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Rio 450, belezas e durezas

 A cidade do Rio de Janeiro comemorou neste domingo 450 anos de fundação por Estácio de Sá, sobrinho do terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá. Cidade de inigualável beleza natural e acolhedora para alguns, mas tem na história a inglória dos maus-tratos aos que considera indesejáveis.

No período das capitanias hereditárias, a orla do Rio, desde Cabo Frio, estava no âmbito de São Vicente. As capitanias não eram propriedades daqueles a quem se entregavam os títulos. Chamados donatários, tinham apenas a concessão de uso da terra que deveriam cultivar e proteger. Este modelo de ocupação possibilitava a retomada da terra improdutiva ou desprotegida.

O centro do Rio é similar à planta de Lisboa. Não fosse a derrubada do Morro do Castelo, teríamos dois ladeando o Paço Imperial, que aqui passou a se chamar Praça 15, mas lá ainda é Paço. Adentrando a cidade aqui temos a Praça Tiradentes, que já foi Largo do Rocio, nome que ainda é ostentado por lá. Mas, em ambas, temos a estátua de D. Pedro, que por aqui foi primeiro e por lá o quarto.

A história da cidade não pode estar dissociada do período que antecede sua fundação. Dez anos antes, franceses fugidos das perseguições religiosas na Europa se estabeleceram onde hoje é a Praia do Flamengo, na foz do Rio Carioca, e também construíram um forte na Ilha de Serigipe, atual Ilha de Villegagnon, que sedia a Escola Naval, atrás do Santos Dumont. Foram dizimados, juntamente com os povos nativos que a eles se aliaram. A união de tribos que lutaram com os franceses ficou conhecida como Confederação dos Tamoios e reunia a nação tupinambá, os guaianazes e os aimorés. Tal reunião fora motivada pelos ataques portugueses que capturavam indígenas para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar na Capitania de São Vicente, a única que prosperou além da de Pernambuco.

Quem passa pelo Aterro e vê a Igreja da Glória, uma das mais belas obras da arquitetura colonial do Brasil, não imagina que tem este nome em decorrência da glória sobre os tamoios. O nome evoca o genocídio dos povos originários, que, recusando a escravização, se aliaram aos protestantes que por aqui buscavam refúgio da intolerância religiosa em seus países de origem.

Uma cidade não é uma abstração. É o conjunto de pessoas que nela se estabelecem. O presente que podemos dar ao Rio em seus 450 anos, reescrevendo a história, pode ser a convivência sem exclusões, indiferenças e a negação de direitos aos ‘indesejáveis’.

Texto: João Batista Damasceno -Doutor em Ciência pela UFF e Juiz de Direito

Não podemos esquecer dos Índios verdadeiros donos dessa terra, a Confederação dos Tamoios, o grande Araribóia. O aniversário da Cidade exclui os Índios do tijuco e a triste cina vivida por eles até hoje, servindo e sendo servido aos interesses, ora como parceiros defensores de sua própria terra, ora como escravos devastando a própria mata carregando o pau brasil.  

A cidade do Rio de Janeiro embora linda e maravilhosa e tão decantada, é e sempre foi, uma abstração total que muitas vezes se escondeu em falsos movimentos sociais de aristocratas duvidosos  e de políticos oportunistas. 

No mais, o Rio de Janeiro continua lindo!

 Fernando D’Osogiyan

 

 

O eterno conflito de geração.

Este (conflito) é muito mais forte em função da liberdade de expressão em todos os níveis e incluiremos o salto tecnológico que esta geração de pais não conseguiu alcançar.

Pais e Filhos, educação e religião.

Um tripé difícil de analisar, mesmo que individualmente.

Ifá fala seriamente sobre o respeito e louvor aos pais. A parte masculina eternamente ligada ao Ará Ợrùn (Ancestrais masculino/Eégúngún) e a parte feminina ligada as Mães Idosas (Ìyàámi), e dito por Ọlódùmarè, que elas são um òrìşà vivo e que todos devemos nos prostrar perante o sexo feminino (Odù Òsétúrá).

A palavra de Deus é um bom tema para reflexão, um tema muito íntimo, onde seu Orí deverá passar algumas horas lhe aconselhando e com certeza serão bons conselhos (ou não).

O texto abaixo fala do respeito devido aos pais e a punição que será entregue em suas mãos pelo próprio Èşù a mando de Ọlódùmarè (Odù Ìká‘fún, onde estão escritas as Leis Sagradas de nossa religião).

A importância da abordagem é importante, pois, ela está ligada diretamente a algo que saiu de moda há muito tempo. A educação esmerada dos filhos. As noções básicas de direito, respeito, hierarquia e vocês podem completar a lista.

Se não tivermos o parágrafo acima, na ‘unha’, não conseguiremos fazer com que pais e mães sejam honrados, eles seram meros pagadores de contas e fornecedores de abrigo e abrigos cada vez mais longevos (os filhos estão demorando a sair de casa).

Não proponho e nem desejo de maneira nenhuma conduzir esta conversa dando palpite sobre a melhor forma de se educar um filho ou a melhor maneira para se criar um filho.

Eu não sou a pessoa indicada.

Creio que o legado de nossa matriz nigeriana seja um pouco mais fértil no modelo educacional social/religioso, não daremos peso a mentes brilhantes e nem formação acadêmica, daremos peso a forma psicológica de educar e conduzir os anos infantis e a puberdade de crianças nascidas em uma família yorùbá.

Veja matéria publicada anteriormente em:

https://ocandomble.wordpress.com/2013/06/27/ifa-e-a-familia-estendida/

Um exemplo bem prático de educação pessoal partiu de uma tribo Africana que teve um de seus jovens pego em flagrante delito.

Ele foi colocado no centro da aldeia e durante dois dias ele ganhou um ‘sabão’ de todos os moradores locais e parentes.

Todos, sem exceção, faziam questão de lembra-lo da pessoa boa que ele era, o que esperavam dele e sua missão de bondade e bom caráter neste mundo.

Todos trabalharam para garantir o resgate deste caráter, que poderia se perder e seria considerado uma derrota para a comunidade.

Um belo exemplo de trabalho em conjunto.

