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A força das mães negras

Levantando-se contra a escravidão, o machismo e o preconceito, a negra brasileira encontrou em sua espiritualidade ancestral os mitos, os símbolos e os exemplos que lhe inspiraram insubordinação e lhe permitiram construir uma nova e altiva identidade

por Sueli Carneiro
A luta das mulheres adquiriu diferentes perfis em nossa história, pois diferentes também eram as inserções sociais e as origens étnicas de suas protagonistas. Em comum, traziam o desejo de liberdade. Para as mulheres brancas, foi a luta contra o domínio patriarcal. Para as negras, a luta contra o jugo colonial, a escravidão e o racismo. Dentre as formas de resistências engendradas pelas mulheres negras brasileiras, destaca-se o exemplo das Yalorixás: uma estirpe de notáveis lideranças espirituais, como Yya Nassô (século XIX), Tia Ciata (1854-1924), Mãe Aninha (1869-1938), Mãe Senhora (1900-1967) e Mãe Menininha do Gantois (1894-1986), entre outras.

Essas mulheres traziam para o presente modelos sacralizados de sua ancestralidade, evidenciados na mitologia preservada e na estrutura religiosa que aqui recriaram. A mitologia africana, apontando insistentemente as estratégias mais diversas de insubordinação, simbólicas ou reais, lhes ofereceu a possibilidade de criar mecanismos de defesa para a sobrevivência e a conservação de seus traços culturais de origem.

O universo mítico, do qual o candomblé é remanescente, se estrutura, como várias outras mitologias, no princípio da sexualidade. É da interação dinâmica entre pares de contrários que tudo é gerado. Assim, a Terra (aiyé) e o Céu (órun) expressam, respectivamente, os princípios arquetípicos Feminino e Masculino. Sua união, que é a garantia da continuidade de tudo, nem sempre se dá de forma harmoniosa. E os conflitos, que são relatados nos mitos, expressam muitas vezes a luta entre os poderes feminino e masculino, em disputa pelo controle do mundo. Essa disputa expressa também o fato de que, em algumas sociedades africanas, mulheres e homens pertenciam a associações demarcadas pelo gênero: Geledé e Ialodé para as mulheres e Oró para os homens.

Segundo a antropóloga Terezinha Bernardo: “Ialodê era uma associação feminina cujo nome significa ‘senhora encarregada dos negócios públicos’. Sua dirigente tivera lugar no conselho supremo dos chefes urbanos e era considerada uma alta funcionária do Estado, responsável pelas questões femininas, representando, especialmente, os interesses das comerciantes. Enquanto a Ialodê se encarregava da troca de bens materiais, a sociedade Gueledé era uma associação mais próxima da troca de bens simbólicos. Sua visibilidade advinha dos rituais de propiciação à fecundidade, à fertilidade — aspectos importantes do poder especificamente feminino”. No Brasil, o culto Geledé desapareceu e Ialodé tornou-se título de mulheres importantes do candomblé.

A organização social do candomblé procurará recriar as estruturas hierárquicas das sociedades africanas que a escravidão destruiu, reorganizar a família negra, perpetuar a memória cultural e garantir a sobrevivência do grupo. Ela permitiu que os “terreiros” se tornassem territórios de organização comunitária, de cura aos destituídos do direito à saúde, de resistência cultural e de negociação com a sociedade abrangente e excludente. Leni Silverstein afirma, a propósito do caso baiano, que “a família-de-santo, com mulheres em seus pontos focais, se torna crucial para a perpetuação de um sistema alternativo de valores, costumes e culturas”1.

Esse passado de resistência marca profundamente o povo-de-santo, em especial suas mulheres. Matriarcas negras que foram reverenciadas no livro A cidade das mulheres (1932), da antropóloga e pesquisadora norte-americana Ruth Landes. Diz ela que a mulher negra “era, no Brasil, uma influência modernizadora e enobrecedora”. E explica: “Economicamente, tanto na África como durante a escravidão no Brasil, contara consigo mesma. E isso se combinava com a sua eminência no candomblé para dar um tom matriarcal à vida familiar entre os pobres. Era um desejável equilíbrio para o rude domínio dos homens em toda a vida latina”2.

Ruth observou que as mulheres do candomblé jamais se prostituíam, mesmo quando pobres, que eram livres no amor, mas não o comercializavam, que eram seres humanos bem desenvolvidos na época em que o feminismo levantava a voz pela primeira vez no Brasil. Suas vidas compõem parcela significativa da história do oprimido deste país e vêm sendo fonte de inspiração para a luta das mulheres negras contemporâneas. A pesquisadora e feminista negra Jurema Werneck compreende suas estratégias como “formas contra-hegemônicas de produção cultural”. E as vê construindo identidades com base em recortes territoriais, lingüísticos ou afetivos.

Pela apropriação e atualização desse patrimônio cultural, as mulheres negras vêm conformando organizações inspiradas na mitologia africana e nas histórias de suas antepassadas. Nesse processo de afirmação identitária, buscam, em instituições femininas da tradição religiosa, nas figuras míticas e nas ancestrais coletivas, os valores e modelos de insubordinação para confrontar a ordem patriarcal e racista.

Tal processo tem sido objeto da investigação científica de pesquisadoras negras contemporâneas, que buscam iluminar as linhas de continuidade entre a tradição e as estratégias de luta atuais. É o caso, por exemplo, do estudo realizado por Angélica Basti, que demonstra que o processo de rememoração implica em dois movimentos simultâneos: a lembrança do passado e a produção de um novo sentido no presente. E faz do mito “uma poderosa ferramenta para a re-significação da memória coletiva”.

Para a pesquisadora, as organizações femininas negras são as novas guardiãs da produção discursiva do grupo. Pois resgatam, registram, arquivam e difundem a história das mulheres negras. E lutam por essa re-significação como instrumento para a transformação do presente.

Do interior dos mitos, emergem os símbolos que inspiraram e inspiram o protagonismo religioso e político de parcelas da população feminina negra brasileira e demarcam as especificidades de sua perspectiva. Assim, Oxun, Iansã, Obá, Ewá, Iemanjá, Nanã conformam arquétipos que alargam e complexificam nossa compreensão do feminino. Cada orixá personifica uma linha de força da natureza, um papel na divisão sexual e social do trabalho, um conjunto de características temperamentais e emocionais. A existência de orixás femininos, masculinos e andróginos expressa uma compreensão profunda da própria sexualidade humana. Os indivíduos concretos serão percebidos do ponto de vista de seus caracteres psíquicos básicos, de sua ação concreta sobre o real e das múltiplas possibilidades de combinações desses componentes.

Esse sistema de representações, particularmente suas mulheres míticas, oferece vivências que a sociedade machista nega. O conservadorismo cristão, que moldou a moral brasileira passada, impôs às mulheres a escolha entre os estereótipos da Virgem Maria e de Maria Madalena. Do ponto de vista patriarcal, esta última só encontra redenção ao abdicar de sua sexualidade. As deusas africanas legitimaram a transgressão dessa dicotomia maniqueísta. As deusas africanas são mães dedicadas e amantes apaixonadas.

