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Arquivos para a Categoria ‘Cerimónias/Rituais’

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Egún antes do òrìsà.

A maioria das pessoas que descobrem o caminho de Ifá (A voz de Olódùmarè) e são direcionada inicialmente para a religião pelo glamour de um ou dois òrìsà ou pela promessa de poder.

Outros vêm à religião pela adivinhação, eles estão buscando respostas para seus problemas e soluções para situações difíceis.

Ifá é conhecido em todo o mundo por possuir um dos sistemas oracular mais preciso da história humana. E o òrìsà é certamente um panteão dinâmico e fascinante de divindades que estimulam o fascínio, a curiosidade, e eventualmente, a devoção. No entanto, as doutrinas de Ifá não são apenas sobre adivinhação, a sua principal preocupação é a evolução espiritual da humanidade. E os nossos mais fortes aliados na luta para evoluir (depois do nosso próprio òrìsà) são nossos ancestrais, conhecido em iorubá como o Egún. O Egún não é um ser glamoroso envolto em miçangas e girando através do Universo com os seus fantásticos poderes cósmicos para moldar as forças da Natureza. Eles são representados pelo pano, o pano rasgado representa a passagem do tempo, o desvanecimento da existência física. Eles não são òrìsà, eles são seus próprios parentes.

Os Egún são os membros do seu sangue em linha direta que voltaram para o outro reino, seus tios, tias, avós e parentes tão antigos que você não conhece seus nomes. Eles permanecem ligados a você pelos laços de sangue e mantêm um profundo interesse em seu bem-estar. É importante notar que Egún são antepassados reverenciados, o que significa que eles viviam uma vida digna e de honra. Eles não são apenas pessoas mortas, mas os mortos sagrados, os mortos reverenciados. Pessoas que estão envolvidas em atos de maldade ao longo de suas vidas, não são dignas de tal honra e geralmente não recebem homenagem como Egún. Aqueles que morrem em desgraça necessariamente não evoluem simplesmente, porque eles têm uma transição para o reino etéreo enquanto ainda podemos orar por eles, eles não são os mesmos ancestrais honrados, ou Egún. Eles são simplesmente mortos.

O Egún tem um papel diferente do que o Òrìsà em nossas vidas. No Ocidente, onde muitos adeptos e devotos de Ifá são muito influenciados pela Santeria/Lukumi, o Egún, é referido como “los muertos”, muitas vezes desempenham um papel secundário para o Òrìsà. No entanto, na Tradição Africana a veneração dos antepassados ​​é muito importante e isso se aplica aos seguidores de diferentes religiões. Leigos e sacerdotes igualmente honram os seus antepassados ​​com oferendas, orações e rituais de honra. O Egún é frequentemente mais influente em nossas vidas do que o òrìsà, porque enquanto o òrìsà é muito poderoso, eles também são impessoais, ou seja, destacados por nós. Embora a personificação do òrìsà os torne um pouco cognoscíveis e acessíveis para os seres humanos, estes últimos são na verdade forças Universais, fenômenos naturais, os princípios espirituais, as leis matemáticas e científicas (loas) que não são pessoalmente interessados nos assuntos dos seres humanos. Isso geralmente vem como uma surpresa para os devotos mais novos, que preveem que, quando eles colocam uma laranja no altar para Osun, ela ouve e responde com um favor. Isto realmente não funciona assim. O òrìsà não ouve as nossas vozes, é por isso que Èsù é conhecido como o Mensageiro Divino do Òrìsà. Ele não só transmite mensagens entre os deuses e o Criador, ele também tem a mesma função entre os seres humanos e as divindades. É por isso que se fazem oferendas a ele primeiro. Isto não quer dizer que o òrìsà não responde às nossas orações ou influencie em nossas atividades, eles certamente fazem.