Os primeiros passos tortos, os primeiros deslizes, as primeiras ‘caneladas’, devem ser conversadas/deliberadas a exaustão. A questão do assunto pessoal fez com que os problemas/dúvidas dos filhos não fossem mais discutidos à mesa de almoço/lanche ou jantar. Acabaram com a reunião familiar. Computador, som e televisão. Vídeo game, Cam, instrumentos e ferramentas dos mais variados gostos e preços, fazem com que a distância aumente cada vez mais e se desfaça os laços familiares.

Eu te amo se tornou tão banal, qualquer um diz no Face ou What Zap:

“Eu te amo amiga”.

E algum tempo depois este amor se desfaz. Tornando este sentimento banal e corriqueiro, como é a Diva do Teatro ou a celebridade que fez apenas uma novela, diferente daquela atriz que construiu uma carreira ao longo de meio século para ter o devido reconhecimento.

Hoje tudo é celebridade, diva, te amo e amiga (o).

O texto pode nos levar a pensar que o saco vai encher rapidamente. Porém, educar é encher o saco de alguém. É cobrar postura e atitude de alguém. E incentivar, dar apoio e ajudar a descobrir a coragem escondida em algum lugar no peito de alguém.

Estas obrigações não devem ser transferidas para a professora, para o sacerdote ou para o mago de plantão e livros de autoajuda.

Cansamos de ver pais e mães ligarem para o sacerdote pedindo para ele puxar a orelha do filho que anda fazendo besteira.

Ele deveria ser repreendido dentro de casa, com a autoridade de quem educa, porém, eles acham que o sacerdote tem mais força e poder sobre o seu próprio filho.

Não se deve comprar comportamentos com regalos e presentes, a responsabilidade de um filho não deve ser uma mercadoria para sofrer escambo.

Se você passar no Enem te dou a viagem ou um carro.

O que é melhor, te deixo livre por um mês sem encher o saco e perguntar onde você foi.

As pessoas fazem qualquer coisa para se livrarem da frustração de ver a sua derrota estampada na vida dos filhos.

O sentimento de culpa vai corroer como ferrugem e cupim.

E a velha pergunta virá à tona:

Onde foi que eu errei?

Erramos na educação, na cobrança, em saber dizer não e ter certeza que eles não vão deixar de nos amar por causa disto.

Este apanhado de situações vão descambar, vão descer a ladeira e veremos muitas famílias desequilibradas, pessoas medindo força e impondo a lei do grito ou do mais forte (falo da mão pesada mesmo).

É a síndrome de Ọbàrà ìbì (negativo), impor sua vontade como se fosse um rolo compressor e tome Bori para tentar alinhar as energias e acalmar o agente da negatividade.

E a pessoa sai deste ritual e na primeira semana de descanso volta a querer viver aquela vida de confronto novamente e tudo vai por água abaixo.

O sacerdote leva a culpa, como sempre.

Marmoteiro, não sabe fazer nada, cadê o resultado, gastei uma nota preta e ai…

Nada aconteceu!

É verdade. Umbigo só existe nos outros.

Estes são exemplos de filhos (todos inclusos) que passaram pelo processo de educação social e não conseguiram terminar o ciclo enquanto outros felizmente conseguiram.

Neste momento entra nossa religião que oferece a oportunidade de ouro.

Morrer e renascer!

Quem não gostaria?

E mais, renascer com a sua maturidade, experiência e nível escolar/profissional mantido!

É o céu na terra.

Engano!

Não é o céu na terra.

E o processo mais doloroso que um ser vivo pode experimentar em sua vida, nesta ou em qualquer outra galáxia.

Iniciação não é passaporte para nada!

Assim escreveu um Babalawo:

Toda vez que expandimos a nossa consciência, o velho homem deve morrer e renascer em uma nova e profunda sabedoria.

Deixando de lado o velho homem, deixando de lado velhas ideais, deixando de lado os velhos modos de enxergar o mundo/vida, pode ser difícil e doloroso.

A experiência de viver a vida, no contexto da iniciação, nos dá uma experiência simbólica de mudanças internas e externas que ocorrem a cada vez que expandimos a nossa consciência.

Aqueles que procuram dar um fim às dificuldades, aos conflitos e aos desafios estão buscando o fim desta vida e querem as bênçãos de uma nova vida (pós iniciação).

Na cosmologia de Ifá/Òrìşà, todas as formas de riqueza vêm como resultado da transformação.

Palavras bonitas, mas, não é fácil e você não vai conseguir sozinho. Se não pedir ajuda a pessoas que realmente estejam engajadas e preparadas para lhe ajudar, vai dar ruim!

No Odù Èjì Onilè (Èjì Ogbè) acharemos um verso bem atual:

Iniciamos você nos segredos de Ifá.

Você deve se reiniciar.

Foi assim que Èjì Ogbè (Èjì Onilé) foi iniciado.

Então ele mergulhou na floresta (autoconhecimento).

Iniciamos você nos segredos de Ifá.

Você deve reiniciar-se (você deve mudar sua conduta).

Se você chegar ao topo da palmeira (Igi Òpé).

Não deixe suas mãos soltas (não volte a viver aquela vida de antes).

Èjì Ogbè, o mais elevado de Odù, passou por auto iniciação, mesmo depois de ser levado a floresta sagrada (Igbòdù) para a iniciação (Itelodù), ele mergulhou de volta para a floresta. Este ato mostra que mesmo um iniciado deve voltar para a floresta, a fim de ensinar a si mesmo.

É desta forma que a religião vai ajudar, vai te empurrar em direção a vida e manter o reservatório de energia sempre cheio. Para que você tenha forças para lutar, foco para desenvolver, perseverança para alcançar e humildade para aprender.

Educação para agradecer, conhecimento para repartir e saber que a Verdade é um ponto sagrado e sensível para todos os òrìşà, incluindo nosso Deus/Ọlódùmarè.

O Odù Òsá’túrá nos brinda com uma das máximas de Deus:

Nesta pequena estrofe Ifá nos lembra que mesmo ao atingir nosso auge de entendimento e conhecimento, nossa arrogância deve desaparecer, para que nossa mão não se solte e possamos cair da palmeira.

Òsá Aláwo (Òsá’túrá) diz:

O que é a Verdade?

Eu digo:

O que é a Verdade?

A Verdade é o sacerdote do Ợrùn que protege o mundo.

