Feeds:
Posts
Comentários

Folder_II_conf__Mun_frente1

Folder_II_conf__Mun_verso3

Folder_II_conf__Mun_verso4

Folder_II_conf__Mun_frente2

xire3

Sempre que passamos numa rua e ouvimos aquele som que logo passa a ritmar a batida do nosso coração, imediatamente imaginamos que em algum lugar daquelas ruazinhas estão cantando, tocando e dançando um Xirê, está a acontecer uma festa de Candomblé e não precisa ser do santo pra identificar, basta ouvir e sentir.
E é neste momento, neste exato momento, que não conseguimos nos controlar, afinal, quem controla o coração? Ainda mais um coração que bate de acordo como os movimentos feitos pelos sensíveis tatos dos ogãs e o coro forte dos tambores que emitem o som da nossa alma, o som da emoção. E muitas vezes, meus irmãos, confesso que me pego às lágrimas de tanto que me sinto envolvida nesse mundo de tambores e magia, como se meu coração só conseguisse bater no ritmo eloqüente dos orixás. Esse efeito mágico é diferente de tudo, pois é causado pela minha descendência, é uma parte minha que veio da Velha Mãe África.

Um dos legados que os nossos antepassados nos deixaram e que seguimos a risca é a festa: festejamos a natureza, festejamos o nascimento, festejamos os orixás e quem vai a uma roda de Candomblé pela primeira vez e apaixona-se, não a deixa nunca mais. Pensando bem, é um toque que define o nosso sentimento pelo Candomblé, pois é num toque que sentimos todas as emoções possíveis e imagináveis de como quando ouvimos uma cantiga que nos toca em especial, mais profundamente… É nele que passamos a conhecer os orixás, sentir seu abraço, sua energia, passamos em fim a conhecer nós mesmos.

O toque, na maioria das vezes é um momento de alívio e agradecimento pela obrigação precedida, é o momento de mostrar à sociedade o noviço, o Yao que acaba de nascer novamente, desta vez para seu orixá, e muitas vezes também é o momento de mostrar os feitos dos próprios orixás, lembrar passagens históricas ocorridas entre eles com danças, passos compassados e muita alegria.

É uma tradição que atravessou o Atlântico, venceu todas as barreiras de preconceito e vai a se disseminar e unir as antigas e novas gerações. Reforçando assim os laços de amor e fraternidade entre irmãos e construindo um alicerce ainda maior para os verdadeiros conceitos e a verdadeira magia do Candomblé, elem de aflorar nossa sensibilidade, pois nascemos para sentir, somos seres sensíveis por natureza.

Deparamo-nos com um super pôr do sol e paramos para observar aquela imensidão rósea; envolvemos-nos com absoluta facilidade com o movimento sereno ou às vezes assustador das ondas do mar; deixamos de ouvir até os nossos pensamentos quando ouvimos o barulho de uma cachoeira. E ficamos extasiados com a imensidão da água que cai do céu, enquanto os trovões e os raios fazem um show à parte de imagem e som, som voraz e que sempre me lembra justiça e proteção, proteção de pai. É nessa sintonia perfeita de som e luz que me perco e percebo o quanto a natureza mora em mim, mora dentro de nós.

E é essa natureza que fala mais alto quando escutamos o som dos tambores, nos envolvemos com o som divertido e frenético dos abes (instrumento à maneira de um chocalho, formado por uma cabaça e uma malha de contas) e observamos nitidamente o som preciso e decisivo do agogô (instrumento formado por um sino ou mais presos a uma base e, sendo tocado por uma baqueta de madeira).
Não há como fugir meus irmãos, não há como fugir dessa magia sem igual, não há como não se envolver no bailar das pessoas diante da roda. Uma roda que demonstra aos mais atentos, responsabilidade, tradição e muita alegria, alegria em estar adorando àqueles aos quais descendemos, amamos e que vivem dentro de nós, nos movendo e nos mostrando o caminho melhor a ser seguido nessa batalha cotidiana em que vivemos, onde não lembra a nossa sociedade ancestral. Mas é aí que entra a sintonia perfeita: ao sairmos do toque já chegado ao fim, estamos com a fé renovada. São as forças da natureza, os nossos orixás que nos movem para as nossas vidas, dessa vez ainda mais felizes, lembrando sempre nossos melhores valores, lembrando que a vida deve ser vivida sem culpa e sem pecado, que não temos outro bem maior que a família e que nunca, nunca conseguiremos viver sem alegria e sem um belo sorriso no rosto. “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”.

