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YÈWÁ TUDO SABE E TUDO VÊ!

Mãe Cotinha de Yèwá representou a 4° geração da Casa de Òsùmàrè, sendo a primeira mulher a assumir o maior posto hierárquico do Terreiro. Ela escreveu com letras garrafais seu nome na história do candomblé da Bahia. Sentou ao trono ainda jovem, em 1927, com 37 anos de idade. Governou o terreiro de Oxumarê por 21 anos, sob a orientação de Yèwá até o dia em que veio a falecer, em 21 de junho de 1948.

Os antigos relatam que Mãe Cotinha era muito tímida e não gostava de dar ordens. Estas características que a distinguiam foram responsáveis por Yèwá, muitas vezes, assumir a direção da Casa. Era a própria divindade que transmitia os ensinamentos, educava as filhas de santo conforme as tradições e costumes do candomblé. Era ela também quem aplicava as correções necessárias, quando eram violados os princípios religiosos da Casa de Oxumarê.

Nada acontecia sem ser visto pelos olhos de Yèwá, que tomava conta de cada detalhe da casa de Oxumarê. Ela prezava pela seriedade, e, nos momentos que eram preparadas as oferendas para servir os orixás, não permitia nenhum tipo de conversa, muito pelo contrário, cânticos para louvar as divindades eram por ela entoados, e, com muita alegria, respondidos por todos, ao tempo em que eram realizadas as funções internas.

Cada um tinha a sua função, as filhas de santo pertencentes a orixás femininos executavam tarefas mais delicadas como cuidar do preparo das comidas, lavar as louças, limpar e decorar a Casa etc… Enquanto as filhas de Orixás masculinos buscavam a lenha, iam até a fonte buscar água para realização de todos os afazeres, colhiam os grãos na horta, etc.

Yèwá era quem designava as tarefas para as filhas de santo de Mãe Cotinha, que realizavam os deveres em perfeita harmonia.

pesquisa: site http://www.cadadeoxumare.com

 

Foto telescópio Hubble.