Òrúnmìlá diz que a Verdade é o espírito que protege o mundo invisível.

A Verdade é o conhecimento que Ọlódùmarè está aplicando.

Òsá Aláwo a questão novamente é:

O que é o certo?

Eu digo:

Que é a Verdade?

Òrúnmìlá disse que a natureza de Òtító é o caráter de Ọlódùmarè

A Verdade é a palavra que não muda.

A Verdade é Ifá (A voz de Deus e todos os ensinamentos legados).

A Verdade é a palavra indestrutível.

A Verdade é o poder sobre todas as atribuições.

A bênção que dura para sempre.

Esta foi a declaração do Ifá aos habitantes da Terra.

Eles sempre foram avisados a fazer a coisa certa.

É preciso ser honesto.

Quem é correto será apoiado pelas divindades.

Àse.

Sobre isto Ogbè-Alárá (Ogbè’Òtúrá) diz e Ợbàtálá nos ensina:

Itọn

Ợbàtálá estava viajando de um lugar ao outro. Ele não conseguia engravidar sua esposa por causa de suas frequentes viagens. Isto o deixava muito triste. No entanto, ele foi ao Áwo para uma consulta com Ifá.

Ele foi aconselhado a oferecer sacrifício.

Ele cumpriu.

Também lhe pediram que levasse sua esposa nas viagens.

Ele também cumpriu.

Quando ele foi para a casa de um de seus amigos chamado Ládùbí, sua esposa ficou grávida.

Ele teve que deixá-la para dar à luz, para que ele continuasse com suas viagens frequentes. A mulher deu à luz a um menino que recebeu o nome de Agbon.

Quando a criança tinha dois anos de idade, Ợbàtálá pediu a sua esposa que o acompanhasse novamente em suas viagens. A esposa concordou. Quando eles foram à beira do rio. Ela deu à luz a outro menino.

Este menino recebeu o nome de Okunkun.

Dois anos depois, a esposa de Ợbàtálá, o seguiu novamente na viagem. Ela mais uma vez ficou grávida e deu à luz a outro bebê masculino que recebeu o nome de Òpé Ìsàgá, e ficou popularmente conhecido como Òpẹ.

Todos estes filhos ainda não estavam bem treinados.

Ợbàtálá deixou de viajar por causa deles. Ele foi residir em Ilè Ifè e lhes deu educação social, moral, espiritual e econômica. A melhor que um pai poderia lhes dar naquele momento. Quando eles se sentiram seguros que os filhos tinham crescido até uma fase madura, eles se casaram e foram morar em suas próprias casas, um após o outro. Quando Ợbàtálá estava seguro que eles poderiam tomar conta deles mesmos, ele continuou com suas viagens.

Ợbàtálá então viajou ao outro lado do oceano, ao alto mar, onde os dezesseis reis viviam (este local está dentro do oceano Atlântico. Esta civilização foi submergida pela água). Isto levou dezesseis anos até ele voltar a Ilè Ifé. Quando ele regressou, seu primeiro porto de parada foi à casa de Agbon. Ợbàtálá foi tratado miseravelmente por seu filho. Ele não lhe ofereceu água, nem comida e nem ao menos foi hospitaleiro com seu pai. Quando a noite chegou, ele pediu ao filho permissão para dormir, o filho lhe negou bruscamente.

Ợbàtálá deixou a casa de Agbon e se dirigiu a casa de Okunkun. Ợbàtálá foi tratado pior ainda. Ợbàtálá foi empurrado para fora de casa, quando já era tarde da noite. Ele então se dirigiu a casa do terceiro filho Òpé-Ìsàgá.

Na casa deste, ele foi muito bem-vindo. Òpé-Ìsàgá acordou a casa inteira para anunciar a chegada de seus pais. Ele lhes deu água fresca para beber, lhes deu comida, água para se banhar e o melhor quarto da casa para eles dormirem. Ợbàtálá estava muito contente com o tratamento que lhe foi dado na casa de Òpé-Ìsàgá

Uma semana depois de sua chegada, Ợbàtálá foi a sua própria casa. Ele se recolheu por dezesseis dias. Durante este período Òpé-Ìsàgá foi o responsável por tudo que seus pais precisaram. No décimo sexto dia Ợbàtálá convocou seus três filhos. Ele perguntou a Agbon por que ele havia lhe tratado daquela maneira tão rude.

Agbon disse que era por que Ợbàtálá não informou sobre sua chegada a tempo e que ele não tinha planos para a chegada deles.

Ợbàtálá perguntou a Òkùnkùn a mesma coisa. Òkùnkùn fez a mesma defesa, que Agbon havia feito. Ợbàtálá perguntou a Ópè-Ìsàgà por que ele preferiu em vez de tudo, cuidar de seus pais.

Ele disse que era responsabilidade de cada filho cuidar de seus pais.

Ợbàtálá então, disse à Agbon que não importa que esforços que se tenha que fazer na vida, ele poderia fazer apenas pentes, mas, nunca poderia produzir mel. Ợbàtálá disse à Òkùnkùn que ele também nunca seria útil a ele ou a qualquer pessoa na vida. Ele disse a Òpé-Ìsàgá que ele seria abençoado em qualquer lugar que fosse e que nenhuma parte de seu corpo seria inútil na vida. Tudo isso veio a acontecer.

Desde esse dia que Agbon (Cocô) não pode mais produzir mel ou ser útil, Òkùnkùn (Trevas) não era útil ao tentar conseguir algo de valor ou que valesse a pena. As piores coisas foram atribuídas a Òkùnkùn. Não haveria uma só parte de Òpẹ-Ìsàgà (Palmeira) que não seja útil, sua raiz serve como combustível, de seu tronco se faz medicina (remédios de Ifá) e pequenas pontes, suas sementes rendem azeite de palma (epo), suas folhas servem como vassoura e a semente também se usa em adivinhação, faz-se também uso para comida animal, combustível e assim sucessivamente.

Ifá diz que a chave do sucesso da pessoa em sua vida, é estar enquadrado junto com seus pais. Se seus pais estiverem contentes com ele, seu sucesso estará garantido.

Por outro lado, se os pais não são bem tratados, não haverá milagre que trará qualquer tipo de êxito a esta pessoa.