A partir do exemplo de Mãe Menininha de Gantois, Ruth Lande nos mostra o tipo de comportamento que essa visão alternativa de mundo ensejou: “Menininha não se casou legalmente […] pelas mesmas razões que as outras mães e sacerdotisas não se casam. Teria perdido muito. De acordo com as leis daquele país católico e latino, a esposa deve submeter-se inteiramente à autoridade do marido. Quão incompatível é isso com as crenças e a organização do candomblé! Quão inconcebível para a dominadora autoridade feminina! E tão poderosa é a tendência matriarcal, em que as mulheres se submetem apenas aos deuses, que os homens […] nada podem fazer além de enfurecer-se, censurar e brigar com as sacerdotisas que amam”3.

Inspiradas nos exemplos dessas precursoras poderosas, as mulheres negras, mestiças e brancas exibem hoje suas saias coloridas e vestem ojás e batas brancas engomadas durante as festas. Trabalham, cantam e dançam noite adentro para seus orixás. Entendem que, apesar de Oxalá ser o grande genitor masculino, ele se curva em adobale (prostração reverencial) diante de Oxum, o poder genitor feminino.

Sabem que, embora Oxalá só possa usar a cor branca, ele põe nos cabelos a pena vermelha, o ekodide, em homenagem ao sangue menstrual, símbolo da fertilidade e da concepção. Então, percebem que a dominação masculina não se explica pela natureza inferior da mulher, mas pelo reconhecimento de suas potencialidades e pelo temor que isso inspira. Enfim, descobrem que a Virgem Maria e Maria Madalena são forças vivas em seu interior e que não precisam abdicar da sexualidade para atingir o reino dos céus.

Sueli Carneiro é doutora em Filosofia da Educação pela USP, escritora e diretora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Este artigo nasceu da pesquisa realizada por ela na década de 1980, sob o título “O poder feminino no culto aos orixás”.

1 Leni Silverstein, “Mãe de Todo Mundo: modos de sobrevivência nas comunidades de candomblé da Bahia”, em Religião e Sociedade, número 4.
2 Ruth Landes, A cidade das mulheres, 2a ed. Rio de Janeiro, Editora da UFRJ, 2002.
3 Idem.
4 Terezinha Bernardo, “O poder feminino no candomblé”, em Revista de Estudos da Religião, no 2, 2005.

Fonte: http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=79

O Babalorixá Pecê de Oxumarê convoca todo o povo-do-santo, para darmos um basta aos ataques as religiões de matriz africana no Brasil. Chega de Terreiros queimados, imagens destruídas, chega de intolerância. Nossa hora chegou! Vamos mostrar a  nossa força, pois juntos podemos muito. Dia 23 de março, as 14h, vamos ao Ministério Público em todas as capitais munidos da carta-protesto, emitida por Baba Pecê, contra os atos de intolerância a nós direcionados protocolando representação contra os ataques que viemos sofrendo ao longo de décadas e que não podem ser mais tolerados. Reúna seu Terreiro, entre nessa luta. É uma luta de todos, por liberdade, justiça e respeito. Vamos nós despir da vaidade e nos armarmos de fé, e através disso, darmos um basta no ódio religioso promovido pela Igreja Universal.

Segue a carta a ser protocolada:
EXMO. SR. DR. PROCURADOR REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO – PRDC/PGR/MPF NA CIDADE DE ______________________.
REPRESENTAÇÃO / MANIFESTO ELABORADO POR INSTITUIÇÕES RELIGISOSAS, SACERDOTES, ADEPTOS, ATIVISTAS E CIDADÃOS CONTRA A CONTINUAÇÃO DE PRÁTICA DE INTOLERÂNCIA/DISCRIMINAÇÃO RELIGIOSA
CARTA ABERTA ÀS AUTORIDADES BRASILEIRAS:
PROTEÇÃO DAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA CONTRA OS “GLADIADORES DO ALTAR” , E OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS À DISCRIMINAÇÃO RELIGIOSA.