Os Òrìsá são considerados nossos genitores, uma vez que associados a elementos cósmicos ou à natureza. Dessas energias que interagem e se entrelaçam, emanam as formas materiais que abrigam a nossa existência individualizada na Terra. O Poder Feminino é desde que o ser humano tomou consciência de si, associado à capacidade de criar e destruir a Vida, reverenciado como controlador das grandes energias sobrenaturais. Suas imagens, sob diversas formas, são as primeiras manifestações artísticas nos sítios arqueológicos desde o Paleolítico, sempre representando a fertilidade e primeiro contato do ser humano com o Divino. A Terra precisa ser aguada constantemente, recebendo o “sangue branco”- a chuva – para propiciar nossa alimentação e sobrevivência. Então a Mãe Terra na cultura africana conhecida por vários nomes, sendo o mais popular atualmente, Onilé, passa a ser reconhecida como organismo vivo e cultuada como Divindade. Ela é agba n’la, a grande cabaça doadora da Vida que precisa ser sempre ressarcida, pois o equilíbrio é mantido através de um constante sistema de compensação. Alimenta-se dos corpos mortos para que lhe seja restituída a capacidade geradora. Restituição e renascimento é a espinha dorsal dos ensinamentos de Ifá, que por sua vez sustentam a concepção yorubá das relações entre o òrun (o universo espiritual) e o ayè (a manifestação material). Então, iku (a morte) restitui a Terra o que lhe pertence, permitindo, assim, os renascimentos e sob esse aspecto, seria simbolicamente importante como instrumento de restituição do asé (energia vital.) Toda restituição demanda destruição da matéria individualizada que, uma vez reabsorvida, vai nutrir a massa geradora, restauradora de asé num ciclo contínuo que perdurará enquanto o planeta existir. Sendo a Terra aquela que, desde os primórdios, tudo vem testemunhando e até hoje nada acontece fora da sua presença, costuma-se realizar pactos em seu nome e a esse testemunho recorremos quando nos sentimos injustiçados. Talvez esteja nessa necessidade imperiosa de ser constantemente ressarcida e aguada para poder procriar com abundância, a razão da ambigüidade do Poder Feminino, tão freqüentemente expressada em mitos e rituais de vida e morte. Daí a importancia da ancestralidade, que é a corrente que garantiu a continuidade da nossa existência na Terra. Os renascimentos dependem dos ancestrais e sua matéria de origem é a lama. Logo após o neolítico, ou seja, no início da Idade dos Metais, na transição quando o nômade caçador se estabelece como agricultor e funda os primeiros agrupamentos humanos, a Divindade Feminina responde por todos os processos da nossa existência neste planeta. Com o estabelecimento e a posse da terra, a sociedade torna-se patriarcal /patrilinear e clãs familiares são fundados e chefiados por linhagens masculinas e as mulheres vão perdendo o seu poder. Segundo os mitos, Ogun – a tecnologia – teria arrebatado a liderança, numa disputa com todas as iyagbás (Divindades femininas), com o auxílio de Elegbara, Òrúnmìlá e Sàngo. Antepassados divinizados assumiram papel de divindades primordiais e houve uma redistribuição de tarefas entre os inúmeros Òrìsá. Aí começa a fase patriarcal na história da humanidade. A sacralidade da Terra e tudo o que nela vive, é o ponto de partida da concepção yorubá do mundo. Mesmo consciente da existência de um Poder Universal Absoluto (Olodumarè) que rege todas as galáxias no céu e as próprias Divindades na Terra (Òrìsá), essas energias da natureza que nos tocam e influenciam o nosso cotidiano é que são cultuadas. É a elas que se recorre nos momentos de aflição e se reverencia nas ocasiões de júbilo. As Divindades femininas do panteão yorubá, as iyagbás (Aiyagba/Aiyá-òba rainha) possuem os mesmos atributos das Deusas nas demais civilizações arcaicas, pois as diferenças são apenas culturais, uma vez que os arquétipos pertencendo ao inconsciente coletivo da espécie humana – são os mesmos. Nàná é a mãe ancestral, importada das terras do Daomé. É a mulher sábia, a anciã que atingindo a menopausa, já não verte sangue. Por isso retém em si o poder da procriação. Como associada à lama e às águas contidas na terra, liga-se ao processo de fertilidade da terra. Simboliza a maternidade arcaica indiferençada, pois é a mãe de todos os seres, a partir dos moluscos dos pântanos. São seus filhos os mortos e os ancestrais. Já Yemojá surge como Mãe do homo sapiens. Como “Mãe dos filhos-peixe”, simboliza a vida que veio do mar e também daqueles que saíram do líquido amniótico. É uma divindade do rio que emigra para o mar (domínio de Olokun, que fica então relegado às regiões abissais. O fascínio de Yemojá – sob diversos nomes – abrange todas as civilizações do planeta e enriquece o folclore ligado aos seres encantados do mar. Como maternidade educadora, rege a consciência e, portanto, é reverenciada como mãe de todos os seres pensantes Mãe do homo sapiens. Oyá é uma Divindade do rio. Seu nome significa “aquela que rasga” no caso, o rio Niger. É o arquétipo da guerreira, plena de atributos, todos conquistados por esforço próprio, assim como da transformação. Por isso, embora Yemojá seja a “dona” das mentes, é à Oyá que recorremos nos processos de autoconhecimento e superação de crises. Oyá é a própria eletricidade dos raios que transmutam as energias na atmosfera do planeta. Como Senhora dos ventos, distribui as sementes expandindo a Vida e por outro lado, dissemina as doenças. Como transita entre as nove dimensões da Terra, preside e está presente também no portal da morte. Associada ao irrefreável poder animal representado pelo búfalo, carrega chifres, como todas as Divindades lunares nas diversas civilizações. Oyá é a contraparte feminina do Òrìsá Sango. De Òsun provem as águas, pois ela é o próprio útero da Terra. Senhora da fertilidade, dela depende a Vida no planeta. É interessante considerar que todas as águas, mesmo as dos mares e das chuvas, provem dela – e que toda a água existente na Terra, sempre foi à mesma. Ela vem das profundezas, dos mananciais que guardam os tesouros – por isso é a dona do ouro e das pedras preciosas – e o segredo da Vida. Òsun é a mãe de todos os seres porque preside o processo da gestação, que assegura a continuidade da Vida. Assim, é também a Deusa do amor e da beleza. É a grande força oculta que opera em silêncio, para irromper na violência das cachoeiras que tudo arrasta e dissolve. Ocultando o segredo da geração – que é o “milagre” supremo (que até hoje a ciência reproduz, mas não cria), Òsun torna-se também a Senhora da Magia. Esse poder gerador associa todas as Deusas e, por extensão, todas as mulheres, pois ela detém autoridade decisiva de vida e morte já que delas depende a sobrevivência das crianças e são, no plano humano, as representantes naturais da Magia Ancestral. Esta Magia é associada aos pássaros (símbolo da projeção astral), que em todas as culturas surgem como seres alados, imagens fundamentais da energia feminina superior no Universo. A representação máxima deste poder são as Iyà mi Agbá, Senhoras da noite, e também das fogueiras, arquétipos da coletividade ancestral feminina desde a criação do planeta. É um poder que, mesmo atribuído às mulheres velhas, pode, em certos casos, pertencer igualmente a jovens que o recebam por herança ou o adquiram por direito de linhagem espiritual, através de rituais. O poder do Sagrado Feminino é supremo no ayè (plano material), mas para que o equilíbrio seja mantido, está submetido ao triunvirato supremo logo abaixo de Olodumarè (Deus / Absoluto Arquiteto do Universo): Obatalá (Logos solar), Òrúnmìlá (Senhor da sabedoria e do oráculo) e Elegbara (o Òrìsá Esù – transformador da energia em matéria). Este é apenas um resumo introdutório. Um aprofundamento requer o estudo dos itan (mitos) do corpo literário de Ifá, pois o assunto é riquíssimo e bastante complexo.

