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Durante o mês de novembro o tão esperado filme Jardim das Folhas Sagradas estreia em diversos lugares do país!

 

Sinopse

“Jardim das Folhas Sagradas conta a história de Bonfim, negro baiano que tem sua vida virada pelo avesso com a revelação de que precisa abrir um terreiro de candomblé. Com os espaços disponíveis cada vez mais raros, ele acaba procurando um lugar na periferia empobrecida e degradada. Afastado da tradição e questionando fundamentos como o sacrifício de animais, Bonfim cria um terreiro modernizado e descaracterizado, o que lhe trará graves conseqüências.

Numa época em que o crescimento urbano acelerado e a favelização transformam as cidades em espaços cada vez menos habitáveis, o candomblé, religião ancestral trazida pelos escravos africanos, tem uma grande lição de convívio e preservação da natureza a oferecer. A Bonfim e a toda cidade de Salvador.”

Mais informações: http://www.jardimdasfolhassagradas.com/

Esta metáfora nos remete a importancia que devemos dar a nossas palavras que depois de sacralizadas podem nos trazem bençãos, como podem nos trazer problemas e/ou criar vários problemas a nossos semelhantes.
Boa leitura e meditação.

Fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orunmilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orunmilá o governo do mundo. Pensou em entregar a Orunmilá o governo dos segredos, os segredos que governam o mundo e a vida dos homens. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo. Orunmilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante.
Um dia, Obatalá quis saber se Orunmilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Òrúnmilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá então, perguntou a Òrúnmilá por qual razão língua era a melhor comida que havia.
Òrúnmilá respondeu: “Com a língua se concede àse, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória”. Após algum tempo, Obatalá pediu a Orunmilá para preparar a pior comida que houvesse.
Òrúnmilá lhe preparou a mesma iguaria.
Preparou língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior.
Orunmilá respondeu: “Porque com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas”.
Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orunmilá.
Entregou a Òrúnmilá nesse momento o governo dos segredos. Orunmilá foi nomeado babalawo, palavra que na língua dos òrìsá quer dizer PAI DO SEGREDO.
Òrúnmilá foi o primeiro Bàbálawo. Espero que principalmente nós, povo de òrìsá passemos a utilizar nossa língua com mais sabedoria, ao invés de criticarmos uns aos outros.

Escolhi esse maravilhoso artigo de Mãe Stella de Oxóssi porque sintetiza de forma didática, límpida e com muita sabedoria o dia da África, 25 de maio. Bênção, Mamãe África.

Maria Stella de Azevedo Santos- Iyalorixá do Axé Opo Afonjá -BA

Ainda de pouco conhecimento da sociedade é o fato de hoje, 25 de maio, se comemorar o Dia da África. Data escolhida porque em 1963 a Organização de Unidade Africana, hoje com o nome de União Africana, foi fundada com o objetivo de ser, internacionalmente, a voz dos africanos. Hoje, o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá está recebendo uma média de cinquenta professores da rede municipal, juntamente com o seu secretário, para conosco comemorar este dia, que se constitui em uma tentativa de que os olhos e os corações do mundo se preocupem e se ocupem de cuidar do povo desse continente, mas também de aprender e apreender sua sabedoria, que, como neta de africana e iniciada em uma religião que tem em África sua matriz, foi a mim transmitida. Oportunidade que tudo faço para não desperdiçar.

Muitas sementes da sabedoria dos africanos, em mim plantadas, ainda não encontraram terreno fértil para germinar, mas não desisto e, por isso, cuido desse terreno em todo momento. Outras há, no entanto, que cresceram e até deram frutos. Foi assim refletindo que resolvi homenagear o berço da humanidade – a África -, aproveitando este precioso espaço de comunicação que a mim foi concedido para, humildemente, tentar espalhar essas sementes, na esperança que elas caiam em terrenos férteis.