Mas a nossa comunicação com eles não é direta, a nossa comunicação com nossos antepassados, no entanto, é direta e cara a cara. Aqueles que desenvolveram as habilidades de mediunidade ou são naturalmente talentosos podem ter conversas diretas com os seus antepassados. Nossos ancestrais estão pessoalmente investidos no nosso bem, assim como uma mãe é investida no bem-estar de seus filhos. Quando chegamos diante deles com a nossa dor, nossas lágrimas, nossos dilemas, seus corações são movidos em nossa direção. Eles trabalham a partir dos reinos espirituais para consertar nossos casamentos e relacionamentos em crise, para trazer a paz entre parentes que brigam, para advertir-nos de traição imprevista e tragédias, que nos levam a considerar alternativas superiores em nossas vidas, e muito mais. Sua visão de vida é muito maior do que a nossa, eles têm visto muitos ciclos mais e atingiu grande sabedoria e poder espiritual. Eles também não são sobrecarregados com corpo físico e pode, portanto, mover-se muito mais livremente do que podemos. O Egún é uma força incrível e nós somos sábios para honrá-los e incentivá-los a exercer os seus poderes em nosso nome. A relação entre os vivos e os mortos não é unilateral. Nossos antepassados ​​também precisam de coisas de nós. Eles precisam de nossas orações, nosso amor, nosso perdão, nossa lembrança e as ofertas, por vezes, específicas, tais como alimentos, bebidas, orogbo e claro, água. Pessoas de todas as origens raciais e étnicas devem honrar os seus antepassados é do interesse do desenvolvimento espiritual. Povos ocidentais de ascendência africana estão na posição única de ter gerações de seus antepassados ​​ espalhados por todos os oceanos do mundo, tantos homens esquecidos, mulheres e crianças que viveram e amaram. Alguns estudiosos estimam que milhares de africanos estejam no fundo do mar, vítimas do bárbaro tráfico de escravos transatlânticos. Incontáveis ​​milhões de outros foram abatidos aqui na América do Norte, Central e do Sul e as ilhas do Caribe. O seu sangue, juntamente com o dos nativos americanos, ainda está gotejando abaixo do solo que pisamos. Claro, os outros vão tentar diminuir esse número em seu próprio interesse, mas os números exatos são imateriais. O ponto é que quase todas as pessoas de ascendência africana que vive no ocidente e cuja família está aqui há gerações tem uma dívida enorme de gratidão, a solenidade, respeito e devoção a seu / seus antepassados. Eles suportaram com sofrimento como a entidade humana pôde suportar, de forma que pudéssemos viver. Muitos dos nossos problemas sociais é o resultado de não honrar devidamente a nossa herança, para que o nosso Egún curado possa nos dar força para superar as atuais circunstâncias. Um ancestral lesionado que tenha sido esquecido não tem poder para ajudar os seus descendentes. Mas aqueles que começam a honra e prestar homenagem aos seus ancestrais percebem o valor de fazê-lo.

Vão mudar a suas vidas. Parentes perdidos vão se reunir, até os problemas no casamento e com as crianças começarão a ter soluções com mais facilidade, a nossa “intuição” se torna mais forte e mais focada e as bênçãos e boa sorte começam a entrar na vida daqueles que honram seus antepassados.

Com veneração adequada, ganhamos o benefício da sabedoria dos nossos antepassados, nossos aliados mais importantes e nós também iniciaremos a cura para os males do passado.

Texto garimpado na web*.

* Gostaria muito de dar crédito ao autor do texto.

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O Rito do Zandró

A Nação Jeje comporta em seus fundamentos um vasto número de preceitos, tradições e rituais que a diferencia significativamente da cultura Nagô e, embora atualmente uma grande parte das casas de culto Jeje aos Voduns estejam, digamos assim, “nagonizadas”, muitas ainda mantém firme os ritos e fundamentos religiosos passados para nós pelos nossos queridos antepassados e por nossos ancestrais africanos. Pelo rito do Zandró – fundamento pertencente exclusivamente à Nação Jeje – o Povo do Vodun presta sua reverência aos que vieram antes e que hoje são para nós a memória do nosso povo.