Por: Eliane Haas, Iyà Ègbé Efunlase.

A maioria das disciplinas orientais e Ifá também exigem do aspirante reconhecer suas obrigações para com os seus antepassados ​​através da meditação respeitosa e ritualística.

A prática tibetana de lam-rim (meditação) leva o aluno ao conhecimento de sua interdependência com os membros da humanidade e do reino animal, bem como com outros reinos de seres vivos, através de exercícios de meditação.

A terapia para esta doença da alma em Ifá é o reconhecimento de nossa verdadeira posição sobre a terra e trazendo nossas ações em equilíbrio respeitoso e harmonioso com o mundo natural.

Abuso físico e emocional e violência entre membros da família tornaram-se banal e negação da responsabilidade pessoal generalizada em todos os níveis de comportamento.

Além das expectativas culturais de comportamento moral, pessoas iniciadas em Ifá trabalham diligentemente para entender e valorizar a contribuição de seus antepassados ​​ a sua atual situação e procura pensar, falar e se comportar de uma forma que demonstra respeito e honra a memória dos antepassados, o resultado natural é um desenvolvimento de natureza humilde.

As habilidades e os esforços dos outros nos beneficiam em todos os momentos e assim estamos vivos e de fato, poucos de nós sobreviveríamos se não fosse por uma teia de pessoas estranhas que muitas vezes, nem sempre se encontram e raramente se reconhecem.

Assim, se uma pessoa quer respeito, eles devem primeiro aprender a dá-lo.

Cidadãos visualizam e tratam uns aos outros com desconfiança e desrespeito, embora o estranho que se encontra ao nosso lado possa ser um benfeitor que construiu a casa em que vivemos ou plantou o alimento que comemos no nosso café da manhã.