Mutações e Fundamentos

{2a86c273-9550-49b9-be23-f0d0b63822e8}_candomblé_372x441x0

Estive pensando em causa e efeito.
Essa relação facilmente observada do ponto de vista científico,como por exemplo no câncer. O câncer é causado devido a uma mutação em determinados genes do indivíduo. Essa mutação causa uma falha na regulação do processo de multiplicação celular. Então a multiplicação ocorre de forma desordenada e sem controle resultando, enfim, no tumor. Resumindo, um agente danifica a estrutura e esse dano é amplificado pela perda da regulação do organismo. Trazendo para a realidade do candomblé temos então “zeladores-mutação”.São indivíduos que por falha no aprendizado,ou ausência deste, falha no caráter, ganância e outros mil motivos provocam um ponto de mutação em nossa religião e desencadeiam esse mundo de falhas dentro da nossa hierarquia, da nossa forma de fazer as coisas. As queixas crescem pululam no nosso cotidiano. São como cânceres, tumores dentro da religião e infelizmente ainda não conhecemos nem temos uma forma efetiva de combater esse mal e de extirpar-los do seio do candomblé. Somente como um câncer podemos entender a multiplicação acelerada de casas onde o zelador-mutação cria novos fundamentos, sob pretexto de ter conseguido resgatar fundamentos antigos, cria novas qualidades de Orixá,não bastando as diversas já existentes,cria novos cargos,muitas vezes sem nenhuma função a executar ou contradizendo toda a ordem estrutural do barracão. Sendo a nossa religião baseada numa tradição milenar(não sei a idade,falha minha!)essas criações vão contra todo o fundamento trazido da África pelos nossos antepassados, e contra toda base de conhecimentos já bem instalada no Brasil. Muitos vem com a história de que era um fundamento perdido agora recuperado,ou que foi a vontade do Orixá para encobrir algo simples e triste: incompetência.

Outro dia me deparei com a exposição de um cargo novo, ogã rodante. Isso mesmo, uma ogã rodante. Se virar moda, daqui a pouco em todas as casas teremos somente ekedis e ogãs, todos rodantes, afinal ninguém vai querer ser yaô ao invés de ser uma autoridade sentada naquelas belas cadeiras…E se ogã e ekedi podem rodar, não é mesmo?Vamos todos ser autoridades que rodam!A criação de um cargo como esse demonstra a inabilidade com jogo de búzios e afronta nossa tradição e fundamentos. Até que me provem por A+B que ogã rodante era uma tradição africana eu afirmo que é erro e incompetência de quem faz um absurdo desses. E é um erro alimentado por uma pessoa inocente que não conhece nada de candomblé e aceita um cargo que não existe.

Eu ainda me pergunto onde ficam os brios do pai de um zelador que faz algo desse tipo, porque se assiste a uma saída dessas e não se manifesta é no mínimo sinal de que para essa família de santo, candomblé não tem tradição, nem princípios, nem regras, faz-se o que se quer fazer e ponto final. Onde ficam ainda, as federações que assistem saídas desses tipo e nada,nada fazem? Só porque o zelador justifica com “O Orixá que quis assim” as pessoas aceitam o inaceitável.

Ninguém melhor que o Orixá para saber a importância da iniciação e ninguém melhor que Eles para saber em que Ori eles vão rodar ou não. A vontade do Orixá se resume a escolha do Ori,visto que a condição de rodante é puramente orgânica, é mediunidade. Podem me perguntar se o Orixá escolhe o Ori porque tantos erros? O Orixá vê o erro acontecer e permite, porquê? A sabedoria dos nossos Deuses vão além de nossa mera filosofia,às vezes faltou experiência do zelador para ver uma ponta solta, um detalhe no jogo ou no encadeamento dos fatos. Ás vezes o Orixá vê muito além,e guarda para nós, devido a esse erro, uma gama de conhecimentos que teremos que adquirir. Nossa compreensão da vida ainda é muito limitada. O erro um dia aparece e nos leva ao estudo, à busca de explicações e de experiências. E temos que admitir que com os erros aprendemos mais e melhor que com os acertos.

A maior parte das pessoas se inicia,faz por que gosta ou porque sofre com algo e a dor e a paixão não são sentimentos que nos dêem tempo para avaliar a seriedade do passo que estamos prestes a dar. Poucas pessoas estudam a religião antes de entrar nela. Só depois que o tempo passa você percebe que a experiência, o conhecimento e a sabedoria fazem toda a diferença e são pai e mães do acerto e da correção. Com a exata noção da seriedade e compromisso que toda iniciação encerra você se entrega somente nas mãos de alguém que você conhece, confia ,uma pessoa que tenha orgulho da sua origem e dos fundamentos preservados. Você aprende a escolher um zelador que ama o Orixá e não o dinheiro que você pode render. Você avalia a casa, o que é feito e busca em outras fontes se aquilo é certo ,se condiz com a tradição. Candomblé que não tem tradição não é casa de axé.

Retomando, nossa religião é perfeita,o problema são os pontos de mutação que querem sufocá-la, e deixa-la doente. Nós, integrantes dessa grande família, precisamos lutar contra essas mutações e buscar cada vez mais fundo,nos conhecimentos dos nossos mais velhos,a cura para esse mal que vem assolando nossa amada religião.