Foi através da tradição oral, chamada na língua yorubá de ipitan, que entrei em contato com a maravilhosa arte de viver do africano, que tem na alegria um de seus fundamentos. Entretanto, nós brasileiros, que temos nesse povo uma de nossas descendências, não devemos correr o risco de sermos megalomaníacos e considerar a filosofia africana a melhor. Todo povo possui sua sabedoria, mas a Sabedoria, assim como Deus, é uma só. A mesma base, os mesmo fundamentos, apenas transmitidos de acordo com a cultura e o lugar de viver correspondente. Se foi através da tradição oral que aprendi, é agora na escrita, iwe-kikó, que encontro condições favoráveis para transmitir, a um maior número de pessoas, os ensinamentos absorvidos e os quais ainda pretendo assimilar, de maneira profunda.
Conheçamos, então, um pouco do muito que possui a filosofia do povo africano:

- É na alegria e na generosidade que se encontra a força que se precisa para enfrentar os obstáculos da vida: “Lé tutu lé tutu bó wá” = “Sigamos em frente alegremente, sigamos em frente iluminados, dividindo o alimento adquirido”.

- A palavra tem o poder de materializar o que existe em potencial no universo, por isso os africanos falam muito e alto, quando precisam canalizar sua energia em direção ao que é essencial, mas silenciam nas horas necessárias. Um orin faz entoar: “Tè rolè… Mã dé tè rolè. Báde tè role” = “Eu venero através do silêncio… Eu pretendo cobrir meus olhos e calar-me. Ser conveniente, respeitando através do silêncio”.

- Nosso maior inimigo (como também nosso maior amigo) somo nós mesmos: “Dáààbòbò mi ti arami” = “Proteja-me de mim mesma”.

- O cuidado com o julgamento do outro e também com o instinto de peversidade: “Bí o ba ri o s’ikà bi o ba esè ta ìká wà di méjì” = “Se vir o corpo de um perverso e chutá-lo, serão dois os perversos”.

- O respeito às diferenças: “Iká kò dógbà” = “Os dedos não são iguais”.

- A necessidade de um permanente contato com a Essência Divina que cada um possui: “Eti èmí óré dé ìyàn. Àroyé èmí óré dé ìyà” = “Na dificuldade de decisão e no debate, a Essência Divina amplia a visão para argumentar”.

Como se vê, o corpo da tradição oral africana, que é composto de itan – mito; oriki – parte do mito que é recitada em forma de louvação e vocação; orin – cântico de louvação; adurá – reza; ówe – provérbio serve para nos disciplinar. Entretanto, nenhuma sabedoria tem mais valor do que a filosofia do ìwà, palavra que pode ser traduzida como conduta, natureza, enfim, caráter. Devemos estar atentos aos nossos comportamentos. Pois, como falam os africanos após enterrar um amigo, “ó kù ó, ó kù ó ìwà ré”, querendo dizer, “não podemos lhe acompanhar no resto de sua viagem, agora só fica você e seus comportamentos”.

fonte:* Artigo publicado na editoria Opinião do Jornal A Tarde, no dia 25/05/2011
Postado por ÓRÓ ÓGBÓN (Palavras de Sabedoria)

Na próxima quarta-feira (26), começará o Ciclo de Palestras Cultura Afro-brasileira: nosso patrimônio. O evento é uma iniciativa da Fundação Cultural Palmares em comemoração ao Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes e ao Dia da Consciência Negra e será realizado nos meses de outubro e novembro em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

O Ciclo de Palestras será aberto ao público e colocará em discussão temas ligados às comunidades quilombolas, ao valor histórico das religiões de matriz africana, gastronomia afro-brasileira, valorização da capoeira, Estatuto da Igualdade Racial, Lei 10.639/03, ações afirmativas e o negro nos meios de comunicação.

As palestras resultarão na publicação de livros da Coleção Conheça Mais, com o objetivo de atender à demanda de material didático na área de cultura afro-brasileira, de acordo com a Lei nº 10.639/2003. As obras devem ser distribuídas nas escolas, bibliotecas e para a sociedade em geral.