É este tripé que deve estar sempre alinhado, digo tripé, pois, aqui falamos para os adeptos/ suplicantes, abìan e iniciados do culto de òrìşà.

É este tripé que deve sofrer investigação e estudo, não podemos simplesmente confiar em nosso taco ou no deles (os filhos).

O respeito a pais e mães deve ter seu lugar especial dentro do caráter de cada um.

Finalizamos com um verso do Odù Èjì Onilè (Èjì Ogbè) que diz:

Eu me comporto como o meu Deus me criou.

Eu sempre faço o bem e também sou honesto.

Eu não faço o mal.

Eu não abrigo maus pensamentos.

Para que eu não morra miseravelmente.

O que nós iniciamos em nossa juventude irá persistir até a velhice.

Estas foram às declarações do oráculo para Òrúnmìlá e os 401 Irùnmolè

Quando vieram do Ợrùn para o Ayè.

Òlódùmarè os instruiu a fazer o bem sempre.

Na estrofe acima é evidente que com bons sentimentos, todos os obstáculos podem ser superados. Somente com estes sentimentos teremos paz de espírito sempre. Por outro lado, aqueles que fazem mal ou abrigam maus pensamentos, certamente vão ter problemas, a menos que comecem o processo de mudança e comecem a se vigiar constantemente. É o doloroso processo de mudança que trará a benção de uma vida abençoada pelo òrìsà, pelo Odù e por Ǫlódùmarè.

Após, termos tomado conhecimento da importância e sacralidade de nossos pais não poderemos mais nos comportar como antes:

Sobre isto o Odù Ọyẹku Ọbàrà diz:

Um rato nunca vai lamber uma melancia estragada e sobreviver

Essa foi à revelação de Ifá para Lásílo

Quem tinha uma ferida na perna esquerda

Porém optou por aplicar a medicação na perna direita

Aquele que acha que tem uma ferida na perna direita

Está enganando a si mesmo

Ire Aláàfià.

Texto de Odé Gbàfáomi

Esè Ifá (Versos de Ifá): Propriedade imaterial da Humanidade.

O que é mediunidade?

Mediunidade é a faculdade humana pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos. É uma faculdade natural, inerente a todo ser humano, por isso, não é privilégio de ninguém. Em diferentes graus e tipos, todos a possuimos. O que ocorre é que, em certos indivíduos mais sensíveis à influência espiritual, a mediunidade se apresenta de forma mais ostensiva, enquanto que, em outros, ela se manifesta em níveis mais sutis.

A mediunidade é, pois, a faculdade natural que permite sentir e transmitir a influência dos espíritos, ensejando o intercâmbio e a comunicação entre o mundo físico e o espiritual. Trata-se de uma sintonia entre os encarnados (vivos) e os desencarnados (mortos), permitindo uma percepção de pensamentos, vontades e sentimentos. O Espiritismo vê a mediunidade como uma oportunidade de servir, de praticar a caridade, sendo uma benção de Deus que faculta manter o contato com a vida espiritual. Graças ao intercâmbio, podemos ter aqui não apenas a certeza da sobrevivência da vida após a morte, mas também o equilíbrio para resgatarmos com proficiência os “débitos”, ou seja, desajustes adquiridos em encarnações anteriores.

É graças à mediunidade que o homem tem a antevisão de seu futuro espiritual e, ao mesmo tempo, o relato daqueles que o precederam na viagem de volta à erraticidade, trazendo informes de segurança, diretrizes de equilíbrio e a oportunidade de refazer o caminho pelas lições que absorve do contato mantido com os desencarnados. Assim, possui uma finalidade de alta importância, porque é graças a ela que o homem se conscientiza de suas responsabilidades de espírito imortal.

Sendo inerente ao ser humano, a mediunidade pode aparecer em qualquer pessoa, independentemente da doutrina religiosa que abrace. A história revela grandes médiuns em todas as épocas e todos os credos. Além disso, a mediunidade não depende de lugar, idade, sexo ou condição social e moral.

A ação dos espíritos

Diz a questão 459 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec: “Os espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações? A este respeito, sua influência é maior do que podeis imaginar. Muitas vezes, são eles que vos dirigem”.

A idéia da ação dos espíritos não nasceu com o Espiritismo, já que sempre existiu desde as épocas mais remotas da vida humana na Terra. Todas as religiões pregam sobre a ação dos espíritos de forma direta ou indireta e nenhuma nega completamente estas intervenções. Inclusive, criaram dogmas e cerimônias relativas a elas, como promessas (pedir alguma forma de ajuda para um espírito em troca de um sacrifício) e exorcismos (cerimônia religiosa para afastar o “demônio” ou os espíritos maus).

A ação mediúnica não está limitada às sessões, vivemos mediunicamente entre dois mundos e em relação permanente com entidades espirituais. Isto se dá porque muitos espíritos povoam os mesmos espaços em que vivemos, muitas vezes nos acompanhando em nossas atividades e ocupações, indo conosco aos lugares que freqüentamos, seguindo-nos ou evitando-nos conforme os atraimos ou repelimos.

Estamos cercados por espíritos e sua influência oculta sobre os nossos pensamentos e atos se faz sentir pelo grau de afinidade que mantivermos com eles. Inúmeros espíritos benfeitores também se comunicam conosco, por via inspirativa ou intuitiva, todas as vezes em que nos dispomos a ser úteis aos nossos irmãos em nossa vida social. Quantas vezes um conselho sensato e oportuno que damos sob a intuição de um benfeitor espiritual consegue mudar o rumo de uma vida e até, em certos casos, salvar ou evitar que uma família inteira seja precipitada no abismo de uma desgraça? O amor verdadeiro e desinteressado não requer lugar nem hora especial para ser praticado, pois o nosso mundo, com o sofrimento da humanidade torturada, é igualmente um vasto campo de serviço redentor.

Entretanto, não julguemos que a mediunidade nos foi concedida para um simples passatempo ou para a satisfação de nossos caprichos. Ela é coisa séria e, possuindo-a, devemos procurar suavizar os sofrimentos alheios. Ao desenvolvermos a mediunidade, lembremo-nos de que ela nos é dada como um arrimo para conseguirmos mais facilmente a perfeição, para liquidarmos mais suavemente os pesados “débitos” que contraímos em existências passadas e para servirmos de guia aos irmãos que se encontram mais desajustados espiritualmente.