É comum na vida moderna vermos crianças desrespeitando seus pais, professores, maridos e esposas tratam-se umas às outras de forma desprezível.

Em contraste, uma atitude mesmo que dentro do direito, mas feita com arrogância e superioridade leva apenas a pobreza espiritual e finalmente, as bênçãos da terra e apoio tribal são retiradas.

Nenhum de nós existe em isolamento ou independência. Precisamos dos outros para crescer e transportar os nossos alimentos, construir casas, estradas e infra-estruturas que nos fornecem vestuário, utilidades e outras necessidades.

Nossos professores orientam e fornecem-nos a experiência acumulada do conhecimento de todos os tempos, permitindo-nos crescer intelectualmente e espiritualmente e ganharmos a vida.

O desenvolvimento da humildade em Ifá é o resultado natural de um reconhecimento realista do lugar dos seres humanos dentro do processo da criação. Se recebermos bênçãos e benefícios em nossas vidas, muitas vezes é devido à bondade de outros nesta vida e as ações de nossos ancestrais no passado.

Orgulho e arrogância no comportamento pessoal se tornaram a norma.

Outra indicação forte de degradação é a falta de cortesia e honra entre membros da mesma filiação tribal ou mesmo dentro da mesma família.

Se um praticante Ifá pede algo, eles vão esperar que algo também seja oferecido. Este ponto de vista leva à constatação de que os ativos mais valiosos são aqueles que vamos dar de presente.

Se uma pessoa quer riqueza, amor, qualquer outro benefício material ou espiritual, ele só virá depois dos esforços oferecidos para obtenção do benefício, mesmo que seja em espécie.

Simples reconhecimento da realidade inegável de nossa interdependência leva a uma atitude mais respeitosa e amigável no geral.

Um dos conceitos poderosos e importantíssimos de Ifá é o equilíbrio entre o dar e receber. Isto requer uma troca equitativa em qualquer interação, para que ela seja bem sucedida.

Uma indicação de degradação da sociedade é a falta de hospitalidade geral e grosseria evidente em quase todas as interações.

Obs.

Texto sem autoria, coletado na internet.

Egun é o culto aos ancestrais masculinos, é elaborada pelas “Sociedades Egungun”. Estas tem como finalidade elaborar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos.

Os Mortos do sexo feminino recebem o nome de Iyá-mi Agbá (minha mãe anciã), porém, não são cultuadas individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyámi Osorongá chamada também de Iyá Nlá, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas “Sociedades Gelèdé”, compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detem e manipulam esse poderoso poder. O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvou ao poder feminino ancestra, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. Além da sociedade Gelèdé,existemtambém na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Ìyámi Osorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuados somente por homens. Tanto Ìyámi quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Ìyámi é maior e, portanto, mais controlado, inclusive pela sociedade Oro.

Outra forma, e mais importante, é o culto aos ancestrais masculinos, é elaborada pelas “Sociedades Egungun”. Estas têm como finalidade elaborar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades e comuninadades quando vivos, para que eles continuem presentes entre os seus descendentes de forma previlegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esses mortos surgem de forma visível mais camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egun ou Egungun. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições , pois só os homens possuem ou matém a individualidade; as mulheres é negado este previlégio, assim como participar diretamente do culto. Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos do culto dos Orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a Yorubana.

No Brasil existem duas sociedades de Egungun, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: O Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambos em Itaparica, Bahia.

O Egungun é a morte que volta à terra espiritual e visivel aos olhos dos vivos.Ele “nasce” através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojés (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão ou vara chamado ixan, que, quando tocado na terra por tres vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a “morte se torne vida”, e o Egungun ancestral divinizado está de novo vivo.