Confira a programação:

26 de outubro
São Paulo

Conheça mais… Ações afirmativas

Palestrante
José Vicente – Reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares

Conheça mais… Candomblé, Umbanda e Quimbanda

Palestrantes
Jorge Arruda – Professor e secretário executivo do Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPPIR/PE)
Vilson Caetano de Souza Júnior _ Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Local: Auditório da Faculdade Zumbi dos Palmares – Marginal Tietê, altura do nº 10.200 (Dentro do Clube de Regatas Tietê)
Hora: 14h às 18h

17 de novembro
Rio de Janeiro

Conheça mais… O que é capoeira?

Palestrantes
Mestres Camisa (José Tadeu Carneiro Cardoso) e Luiz Renato Vieira

Conheça mais… Gastronomia afro-brasileira

Palestrante
Ana Ribeiro – Chefe Executiva em Gastronomia

Local: Auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – Av. Graça Aranha, nº 1, 13º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Hora: 14h às 18h

19 de novembro
Salvador

Conheça mais… Lei nº 10639/2003

Palestrante
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva – professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e relatora do Parecer/MEC, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana

Conheça mais… O negro nos meios de comunicação

Palestrante
Maurício Pestana – Diretor Executivo da Revista Raça Brasil

Local: Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Auditório Jurandir Oliveira -Rua Silveira Martins nº 2555 – Cabula
Hora: 9h às 12h

23 de novembro
Brasília

Conheça mais… Estatuto da Igualdade Racial

Palestrantes
Benedito Cintra – Assessor Parlamentar/ DF
Augusto Henrique Pereira de Sousa Werneck Martins – Procurador do Estado do Rio de Janeiro e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ)

Local: St. Paul Plaza Hotel – SHS Quadra 2, Bloco H
Hora: 14h às 18h

24 de novembro
Brasília

Conheça mais… Quilombos contemporâneos: resistir e vencer

Palestrante
Glória Moura – Professora da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora de Comunidades Remanescentes de Quilombos

Local: St. Paul Plaza Hotel – SHS Quadra 2, Bloco H, Brasília (DF)
Hora: 14h às 18h

Fonte: http://www.palmares.gov.br/?p=15210

Senhores, por várias vezes temos respondidos perguntas a cerca do tema Ori, nosso òrìsá individual, que pela crença Iorubá tem seu duplo no Òrum. Fazemos a cerimônia do Bori, descrita por Bàbá Fernando neste blog, para alinharmos as energias destes dois seres divinos. Esta interação promove sensação de alivio e bem estar após o encerramento desta linda cerimônia. Convém ressaltar que este Oro é exclusivamente deste òrìsá, não podendo ter ingerência de qualquer outra energia, Esù, pomba-gira, Povo de rua ou qualquer outra deidade, porém Osálá e Iemonjá são louvados, Obatalá é o pai de todos os filhos da Terra e Iemonjá conhecedora de todos os mistérios de nosso Ori e portanto é alguém que pode apoiar este ser. O Odu Ogunda Meji, revela a importancia de Ori ao nos dizer que este òrìsá vem ao mundo, nos acompanha em toda nossa vida e retorna ao Oorum conosco. Portanto quando queremos algo é a Ori que você deve pedir primeiro, quando queremos bençãos, é a Ori que devemos pedir primeiro. Ori o primeiro e o mais importante de todos os òrìsás dentro da cadeia hierárquica das divindades sagradas.