Por décadas a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) promove um massacre cultural e religioso contra as Religiões Tradicionais de Matriz Africana, perpetrando uma contínua, incansável, declarada e brutal perseguição através dos meios de comunicação social. A IURD promove o ódio religioso e através da bancada evangélica no Congresso Nacional estimula o fundamentalismo nas instâncias legislativas de nosso país, atentando contra o princípio constitucional que garante a laicidade do Estado.
Os principais alvos da IURD são o Candomblé e a Umbanda, religiões brasileiras edificadas com base nas tradições milenares de culto aos Orixás, N’kisis e Voduns, responsáveis pela preservação e difusão da cultura africana no país. Religiões estas que serviram de instrumentos de resistência para o povo negro e contribuíram de forma significativa para a cultura e identidade do Brasil. No entanto, o prejuízo vai muito além da desvalorização cultural e religiosa deixada pelos africanos no país. Para as comunidades tradicionais de matriz africana, os danos causados são incalculáveis, atingindo desde os seus espaços sagrados, que são destruídos e fechados, até a processos criminais, como o repercutido caso que levou a óbito a Ialorixá Gildásia dos Santos e Santos, em 1999, e tantos outros frequentemente noticiados em jornais.
As comunidades tradicionais de matriz africana não revidam estes ataques com base nos seus próprios dogmas de respeito a vida e à convicção de que a paz, a fraternidade, a irmandade e o amor nos garantem estar de fato ligados em harmonia com o poder superior. Acreditamos ainda que compartilhamos a crença em um mesmo Deus, único e onipotente, senhor de todo universo, porém, por uma diferença cultural, o chamamos de Olodumare, e isto igualmente nos faz irmãos na fé. De forma pacífica, na tentativa de coibir os ataques da IURD contra os Povos de Santo, reivindicamos diariamente o direito constitucional da liberdade religiosa, lutamos por políticas públicas e buscamos o diálogo inter-religioso, contudo sem lograr o devido êxito. A IURD, continua oprimindo as Religiões de Matriz Africana, munida de uma imensa fortuna, de poder político e agora de um exército, que poderá levar a Umbanda e o Candomblé a vivenciar uma releitura da santa inquisição.
Nos últimos dias, foram publicados vídeos de uma recente iniciativa da IURD, os Gladiadores do Altar. Em meio a pregações lotadas, adentram ao culto dezenas de rapazes, trajados uniformemente, marchando e repetindo palavras de ordem, com evidente inspiração militar. Segundo informações da própria IURD, os Gladiadores existem há somente dois meses – desde janeiro deste ano – e nesse curto período, já agregaram mais de 4 mil jovens. Se as cenas do “exército de evangelizadores” já são assustadoras no ambiente controlado das igrejas, há que se imaginar o que esses “soldados da fé” podem fazer nas ruas, longe da vigília de seus “comandantes-pastores”.
A mistura explosiva entre fé e força produz resultados imponderáveis. O Povo de Santo, vitimado por tantos atos de violência perpetrados por pastores da IURD e seus fiéis, não tem condições de “pagar para ver”, até porque, são obviamente previsíveis os desdobramentos dessa iniciativa irresponsável: o fortalecimento de um ideário de ódio contra tudo e todos que não se conformam à pregação estreita da IURD – nas quais se enquadram também outras religiões, os povos indígenas, a população LGBT e grupos com ideologias libertárias.
No plano internacional o tema da intolerância religiosa não poderia ser mais atual. O mundo assiste atônito à escalada de movimentos paraestatais militarizados criados a partir de leituras fundamentalistas de textos religiosos. É este o caso do Boko Haram, na Nigéria, e do Estado Islâmico, na Síria. Supostamente seguindo mandamentos religiosos, esses grupos sequestram, matam e torturam quem não se converte à sua fé, numa estratégia de expansão religiosa fundada na violência e no mais completo e sórdido desrespeito à diversidade. Muitos poderão dizer que exageramos ao comparar os tais “Gladiadores” com extremistas islâmicos, mas e resposta é simples: não é exagero. Trata-se de uma preocupação fundada em experiências reais que demonstram que o fundamentalismo religioso, quando aliado simbólica ou objetivamente a um ideário de violência, pode despertar uma energia incontrolável e destruidora, intransigente e emburrecedora.
Assim, não podemos permitir que essa iniciativa se expanda e se consolide. A liberdade de consciência e de crença, garantida em nossa Constituição, não pode servir de guarida para atos de intolerância e de violência, e, no caso concreto, nos parece que esse direito fundamental colide com outro dispositivo elencado no mesmo artigo 5º da Carta Magna – a vedação de organização paramilitar, que configura crime previsto em nosso Código Penal (art. 288-A). A conceituação de organização paramilitar pode ser depreendida de julgados e da doutrina jurídica, embora não haja uma definição legal clara. Podemos defini-la como associações de civis armados, organizadas a partir de ideologia política, ideológica ou religiosa, com estrutura semelhante à militar. O comportamento e uniformização dos Gladiadores revela, de forma evidente e alarmante, a estruturação de um embrião paramilitar. É certo que até agora, não há evidências de que disponham de armamentos, mas igualmente não há evidências de que não os tenham. É possível que entre esses 4 mil jovens se encontrem pessoas com treinamento militar prévio, ou mesmo pessoas com porte de arma de fogo e outros tipos de armas.
Diante de tamanha incerteza sobre os objetivos dessa organização, sobre a sua natureza, o real controle que a Igreja conseguirá exercer sobre esses jovens e da possibilidade palpável de que essa alegoria se converta em ódio e violência real, CONCLAMAMOS os líderes religiosos de todas as tradições, a sociedade civil organizada, a classe política, as instituições democráticas e todos aqueles comprometidos com a consolidação do Estado Laico a se manifestarem veementemente contra a manutenção das atividades dos “Gladiadores da Fé”, organização que abertamente atenta contra o Estado Democrático de Direito e que deve ser suprimida antes que se torne uma força incontrolável, que produza agressão, dor e morte.
“Senhor, tu que és autor da vida e consumador da fé, guia-nos em nossa jornada, e nos ajuda a ficar de pé, combater o bom combate, completar a carreira e guardar a nossa fé. Diante das nossas dificuldades, não nos deixe esmorecer. Somos homens de caráter, escolhidos pelo senhor, para dar vida em favor dos perdidos e façamos com amor. Temos força, coragem e determinação para nunca fracassar no cumprimento da nossa missão. Graças ao senhor, hoje estamos aqui, prontos para batalha, e decididos a te servir, somos gladiadores do teu altar, isso é uma decisão, todos os dias enfrentamos o inferno, confiantes na tua santa proteção. Eterno é o senhor que nos ama, e a ti pertence o sucesso de nosso trabalho, pois teu é o reino, o poder, a honra e a glória para sempre, amém” – Oração proferida pelos Gladiadores do Altar, da IURD
Diante do sofrimento que vivemos, do contexto brasileiro permeado de intolerância religiosa, da herança execrada do período escravocrata e do preconceito racial, rogamos às Autoridades Brasileiras um maior direcionamento de políticas públicas para assegurar os nossos direitos enquanto comunidades religiosas e tradicionais, assim como o reconhecimento das nossas contribuições para a formação cultural do Brasil, como a efetiva implementação da Lei 10.639/03. Do mesmo modo, diante das evidências aqui apresentadas, solicitamos ao Governo Brasileiro que tome as providências necessárias para investigar rigorosamente como, por que e com qual finalidade os Gladiadores do Altar foram criados. E, caso seja constatada a incitação ao ódio e à violência física, psicológica e moral, pedimos que seja minucioso e criterioso na aplicação da Lei.
Por fim, os subscritores do presente entendem, S.M.J., e em tese, que além dos instrumentos internacionais de proteção de direitos humanos fundamentais, com recorte étnico, racial cultural e religioso, e a legislação interna nacional constitucional e infraconstitucional, não por ser um instrumento de perseguição politico-ideológico, mas como uma ferramenta, hermeneuticamente entendida – busca dos sentidos segundo a perspectiva gadameriana – em defesa do Estado Democrático de Direito e das instituições democráticas, que a legislação infraconstitucional a ser aplicada no caso, não é o Código Penal , e sim a Lei de Segurança Nacional. Veja que o objeto do tipo penal do art. 288-A são as organizações criminosas, tais como os esquadrões da morte, as milicias e outras organizações de natureza paramilitar sem contudo serem de natureza politica ou religiosa, isto adveio de um contexto de combate ao crime organizado. Essas organizações Gladiadores do Altar, em tese, tem como desafetos outras religiões, notadamente as afro-ameríndias, e isto traz uma desestrutura do tecido social de tal forma que ameaça o Estado Democrático de Direito. A LSN tipifica a hipótese examinada, E mais: o autor da ação penal é o MPF, pois se trata de crime federal, ou mesmo o Ministro da Justiça , cabendo à Policia Federal a investigação.
LEI Nº 7.170, DE 14 DE DEZEMBRO DE 1983.
Define os crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social, estabelece seu processo e julgamento e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
TÍTULO I
Disposições Gerais
Art. 1º – Esta Lei prevê os crimes que lesam ou expõem a perigo de lesão:
I – a integridade territorial e a soberania nacional;
Il – o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito;
Ill – a pessoa dos chefes dos Poderes da União.
Art. 22 – Fazer, em público, propaganda:
I – de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social;
II – de discriminação racial, de luta pela violência entre as classes sociais, de perseguição religiosa;
III – de guerra;
IV – de qualquer dos crimes previstos nesta Lei.
Pena: detenção, de 1 a 4 anos.
§ 1º – A pena é aumentada de um terço quando a propaganda for feita em local de trabalho ou por meio de rádio ou televisão.
§ 2º – Sujeita-se à mesma pena quem distribui ou redistribui:
a) fundos destinados a realizar a propaganda de que trata este artigo;
b) ostensiva ou clandestinamente boletins ou panfletos contendo a mesma propaganda.
Art. 24 – Constituir, integrar ou manter organização ilegal de tipo militar, de qualquer forma ou natureza armada ou não, com ou sem fardamento, com finalidade combativa.
Pena: reclusão, de 2 a 8 anos
Art. 31 – Para apuração de fato que configure crime previsto nesta Lei, instaurar-se-á inquérito policial, pela Polícia Federal:
I – de ofício;
II – mediante requisição do Ministério Público;
III – mediante requisição de autoridade militar responsável pela segurança interna;
IV – mediante requisição do Ministro da Justiça.
Parágrafo único – Poderá a União delegar, mediante convênio, a Estado, ao Distrito Federal ou a Território, atribuições para a realização do inquérito referido neste artigo.
Além disso a aplicação do disposto no Art. 20 e ss, da Lei n. 7716/89 (Lei Caó).
Em face do exposto, as entidades religiosas e as pessoas que vivenciam as religiões de matriz africana subscrevem o presente, para requerem a Vossa Excelência as seguintes providências:
1) Que seja instaurado um inquérito civil público e criminal para a apuração dos fatos apresentados no texto acima, nas cópias das reportagens jornalísticas impressas da internet, e no dvd contendo as diversas apresentações desses grupos nos programas religiosos patrocinados pela IURD, anexados ao manifesto/representação, quanto à violação dos atos normativos internacionais e nacionais;
2) A realização de uma audiência pública na sede do MPF, objetivando não somente esse fato, mas também, a prática do proselitismo, conversões forçadas ou mediante coação psicológica e ideológica praticadas nos programas religiosos veiculadas nas Tvs patrocinados pela IURD. A apropriação e desfiguração e ainda desqualificação de rituais e liturgias das religiões afro-brasileiras objetivando pratica de captação e conversão de fiéis, e as práticas de discriminação religiosa mediante atos, expressões e ritualização de atos considerados como sendo de exorcismo, etc. Bem como o chamamento da diretoria das redes de televisão que veiculam esses programas, considerando a legislação que regula a concessão e o funcionamento dos canais de TVs abertas e fechadas;
3) Após a realização dessas atividades e constada violação da legislação em relação aos fatos denunciados, a propositura de um termo deajustamento de conduta com a IURD e as TVs para acabarem com os fatos denunciados, além de reservar uma parte do horário da programação às religiões afro-brasileiras se expressarem quanto a sua existência e finalidades;
4) Que sejam.ajuizadas ações de cunho civil e criminal, objetivando a aplicação de sanções penais e civis, tais.como: a) proibição da manutenção desses grupos; b) a proibição da veiculação desses programas religiosos nos moldes que foram denunciados; c) a reserva de horário na grade de programação da TV, em horário nobre, para as religiões afro-brasileiras se posicionaram sobre os fatos narrados; d) a condenação da IURD e da rede de televisão ao pagamento de uma indenização que se destine a criação de um fundo para financiar a produção de mídias diversas contra a intolerância religiosa, bem como a veiculação em jornais, rádios e emissoras de TV’s (abertas e fechadas, de grande circulação e audiência), e ainda a implantação das leis 10.639/03 e 11645/08 (e suas alterações) nas escolas públicas de ensino fundamental e médio; e) a dissolução da IURD e a perda da concessão das redes de rádio e TV do Sistema Record.
______________________, 23 de março de 2015.
ASSINAM A REPRESENTAÇÃO / MANIFESTO:
NOMEE/OUINSTITUIÇÃO:_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________;CARGO:______________________________:CPFE/OUCNPJ:___________________________________:NACIONALIDADE:_____________;IDENTIDADE:__________________,ÓRGÃO EXPEDIDOR___________;ENDEREÇO COMPLETO COM CEP:__________________________________________________
Ass: __________________________________________________
NOMEE/OUINSTITUIÇÃO:_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________;CARGO:______________________________:CPFE/OUCNPJ:___________________________________:NACIONALIDADE:_____________;IDENTIDADE:__________________,ÓRGÃO EXPEDIDOR___________;ENDEREÇO COMPLETO COM CEP:__________________________________________________
Ass: __________________________________________________
NOMEE/OUINSTITUIÇÃO:_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________;CARGO:______________________________:CPFE/OUCNPJ:___________________________________:NACIONALIDADE:_____________;IDENTIDADE:__________________,ÓRGÃO EXPEDIDOR___________;ENDEREÇO COMPLETO COM CEP:__________________________________________________
Ass: _______________________________________________

