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Voduns Kavionos

Panteão do Trovão (Hevioso)

Os voduns agrupados no panteão do trovão, os quais recebem a denominação geral de “Voduns Kavionos”, são aqueles ligados aos fenômenos das tempestades (sò-voduns – voduns do raio), e os voduns que vivem no alto (ji-voduns – voduns do céu).

Pode-se ainda incluir a este panteão alguns voduns que vivem nos mares e oceanos (tò-voduns) por sua estreita ligação com os sò-voduns.

Os voduns do raio, em especial o vodun Sògbó, mantém muitas semelhanças com o orixá yorubá Xangô.

No jeje-mahi os Voduns Kavionos são liderados pelo vodun Sògbó, sendo o carneiro (agbo) seu principal símbolo e por isso considerado como um animal sagrado. Pelas tradições dos povos do Togo, o animal que simboliza este vodun é o leopardo.

Sògbó cujo nome significa “Grande Raio”, é um vodun irado e irriquieto, o dono do fogo. Seu emblema é um machado com cabeça de carneiro. É um dos três reis dos maxinu (mahis). Pai dos demais voduns kavionos e considerados por alguns como sendo o filho de Kpòsú. Suas cores são o bordo, o vermelho e o branco, assim como seu colar. O título de “Sògbó Adan”, significa “corajoso Sògbó” ou “a força/coragem de Sògbó”.

Badé ou Gbadé é um dos filhos mais jovens de Sògbó, um líder guerreiro. Também conhecido como Gbamesò (raio sobre os campos) é um vodun guerreiro e muito colérico. A ele pertence o curisco e a sentelha de fogo, usada para acender a fogueira de Sògbó, a maior festividade dos Voduns Kavinos no Brasil.

Aklongbé ou Akarumbé é irmão de Gbadé e filho de Sògbó. Responsável pelo granizo sendo também um vodun irado e irriquieto. Assim como Gbadé, é um grande guerreiro.

Kpòsú é o vodun mais velho desta família, representado pela pantera, alguns o consideram como sendo o pai de Sògbó.

Agbetawoyó é um vodun que vive nas águas, um grande guerreiro que vive nas águas agitadas do mar. É considerado como sendo irmão de Sògbó. Seu nome significa “ruído do mar”.

Avlekétè é um jovem pescador. Uma espécie de mensageiro entre os voduns do mar e os voduns do raio. Filho de Sògbó e Agbé.

Aden ou Adeen é um vodun feminino da família do raio. Envia as chuvas noturnas e faz com que as plantas cresçam. Em sua ira envia os raios que fulminam os mal-feirores.

Agbé é uma mãe das águas, velha e de grande sabedoria. A responsável pelos oceanos. Suas comidas não levam sal. Também está ligada aos astros, em especial os cometas. No culto Tambor de Mina ganhou a denominação Agbemanjá e seu culto mesclou-se ao de Yemanjá.

Loko é o vodun que vive nas árvores (atinme-vodun), é ele quem liga a terra ao céu, representa, assim como Ayizan, a memória ancestral. É um dos donos do hunjeve, a jóia dos maxinu (mahis).

Sòhòkwé ou Sorokwê é o vodun responsável pela defesa das casas. Seu assentamento fica próximo ao de Legba e Ayizan.

A grande maioria destes voduns aprecia comida apimentada e o quiabo. Suas cores variam entre bordo, vermelho e branco, cores escuras na maioria das vezes (exceto Agbé, que usa azul claro e branco e Agbetawyó que usa azul e prata).

Ocorre no próximo dia 15 de novembro a passeata contra a intolerância religiosa e contra o projeto de lei 992/11 que tolhe o direito da prática litúrgica do sacrifício animal no estado de São Paulo.

Dia 15 de novembro

Às 13 horas

Concentração no saguão do MASP

Praias, Mares, espaços naturais e sagrados.

Integrantes de religiões de matriz africana assessoram a Secretaria Estadual do Ambiente, na criação de uma cartilha que orienta fiéis a não causarem danos a rios ou florestas na hora de depositar oferendas. O material sugere, por exemplo, o uso de recipientes recicláveis. Um parque para oferendas será criado em Nova Iguaçu, município do Rio de Janeiro. Não acender velas nas matas, uso de materiais biodegradávis, não deixar resíduos, preservação dos sítios naturais, etc.

Uma conscientização que todo terreiro deve ter principalmente nos despachos, orientando e dando exemplo de cidadania social. Não basta ter um fio de conta no pescoço, temos que ter um fio de esperança na alma para preservar nosso parque nacional.

Durante o mês de novembro o tão esperado filme Jardim das Folhas Sagradas estreia em diversos lugares do país!