Este ritual é de fundamentos por demais secretos, por isso, coloco aqui apenas a breve definição do mesmo.

A palavra Zandró  significa vigília e é uma cerimônia que se inicia ao cair da noite e vai até a madrugada. É uma cerimônia específica e particular para cada Casa de Culto, dedicada aos ancestrais daquela casa. No Zandró também se louvam os Voduns, os ancestrais. É um ritual firmado por uma sequência de cânticos e louvores específicos.

Há Voduns em particular como Ayizan – senhora dona do “gancho” da memória ancestre e dos antepassados – e, Azli Tògbósì (Aziri Tobosi) – a grande mãe jeje-mahi dos voduns – que recebem reverencia exclamativa neste ritual. Ayizan é vínculo para se reverenciar os antepassados; como não se cultua kukuto (egun, mortos) no Jeje-Mahi, é através dela que se prestam as reverências a eles. Aos pés do àtínsá (árvore sacra) de Ayizan são depositados vários pratos e ofertados a ela, num ato que muitas casas denominam “fundamento dos pratos”. As vodunsìs cantam para Ayizan ajoelhadas na esteira, batendo palmas e acompanhadas de cabaças (zàn). Aziri Tobosi recebe as comidas de todos os Voduns. A sequência de louvação no Zandró se inicia em Ayizan e termina em Aziri Tobosi.

O cerimonial do Zandró antecede as festas públicas (dòrozàn) do jeje-mahi, e é tido como um convite que se faz aos voduns para virem a festa, e seria o correspondente jeje do padê dos nagôs, embora não exista relação de culto entre os dois. É uma cerimônia restrita não podendo pessoas de fora participarem.

Autoria: Hùngbónò Charles

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Em uma casa de candomblé, um dos elementos principais e que requer grande sabedoria são as folhas. Sem esse entendimento não haverá a presença do Orixá, o velho provérbio das casas: Kó sí ewé, kó sí Orixá! Sem folha não há Orixá.

Ter os conhecimentos das folhas que vão participar dos banhos purificatórios, combiná-las com suas propriedades específicas adequadas a cada Orixá, a cada Orí, na confecção do adòsú, na preparação da ení do futuro ìyàwó como forma de proteção e fortalecimento, no àgbo do banho do ìyàwó para purificá-lo, como também como bebida e remédio e o próprio transe na incorporação da energia, estabecendo equilíbrio e inconciência. A quantidade de folhas no àgbo varia de casa para casa podendo ser quatro folhas ou múltiplos de quatro e combinando a essência,(quente/fria, macho/femea) equilíbrio.

O Olosányìn é o responsável pelas ervas, folhas e vegetais em geral, este cargo está diretamente ligado aos zeladores da casa, dada a sua importância e responsabilidade, caso não existe um Olosáyìn ou Babalosáyìn, o próprio Babalorixá ou Iyalorixá cumprirá essa função, não podendo delegar a outro filho.

As folhas quando chegam na casa devem primeiramente descansar por algum tempo, depois devem ser bem lavadas por quem irá macerá-las, são colocadas sobre a ení para que o Babalorixá ou Iyalorixá possa rezá-las com cântigos das folhas ou de cada fôlha especificamente de frente para os Ìyàwós que se encontram Kúnlè. O Bàbá ou Ìyá abrirá um Obí, confirmará as folhas escolhidas, mastigará o obí espargindo-os sobre as folhas com seu hálito, seu axé, suas palavras mágicas, para logo depois soltar as folhas para macerar, separando os galhos, caules e folhas feias para o lado, em silêncio, com uma vela ou fifó aceso à frente, sem pressa e rápido, o banho do aríàse do Ìyàwó. Vale ressaltar que após a masseração, o banho descansa um pouco e o que sobrou do banho, já cuado, irá para o ojúbo de Òsanyìn da casa, para depois ser despachado nas águas do rio ou mato.