Mediunidade em desarmonia

Existem alguns sinais mais freqüentes do aparecimento da mediunidade em desarmonia, que são: cérebro perturbado, sensação de peso na cabeça e ombros, nervosismo (ficamos irritados por motivos sem importância), desassossego, insônia, arrepios (como se percebêssemos passar alguma coisa fria), sensação de cansaço geral, calor (como se encostássemos em algo quente), falta de ânimo para o trabalho e profunda tristeza. Precisamos usar nosso bom senso para percebermos com clareza se os sintomas acima citados são frutos de uma obsessão espiritual, indicando uma mediunidade desequilibrada, ou o resultado de uma auto-obsessão, um desequilíbrio nosso mesmo, gerando neuroses e outros tipos de distúrbios. Muitas vezes, a ajuda de um psicólogo, de preferência espírita ou espiritualista, é necessária.

Mas o que o médium deve fazer nestes momentos de alterações emocionais? Todo iniciante, a fim de evitar inconvenientes na prática mediúnica, primeiramente deve se dedicar ao indispensável estudo prévio da teoria e jamais se considerar dispensado de qualquer instrução, já que poderá ser vítima de mil ciladas que os espíritos mentirosos preparam para lhe explorar a presunção.

Junto com o conhecimento teórico, o médium deve procurar desdobrar a percepção psíquica sem qualquer receio ou temor. Na orientação do desenvolvimento mediúnico, é importante que ele procure as instruções espíritas, para evitar percalços e dissabores. É aconselhável o desenvolvimento mediúnico em grupos especialmente formados para isto, pois pessoas bem orientadas, que se reúnem com uma intenção comum, formam um ambiente coletivo bem favorável ao intercâmbio. É importante também que o médium jamais abuse da mediunidade, empregando-a para a satisfação da curiosidade.

Reforma Íntima – o fundamental

Educar e desenvolver a mediunidade é aprender a usá-la. Para que sejamos bem-sucedidos, devemos cultivar virtudes como a bondade, a paciência, a perseverança, a boa vontade, a humildade e a sinceridade. A mediunidade não se desenvolve de um dia para o outro, por isso, devemos ter muita paciência. Sem perseverança, nada se alcança, pois o desenvolvimento exige que sejamos sempre persistentes. Ter boa vontade é comparecer às sessões espíritas com alegria e muita satisfação. A humildade é a virtude pela qual reconhecemos que tudo vem de Deus e, se faltarmos com a sinceridade no desempenho de nossas funções mediúnicas, mais cedo ou mais tarde sofreremos decepções.

Ensinamentos é que não faltam em todas as circunstâncias de manifestações da vida. A faculdade mediúnica em harmonia pode fazer grandes coisas. A educação pode começar no simples modo de falar aos outros, transmitindo brandura, alegria, amor e caridade em todos os atos da vida.

A mediunidade se desenvolve naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para a captação mental e sensorial de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca, o qual nos afeta com suas vibrações psíquicas e afetivas. Da mesma forma que a inteligência e as demais faculdades humanas, a mediunidade se desenvolve no processo de relação.

Quando a mediunidade aflorar sem um preparo prévio do médium, é preciso orientá-lo para que os fenômenos se disciplinem e ele empregue acertadamente sua faculdade. Não se deve colocar em trabalho mediúnico aqueles que apresentam perturbações ou que possuam desconhecimento sobre o assunto. Primeiramente, é preciso ajudar a pessoa a se equilibrar no aspecto psíquico, através de passes, vibrações e esclarecimentos doutrinários.

É fundamental que o médium busque sua reforma íntima com sinceridade. Através de uma compreensão maior acerca da vida, despertando sentimentos como compaixão, respeito, humildade etc, e da prática da caridade, seremos, com certeza, instrumentos do Amor Universal. O médium também precisa ser amigo do estudo e da boa leitura, além de moderado. Por fim, deve sempre cultivar a oração diária, pois ela é um poderoso fortificante espiritual e um benéfico exercício de higiene mental.

Muito diferente da Umbanda , no Candomblé a palavra médium não é usada , pois entendemos os Orixás como espíritos da natureza, forças sobrenaturais que, independente de religião, credo e cultura, entende-se que todo ser humano tem seu Orixá.  Esse conjunto de energias que está invisivelmente ao nosso redor, dispõe-se  gratuitamente ao nosso alcance, cabe-nos  despojarmos  e estar atento para os sinais que nos são enviados por Orunmilá. Quando o Orixá nos escolhe,  cabe-nos a necessidade voluntária de  dispor-nos a sua vontade, o livre arbítrio fica à prova. O importante é seguir os sinais e entender que existem: dogma, liturgia, e teologia,  como princípios básicos em nossa religião.

Texto: Revista Cristã de Espiritismo/ Fernando D’Osogiyan

Aves Sagradas

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As Aves Sagradas do Candomblé

O Candomblé é uma religião que tem na natureza a base para a sua sobrevivência. Para nós, existem muitos animais que são sagrados e venerados. Hoje vamos falar sobre das 7 mais importantes aves do Culto ao Orisa. Aves que possuem prestígio inigualável, frente as demais: Agbe, Aluko, Lekeleke, Odidere, Akoko, Agbufon e Opere.

Uma antiga história yorùbá, diz que Olodunmare Eleda Ohun Gbogbo, o criador de todas as coisas, disse que 06 pássaros seriam primordiais, inigualáveis e de prestígio inquestionável no Aye. Disse que esses pássaros seriam respeitados como as próprias Divindades.

Os Adivinhos queriam saber quais seriam os pássaros e o que os diferenciariam dos demais. Olodunmare disse que esses pássaros seriam transformadores de Asè, ele disse que esses pássaros carregariam o próprio Asè. Mas como eles seriam detentores de Asè, como eles carregariam o Asè?

Olodunmare então chamou o pássaro Agbe e disse: Agbé você será detentor de Asè, você carregará em seu corpo o próprio Asè. Agbé questionou o que deveria fazer. Você deverá banhar sua plumagem no Aro. Agbe o fez, ganhou beleza e passou a receber honrarias. Agbé agora é um primordial inigualável.