 

Sinopse

“Jardim das Folhas Sagradas conta a história de Bonfim, negro baiano que tem sua vida virada pelo avesso com a revelação de que precisa abrir um terreiro de candomblé. Com os espaços disponíveis cada vez mais raros, ele acaba procurando um lugar na periferia empobrecida e degradada. Afastado da tradição e questionando fundamentos como o sacrifício de animais, Bonfim cria um terreiro modernizado e descaracterizado, o que lhe trará graves conseqüências.

Numa época em que o crescimento urbano acelerado e a favelização transformam as cidades em espaços cada vez menos habitáveis, o candomblé, religião ancestral trazida pelos escravos africanos, tem uma grande lição de convívio e preservação da natureza a oferecer. A Bonfim e a toda cidade de Salvador.”

Mais informações: http://www.jardimdasfolhassagradas.com/

Esta metáfora nos remete a importancia que devemos dar a nossas palavras que depois de sacralizadas podem nos trazem bençãos, como podem nos trazer problemas e/ou criar vários problemas a nossos semelhantes.
Boa leitura e meditação.

Fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orunmilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orunmilá o governo do mundo. Pensou em entregar a Orunmilá o governo dos segredos, os segredos que governam o mundo e a vida dos homens. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo. Orunmilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante.
Um dia, Obatalá quis saber se Orunmilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Òrúnmilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá então, perguntou a Òrúnmilá por qual razão língua era a melhor comida que havia.
Òrúnmilá respondeu: “Com a língua se concede àse, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória”. Após algum tempo, Obatalá pediu a Orunmilá para preparar a pior comida que houvesse.
Òrúnmilá lhe preparou a mesma iguaria.
Preparou língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior.
Orunmilá respondeu: “Porque com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas”.
Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orunmilá.
Entregou a Òrúnmilá nesse momento o governo dos segredos. Orunmilá foi nomeado babalawo, palavra que na língua dos òrìsá quer dizer PAI DO SEGREDO.
Òrúnmilá foi o primeiro Bàbálawo. Espero que principalmente nós, povo de òrìsá passemos a utilizar nossa língua com mais sabedoria, ao invés de criticarmos uns aos outros.

Escolhi esse maravilhoso artigo de Mãe Stella de Oxóssi porque sintetiza de forma didática, límpida e com muita sabedoria o dia da África, 25 de maio. Bênção, Mamãe África.

Maria Stella de Azevedo Santos- Iyalorixá do Axé Opo Afonjá -BA

Ainda de pouco conhecimento da sociedade é o fato de hoje, 25 de maio, se comemorar o Dia da África. Data escolhida porque em 1963 a Organização de Unidade Africana, hoje com o nome de União Africana, foi fundada com o objetivo de ser, internacionalmente, a voz dos africanos. Hoje, o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá está recebendo uma média de cinquenta professores da rede municipal, juntamente com o seu secretário, para conosco comemorar este dia, que se constitui em uma tentativa de que os olhos e os corações do mundo se preocupem e se ocupem de cuidar do povo desse continente, mas também de aprender e apreender sua sabedoria, que, como neta de africana e iniciada em uma religião que tem em África sua matriz, foi a mim transmitida. Oportunidade que tudo faço para não desperdiçar.

Muitas sementes da sabedoria dos africanos, em mim plantadas, ainda não encontraram terreno fértil para germinar, mas não desisto e, por isso, cuido desse terreno em todo momento. Outras há, no entanto, que cresceram e até deram frutos. Foi assim refletindo que resolvi homenagear o berço da humanidade – a África -, aproveitando este precioso espaço de comunicação que a mim foi concedido para, humildemente, tentar espalhar essas sementes, na esperança que elas caiam em terrenos férteis.

Foi através da tradição oral, chamada na língua yorubá de ipitan, que entrei em contato com a maravilhosa arte de viver do africano, que tem na alegria um de seus fundamentos. Entretanto, nós brasileiros, que temos nesse povo uma de nossas descendências, não devemos correr o risco de sermos megalomaníacos e considerar a filosofia africana a melhor. Todo povo possui sua sabedoria, mas a Sabedoria, assim como Deus, é uma só. A mesma base, os mesmo fundamentos, apenas transmitidos de acordo com a cultura e o lugar de viver correspondente. Se foi através da tradição oral que aprendi, é agora na escrita, iwe-kikó, que encontro condições favoráveis para transmitir, a um maior número de pessoas, os ensinamentos absorvidos e os quais ainda pretendo assimilar, de maneira profunda.
Conheçamos, então, um pouco do muito que possui a filosofia do povo africano:

- É na alegria e na generosidade que se encontra a força que se precisa para enfrentar os obstáculos da vida: “Lé tutu lé tutu bó wá” = “Sigamos em frente alegremente, sigamos em frente iluminados, dividindo o alimento adquirido”.

- A palavra tem o poder de materializar o que existe em potencial no universo, por isso os africanos falam muito e alto, quando precisam canalizar sua energia em direção ao que é essencial, mas silenciam nas horas necessárias. Um orin faz entoar: “Tè rolè… Mã dé tè rolè. Báde tè role” = “Eu venero através do silêncio… Eu pretendo cobrir meus olhos e calar-me. Ser conveniente, respeitando através do silêncio”.