Todas as obrigações, além da iniciação, em que tiver sacrifício de animais de quatro pés, serão sempre precedidos dessa liturgia sagrada sendo um orô obrigatório, sempre com louvação a Pai Òsányìn, no qual chamamos comumente de Sasányìn ou seja Asá Òsányìn, que são feitos no primeiro dia após iniciação, no terceiro e sétimo dia. Há também o ebó de carrego de toda a obrigação que o próprio Ìyàwó participa que é entregue a Èsù Òdàrà em seu ilé, para que de tudo certo e proporcione tranquilidade aos rituais secretos internos do àse.

“Korin Ewé”, isto é, cantar Folhas em louvar a Òsányìn, aos animais que participaram da obrigação, aos Bàbás, Ìyás, ancestrais, aos ègbóns, sua raiz e àse, Ogans e Ekedis, aos Orixás e ojubós da casa, a Òrúnmìlà e por fim a Òsàlá. Finaliza-se o culto com os cântigos das três águas, o omièrò de àse, reverenciando o Màrìwò e Òsányìn.

“Biribiri bí ti màrìwò
jé òsányìn wálé màrìwò
Biribiri bí tí màrìwò
Bá wa t’órò wa se màrìwò”.

Algumas casas tradicionais tem um esquema fixo de folhas combinadas para banhos de àgbo pra casa, para obrigação, para o àse, para o osé, etc.

Um dado litúrgico importantíssimo é que as folhas acompanham os assentamentos de todo e qualquer Orixá quando estes vão comer, acomodando o assentamento, como também o ìgbá Orí quando o Orí vai comer. As folhas combinam de uma forma mágica misturadas e essencialmente equilibradas e de acordo com cada Orixá e sempre frescas.

Obs: Não se toma banhos de àgbo velho que pode estar passado ou estragado, pois as ervas perdem sua função litúrgica.

Pai Òsányìn gosta de um fumo de rôlo no cachimbinho de barro, se disfarça num lagarto, num galho seco que Eyé pousa, pula numa perna só, gosta de vinho de palma, fradinho torrado com mel, frutas, alquimista, solitário e um grande Pai que está presente dentro do àse das casas ketu/Nagô.

Sãos as folhas secas que nos fornecem um bom defumador para inúmeras finalidades, são com folhas que fazemos vários tipos de ebós de sacudimento de egun, e quantas dietas fazemos com folhas? vários comidas de Orixás.

São 21 os korín ewé entoados e a primeira Ewé é o Pèrègún, a folha ancestralizada: asà o, erù ejé.

“Pèrègún àlà wa titun o
Pérègún àlà titun
Bàbá pèrègún àlà o merin
Pèrègún àlà wa titun”

Só Òsányìn conhece os segredos das folhas, só ele sabe os ofós que despertam seu poder e força, conectar com essa magia é o grande Awo, o ejé verde é fundamental em toda liturgia.

Òsányìn Elesekan, Irúmalé àgbénigi, Òsányìn Onísegùn Ewé ó Asà!

Ewé Òrìsà!

Fernando D’Osogiyan

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Este é um dos temas mais polémicos de que podemos falar, não só no enquadramento do Candomblé, como de qualquer prática religiosa que utilize rituais de magia.

Cabe em primeiro lugar salientar que a magia, como tudo na vida, tem o seu lado bom e o seu lado mau, ou se preferir-mos, o seu lado positivo e o seu lado negativo, e cabe a cada um de nós escolher a utilização que lhe queremos dar.

Está na natureza humana a constante luta por conseguir tudo aquilo que pretende, desde os objectivos mais elevados, até àqueles que nem vale a pena descrever… de tão ignóbeis que podem ser. E uma vez mais, aqui, também é a nossa escolha que prevalece. Somos nós que escolhemos as nossas metas e os nossos objectivos, e por isso, cabe-nos a nós também escolher os meios. E se não é tão questionável que os fins justifiquem os meios, devemos de facto preocupar-nos com os meios que escolhemos para atingir os nossos fins, porquanto, pelo caminho, estão quase sempre em jogo pessoas… e até vidas!