CANDOMBLÉ RELIGIAO_NATUREZA

Podemos afirmar que o Candomblé é uma religião que cultua a natureza, sendo que os nossos Òrìsàs possuem o domínio sobre cada elemento: água, terra, ar, fogo, etc. Nossos cânticos evocam os poderes das águas dos rios, lagos, poços e oceanos. Nós reverenciamos a chuva, tão sagrada e especial. Os Òrìsàs se comunicam por meio do bril…ho do raio, pelo som que brada do trovão. Òsùmàrè desenha o céu com as cores do arco-íris. Òsanyìn está vivo em cada planta, desde a mais singela à mais frondosa, onde habita Iroko Oluwere Baba Igi. Obaluwaiye está vivo no redemoinho, na sagrada terra em que os grãos de Òrìsà Oko se multiplicam, enfim, os Òrìsàs e a natureza se misturam, se confundem, se completam. Mas, apesar de tudo isso, estamos sabendo como preservar essa natureza tão rica e essencial para a sobrevivência da nossa religião?

No último mês, quando da realização de uma obrigação em uma cachoeira, nosso querido Pai Pecê, ficou assustado e muito decepcionado com a quantidade de materiais que agridem de forma brutal a natureza, depositados naquele local, como se fosse uma espécie de lixão. Naquele espaço, que temos como sagrado, onde a natureza deveria ser ovacionada pelo nosso povo, encontravam-se centenas de garrafas, plásticos, restos de velas e muitos, muitos alguidares, sendo que grande parte já quebrados.

Em verdade, a cena remetia-nos as imagens de um filme de terror ou de um filme futurista, no qual o único sinal de natureza é a existência de antigas fotos em museus, para que as crianças tenham ideia de um mundo já inexistente. Sequer era possível apreciar o espelho d’água, que insistentemente tentava burlar as barreiras criadas pelo lixo acumulado.

Somos Àbòrìsà (adoradores de Òrìsà), por consequência, adoradores da natureza, dessa forma, é inadmissível imaginar que alguém que adora e venera a natureza, possa igualmente agredi-la de forma tão agressiva.

É muito importante conscientizarmo-nos de que:

Alguidar não é oferenda!

Garrafa não é oferenda!

Plástico não é oferenda!

Existem centenas de alternativas sustentáveis que podem e, principalmente, devem ser utilizadas pelo nosso povo.

O antigo provérbio yorùbá já diz: Sem folhas, não há Òrìsà. As folhas são excelentes alternativas aos alguidares. Quando for à natureza, realizar qualquer tipo de oferenda, ao invés de utilizar alguidares ou terrinas de louça, utilize Ewé Lará (Folhas de Mamona) ou Ewé Agba-o (Folhas de Embaúba). Líquidos podem ser colocados em Ado (pequenas cabaças), ao invés de garrafas ou copos de vidro/plástico.

Dessa forma, você estará contribuindo para a preservação de um bem excessivamente precioso para a nossa religião. Tanto as folhas (mamona e embaúba) como as pequenas cabaças, são elementos que se decompõem de forma muito breve, não trazendo dano algum à natureza, muito pelo contrário. Além disso, não causam riscos às pessoas, como os pedaços de vidros e louças que podem causar ferimentos.

Em uma mata que há tempos não recebe a água das chuvas, uma vela pode causar incêndios. Por isso, é essencial que, a utilização de velas seja restrita ao espaço físico dos Terreiros. Nós somos os verdadeiros guardiões da natureza, por isso, devemos pensar e agir como tal.