OGUNDA MEJI

Orunmilá diz que entrando numa sala com porta baixa, nós, automaticamente, reverenciamos Ifá, a questão é:
“Quem dentre os deuses acompanha seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar ?”
Sàngo replicou que ele acompanha seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar.
Eles perguntaram a Sango: “Mas e se após uma longa jornada, andando e andando, você chegar a Koso, casa de seus pais; e eles cozinharem sopa de feijão e fizerem pudim de inhame e derem-lhe orogbos e um galo?”
Sàngo disse: “Após tal satisfação, eu retorno para casa.”
Então, Sàngo tinha falado que ele poderia não acompanhar seus seguidores, em uma jornada distante, sem retornar.
Orunmila diz que entrando numa sala com porta baixa nós, automaticamente, reverenciamos.
Ifá, a questão é:
“Quem dentre os deuses acompanha seus seguidores em todas as jornadas, sem nunca retornar ?”
Oyá replicou que ela acompanhava seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar. Eles perguntaram a ela: “Mas, e se após uma longa jornada, andando e andando, você chegasse a Irá, casa de seus pais, e eles abatessem um grande animal e colocassem uma porção de pudim de milho, em sua frente ?
Oya disse: “Após tal satisfação eu retorno para casa.”
Então, Oya tinha falado que ela não poderia acompanhar seus seguidores,
Em uma jornada distante, sem retornar.
Orunmila diz que, entrando numa sala de porta baixa nós, automaticamente, reverenciamos. Ifá, a questão é:
“Quem dentre os deuses acompanhará seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar ?”
Obatala replicou, que ele acompanhava seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar.
Eles perguntaram a Obatala: “Mas, e se após uma lona jornada, andando e andando, você chegasse a Ifon, casa de seus pais e eles abatessem uma galinha com ovos e desse-lhe duzentos caracóis junto com verduras e melão?”
Obatala diz: “Após tal satisfação eu retorno para casa.”
Então, Obatala tinha falado que ele não poderia acompanhar seus seguidores, em uma jornada distante, sem retornar.
Orunmila diz que, entrando numa sala de porta baixa, nós, automaticamente reverenciamos.
Ifá, a questão é:
“Quem dentre os deuses acompanha seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar ?
Esù replicou que ele acompanhava seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar.
Eles perguntaram a Esù: “Mas, e se após uma longa jornada, andando e andando, você chegasse a Ketu, casa de seus pais, e eles lhe dessem um galo e uma porção de óleo de palma?”
Esù disse: “Após tal satisfação eu retorno para casa.” Então, Esù tinha falado que ele não poderia acompanhar seus seguidores numa jornada distante, sem retornar.
Orunmila diz que, entrando numa sala de porta baixa nós, automaticamente, reverenciamos. Ifá, a questão é:
“Quem dentre os deuses acompanha seus seguidores em todas as jornadas, sem nunca retornar ?”
Ogum replicou que ele acompanhava seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar.
Eles perguntaram a Ogum: “Mas, e se após uma longa jornada, andando e andando, você chegasse a Ire, casa de seus pais, e eles lhe dessem feijões fritos e um cão, também uma galinha, cerveja de milho e vinho de palma ?”
Ogum disse: “Após tal satisfação eu canto meu cântico Ijala alto e alegremente, em todo caminho de volta a casa.
Então, Ogum tinha falado que ele não poderia acompanhar seus seguidores, em uma jornada distante, sem retornar.
Orunmila diz que, entrando numa sala de porta baixa nós, automaticamente, reverenciamos.
Ifá, a questão é:
“Quem dentre os deuses acompanha seus seguidores em todas as jornadas, sem nunca retornar ?”
Òsúm replicou que ela acompanhava seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar.
Eles perguntaram a Òsúm: “Mas, e se após uma longa jornada, andando e andando, você chegasse a Ijumu, terra de seus pais, e eles lhe dessem pudim de farinha com verduras e cerveja de milho ?”
Òsúm disse: “Após tal satisfação eu retorno para casa.”
Então, Osun tinha falado que ela não poderia acompanhar seus seguidores, em uma jornada distante, sem retornar.
Orunmila diz que, entrando numa sala de porta baixa nós, automaticamente, reverenciamos.
Ifá, a questão é:
“Quem dentre os deuses acompanha seus seguidores em todas as jornadas, sem nunca retornar ?”
Orunmila replicou que ele acompanhava seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar.
Eles perguntaram a Orunmila: “Mas, e se após uma longa jornada, , andando e andando, você chegasse a Igeti, terra de seus pais, e eles lhe dessem dois ratos espertos, dois peixes de nado belíssimo, duas galinhas com fígado gordo, duas cabras pesadas e grávidas; dois bezerros com chifres grandes; se eles fizessem pudim de inhame para você; se eles lhe dessem boa bebida, cerveja de milho e atare, e dessem a você boa kola ?”
Orunmila disse: “Após tal satisfação eu retorno para casa.
Então, Orunmila tinha falado que ele não poderia acompanhar seus seguidores, em uma jornada distante, sem retornar.
O Awo estava espantado
Eles não poderiam proferir uma palavra, pois eles não entenderiam a parábola.
Ifá, eu confesso meu desolamento por favor, cubra-me de sabedoria.
Ifá, você é o líder. Eu sou o seguidor.
Você é o sábio que ensina sábias coisas como um pai.
Ifá, a questão é:
“Quem dentre os deuses acompanha seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar ?
Ifá disse: “Este é Ori, Ori sozinho, é quem acompanha seus seguidores, em todas as jornadas, sem nunca retornar.
Quando eu tenho dinheiro, é meu Ori que eu louvo.
Meu Ori, este é você
Quando eu tenho crianças, é meu Ori que eu louvo.
Meu Ori este é você.
Todas as coisas boas que eu tenho na Terra é meu Ori que eu louvo
Meu Ori, este é você.
Você, que não esquece seus seguidores.
Você que abençoa seus seguidores mais rapidamente que outros deuses
Os deuses não abençoam o ser humano sem o consentimento de seu Ori
Ori, eu saúdo você
Você que permite crianças nascerem vivas.
Quem oferecer e for aceito por seu Ori, tem razão para dançar e regozijar.