Particularmente no Candomblé, e porque esta página a ele é dedicada, a prática de rituais de magia é uma constante, mas, vamos então analisar como ela é utilizada, por quem e para que fins.

Os Ebós, as Oferendas e as Simpatias, são algumas das formas de magia que utilizamos, mas estes, todos eles sem excepção, foram criados originalmente com o intuito de corrigir alguma situação errada na vida de uma pessoa e para tal pode-se recorrer ao auxílio de diversas entidades; em primeira linha aos Orixás e depois, a outras entidades, que pelo seu estado evolutivo e pelas suas características, se assemelham mais a nós, humanos – aqui enquadram-se os Exús pagãos, as Pombagiras e os Caboclos – e estão de facto num plano mais próximo de nós.

Qualquer destas entidades pode ser uma mais valia na vida de uma pessoa, pois o seu auxílio chega sempre, e se devidamente tratados são nossos aliados preciosos.

Mas a magia, como já referi, também tem as duas faces da moeda, e a quem a pratica, é necessário, diria mesmo essencial, conhecer os dois lados, tornando-se mais uma vez necessário escolher o lado que se vai utilizar, e esse lado deve ser sempre o lado positivo  e construtivo.

Poderíamos aqui, a título de exemplo, encarar como um veneno, que pode ser utilizado e para o qual é sempre necessário conhecer o antídoto: é do próprio veneno da cobra que se criam os antídotos que são utilizados para curar quem é picado por ela -  na magia, grosso modo, também temos que conhecer tanto o veneno como o antídoto, porque para se tratar ou curar alguém que tenha sido atingido pela magia negativa, é necessário saber contrapor.

Obviamente, não vou aqui explicar – nem o poderia fazer – os detalhes desse conhecimento, o importante é que fique claro que quem mexe com um lado tem que conhecer o outro. Um dos magos mais conhecidos de sempre, São Cipriano, começou por ser um dos melhores magos que já se conheceram a manejar a chamada Magia Branca, mas de igual modo, mais tarde na sua vida, virou, e tornou-se um dos mais temidos e eficientes magos da Magia Negra. Também para ele isto só foi possível porque tinha conhecimento verdadeiro e profundo de como os dois lados funcionam.

Portanto, assim como se pode Amarrar, também se pode sem dúvida Desamarrar, mas isto só é possível a quem tenha verdadeiros e fundamentados conhecimentos.

Convenhamos no entanto que não são muitos aqueles que estão verdadeiramente capacitados para isto, portanto, quando pensar em fazer ou solicitar uma Amarração, pense, não duas, não três vezes, mas muitas vezes naquilo que está a pedir, pois você jamais terá a garantia de que o seu pedido possa ser atendido

Ao fazer uma Amarração, você não só estará a pedir algo para si, como estará a mexer com a vida de outra pessoa, e de alguma forma forçando-a a agir de uma maneira que ela muito provavelmente não quer, não de forma voluntária e consciente. Quando isso acontece, muita coisa se altera, e por vezes os resultados não são nada satisfatórios e são até perniciosos para a vida das pessoas envolvidas.

Imagine uma situação em que você quer muito ficar com uma outra pessoa e faz uma Amarração para conseguir o seu intuito. Imagine agora que uma segunda pessoa está interessada nessa mesma pessoa para quem você fez a Amarração e resolve também, para conseguir o seu intuito, fazer também uma Amarração. Como é que fica essa pessoa que está pelo meio? E você, vai conseguir o seu intuito? Ou é a outra pessoa que vai conseguir?