A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto dos Orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungun simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberto com uma roupa de tiras multicoloridas , que caem da ´parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, , chamada séégí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado Ijimerê na Nigéria.
As tradições religiosas afirmam que sob a roupa está somente a energia do ancestral; há também o transe mediúnico pois sob os panos está o mariwo (iniciado no culto Egunun) em transe ou preparado para representar seu ancestral, pelo sim pelo não, Egun está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egun.

A roupa de Egun chamada de Eku na Nigéria ou opá na Bahia, ou Egungun propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwoa usam ixan para controlar a morte , alí representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocár-se , pois como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egun se tornará assombrado, e o perigo o rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.

Ora, o Egun é a materialização da morte sob tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial.E mesmo os mais qualificados sacerdotes, como os Ojé atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns, desempenham todas essas funções substituindo as mãos pelo Ixan.

Os Egun-Agbá (ancião), também chamados de baá-Egun (pai), são Eguns que játiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e sua vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos.

Os Apaaraká são Eguns, ainda mudos e sua roupas são as mais simples: não tem tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.

O eku dos Babá são divididos em três partes: o alabá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de pano coloridas, formando uma espécie de largas franjas ao seu redor; o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos, do qual, também caem muitas tiras de pano na altura do tórax; e o banté, que é uma larga tira de pano especial presa ao kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá. O banté que foi previamente preparado e impregnado de axé, é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele o sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico. na Nigéria, os Agbá-Egun portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá máscaras esculpidas de madeira chamadas de Erê Egungun;outros entre o alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babás carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixan. Nesses casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.

Existem várias qualificações de Egun, como Babá e Apaaraká, conforme seus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, são extensas.

Continua.
Pesquisa: Editora Minuano, revista:Candomblé Mitos e Lendas.
Texto de Aulo Barretti Filho,O Culto dos Eguns no Candomblé.

Muitas vezes, precisamos ofertar / fazer sacríficio e direcionar este trabalho para o odu em questão, porém, muitas vezes temos òrìsás que apoiam nossa empreitada. Este algo mais, que ofertamos tem o nome de Etutu. É sobre este ebó que falaremos a seguir complementando o texto bem elucidado anteriormente.

Boa leitura.