Ire o.

Dando continuidade aos posts sobre as Grandes Senhoras do Candomblé, trago o perfil da saudosa Gaiakú Luíza de Oyá, esta grande personalidade do Candomblé Jeje-Mahi no Brasil, e quiçá a maior delas.

Luiza Franquelina da Rocha nasceu em 25 de agosto de 1909, em Cachoeira, cidade do Recôncavo Baiano. Sua mãe chamava-se Cecília, negra, descendente de escravos e iniciada para Yemonjá em Feira de Santana/BA, vindo a falecer com 105 anos. Seu pai chamava Miguel, negro, também descendente de escravos e foi confirmado Kpenjigàn na Roça de Ventura (Kwe Sejá Húnde), candomblé Jeje em Cachoeira, por Gaiaku Maria Ogorensì de Gbèsén. Faleceu aos 86 anos. Sua irmã carnal, Joana, foi iniciada para o vodun Azansú por Gaiaku Pararasì, na Roça de Ventura. Suas primas foram iniciadas como Ekedi por Sinha Abali, também na Roça de Ventura. A avó paterna de Gaiaku chamava-se Maria Galdência da Conceição e sua bisavó era uma negra africana chamada Malakê, filha de Sàngó, que chegou a Cachoeira em torno de 1820, amarrada em um porão de navio, para ser escrava de uma branca por nome Pombinha Rosalva, que lhe batizou com o nome de Maria Felicidade da Conceição.

Gaiaku Luiza que é bisneta de africano e foi nascida e criada dentro do candomblé aonde chegou a morar dentro da Roça de Ventura. Teve contato com as velhas tias do candomblé que lhe ensinaram muita coisa. Em 1937 Gaiaku Luiza é iniciada para Oyá na nação ketu, no Ilé Ibecê Alaketu Àse Ògún Medjèdjè, do famoso Babalorixá Manoel Cerqueira de Amorin, mais conhecido como Nezinho de Ògún, ou Nezinho da Muritiba, filho-de-santo de Mãe Menininha do Gantois. Por motivos particulares, após 2 anos Gaiaku Luiza se afasta da Roça deste ilustre Babalorixá. Foi Sinhá Abali, segunda Gaiaku a governar a Roça de Ventura, quem viu que Gaiaku Luiza deveria ser iniciada no Jeje, nação de toda sua família, e não no Ketu. Assim, encarrega sua irmã-de-santo Kpòsúsì Romaninha, de sua inteira confiança, a iniciar Gaiaku Luiza no Terreiro Zòògodò Bogun Malè Hùndo, em Salvador. Em 1944, Gaiaku Luiza é iniciada na nação Jeje sendo a terceira a compor um barco de 3 vodunsìs. Seu barco foi constituído por uma Osún, um Azansú e uma Oyá.

