia, como um mero lugar.

É um lugar de influência oculta de onde a sabedoria dos ancestrais evoluem continuamente e influenciam o processo de criação e evolução.

Essa crença em alguns aspectos é similar à crença religiosa do Oriente, onde as influências de Mestres Invisíveis transformam a vida espiritual na Terra.

Encerramos este artigo onde vemos uma das máximas de nosso profeta, quando ele afirma que após a exaustão, devemos deixar a pessoa viver a sua vida e a sua história da forma que mais lhe convém, porém, jamais contará com nossa ajuda.

Afinal de contas, somos os únicos responsáveis por nossos atos e atitudes.

O Odù Èjì Onilè diz:

Faça seu trabalho.

Eu não estou trabalhando.

Este foi o jogo de Ifá para a pessoa preguiçosa.

Ele que dorme até que o sol está em cima (alto).

Ele que confia que é possuidor (herdeiro) de herança e não se expõe a sofrer (trabalhar).

Se nós não labutamos e produzimos de nosso suor hoje.

Nós não podemos ficar ricos amanhã (a prosperidade é um processo)

Marche pela lama (Enfrente suas dificuldades).

Eu não posso marchar pela lama (Diz o descansado).

Se nós não marchamos pela lama.

Nossas bocas não podem comer comida boa.

Estas foram às declarações de Ifá à pessoa preguiçosa.

Ele que possui membros fortes, mas se recusa a trabalhar.

Ele que escolhe ser inativo pela manhã.

Ele só está descansando por sofrer pela noite (O desfrute).

Só labutando pode-se apoiar uma pessoa (Receber benção de Òrìșà).

Inatividade não pode trazer dividendo.

Quem se recusa a trabalhar.

Tal pessoa não merece comer.

Se uma pessoa preguiçosa tiver fome, por favor, o deixe morrer (ficar na ignorância).

Morto ou vivo, uma pessoa preguiçosa é uma pessoa inútil (E não fará falta).

Por: Odé Gbàfáomi

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