Mas, ainda faltavam 05 pássaros. Olodunmare então chamou o pássaro Aluko e disse: Aluko você será detentor de Asè, você carregará em seu corpo o próprio Asè. Aluko questionou o que deveria fazer. Você deverá banhar sua plumagem no Osun. Aluko o fez, ganhou beleza e passou a receber honrarias. Aluko agora é um primordial inigualável.

Mas, ainda faltavam 04 pássaros. Olodunmare então chamou o pássaro Odidere e disse: Odidere você será detentor de Asè, você carregará em seu corpo o próprio Asè. Odidere questionou o que deveria fazer. Você deverá banhar sua plumagem no Epo Pupa. Odidere o fez, ganhou beleza e passou a receber honrarias. Odidere agora é um primordial inigualável.

Mas, ainda faltavam 03 pássaros. Olodunmare então chamou o pássaro Lekeleke e disse: Lekeleke você será detentor de Asè, você carregará em seu corpo o próprio Asè. Lekeleke questionou o que deveria fazer. Você deverá banhar sua plumagem no Efun. Lekeleke o fez, ganhou beleza e passou a receber honrarias. Lekeleke agora é um primordial inigualável.

Mas, ainda faltavam 02 pássaros. Olodunmare então chamou o pássaro Akoko e disse: Akoko você será detentor de Asè, você carregará em seu corpo o próprio Asè. Akoko questionou o que deveria fazer. Você poderá usar a coroa vermelha. Akoko vestiu a coroa, ganhou beleza e passou a receber honrarias. Akoko agora é um primordial inigualável.

Mas, ainda faltava 01 pássaro. Olodunmare então chamou o pássaro Agbufon e disse: Agbufon você será detentor de Asè, você carregará em seu corpo o próprio Asè. Agbufon questionou o que deveria fazer. Você receberá a outra coroa. Agbufon vestiu a coroa, ganhou beleza e passou a receber honrarias. Agbufon agora é um primordial inigualável.

Depois disso, Olodunmare disse que nenhuma outra ave seria inigualável e de prestígio inquestionável no Aye. Mas havia outro pássaro, que não parava de reclamar, ele queria ser inigualável e de prestígio, esse pássaro era Opere. Olodunmare então disse que cortassem a cauda de Opeere e que isso o diferenciaria dos demais, uma cauda muito curta.

Assim, essas 7 aves tornaram-se importantes no culto ao Orisa, sendo veneradas. Em outras oportunidades, abordaremos outras aves também muito importantes, como Adaba, Akalamagbo, Tangalá, entre outras.

Que Osumare Araka continue olhando e abençoando todos!

Èwé Akòkó

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A árvore do Akoko é uma das mais importantes e sagradas do culto aos Deuses Africanos.

A folha do Akoko chegou ao Brasil por meio dos africanos que aqui aportaram e perpetuaram a sua cultura. Seu nome científico é Newboldia Laevis. Embora não seja uma árvore nativa do nosso País, é comum encontrar árvores de Akoko nos Terreiros de Candomblé do Brasil, sendo que suas folhas e tronco são indispensáveis para a nossa religião.

As folhas de Akoko são tão importantes, que são utilizadas para consagrar os títulos honoríficos e religiosos que os seguidores do Candomblé recebem. Uma antiga cantiga yorùbá, versa que não há título sem Akoko. Em outra cantiga diz que a consagração do título ocorre por meio das folhas de Akoko (Akoko Ewe Oye Akoko, Ewe Oye Ni….). Outra cantiga fala da ligação da sagrada ave Agbe com a árvore de Akoko, explicando a ligação dela com os títulos.

As folhas de Akoko são utilizadas em diversos rituais, bem como, o seu tronco. Os seus galhos possuem uma forte ligação com os ancestrais, uma cantiga discorre sobre isso “Olorun Olopa….”. Nesse caso, “Olopá” faz alusão aos galhos consagrados de Akoko para os ancestrais.

Há ainda, Divindades que moram aos pés dessa árvore. Na África, por exemplo, existem assentamentos de Ògún, o Deus Guerreiro, aos pés dessa árvore.

Não podemos aqui, falar sobre todas as utilidades da Árvore, Folhas, Tronco e Galhos do Akoko, mas, à exemplo do Igi Ope (Dendezeiro) é uma árvore que no Candomblé, todas as suas partes possuem uma importante função.

O Terreiro de Òsùmàrè espera ter contribuído um pouco, para o esclarecimento dos temas relacionados ao nosso Candomblé.

Nasce o termo Ìyàwò

O Odù Ogbè’Ògúndá revela:

Iton:

Ìyà era a filha de Oníwòó o rei de Ìwò. Ela era muito bonita e trabalhadora. Ela era muito querida por Oníwòó. No entanto, Oníwòó resolveu ativar sua opção de um companheiro para ela. Oníwòó queria se assegurar que qualquer um que quisesse casar com sua filha deveria ser paciente e não deveria perder o controle facilmente. Ele colocou a provo todos os pretendentes de sua filha e todos falharam. Òrúnmìlá então foi a alguns de seus estudantes para consultar Ifá e determinar se ele se casaria ou não com a filha de Oníwòó e também quis saber se a relação seria frutífera e feliz para os dois. Os estudantes o asseguraram que seria muito bom se ele entrasse neste projeto. No entanto ele foi aconselhado a ser muito paciente e não perder o controle. Ele estava informado que os pais de Ìyà colocariam muitas provas em seu caminho para determinar o nível e o tamanho de sua paciência. Então ele foi aconselhado a oferecer um galo, epo e dinheiro (tanto ele/a devem realizar ritual para Ifá com dois ratos, peixe e dinheiro). Ele cumpriu sua tarefa.

Quando Òrúnmìlá chegou ao palácio de Oníwòó, ele foi recebido calorosamente e foi convidado a ir para seu quarto dormir. Desconhecido de Òrúnmìlá o quarto era uma pocilga dos porcos de Oníwòó. Acima dele era onde as galinhas de Oníwòó ficavam. Òrúnmìlá foi mantido dentro deste quarto sem comida e sem água. Ele fedia muito e as galinhas defecavam sobre o seu corpo. Ele não saiu de seu quarto, não pediu comida ou água ele não pediu para tomar banho e limpar seu corpo.