Faça a sua parte, conscientize os seus filhos, netos e amigos da religião, para que protejam a nossa natureza. Se você for à mata, rio ou cachoeiras e deparar-se com materiais que degradam os nossos espaços sagrados retire-os jogando-os no lixo.

Em breve, nós do Terreiro de Òsùmàrè, vamos nos reunir para retirar o lixo de um importante espaço sagrado de Salvador (vamos comunicar com antecedência para que todos também possam participar), mas essa iniciativa deve ser multiplicada. Reúna a sua comunidade, escolha uma mata, um rio, uma cachoeira e recolha os materiais como garrafas, plásticos e alguidares. Convoque as pessoas por meio das redes sociais e contribua para a preservação e edificação da magnifica religião dos Òrìsàs. Registre a iniciativa por meio de fotos e nos encaminhe para que possamos divulga-las.

Não se esqueça, cada um de nós possui um importante papal na sociedade!

Que Òsùmàrè, o Pai da nossa Comunidade, cubra cada um com bênçãos e felicidades!

Terreiro de Òsùmàrè

Curso de MITOLOGIA Afro-brasileira

A RoundTable Mitológica Rio de Janeiro, segmento da Joseph Campbell Foundation, através do SESC-RAMOS (RJ) administrará um curso GRATUITO sobre mitologia afro-brasileira, que serão realizados em 4 encontros, começando pelo dia 17/03.

Caso queiram participar, entrem em contato com o SESC Ramos-RJ em horário comercial no número 2290 2305.

Apresentação da Oficina
Mitos são histórias sobre o passado ancestral humano. O fenômeno mitológico é encontrado em cada povo, cultura e nação do planeta, e consiste na dramatização em linguagem lúdica e ficcional dos dramas e condições a que a natureza está submetida. Não é diferente na Ásia, Europa, Oceania, Américas ou África. Cada continente, e cada povo habitante desse continente, possui seu conjunto de mitos e crenças; estas histórias são responsáveis por fundamentar a consciência comunitária, e estabelecer e fomentar entre os indivíduos as suas relações sociais, psicológicas, religiosas, políticas.
Vamos aproximar o tema de outras mitologias e estudos de simbolismo comparado.

Plano da Oficina Mitologia dos Orixás – 2º Módulo

SESC Ramos – RJ – das 15h às 17h

Apresentação

1º Encontro – 17/03/2015
Omulu – O Curador Ferido

2º Encontro – 19/03/2015
Irôko – A Árvore e o Centro do Mundo

3º Encontro – 24/03/2015
Orunmilá – As Figuras do Destino

4º Encontro – 26/03/2015
Iansã – Os 9 Degraus do Círculo

Maiores informações: http://monomito.org/2015/03/08/mitologia-afro/

Orixá Ozun

Orixá Ozun

Ozun é um Orixá que atua como mensageiro de Obatalá, Olofim e Orunmilá, guardião protetor das cabeças e daqueles que creem. É um espirito que nunca cai, sustentando tudo de pé,  o pilar, vida, saúde e mente; se, por infortúnio, cai, é precisa imediatamente fazer-lhe uma oferenda e convocar o seu padrinho de Ifá, para realizar a cerimônia correspondente. O cálice não poderá ser destampado nunca para ver o seu interior – somente o Oluwo possui tal autoridade, pois é ele quem sabe o que ele contém e de onde se origina o suporte nos odús de Ifá destinados para tal fim. Da mesma forma, o osefá para o fechamento do cálice deve ser feito utilizando sinais específicos. Ninguém, em nenhum tipo de cerimônia, poderá abri-lo, nem menos Oriatés, Babalorixás, Iyalorixas. A única coisa que podem lhe dar é Obi.

Há pelo menos duas maneiras de se escrever o nome deste Orixá: Ozun e Ossu. Segundo o Awô Eduardo Miguel Perea, em Cuba a maneira mais usada de se escrever é Ozun.

Ozun ou Ossun,  representa a união entre o aiyé e o orun, ou seja, o mundo material e o céu metafísico habitado por diferentes entidades espirituais.

Ele é  representado por um Galo sobre uma coluna e  que nunca dorme e nunca cai,  sempre se mantém firme e de pé. Este Orixá tem a forma deformada e imperfeita e está ligado  diretamente com Orunmilá e se alimenta das mesmas oferendas de Orunmilá.

O segredo de OZUN- A lenda.

OZUN vivia junto com OLOFIN e este lhe deu a virtude de guardar a saúde de todos os filhos de OLOFIN na Terra. OZUN se pôs no caminho da casa de ORUNMILÁ, vivendo ali como um guardião de ORUNMILÁ e seus filhos.

ORUNMILÁ era caçador e todos os dias pela manhã, quando saía para caçar, se ajoelhava diante OZUN e o rogava e rezava:

OZUN LAYERE NIFA, OSIN TIKI TIKI KASORO SHANGÓ AWÓ OMÓ OSÁ META IRE ARIKÚ.

Então fazia sacrifícios a OZUN e levava ao pé de IGUI MORURO e pegava elese ewé (várias ervas) para ebó misin (banho de ervas).

Em uma dessas vezes que ele foi caçar, seus três filhos aproveitaram a ida de ORUNMILÁ e foram ver, por curiosidade, que coisa OZUN tinha em seu segredo. Ao abrir OZUN, os três morreram.

Quando ORUNMILÁ se deu conta do que tinha acontecido, ORUNMILÁ se ajoelhou e começou a implorar a OZUN para que salvasse seus três filhos. Então ele fez outra oferenda a OZUN cantando:

BABA ILASHÉ BABALASHÉ IBA OZUN

AGAGA LAWN OZUN LAYENIFÁ

Então OZUN devolveu a vida aos três filhos de ORUNMILÁ, mas com a condição de que para abri-lo, teriam que fazer sacrifícios a ele.

No Brasil este Orixá é pouco conhecido. Seu culto está relacionado com o de Orunmilá, mas  cada Orixá pode ter o seu Ozun especifico. Cada um é montado de maneira diferente e com ingredientes específicos,  como o de Mãe Iansã que feito de cobre e que leva nove facões como adorno e o do Pai Omolu que tem como Guardião um cachorro. O Ozun de Obatalá leva ao invés do Galo um Pombo de asas abertas, que lembra a história de Eiye kan, o primeiro pombo que veio reproduzir graças a Ifá. Este pombo passou a chamar-se Eiyele ( no Brasil é chamado de Ilé), simboliza a honra e a autoridade, por este motivo é ali colocado.

O SEGREDO DE OZUN- A lenda.

OZUN vivia junto com OLOFIN e este lhe deu a virtude de guardar a saúde de todos os filhos de OLOFIN na Terra. OZUN se pôs no caminho da casa de ORUNMILÁ, vivendo ali como um guardião de ORUNMILÁ e seus filhos.

ORUNMILÁ era caçador e todos os dias pela manhã, quando saía para caçar, se ajoelhava diante OZUN e o rogava e rezava:

OZUN LAYERE NIFA, OSIN TIKI TIKI KASORO SHANGÓ AWÓ OMÓ OSÁ META IRE ARIKÚ.