Este tipo de situação não é inédito, é até cada vez mais comum, dado que são cada vez em maior número as pessoas que recorrem a este tipo de magia (embora a maioria jamais vá admitir que o fez!), e garanto que daqui não sai nada de bom para nenhuma das partes envolvidas, só confusão e mais confusão e muita dor. Cria-se assim um ciclo vicioso, e nenhuma das partes vai sair a contento.

Ainda que posteriormente seja feita a magia para Desamarrar, entretanto, já muita coisa aconteceu que não tem retorno e já nada voltará a ser como era antes, ainda que a Desamarração seja um sucesso. Amarração mexe com o destino da pessoa, e nós simplesmente não temos o direito de impor a nossa vontade na vida e no destino dos outros. Esta forma de utilizar a magia não é de todo uma forma positiva. Está na hora de todos perceber-mos isto e agir-mos em conformidade.

Gostaria, de uma vez por todas, que os verdadeiros adeptos e/ou praticantes do Candomblé, independentemente do posto que ocupem, se negassem determinadamente a aceitar este tipo de trabalhos que constantemente nos pedem, ou sequer de pensar neles como uma solução para as nossas vidas, porque não é de facto uma solução; mais que não seja, pelas consequências kármicas que lhes são inerentes e que o nosso lado espiritual jamais deve esquecer – chama-se Lei do Retorno!
Há sempre uma forma diferente de ajudar as pessoas… pelo lado positivo!
Axé!

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Mão de Vumbe ou Mão de Nvumbe ou tirar mão de Vumbi, Maku Nvumbi, significa fazer a cerimónia para tirar a mão do falecido, e é realizada um ano após o Ntambi (a cerimónia fúnebre).

Esta cerimónia é necessária e apenas realizada nas pessoas que foram iniciadas pela pessoa que morreu, ou seja, na prática é tirar a mão do morto. É importante notar que não se aplica portanto a simples frequentadores, ou Abiãs da casa.

Quando uma pessoa é iniciada por um pai ou mãe-de-santo, passa a ter um vínculo espiritual, a mão da pessoa em sua cabeça, a mão que transmitiu o axé.

Assim, quando o pai ou mãe-de-santo morre é necessário tirar a mão do morto, essa cerimónia é feita por outro pai ou mãe-de-santo escolhido pela pessoa.

A realização desta cerimónia é importante pois permite que o iniciado possa assumir em pleno e dar continuidade à sua evolução em uma outra casa de santo.

A palavra Vumbe é usada no Candomblé Bantu de nações Angola e Congo, o significado é o mesmo que tirar a mão do Egum usada no Candomblé Ketu.

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Ibejadas

Ègbé,

Dando continuidade aos textos sobre as entidades da nossa querida Umbanda, já falamos de Caboclo, Preto-Velho e nesse post vamos abordar Ibejadas.

A Ibejada é a Legião das Crianças da Umbanda. Ela é liderada pelos santos Cosme e Damião e faz parte da linha dos santos ou linha de Oxalá. O termo Ibejada vem de Ibejis, Orixás gemeos que foi sincretizado com todos os santos que também são irmãos, Cosme e Damião e Crispin e Crispiniano. Por isso no Brasil esses santos tornaran-se protetores das crianças, embora não tenham esse significado em outros paízes.  No candomblé, os Erês são a personificação infantil, ligadas aos Orixás, por isso é muitas vezes confundido com os espíritos das crianças, as Ibejadas.

Os pontos cantados se referem muitas vezes a espíritos específicos, chamados por seus nomes: Estrelinha, Formiguinha, Faísca, Cosminho, etc. Também é comum a reverência a Doun que às vezes parece ao lado de Cosme e Damião como uma terceira criança menor que os gêmeos. Na África Doú é a criança que nasce logo após um par de gêmeos. Como estes são considerados muito especiais, o irmão que vem logo depois deles participa um pouco de seus poderes.