No quarto dia, Oníwòó chamou Òrúnmìlá ao palácio, quando se apresentou ele estava completamente coberto de fezes e fedia terrivelmente. Ele perguntou se Òrúnmìlá havia desfrutado de sua estadia no seu quarto. Òrúnmìlá disse que o quarto era como se fosse um segundo palácio para ele. Ele pediu para Òrúnmìlá trocar de quarto e ficasse ao lado da cozinha, ele estava se afogando no calor e na fumaça.

Ele permaneceu no quarto durante outros três dias sem comida ou bebida, no quarto dia ele foi convidado para ir ao palácio na presença de Oníwòó. Oníwòó lhe perguntou se ele havia desfrutado de sua estadia no novo quarto. Òrúnmìlá disse que o quarto era muito agradável. Oníwòó pediu que Òrúnmìlá fosse alimentado pela primeira vez. Ele comeu da comida do rei.

O próximo quarto dado a ele estava cheio de água rançosa, vermes e insetos, ele não pôde dormir durante três dias e quando chegou o quarto dia pediram-lhe para deixar o quarto, ele tinha muitas picadas de inseto por todo seu corpo. Quando Oníwòó lhe perguntou se ele havia desfrutado sua estadia no novo quarto Òrúnmìlá respondeu afirmativamente.

Durante três meses Òrúnmìlá estava passando prova em cima de prova. Ele suportou tudo sem queixa. Os próximos três meses foram provas físicas, como reduzir árvores imensas, limpar grandes extensões de terra e carregar cargas pesadas por longas distancias de um lugar ao outro. Ele fez tudo sem queixa.

Depois disto Oníwòó convocou Òrúnmìlá para encontrá-lo, tomar um banho e trocar de roupa (presente do rei). Antes que ele fosse até a corte do palácio, ele descobriu que em todos os lugares as pessoas estavam muito felizes por ele e havia um clima festivo.

Todos estavam cantando, dançando e festejando. Oníwòó pediu a Òrúnmìlá que se sentasse ao seu lado, ele fez. Oníwòó entregou a mão de Ìyà como esposa de Òrúnmìlá. Oníwòó louvou a paciência de Òrúnmìlá e gentileza ao longo de todas as provas por que passou. Ele então pediu a Òrúnmìlá para cuidar de Ìyà, já que havia se mostrado capaz de tomar conta de uma mulher.

Òrúnmìlá estava cheio de alegria, ele havia tido êxito onde muitos haviam falhado. Ele então disse aos seus estudantes que todas as mulheres que se casassem com um homem e passassem a viver debaixo de sua capa deveria ser chamada de Ìyà-Ìwo ou Ìyàwò (o sofrimento de Ìwo). Ele chamou sua nova Ìyà-Ìwo de Èrè (os ganhos para o sofrimento do povo de Ìwo). Todos eles e também seu chefe.

Depois deste dia todas as noivas se tornaram conhecidas como Ìyàwò.

A raiva não é frutífera

Paciência é o pai do bom caráter

O ser superior possui tudo

Estas foram às declarações do oráculo de Òrúnmìlá

Quando ele ia buscar a mão de Ìyà (sofrimento).

A filha de Oníwòó (rei de Ìwò)

Ele foi aconselhado a oferecer sacrifício

Ele cumpriu.

Logo depois, não muito tempo depois.

Encontremo-nos em meio a todo iré

O sofrimento que Òrúnmìlá experimentou em Ìwó

Não merece pena.

Olhem minha Ìyàwò (o prêmio pelo sofrimento de Ìwó).

Ire Aláàfià;

Coletado em Ifá Dida 2.

Oluwo Popoola

Tradução Odé Gbàfáomi

Òdí’Ìrètè – Ìdin’Ìrẹtẹ – Idin-Amileke (Nomes deste Odù) diz:

Itọn:

Nos tempos em viagens missionárias de Ọrúnmìlá a terra yorùbá de Ọșogbo, ele se encontrou com Òşún. Ọrúnmìlá encontrou Òşún através de Alárè Ountoto que era o Baàlè (o chefe dos pagamentos) antes de se tornar conhecido em Ọșogbo. Ifá disse que Alárè Ountoto convidou Ọrúnmìlá para adivinhação e trabalhos espirituais.

Neste momento Alárè consultou Ifá através de Ọrúnmìlá para a paz, bem estar e tranquilidade de pagamentos. A divinação de Ọrúnmìlá ia descrever o ebo necessário para Alárè Ountoto. Ele manteve os rituais para o ebo. O ebo foi devidamente feito. Como esperado, as orações de Ọrúnmìlá se inflaram e as coisas mudaram para melhor em Ọșogbo.

Ọrúnmìlá ainda estava na casa de Alárè Ountoto quando Òşún ouviu falar dele e foi visitá-lo. Chegando a casa, Òşún consultou Ifá. Ọrúnmìlá lhe disse que seu problema era a falta de filhos e que a posse de seu marido e amor foi conseguida com inúmeros encantos e feitiços e isto era a causa da falta de filhos. Ọrúnmìlá disse à Òşún que para ter filhos ela deve deixar seu marido, Okokoro. Entretanto Okokoro era muito poderoso e organizava o pagamento de Ifá, Okokoro tem muitos encantos potentes e muitos feitiços para serem usados.

Òşún estava desesperada por filhos, ela estava preparada para assumir qualquer risco, mesmo que isto envolvesse a ira de seu marido. Òşún teve determinação para enganar seu marido. No entanto, enquanto ela estava pensando sobre as mensagens de Ifá, ela estava ao mesmo tempo cheia de admiração por Ọrúnmìlá. Ela decidiu propor amizade a ele. Ela disse à Ọrúnmìlá que havia gostado muito dele e propôs ser sua amante. Ọrúnmìlá concordou. As coisas começaram a acontecer. Alguns meses de aventura amorosa e Òşún engravidou, não de seu marido, mas de Ọrúnmìlá.

A gravidez de Òşún era muito inquietante para seu marido Okokoro. Antes disso, Okokoro recebeu informações e muitas dicas sobre o que se passava entre sua esposa Òşún e Ọrúnmìlá. Como resultado desta gravidez ele decidiu desafiar Ọrúnmìlá para uma luta.