Então fazia sacrifícios a OZUN e levava ao pé de IGUI MORURO e pegava elese ewé (várias ervas) para ebó misin (banho de ervas).

Em uma dessas vezes que ele foi caçar, seus três filhos aproveitaram a ida de ORUNMILÁ e foram ver, por curiosidade, que coisa OZUN tinha em seu segredo. Ao abrir OZUN, os três morreram.

Quando ORUNMILÁ se deu conta do que tinha acontecido, ORUNMILÁ se ajoelhou e começou a implorar a OZUN para que salvasse seus três filhos. Então ele fez outra oferenda a OZUN cantando:

BABA ILASHÉ BABALASHÉ IBA OZUN

AGAGA LAWN OZUN LAYENIFÁ

Então OZUN devolveu a vida aos três filhos de ORUNMILÁ, mas com a condição de que para abri-lo, teriam que fazer sacrifícios a ele.

Rio 450, belezas e durezas

 A cidade do Rio de Janeiro comemorou neste domingo 450 anos de fundação por Estácio de Sá, sobrinho do terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá. Cidade de inigualável beleza natural e acolhedora para alguns, mas tem na história a inglória dos maus-tratos aos que considera indesejáveis.

No período das capitanias hereditárias, a orla do Rio, desde Cabo Frio, estava no âmbito de São Vicente. As capitanias não eram propriedades daqueles a quem se entregavam os títulos. Chamados donatários, tinham apenas a concessão de uso da terra que deveriam cultivar e proteger. Este modelo de ocupação possibilitava a retomada da terra improdutiva ou desprotegida.

O centro do Rio é similar à planta de Lisboa. Não fosse a derrubada do Morro do Castelo, teríamos dois ladeando o Paço Imperial, que aqui passou a se chamar Praça 15, mas lá ainda é Paço. Adentrando a cidade aqui temos a Praça Tiradentes, que já foi Largo do Rocio, nome que ainda é ostentado por lá. Mas, em ambas, temos a estátua de D. Pedro, que por aqui foi primeiro e por lá o quarto.

A história da cidade não pode estar dissociada do período que antecede sua fundação. Dez anos antes, franceses fugidos das perseguições religiosas na Europa se estabeleceram onde hoje é a Praia do Flamengo, na foz do Rio Carioca, e também construíram um forte na Ilha de Serigipe, atual Ilha de Villegagnon, que sedia a Escola Naval, atrás do Santos Dumont. Foram dizimados, juntamente com os povos nativos que a eles se aliaram. A união de tribos que lutaram com os franceses ficou conhecida como Confederação dos Tamoios e reunia a nação tupinambá, os guaianazes e os aimorés. Tal reunião fora motivada pelos ataques portugueses que capturavam indígenas para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar na Capitania de São Vicente, a única que prosperou além da de Pernambuco.

Quem passa pelo Aterro e vê a Igreja da Glória, uma das mais belas obras da arquitetura colonial do Brasil, não imagina que tem este nome em decorrência da glória sobre os tamoios. O nome evoca o genocídio dos povos originários, que, recusando a escravização, se aliaram aos protestantes que por aqui buscavam refúgio da intolerância religiosa em seus países de origem.

Uma cidade não é uma abstração. É o conjunto de pessoas que nela se estabelecem. O presente que podemos dar ao Rio em seus 450 anos, reescrevendo a história, pode ser a convivência sem exclusões, indiferenças e a negação de direitos aos ‘indesejáveis’.

Texto: João Batista Damasceno -Doutor em Ciência pela UFF e Juiz de Direito

Não podemos esquecer dos Índios verdadeiros donos dessa terra, a Confederação dos Tamoios, o grande Araribóia. O aniversário da Cidade exclui os Índios do tijuco e a triste cina vivida por eles até hoje, servindo e sendo servido aos interesses, ora como parceiros defensores de sua própria terra, ora como escravos devastando a própria mata carregando o pau brasil.  

A cidade do Rio de Janeiro embora linda e maravilhosa e tão decantada, é e sempre foi, uma abstração total que muitas vezes se escondeu em falsos movimentos sociais de aristocratas duvidosos  e de políticos oportunistas. 

No mais, o Rio de Janeiro continua lindo!

 Fernando D’Osogiyan

 

 

O eterno conflito de geração.

Este (conflito) é muito mais forte em função da liberdade de expressão em todos os níveis e incluiremos o salto tecnológico que esta geração de pais não conseguiu alcançar.

Pais e Filhos, educação e religião.

Um tripé difícil de analisar, mesmo que individualmente.

Ifá fala seriamente sobre o respeito e louvor aos pais. A parte masculina eternamente ligada ao Ará Ợrùn (Ancestrais masculino/Eégúngún) e a parte feminina ligada as Mães Idosas (Ìyàámi), e dito por Ọlódùmarè, que elas são um òrìşà vivo e que todos devemos nos prostrar perante o sexo feminino (Odù Òsétúrá).

A palavra de Deus é um bom tema para reflexão, um tema muito íntimo, onde seu Orí deverá passar algumas horas lhe aconselhando e com certeza serão bons conselhos (ou não).

O texto abaixo fala do respeito devido aos pais e a punição que será entregue em suas mãos pelo próprio Èşù a mando de Ọlódùmarè (Odù Ìká‘fún, onde estão escritas as Leis Sagradas de nossa religião).

A importância da abordagem é importante, pois, ela está ligada diretamente a algo que saiu de moda há muito tempo. A educação esmerada dos filhos. As noções básicas de direito, respeito, hierarquia e vocês podem completar a lista.

Se não tivermos o parágrafo acima, na ‘unha’, não conseguiremos fazer com que pais e mães sejam honrados, eles seram meros pagadores de contas e fornecedores de abrigo e abrigos cada vez mais longevos (os filhos estão demorando a sair de casa).

Não proponho e nem desejo de maneira nenhuma conduzir esta conversa dando palpite sobre a melhor forma de se educar um filho ou a melhor maneira para se criar um filho.

Eu não sou a pessoa indicada.

Creio que o legado de nossa matriz nigeriana seja um pouco mais fértil no modelo educacional social/religioso, não daremos peso a mentes brilhantes e nem formação acadêmica, daremos peso a forma psicológica de educar e conduzir os anos infantis e a puberdade de crianças nascidas em uma família yorùbá.

Veja matéria publicada anteriormente em:

https://ocandomble.wordpress.com/2013/06/27/ifa-e-a-familia-estendida/

Um exemplo bem prático de educação pessoal partiu de uma tribo Africana que teve um de seus jovens pego em flagrante delito.

Ele foi colocado no centro da aldeia e durante dois dias ele ganhou um ‘sabão’ de todos os moradores locais e parentes.

Todos, sem exceção, faziam questão de lembra-lo da pessoa boa que ele era, o que esperavam dele e sua missão de bondade e bom caráter neste mundo.

Todos trabalharam para garantir o resgate deste caráter, que poderia se perder e seria considerado uma derrota para a comunidade.

Um belo exemplo de trabalho em conjunto.