O Poder do Fogo

iansa1

No candomblé o Fogo é especialmente associado aos Orixás: Exú, Iansã e Xangô que estão relacionados com qualquer processo de transformação.

Exú: é o emissário responsável pela comunicação deste mundo com o mundo dos deuses. Tem uma personalidade atrevida, agressiva e temperamental e é considerado o guardião da porta da rua e das encruzilhadas, sendo que só através dele é possível invocar os outros orixás.

Iansã: ela é uma mulher activa, muitas vezes parecendo-se com as amazonas, e conhece as coisas difíceis da vida. Tem uma personalidade impulsiva, imprevisível e perspicaz e é considerada a deusa dos ventos e das tempestades, sendo a senhora dos raios. É também a dona da alma dos mortos.

Xangô: ele resolve as questões de justiça e não dá descanso aos que mentem, cometem crimes ou injustiças. Tem uma personalidade atrevida e prepotente e é considerado o deus do fogo e do trovão. É viril, violento e justiceiro, castigando os mentirosos e protegendo os advogados e juízes.

O Poder do Ar

candomble_4

No candomblé o Ar é essencialmente associado ao Orixá Oxalá, embora outros Orixás pertençam a este elemento, que é geralmente envolvido com questões de ética e de bom carácter. Oxalá é o Orixá que trás em si o princípio simbólico de todas as coisas, sendo inabalável na sua autoridade e extremamente generoso na sua sabedoria. Tem uma personalidade equilibrada, tolerante, obstinada e independente e é considerado o deus da criação, pois criou os homens e gerou muitos Orixás. Pode ser representado de duas maneira: Oxaguiã, quando ainda jovem ou Oxalufã, depois de velho.

O Poder da Água

candomble_3

No candomblé a Água é essencialmente associada aos Orixás: Oxum, Oxumaré e Iemanjá que estão directamente ligados à saúde, física ou mental, à fertilidade e à abundância.

Oxum: representa o feminino passivo, o amor, a fecundação e a gravidez. Tem uma personalidade maternal, vaidosa e tranqüila e é considerada a deusa das águas doces, do ouro e do jogo de búzios.

Oxumaré: representa o pacto entre os deuses e os homens sendo ao mesmo tempo de natureza masculina e feminina. Tem uma personalidade sensível e tranqüila e é considerado o deus da chuva e do arco-íris, transportando a água entre o céu e a terra.

Iemanjá: é a “Grande Mãe” que devido ao seu amor e compreensão não vê os defeitos de seus filhos. Tem uma personalidade maternal, complacente e superprotetora e é considerada a deusa dos mares e oceanos, por ser a mãe de todos os orixás, simboliza a maternidade, inclusive acolhendo a todas a crianças rejeitadas.

O Poder da Terra

candomble_2

A Terra corresponde à figura da “Grande Mãe”, sentida ao mesmo tempo como fonte de vida e de ameaças, pois dela provém os seres vivos e é para ela que estes retornam. Seus símbolos são , e . É também chamada de princípio passivo ou feminino e, segundo os mitos sobre o surgimento do mundo, foi o Céu que fecundou a Terra.

Não poderíamos existir da forma que somos sem a Terra, nosso planeta é simplesmente uma manifestação deste elemento. A verdadeira energia da Terra existe também dentro de nós e em todo o universo.

No candomblé a Terra e seus elementos são essencialmente associados aos Orixás: Ogum, Obaluaiê, Nanã, Oxóssi e Ossâim, que enfatizam questões sobre ecologia, a saúde e a casa.

Ogum: é o lado masculino da Terra e tem uma personalidade impaciente, obstinada e agressiva. É considerado o deus da guerra e da tecnologia, sabendo trabalhar o metal para a fabricação de máquinas e armas.

Obaluaiê: representa os aspectos negativos da vida e tem uma personalidade tímida e vingativa. É considerado o deus das epidemias e das doenças da pele, conhecendo os mistérios da morte, do renascimento e da cura. É considerado o médico dos pobres.

Nanã: representa o poder autoritário e rigoroso de um orixá considerado o mais velho de todos. Tem uma personalidade vingativa e mascarada e é considerada a deusa da lama e dos pântanos. Está constantemente associada à fertilidade, às doenças e à morte.

Oxóssi: como “o rei das florestas” só admite a caça se for como alimento. Tem uma personalidade intuitiva e emotiva e é considerado o deus da caça e o protetor dos animais. É o patrono do candomblé brasileiro.

Ossâim: é o que tem o conhecimento dos segredos das florestas e plantas para fins curativos. Tem uma personalidade instável e emotiva e é considerado o deus das folhas e ervas medicinais, conhecendo seus poderes para a vida ou a morte.

Mensagens Antigas »