E um dos recursos fundamentais na transformação das condições existenciais, sejam elas de origem natural ou social e um ato propiciatório realizado a partir da orientação do oráculo visando prevenir o mal ou atrair o bem favorecendo a libertação dos problemas e a conquista do necessário ao desenvolvimento pessoal e grupal. Assim o Etutu atua em três níveis diferentes de energia:
Preventiva: para evitar que um mal se instale
Curativa: para afastar o mal instalado
Atrativa: para atrair coisas boas
A maioria dos Etutus realizados a partir da recomendação dada por Ifá segue rigorosamente a orientação contida nos enunciados do Corpus Literário do mesmo. Estes descrevem os problemas do consulente e as formas de solução possível que incluem, necessariamente, o Etutu. Muitos dos quais, realizados na presença do consulente, com diversos itens, materiais oferecidos às divindades para solução das adversidades em questão, que tanto podem ser de uma pessoa, de um grupo ou cidade.
A forma de realizar o Etutu não é criada pelo babalawo ao seu bel prazer, ela decorre de ensinamentos contidos nos enunciados de Ifá, de acordo com o Odu manifestado na consulta.
Analisando a forma como o personagem do Odu viveu que problema enfrentou, como os solucionou, inclui na maioria das vezes a prescrição de um Etutu.
As vitórias alcançadas e os males evitados pela personagem mítica do Odu em questão serão alcançados pelo consulente desde que o conselho seja compreendido, acatado e obedecido, conforme recomendações da sabedoria milenar Yoruba.
Para realização do Etutu, são fundamentais os elementos da natureza, assim como as condições climáticas.
Os itens utilizados incluem água das mais variadas fontes (rios, lagos, mares, nascentes, orvalhos, chuva), azeite de dende, mel, cana de açúcar, obi, orogbo, etc…, Cada elemento utilizado possui àse especifico cujo sentido pode ser aprendido ao explorarmos seus símbolos.
O mesmo vale para o significado dos astros (sol ou lua) nos rituais realizados durante o dia ou à noite, das condições climáticas e do local da entrega do etutu.
A água, elemento feminino, circula em toda a natureza. Possui o poder de tornar sagrado o que toca e de estabelecer harmonia. Como todo ser vivo depende da água, os banhos favorecem o renascimento dos rituais, ativando as circulações de energias para multiplicarem o potencial da vida.
Transparentes, profundas, fecundas, correntes, etc., cada uma delas exercem finalidades distintas nos rituais.
O sal, elemento de conservação, vida longa, prosperidade, preservação e durabilidade, confere formas e as sustenta. Sua associação com o esquecimento e a esterilidades o recomenda como importante elemento na neutralização de malefícios.
Como orientação geral, o elemento mineral confere forma as coisas, o vegetal promove renovação das forças e o animal favorece a reposição das energias perdidas.
Cada um dos elementos utilizados nos etutus, possuem peculiaridades energéticas, atuando de modo particular neste ou naquele ponto especifico, promovendo o alivio de dores físicas, favorecendo a realização de negócios, resolvendo problemas amorosos, etc…
Rituais realizados durante o dia a luz do sol diferem de outros realizados a noite. A luz da lua e as estrelas buscam estabelecer contato com seres que, tanto num caso como em outro, possuem atributos favoráveis às trocas que se pretendem estabelecer para alcançar a as finalidades do Etutu.
O local onde o etutu será entregue, também varia de acordo com as instruções contidas nos Odus, copa das arvores, matas, florestas, rios etc…
As encruzilhadas, lugares onde os caminhos se cruzam, são consideradas sagradas, pois nelas ocorre o encontro das forças do ayè com as do òrun.
As montanhas favorecem o crescimento e a serenidade, ponto de união do céu com a terra, sugere possibilidades de superação.
A floresta e a mata, por seus componentes essenciais, lugar de abundante vida vegetal e animal, não dominada nem cultivada, a beira da luz solar, símbolo da terra em sua natureza, guardiã de toda a espécie de perigos e doenças, bem como de múltiplas possibilidades de proteção, defesa e crescimento, favorece o encontro entre o humano e o sobrenatural, com trocas benéficas a ambas as partes.
O mar, local sagrado, cujo simbolismo inclui o poder das águas, de levar o mal para as profundezas, ponto de partida e retorno em meio ao movimento continuo e, muitas vezes, violento na sua existência. O mar, fonte de vida, com suas águas carregadas de sal, favorecem a limpeza da negatividade que cria obstáculos ao desenvolvimento.
O rio, cujas águas em continuo movimento simbolizam a força criadora da natureza, e, portanto a fertilidade, cujo curso irreversível sugere possibilidades de esquecimento. Suas águas lavam o mal e retiram azares.
As árvores, algumas sagradas, abrigando seres que presidem a vida são objetos de rituais para homenagem e suplicas.
Durante a realização do etutu o babalawo recita poemas integrantes de determinados Odus relativos à condição existencial do consulente, bem como outros versos específicos próprios para acompanhar o etutu.
Assim sendo, toda a consulta ao oráculo inclui a recomendação de interdições, de um etutu especifico que, através da orientação bem orientada da força vital, afasta o mal não instalado, neutraliza o já instalado e atrai o bem.
O sistema oracular de Ifá exige na pratica um conhecimento apurado da essência do ser, assim como as possibilidades de exercer ações eficazes sobre a natureza, quer seja através dos Etutus, ou das Oóguns (magias com folhas), ou seja, o todo articulado pela força vital (ase).
Esse conjunto explica o relacionamento existente entre os vários planos da realidade, que sem os mesmos Ifá permaneceria estático, resumindo-se a poemas e enunciados orais distantes da historia.

Sem Ebó não há Candomblé.

Ègbé, acho tão importante este tema que resolvi republicá-lo acrescentando mais informações e ratificando a importância de um Ebó em nossas vidas.