Os primeiros passos tortos, os primeiros deslizes, as primeiras ‘caneladas’, devem ser conversadas/deliberadas a exaustão. A questão do assunto pessoal fez com que os problemas/dúvidas dos filhos não fossem mais discutidos à mesa de almoço/lanche ou jantar. Acabaram com a reunião familiar. Computador, som e televisão. Vídeo game, Cam, instrumentos e ferramentas dos mais variados gostos e preços, fazem com que a distância aumente cada vez mais e se desfaça os laços familiares.

Eu te amo se tornou tão banal, qualquer um diz no Face ou What Zap:

“Eu te amo amiga”.

E algum tempo depois este amor se desfaz. Tornando este sentimento banal e corriqueiro, como é a Diva do Teatro ou a celebridade que fez apenas uma novela, diferente daquela atriz que construiu uma carreira ao longo de meio século para ter o devido reconhecimento.

Hoje tudo é celebridade, diva, te amo e amiga (o).

O texto pode nos levar a pensar que o saco vai encher rapidamente. Porém, educar é encher o saco de alguém. É cobrar postura e atitude de alguém. E incentivar, dar apoio e ajudar a descobrir a coragem escondida em algum lugar no peito de alguém.

Estas obrigações não devem ser transferidas para a professora, para o sacerdote ou para o mago de plantão e livros de autoajuda.

Cansamos de ver pais e mães ligarem para o sacerdote pedindo para ele puxar a orelha do filho que anda fazendo besteira.

Ele deveria ser repreendido dentro de casa, com a autoridade de quem educa, porém, eles acham que o sacerdote tem mais força e poder sobre o seu próprio filho.

Não se deve comprar comportamentos com regalos e presentes, a responsabilidade de um filho não deve ser uma mercadoria para sofrer escambo.

Se você passar no Enem te dou a viagem ou um carro.

O que é melhor, te deixo livre por um mês sem encher o saco e perguntar onde você foi.

As pessoas fazem qualquer coisa para se livrarem da frustração de ver a sua derrota estampada na vida dos filhos.

O sentimento de culpa vai corroer como ferrugem e cupim.

E a velha pergunta virá à tona:

Onde foi que eu errei?

Erramos na educação, na cobrança, em saber dizer não e ter certeza que eles não vão deixar de nos amar por causa disto.

Este apanhado de situações vão descambar, vão descer a ladeira e veremos muitas famílias desequilibradas, pessoas medindo força e impondo a lei do grito ou do mais forte (falo da mão pesada mesmo).

É a síndrome de Ọbàrà ìbì (negativo), impor sua vontade como se fosse um rolo compressor e tome Bori para tentar alinhar as energias e acalmar o agente da negatividade.

E a pessoa sai deste ritual e na primeira semana de descanso volta a querer viver aquela vida de confronto novamente e tudo vai por água abaixo.

O sacerdote leva a culpa, como sempre.

Marmoteiro, não sabe fazer nada, cadê o resultado, gastei uma nota preta e ai…

Nada aconteceu!

É verdade. Umbigo só existe nos outros.

Estes são exemplos de filhos (todos inclusos) que passaram pelo processo de educação social e não conseguiram terminar o ciclo enquanto outros felizmente conseguiram.

Neste momento entra nossa religião que oferece a oportunidade de ouro.

Morrer e renascer!

Quem não gostaria?

E mais, renascer com a sua maturidade, experiência e nível escolar/profissional mantido!

É o céu na terra.

Engano!

Não é o céu na terra.

E o processo mais doloroso que um ser vivo pode experimentar em sua vida, nesta ou em qualquer outra galáxia.

Iniciação não é passaporte para nada!

Assim escreveu um Babalawo:

Toda vez que expandimos a nossa consciência, o velho homem deve morrer e renascer em uma nova e profunda sabedoria.

Deixando de lado o velho homem, deixando de lado velhas ideais, deixando de lado os velhos modos de enxergar o mundo/vida, pode ser difícil e doloroso.

A experiência de viver a vida, no contexto da iniciação, nos dá uma experiência simbólica de mudanças internas e externas que ocorrem a cada vez que expandimos a nossa consciência.

Aqueles que procuram dar um fim às dificuldades, aos conflitos e aos desafios estão buscando o fim desta vida e querem as bênçãos de uma nova vida (pós iniciação).

Na cosmologia de Ifá/Òrìşà, todas as formas de riqueza vêm como resultado da transformação.

Palavras bonitas, mas, não é fácil e você não vai conseguir sozinho. Se não pedir ajuda a pessoas que realmente estejam engajadas e preparadas para lhe ajudar, vai dar ruim!

No Odù Èjì Onilè (Èjì Ogbè) acharemos um verso bem atual:

Iniciamos você nos segredos de Ifá.

Você deve se reiniciar.

Foi assim que Èjì Ogbè (Èjì Onilé) foi iniciado.

Então ele mergulhou na floresta (autoconhecimento).

Iniciamos você nos segredos de Ifá.

Você deve reiniciar-se (você deve mudar sua conduta).

Se você chegar ao topo da palmeira (Igi Òpé).

Não deixe suas mãos soltas (não volte a viver aquela vida de antes).

Èjì Ogbè, o mais elevado de Odù, passou por auto iniciação, mesmo depois de ser levado a floresta sagrada (Igbòdù) para a iniciação (Itelodù), ele mergulhou de volta para a floresta. Este ato mostra que mesmo um iniciado deve voltar para a floresta, a fim de ensinar a si mesmo.

É desta forma que a religião vai ajudar, vai te empurrar em direção a vida e manter o reservatório de energia sempre cheio. Para que você tenha forças para lutar, foco para desenvolver, perseverança para alcançar e humildade para aprender.

Educação para agradecer, conhecimento para repartir e saber que a Verdade é um ponto sagrado e sensível para todos os òrìşà, incluindo nosso Deus/Ọlódùmarè.

O Odù Òsá’túrá nos brinda com uma das máximas de Deus:

Nesta pequena estrofe Ifá nos lembra que mesmo ao atingir nosso auge de entendimento e conhecimento, nossa arrogância deve desaparecer, para que nossa mão não se solte e possamos cair da palmeira.

Òsá Aláwo (Òsá’túrá) diz:

O que é a Verdade?

Eu digo:

O que é a Verdade?

A Verdade é o sacerdote do Ợrùn que protege o mundo.

Òrúnmìlá diz que a Verdade é o espírito que protege o mundo invisível.

A Verdade é o conhecimento que Ọlódùmarè está aplicando.

Òsá Aláwo a questão novamente é:

O que é o certo?

Eu digo:

Que é a Verdade?

Òrúnmìlá disse que a natureza de Òtító é o caráter de Ọlódùmarè

A Verdade é a palavra que não muda.

A Verdade é Ifá (A voz de Deus e todos os ensinamentos legados).

A Verdade é a palavra indestrutível.

A Verdade é o poder sobre todas as atribuições.

A bênção que dura para sempre.

Esta foi a declaração do Ifá aos habitantes da Terra.

Eles sempre foram avisados a fazer a coisa certa.

É preciso ser honesto.

Quem é correto será apoiado pelas divindades.

Àse.

Sobre isto Ogbè-Alárá (Ogbè’Òtúrá) diz e Ợbàtálá nos ensina:

Itọn

Ợbàtálá estava viajando de um lugar ao outro. Ele não conseguia engravidar sua esposa por causa de suas frequentes viagens. Isto o deixava muito triste. No entanto, ele foi ao Áwo para uma consulta com Ifá.