- Nosso maior inimigo (como também nosso maior amigo) somo nós mesmos: “Dáààbòbò mi ti arami” = “Proteja-me de mim mesma”.

- O cuidado com o julgamento do outro e também com o instinto de peversidade: “Bí o ba ri o s’ikà bi o ba esè ta ìká wà di méjì” = “Se vir o corpo de um perverso e chutá-lo, serão dois os perversos”.

- O respeito às diferenças: “Iká kò dógbà” = “Os dedos não são iguais”.

- A necessidade de um permanente contato com a Essência Divina que cada um possui: “Eti èmí óré dé ìyàn. Àroyé èmí óré dé ìyà” = “Na dificuldade de decisão e no debate, a Essência Divina amplia a visão para argumentar”.

Como se vê, o corpo da tradição oral africana, que é composto de itan – mito; oriki – parte do mito que é recitada em forma de louvação e vocação; orin – cântico de louvação; adurá – reza; ówe – provérbio serve para nos disciplinar. Entretanto, nenhuma sabedoria tem mais valor do que a filosofia do ìwà, palavra que pode ser traduzida como conduta, natureza, enfim, caráter. Devemos estar atentos aos nossos comportamentos. Pois, como falam os africanos após enterrar um amigo, “ó kù ó, ó kù ó ìwà ré”, querendo dizer, “não podemos lhe acompanhar no resto de sua viagem, agora só fica você e seus comportamentos”.

fonte:* Artigo publicado na editoria Opinião do Jornal A Tarde, no dia 25/05/2011
Postado por ÓRÓ ÓGBÓN (Palavras de Sabedoria)

Na próxima quarta-feira (26), começará o Ciclo de Palestras Cultura Afro-brasileira: nosso patrimônio. O evento é uma iniciativa da Fundação Cultural Palmares em comemoração ao Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes e ao Dia da Consciência Negra e será realizado nos meses de outubro e novembro em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

O Ciclo de Palestras será aberto ao público e colocará em discussão temas ligados às comunidades quilombolas, ao valor histórico das religiões de matriz africana, gastronomia afro-brasileira, valorização da capoeira, Estatuto da Igualdade Racial, Lei 10.639/03, ações afirmativas e o negro nos meios de comunicação.

As palestras resultarão na publicação de livros da Coleção Conheça Mais, com o objetivo de atender à demanda de material didático na área de cultura afro-brasileira, de acordo com a Lei nº 10.639/2003. As obras devem ser distribuídas nas escolas, bibliotecas e para a sociedade em geral.

Confira a programação:

26 de outubro
São Paulo

Conheça mais… Ações afirmativas

Palestrante
José Vicente – Reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares

Conheça mais… Candomblé, Umbanda e Quimbanda

Palestrantes
Jorge Arruda – Professor e secretário executivo do Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPPIR/PE)
Vilson Caetano de Souza Júnior _ Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Local: Auditório da Faculdade Zumbi dos Palmares – Marginal Tietê, altura do nº 10.200 (Dentro do Clube de Regatas Tietê)
Hora: 14h às 18h

17 de novembro
Rio de Janeiro

Conheça mais… O que é capoeira?

Palestrantes
Mestres Camisa (José Tadeu Carneiro Cardoso) e Luiz Renato Vieira

Conheça mais… Gastronomia afro-brasileira

Palestrante
Ana Ribeiro – Chefe Executiva em Gastronomia

Local: Auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – Av. Graça Aranha, nº 1, 13º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Hora: 14h às 18h

19 de novembro
Salvador

Conheça mais… Lei nº 10639/2003

Palestrante
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva – professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e relatora do Parecer/MEC, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana

Conheça mais… O negro nos meios de comunicação

Palestrante
Maurício Pestana – Diretor Executivo da Revista Raça Brasil

Local: Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Auditório Jurandir Oliveira -Rua Silveira Martins nº 2555 – Cabula
Hora: 9h às 12h

23 de novembro
Brasília

Conheça mais… Estatuto da Igualdade Racial

Palestrantes
Benedito Cintra – Assessor Parlamentar/ DF
Augusto Henrique Pereira de Sousa Werneck Martins – Procurador do Estado do Rio de Janeiro e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ)

Local: St. Paul Plaza Hotel – SHS Quadra 2, Bloco H
Hora: 14h às 18h

24 de novembro
Brasília

Conheça mais… Quilombos contemporâneos: resistir e vencer

Palestrante
Glória Moura – Professora da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora de Comunidades Remanescentes de Quilombos

Local: St. Paul Plaza Hotel – SHS Quadra 2, Bloco H, Brasília (DF)
Hora: 14h às 18h

Fonte: http://www.palmares.gov.br/?p=15210

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