A legião Ibejada se divide em sete falangens: Falange Tupãzinho, relacionada à linha de Oxóssi, é formada por espíritos indiozinhos, habitantes das matas; Falange de Doun, realiza curas e habita, praias e jardins; Falange de Alabá, relacionada á linha de ogun, é formada por espíritos infantis que vivem nas cachoeiras e no mar e interferem em lutas e demandas; Falange de Dansu, relacionada à linha de Xangô, é formada por espíritos da natureza, dos temporais e das tempestades, que vivem em pedreiras e cachoeiras; Falange de Sansu, espíritos de meninas, ligadas a Yemanjá; Falange de Damião ou Cipriano, trabalha com Doun; Falange de Cosme ou Crispin, relacionada à linha de Oxalá, cuida de crianças e habita os jardins floridos. Apesar de serem espíritos muito brincalhões, como todas as crianças, as Ibejadas são poderosas e agem como anjos da guarda das pessoas. Como são muito próximas a Oxalá, que  trata como seus filhos diletos, seus pedidos são sempre atendidos por todos os Orixás. Por isso, a Ibejada é uma das falanges mais consultadas na Umbanda.

A festa das Crianças é realizada um dia depois do dia de Cosme e Damião que é dia 26 de setembro. A força da festa de Cosme e Damião foi tão grande que muitos pensam que Cosme Damião, santos católicos é dia 27 de setembro. A tradição das festas de Ibejadas, levam as pessoas a fazerem promeças para as crianças e conseguindo o desejado, fazem 7 saquinhos com 7 doces sortidos e dar para 7 crianças pobres na rua. Isso se popularizou a tal ponto que os saquinhos se multiplicaram, os presentes se multiplicaram, e milhares de pessoas saem as ruas para “pegar doce” e muitos para dar doce e pagar suas promessas. Poucos são os que nunca ganha ou um saquinho de doce.

Vale ressaltar que esse meu trabalho de pesquisa se deve seis pequenos livros que foram lançados pela editora Pallas na década de 70 e muito bem reorganizados e condensados por Eneida D. Gaspar da editora Pallas.

Salve Ibejadas!

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Prezados leitores

Um tema tão complexo quanto misterioso, minha idéia é sintetizar um mínimo entendimento sobre um dos Orôs mais respeitados e tradicionais nas casas de candomblé Ketu/Nagô, o ritual das “Águas de Oxalá”.

Esse ritual anual de purificação, renovação, pode ser considerado um “rito de passagem”, o fim e o começo, um novo ciclo, reverencia a presença da água, fonte primordial da vida, que se apresenta em todos os rituais da Religião dos Orixás. A Água é enobrecida na abertura do calendário, com os ritos de Orixan’lá, como procedência de Orí no Ayê – Iyá Omí Olorí – mãe de Orí, uma antiga divindade das águas, a deusa que se assenta na fonte de origem, simbolicamente, um banco, cadeira de espelho no umbigo do mar, no seio das águas, lugar simbólico da transformação. Mãe Ancestral. A celebração do Orixá é precedida de uma meticulosa preparação, interação e durante 16 dias.

Oxalá representa a pureza, Obatalá, O rei do Imaculado ou O rei do Branco, não existirá outra cor durante os 16 dias na liturgia das Águas se não, o “Branco,” dentro do terreiro e a todos que lá chegarem, a retidão e o silêncio tomarão conta do Axé, tudo deverá estar limpo, a preocupação com as roupas que deverão estar alvas, engomadas e perfeitas. Do portão de entrada do terreiro até a porta do barracão e demais dependências, será estendido sobre nossas cabeças uma peça ou mais de morim branco, cobrindo como um teto os Orís de todos. Na maioria das casas, o ritual começa na madrugada da sexta-feira com a confecção do baluwê (pequena cabana feita com bambús e de folhagens de coqueiros, pitombas, etc) o ajubó do Oxalá mais velho será posicionado sobre uma enorme bacia, outros assentamentos de Oxalá podem ficar ao lado acompanhando o velho Orixá, permanecerão até o 2º domingo das águas quando então Oxalufan volta para sua casa. Começará então a procissão de ir no rio ou na fonte pegar água fresca, cada um com seu pote, jarro ou quartinha sobre seus Orís para depois levarem até a cabana de Oxalá e lá a Iyalorixá ou Babalorixá estará esperando todos e em ordem hierárquica, receberá as quartinhas com água e lavará o Orí de cada um, colocando um Obí no Orí cobrindo-o com um ojá. Esse ritual é feito em todos que se encontrarem na casa, abians, iniciados e visitantes, sem excessão, o Orí se renova. Retorna-se ao rio ou fonte mais algumas vêzes dando seguimento ao osé de Oxalá.