Ele foi aconselhado a oferecer sacrifício.

Ele cumpriu.

Também lhe pediram que levasse sua esposa nas viagens.

Ele também cumpriu.

Quando ele foi para a casa de um de seus amigos chamado Ládùbí, sua esposa ficou grávida.

Ele teve que deixá-la para dar à luz, para que ele continuasse com suas viagens frequentes. A mulher deu à luz a um menino que recebeu o nome de Agbon.

Quando a criança tinha dois anos de idade, Ợbàtálá pediu a sua esposa que o acompanhasse novamente em suas viagens. A esposa concordou. Quando eles foram à beira do rio. Ela deu à luz a outro menino.

Este menino recebeu o nome de Okunkun.

Dois anos depois, a esposa de Ợbàtálá, o seguiu novamente na viagem. Ela mais uma vez ficou grávida e deu à luz a outro bebê masculino que recebeu o nome de Òpé Ìsàgá, e ficou popularmente conhecido como Òpẹ.

Todos estes filhos ainda não estavam bem treinados.

Ợbàtálá deixou de viajar por causa deles. Ele foi residir em Ilè Ifè e lhes deu educação social, moral, espiritual e econômica. A melhor que um pai poderia lhes dar naquele momento. Quando eles se sentiram seguros que os filhos tinham crescido até uma fase madura, eles se casaram e foram morar em suas próprias casas, um após o outro. Quando Ợbàtálá estava seguro que eles poderiam tomar conta deles mesmos, ele continuou com suas viagens.

Ợbàtálá então viajou ao outro lado do oceano, ao alto mar, onde os dezesseis reis viviam (este local está dentro do oceano Atlântico. Esta civilização foi submergida pela água). Isto levou dezesseis anos até ele voltar a Ilè Ifé. Quando ele regressou, seu primeiro porto de parada foi à casa de Agbon. Ợbàtálá foi tratado miseravelmente por seu filho. Ele não lhe ofereceu água, nem comida e nem ao menos foi hospitaleiro com seu pai. Quando a noite chegou, ele pediu ao filho permissão para dormir, o filho lhe negou bruscamente.

Ợbàtálá deixou a casa de Agbon e se dirigiu a casa de Okunkun. Ợbàtálá foi tratado pior ainda. Ợbàtálá foi empurrado para fora de casa, quando já era tarde da noite. Ele então se dirigiu a casa do terceiro filho Òpé-Ìsàgá.

Na casa deste, ele foi muito bem-vindo. Òpé-Ìsàgá acordou a casa inteira para anunciar a chegada de seus pais. Ele lhes deu água fresca para beber, lhes deu comida, água para se banhar e o melhor quarto da casa para eles dormirem. Ợbàtálá estava muito contente com o tratamento que lhe foi dado na casa de Òpé-Ìsàgá

Uma semana depois de sua chegada, Ợbàtálá foi a sua própria casa. Ele se recolheu por dezesseis dias. Durante este período Òpé-Ìsàgá foi o responsável por tudo que seus pais precisaram. No décimo sexto dia Ợbàtálá convocou seus três filhos. Ele perguntou a Agbon por que ele havia lhe tratado daquela maneira tão rude.

Agbon disse que era por que Ợbàtálá não informou sobre sua chegada a tempo e que ele não tinha planos para a chegada deles.

Ợbàtálá perguntou a Òkùnkùn a mesma coisa. Òkùnkùn fez a mesma defesa, que Agbon havia feito. Ợbàtálá perguntou a Ópè-Ìsàgà por que ele preferiu em vez de tudo, cuidar de seus pais.

Ele disse que era responsabilidade de cada filho cuidar de seus pais.

Ợbàtálá então, disse à Agbon que não importa que esforços que se tenha que fazer na vida, ele poderia fazer apenas pentes, mas, nunca poderia produzir mel. Ợbàtálá disse à Òkùnkùn que ele também nunca seria útil a ele ou a qualquer pessoa na vida. Ele disse a Òpé-Ìsàgá que ele seria abençoado em qualquer lugar que fosse e que nenhuma parte de seu corpo seria inútil na vida. Tudo isso veio a acontecer.

Desde esse dia que Agbon (Cocô) não pode mais produzir mel ou ser útil, Òkùnkùn (Trevas) não era útil ao tentar conseguir algo de valor ou que valesse a pena. As piores coisas foram atribuídas a Òkùnkùn. Não haveria uma só parte de Òpẹ-Ìsàgà (Palmeira) que não seja útil, sua raiz serve como combustível, de seu tronco se faz medicina (remédios de Ifá) e pequenas pontes, suas sementes rendem azeite de palma (epo), suas folhas servem como vassoura e a semente também se usa em adivinhação, faz-se também uso para comida animal, combustível e assim sucessivamente.

Ifá diz que a chave do sucesso da pessoa em sua vida, é estar enquadrado junto com seus pais. Se seus pais estiverem contentes com ele, seu sucesso estará garantido.

Por outro lado, se os pais não são bem tratados, não haverá milagre que trará qualquer tipo de êxito a esta pessoa.

É este tripé que deve estar sempre alinhado, digo tripé, pois, aqui falamos para os adeptos/ suplicantes, abìan e iniciados do culto de òrìşà.

É este tripé que deve sofrer investigação e estudo, não podemos simplesmente confiar em nosso taco ou no deles (os filhos).

O respeito a pais e mães deve ter seu lugar especial dentro do caráter de cada um.

Finalizamos com um verso do Odù Èjì Onilè (Èjì Ogbè) que diz:

Eu me comporto como o meu Deus me criou.

Eu sempre faço o bem e também sou honesto.

Eu não faço o mal.

Eu não abrigo maus pensamentos.

Para que eu não morra miseravelmente.

O que nós iniciamos em nossa juventude irá persistir até a velhice.

Estas foram às declarações do oráculo para Òrúnmìlá e os 401 Irùnmolè

Quando vieram do Ợrùn para o Ayè.

Òlódùmarè os instruiu a fazer o bem sempre.

Na estrofe acima é evidente que com bons sentimentos, todos os obstáculos podem ser superados. Somente com estes sentimentos teremos paz de espírito sempre. Por outro lado, aqueles que fazem mal ou abrigam maus pensamentos, certamente vão ter problemas, a menos que comecem o processo de mudança e comecem a se vigiar constantemente. É o doloroso processo de mudança que trará a benção de uma vida abençoada pelo òrìsà, pelo Odù e por Ǫlódùmarè.

Após, termos tomado conhecimento da importância e sacralidade de nossos pais não poderemos mais nos comportar como antes:

Sobre isto o Odù Ọyẹku Ọbàrà diz:

Um rato nunca vai lamber uma melancia estragada e sobreviver

Essa foi à revelação de Ifá para Lásílo

Quem tinha uma ferida na perna esquerda

Porém optou por aplicar a medicação na perna direita

Aquele que acha que tem uma ferida na perna direita

Está enganando a si mesmo

Ire Aláàfià.

Texto de Odé Gbàfáomi

Esè Ifá (Versos de Ifá): Propriedade imaterial da Humanidade.

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