Será que todos sabem o que é um Ebó e suas inúmeras finalidades, e aí pergunto: para que serve o Ebó?

É importantíssimo esse entendimento para quem estuda, pratica e vive o Orixá.Tomar e restituir, propiciar redistribuindo, reequilibrar reestabelecendo uma sintonia com o Axé.

*”…Insistimos muitas vezes-diz Juana Elbein- que toda dinâmica do sistema Nagô está centrada em torno do ebó, da oferenda. O sacrifício em toda sua vasta gama de propósitos e modelidades… É a devolução que permite a multiplicação e o crescimento, Tudo aquilo que existe de forma individualizada deverá restituir tudo que o filho protótipo [Exú] devorou…Cada indivíduo está constituído, acompanhado por seu Exú individual, elemento que permitiu seu nascimento, desenvolvimento ulterior e multiplicação; para que ele possa cumprir seu ciclo de existência harmoniosamente, deverá imprescindivelmente restituir, através de oferendas, os “alimentos”, o Axé devorado real ou metaforicamente por seu princípio de vida individualizada. É como se um processo vital equilibrado, impulsionado e controlado por Exú, fosse baseado na absorção e na restituição constantes de matéria…”*

Respondemos inúmeras perguntas sobre qualidades de Orixás, fundamentos, lendas, feituras, borís, axés,sonhos, procuramos desmestificar e dar coragem ao leitor de interagir e familiarizar-se com essa cultura, porém, sem ebó não teremos religião e essa pergunta ninguém fez: Preciso fazer ebó para tomar um Obí? Eborí? Assentar um Oríxá? Iniciação? Como saber qual ebó devo fazer? Por que tenho que fazer ebó? Quando fazer o ebó?

Em primeiro lugar precisamos acreditar no Ebó e na Iyá ou Babálorixá que prescreveu o Ebó e, principalmente entende-lo, pelo menos ter um caminho de entendimento. Ter a prova concreta de ter feito o ebó e ter melhorado, ou ter se livrado de um perigo, amenizado um situação de queda geral, de acidente, de perigo, de perda, de injustiça, de doença, de mal agouro, de egun, de demanda, de negatividade, etc, etc.

Existem ebós positivos e negativos, aqueles que se dão caminho e os que não se dão caminho, ebós de odú, ebós de Folhas,ebós que são presenteados,èjè, opé àti ìdàpò, ètùtù,ebó Ojú kòríbi, Owaji, Osun, Efun, Yrosún, ebó ayè pínùm,ebó ìpilè,ebó catimbó,ebó ancestral, ebós de Exú, Ikú, Egun, Ebós de carrego, Ebós de Axexê,Ebó Ajeum,kizilas/Ewós, Ebó de Ori Ejó, Ebós de Kamburukú, Fatolú, Ebós de Osé, Ebós de Abikú, Ebó Omim, Ebós de prosperidade,ebó de troca, ebós de lua, sol, chuva, tempo, ebós da madrugada, leiú, ebós de rua de todos os tipos, ebó de cachoeira, rio, mar,cemitério, hospital, banco, praça, delegacia,empresas, igreja,mato, dentro do buraco, na montanha, ebós contra vícios, roubo e ebós e tantos ebós de limpeza e preparação até para abrir um jogo de búzios, ebós para chegar e para sair, pra viver, pra morrer,para mil outras finalidades. Os efuns no iyawo é um ebó de proteção e importantíssimo.

O ebó não espera um dia ser feito, se foi prescrito tem que fazer o mais rápido ou não faça mais, pois ele se apresenta num caminho que pode ser transitório.

O ebó existe permanentemente dentro de um Ilê Axé, no momento que entramos na casa, saudamos a entrada com água para esfriar o caminho, isso é um Ebó.

O Ebó é místico, essa é minha visão, ele tem influências de Exú e Orunmilá e Omolú. Na própria confecção do ebó tem a energia de quem está fazendo, arrumando, tem a energia de quem vai passar, de quem vai levar.