Gaiaku Luiza foi uma das poucas Vodunsìs,  na Bahia, que ousaram abrir uma roça de candomblé jeje-mahi. Isso ocorreu em 1952, num período em que não era comum tal prática dentro do culto jeje. Na época, supõe-se que existiam somente dois terreiros jeje-mahi na Bahia, que eram o Zòògodò Bogun Malè Hùndo (Terreiro do Bogun), em Salvador, e a Roça de Ventura (Sejá Hundê) , em Cachoeira. Com a autorização e participação de sua mãe-de-santo Kpòsúsì  Romaninha, dona Luiza abriu um terreiro jeje-mahi, tornando-se, então, uma Gaiaku.

A iniciação de Gaiaku Luiza foi no Bogun. Ela chegou no Bogun no dia 9 de agosto de 1944 e só voltou para casa em 1945. Segundo depoimento da própria Gaiaku Luiza, quem comandava o Bogum naquela época era Gaiaku Emiliana, pertencente ao vodun Agué.

Foi nesse contexto que Gaiaku Luiza plantou o axé do Hùnkpámè  Ayono Huntoloji. Ela narrava que:

“Em 1948, minha mãe Oyá começou a reclamar que não queria que batesse candomblé ali (casa no bairro da Liberdade). Ela passou a querer uma roça onde houvesse água, árvores frutíferas e que fosse perto da linha férrea. Saí procurando uma roça para comprar, mas não encontrava. No dia 2 de novembro, eu já estava saindo para minha procura, quando minha mãe carnal falou: ‘Logo hoje, minha filha, dia de finados’ Eu respondi: ‘Quem sabe, mamãe, os espíritos de luz me ajudam?’ Saímos eu e Delza sem destino, fomos parar em Almeida Brandão. Passamos por ponte, estrada de ferro e nada de encontrar. Adiante, vi uma placa, quando chegamos perto não era uma placa de venda, dizia o seguinte: prenda sua galinha que a roça tem veneno. Delza dizia: ‘Minha velha, vamos embora, esta chuviscando e não vamos achar nada.’ Quando estávamos voltando e já estava anoitecendo, vi uma placa, mas não conseguia enxergar porque já estava escuro, chegamos mais perto e a placa era de vende-se. Descemos até o portão velho e caído, aí apareceu uma “Dan” (cobra), eu então falei: olha Delza esta roça vai ser nossa. A roça ficava num lugar chamado Cabrito. Começamos a gritar e de repente apareceu um velho, pé hoje e pé amanhã. Ele se aproximou perguntando se queríamos comprar frutas, eu respondi que queria comprar a roça. Era tanta “Dan”, que havia na roça que você pisava e sentia elas por baixo das folhas. Deixei tudo acertado com o velho e marcamos a negociação. Foi uma venda rápida. No dia 2 de novembro a roça já era minha verbalmente. O casal de velhos ainda ficou morando na roça  por algum tempo. A velha, dona Maria era de Oyá e o velho era de Azansú. Mudei para a roça em 1950. Foi muito difícil morar ali, no começo. Não conhecia ninguém, sozinha ali, jogada, morando naquela casinha de palha. Comi uma roxura! Comendo zinco e arrotando semânio. A inauguração da roça, em 1952, sob a permissão de Gaiaku Kpòsúsì Romaninha, foi com uma festa para Azansú, o dono da casa, e foi muita gente prestigiar. A roça recebeu o nome de Humpame Ayono Huntoloji.”