O ritual em algumas casas mais tradicionais é feito em quatro momentos e seguida de três domingos subsequentes com festas e grande orô. Os domingos de festa cumprem uma etapa fundamental das obrigações, o ciclo se realiza ao se reviverem durante os 16 dias o caminho mitológico do Orixá nos três domingos e tudo começa na saudação a Orixan’lá bem cedo em em frente ao seu Ojubó na cabana, todos prostados com o Orí sobre os punhos em formato de pilão, rezando e saudando o Orí ( Orí Aperê o).

1º Domingo-Festa de Oduduwá (ancestralidade- A Terra).
O caminho do Orixá, a paz silenciosa toma conta de tudo, as roupas alvas, a alimentação sem sal por 16 dias o ajeum funfun estará presente. O ciclo do primeiro domingo se fechará num orô somente com Orixás funfun em roda e os omolorixás da casa no toque tradicional do batá em celebração a Oduduwa ao mais antigo Orixá funfun.

2º Domingo- Festa de Oxalufan (ancestralidade- O Alá).
Continua o preceito e neste dia bem cedo antes do xirê, os assentamentos, cabaças e axés voltam para sua “Casa”, ao som de cantigas e revoadas de pombos brancos soltos por egbomis, um grande Alá acompanha o Orixá em seu retorno que passará para reverencias no Ilê Ibô Akú (casa de antigos ancestrais) e também na casa ou quarto de Yemanjá. Terminado a caminhada em sua casa ou quarto, o Grande Oxalufan descansará e as Iyás arrumarão seu ajubó entoando cantigas em tom baixo em respeito e devoção. Mais tarde na festa, o xirê se repetirá em roda, muito Ebô, o rítmo Igbí, Babá Daribô com seu Opaxorô nos brindará dançando ao som de cantigas toda sua odisséia.

3º Domingo- Festa de Oxaguian (Ancestralidade- O Pilão).
Orisagiyan é o Elemoaxó funfun, cantigas mais aceleradas e a dança do Guerreiro do universo, do Pai Senhor da Guerra à Paz. Aparecem as contas com seguí, símbolo que o dignifica como único Orixá funfun Ajagunan. A raiz de inhame é o elemento que se apresenta da cozinha direto para o barracão, como prato do preceito, em bolas de inhame pilado, alimento de expansão do Axé, o simbolismo da Tradição dos Orixás. . Cantigas lembraram os ritos do atorí e vários atoris são distribuidos pela Iyalorixá ou Babalorixá que dá início tocando em Oxaguian e depois vão tocando uns aos outros na roda de forma hierárquica em que do mais velho Oxalá ao mais novo iniciado da casa participam até que todos tenham sido tocados por Oxaguian. O ciclo e todas as festividades das Águas de Oxalá, de renovação da existência e expansão do Axé será encerrado formando novamente a roda e fazer o encerramento com a cantiga em reverencia Olodumare.

Axé.

Por Fernando D’Osogiyan

Pesquisa no livro de Maria das Graças de Santana Rofrigué- Orí Aperê – Mestre em Ciência da Religião PUC-SP. Pedagoga pela Universidade Católica de Salvador- Omolorixá do Asé Opo Afonjá-Bahia

Acervo cultural Asé Òsòlùfón-Íwìn-Guapimirim/RJ

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