O banho de ervas é um ebó de pai Ossayin e, é de suma importãncia tomá-lo após um ebó, é o sangue verde das folhas, a essência viva da natureza.

Se faz ebó com apenas um ovo, se faz ebó com apenas uma pedra de ofun ralado, com uma pimenta da costa, se faz ebó com a fé nas coisas simples que é a grande sabedoria Yorubá.

Os iniciados no Orixá tomam ebó sempre e para sempre, pois, manter-se limpo é estar em sintonia com seu Orixá, é concebe-lo numa suavidade preponderante em seu axé individual, é dar ao seu Orixá um corpo limpo pra uma manifestação pura.

Òrúnmìlá òjó iku dá.**
Somente Òrúnmìlá muda o dia de nossa morte. (com ebó ikú)

O ebó é fundamental para quem quer manter o equilíbrio vital na convivência religiosa, pois “Sem Ebó não há Candomblé”.

Ary Carvalho**
Juana Elbein*

Fernando D’Osogiyan

A Lenda da Mukanda.

Esta lenda é originária do nordeste de Angola.

Essa é a lenda de como aconteceu a primeira Mukanda (circuncisão) de um Tchokwé, e como isso passou a ser um ritual obrigatório entre os homens desse povo, segundo o Soba Kaúka, da aldeia de Nakalumbo.

 

- Andava certo dia Safuanandenda Lunga, filho mais velho do Soba Variekelenwene, pescando no rio quando, ao passar descuidadamente e nu, junto a um capim grosso (Mwenkenene) a folha desse capim o circuncidou.

O jovem, envergonhado e temeroso, em vez de voltar para a aldeia, escondeu-se numas biçapas ( que se aglomeravam no caminho para o rio.

 

O tempo foi passando, os dias viram semanas, sem que o rapaz se decidisse a voltar para junto da família; e durante esse tempo, sobrevivia alimentando-se do que pescava e caçava na sua solidão.

Fez ele próprio arco, flechas e lança, improvisou anzóis e armadilhas, observou os bichos comendo frutas e tubérculo silvestres, dos quais também se serviu para se nutrir, quando falhava a caça e a pesca.

 

Passou-se muito tempo, e já a ferida estava cicatrizada, quando Safuanandenda, saturado do seu exílio voluntário, se decidiu a voltar ao convívio do Mussôco.

Ainda envergonhado, para que não o reconhecessem, talhou numa cabaça o formato de uma máscara, colocou-a na cabeça e entrou na aldeia.

 

O espanto que causou foi enorme, tinha deixado de ser um rapazinho de quem todos se lembravam; era agora um homem auto-suficiente e experiente, a quem todos passaram a respeitar. Com a sua máscara infundia respeito entre os homens. Quanto às mulheres, dada a sua originalidade anatômica, todas passaram a assediá-lo.

 

As provações e auto-aprendizado por que passara, além de lhe desenvolver o corpo, deram-lhe um autodomínio que magnetizava a todos que com ele conviviam.

Apesar da pouca idade passou a ter lugar de destaque entre os homens, e nada se decidia, sem que ele fosse consultado, e a sua opinião escutada.

Os homens o respeitavam, as mulheres o desejavam, e todos o admiravam; admiravam a sua astúcia, a sua calma, o seu bom senso e a sua agilidade.

 

O fenômeno tomou proporções que levou o conselho dos velhos a reunir-se, e a chegar à conclusão que a Mukanda (circuncisão) só podia ser benéfica a púberes da tribo, deveriam a partir dessa data, submeter-se às mesmas coisas, e na mesma seqüência em que haviam acontecido com Safuanandenda.

Chamaram o Sobeta, e o convidaram para mestre de cerimônia e operador, orientando a par e passo todos os atos dos jovens púberes.

E assim teve início o ritual da Mukanda Kandongo

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