Em 1962, a roça é transferida para um local denominado Alto da Levada, próximo ao bairro do Caquende, na cidade de Cachoeira, onde permanece até hoje.

Em 20 de junho de 2005, Luiza Franquelina da Rocha, ou Gaiaku Luiza de Oyá faleceu, aos 96 anos de idade. Considerada uma das mais importantes sacerdotisas do culto afro-religioso jeje-mahi do Brasil e possuidora de uma sabedoria inigualável. Faleceu em Cachoeira, na sua roça, cercada de filhos-de-santo, amigos e familiares, como ela sempre quis e costuma dizer: “Mãe-de-santo tem que morrer dentro de sua roça”.  Foi determinado, ainda em vida pela falecida, que a herdeira do posto de dirigente sacerdotal do terreiro seria sua sobrinha carnal, Regina Maria da Rocha. Dofona Regina – hoje chamada Gaiakú Regina Avimajesì – foi iniciada no Hùnkpámè Hùntóloji, num barco de 3 Vodunsìs, para o Vodun Avimaje.

-Texto extraído e readaptado do livro “Gaiaku Luiza e a trajetória do jeje-mahi”, escrito por Marcos Carvalho (Mejitó Marcos de Gbèsén), filho de santo de Gaiaku Luiza.

Sakpata é um vodun muito temido e respeitado, o senhor das doenças contagiosas e intitulado “Ayinon” – o Dono da Terra. Considerado uma divindade de dupla etnia, pois seu culto transita entre os povos Fon e Yorubá, onde é conhecido pelo nome de Sòpònná (Xapanã).

Sakpata é considerado por alguns como o primogênito de Mawu-Lisá, e por outros como sendo filho da antiga mãe Nanã Buluku. São muitos os voduns que fazem parte da família de Sakpata, todos tendo características e culto próprio mantendo relações de semelhanças entre si. Todos estes voduns estão ligados à terra, às doenças e a cura. Alguns estão associados à riqueza e a miséria. Suas vestimentas são feitas ou levam a palha da costa, um dos principais símbolos destes voduns. Alguns usam o xaxará, outros o bastão, a lança e o facão. As cores são variadas, mas geralmente se remetem aos tons mais escuros, em especial o roxo, o preto e branco, o bordo e o vermelho.

Azansú (homem da esteira) ou Azonsú (homem doente) são os nomes pelo qual Sakpata é conhecido nos candomblés jeje mahi. Usa palha da costa que lhe cobre todo corpo e o xaxará, com o qual capta e retira a energia negativa dos ambientes. Sua cor é o roxo ou o bordô. A saudação para os voduns desta família é “Abáo, sísí daagbo”.

Avimaje é um vodun jovem da família de Sakpata, o mensageiro entre os voduns desta família. É ele quem “carrega as almas”, veste-se de branco e é guerreiro. Carrega um facão e não usa o xaxará. Tem ligações com o vodun Kposu.

Parará, Kpadadá ou Pararaligbú é um sakpata feminino. Rege a terra e as doenças, e as feridas provocadas pela varíola simbolizam as jóias de Parará. Sua cor é o roxo. Carrega um pequeno xaxará.

Azoani, Azawane ou Azonwäne é considerado, principalmente pelo jeje do RJ, como um vodun das ervas, com muita ligação ao vodun Agué. Para outros porém esse nome é apenas mais um “apelido” de Azonsú-Sakpatá (e é assim que consideramos aqui em minha casa).

Em geral todos estes voduns são muito exigentes com seus filhos, sendo amados e temidos por eles. Cabe aos sakpatas a fiscalização das casas de religião, sempre mantendo a moral e os bons costumes. Ewá está intimamente ligada a Azansú, sendo a responsável pela tarefa de fiscalizar as casas para os demais sakpatas.

Na África, até hoje, os sacerdotes de Sakpatá são chamados de Ánàgónú, talvez uma referência a possível origem nagô deste vodun.

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