Okokoro estava seguro de seus poderes, encantos e magias. E que a figura de Ọrúnmìlá não seria problema por que tudo que ele precisava fazer seria lançar todos os feitiços e magias fortes em Ọrúnmìlá.

Durante o tempo das ameaças de Okokoro, Ọrúnmìlá havia deixado Ọșogbo para ir a outro lugar de acordo com seu trabalho missionário.

Quando Alárè Ountoto quis fazer nova consulta a Ifá, ele mandou aviso para Ọrúnmìlá, no entanto, antes de partir de Ọșogbo, ele já havia ouvido falar das más intenções de Okokoro contra ele. Típico de Ọrúnmìlá, ele estava tranquilo.

Quando chegou a Ọșogbo, como de costume, ele ficou na casa de Alárè Ountoto. A notícia de sua chegada espalhou-se rapidamente. Como um morador da cidade Okokoro ouviu a notícia e foi ao encontro de Ọrúnmìlá. Ele encontrou Ọrúnmìlá. Ele desafiou Ọrúnmìlá para uma luta, porém, encontrou uma parede de pedra. O fato de Ọrúnmìlá nem demostrar que sua presença era importante o enfureceu e ele não perdeu tempo soltando seus feitiços perigosos em Ọrúnmìlá. As magias e feitiços que foram lançadas por Okokoro tornaram Ọrúnmìlá mais forte, porém, ele seguiu lançando.

Inicialmente Ọrúnmìlá estava calmo e tranquilo, quando Okokoro começou a se enfurecer, porém, quando ficou claro que Okokoro não venceria, Ọrúnmìlá determinou a ele parar com a luta e ao mesmo tempo ele o transformava em um rio. Okokoro imediatamente foi transformado em um rio. Este rio tornou-se conhecido como Odò Okokoro. Odò Okokoro é um rio muito conhecido em Ọșogbo. A transformação misteriosa de Okokoro em rio significava que Òşún estava livre dele. Assim ela propôs casamento a Ọrúnmìlá. Ọrúnmìlá aceitou e eles se casaram. Òşún deu muitos filhos a Ọrúnmìlá em Ọșogbo. O local onde Ọrúnmìlá e Òşún tiveram seu primeiro contato físico, mais tarde, foi designado como um local sagrado.

É conhecido como Idi Òşún, o centro de um igbà de Òşún. Este local, Idi Òşún, ainda mantém este nome em Ọșogbo.

Embora Ọrúnmìlá tivesse família em Ọșogbo, ele não estava ligado a esta terra. Ele continuou seu roteiro de trabalho missionário que o levou para fora de Ọșogbo e muitos outros lugares e povos em sua missão curativa.

Uma coisa era certa, de tempos em tempos ele estava em Ọșogbo, ele sempre enchia Òşún com medicamentos especiais de Ifá para que ela administra-se em seus numerosos clientes enquanto ele estava longe. Ọrúnmìlá sempre se assegurava que as medicinas (remédios) seriam suficientes até seu retorno a Ọșogbo. Estas medicinas especiais de Ifá normalmente eram em forma de agbo (chá medicinal, que também pode ser chamado de uma invenção nativa ou uma bebida). O uso deste agbo: bebida, banho ou guarda bênçãos.

O lugar designado para fazer este agbo se chamou Idi Oru e agora é um local sagrado em Ọșogbo.

O agbo que Ọrúnmìlá preparou para Òşún era particularmente muito poderoso e hábil para vários trabalhos de cura, durante sua ausência deste povoado. Este poder de cura trouxe Òşún para o foco, que sua proeza espiritual era sempre o assunto da cidade.

O reconhecimento do povo por Òşún foi trazido por Ọrúnmìlá que agregou respeito, por que as pessoas sabiam que seu poder e fama vieram pela graça especial de Ọrúnmìlá.

No entanto, enquanto a maioria dos cidadãos adorava Ọrúnmìlá e esperava ansiosamente sua próxima visita ao povoado, os Adahunse (Espiritualistas, clarividentes, os leitores de mão, herbalista e outros nesta linha) o odiavam. Seu ódio por Ọrúnmìlá vinha dele fazer com que todos do povoado viessem até ele para adivinhação e sanar seus problemas físico-espirituais, sempre que ele visitava Ọșogbo.

Em vez de trabalhar para melhorar os seus difíceis serviços espirituais e ganhar o respeito do povo, os Adahunse culpavam Ọrúnmìlá pela lentidão em seus ganhos sempre que Ọrúnmìlá visitava o povoado. Eles viram Ọrúnmìlá como uma grave ameaça a seus negócios. Conscientes de suas limitações espirituais, os Adahunse não poderiam se confrontar com Ọrúnmìlá por que ele superaria seus parcos poderes. Pior ainda, eles perceberam que qualquer confronto seria suicídio. Consequentemente eles marcaram uma reunião para decidir o que fazer com ele. Os Adahunse consideraram muitas opções, para adotar um plano contra Ọrúnmìlá fora de Ọșogbo, na próxima visita que ele fizesse.

Eles não poderiam fazer isto sozinho, eles precisariam da ajuda do Baàlè (o cabeça dos pagamentos). Felizmente para eles, Ọrúnmìlá sempre se alojou na casa do Baàlè e foi a ele que recorreram. Os Adahunse foram a Alárè Ountoto, seu Baàlè e contaram muitas histórias falsas sobre Ọrúnmìlá. Eles disseram que ele era muito imprudente em continuar a convidar Ọrúnmìlá para vir em Ọșogbo. Ao final da longa narrativa, eles persuadiram o Baàlè a dizer a Ọrúnmìlá que da próxima vez que viesse a Ọșogbo sua presença não era mais benvinda. Alárè Ountoto estava de acordo e lhe prometeu sua plena cooperação.

Uma vez mais era hora e tempo de Ọrúnmìlá visitar Ọșogbo. Quando ele chegou à cidade, ele foi direto, como de costume, aos aposentos do Alárè Ountoto. Alárè Ountoto não poderia mandar Ọrúnmìlá voltar imediatamente sendo ele querido por tanta gente. Devido a sua boa amizade ele permitiu que ele passasse a noite em sua casa. De acordo com sua promessa, sem demora, ele foi até Ọrúnmìlá muito cedo na manhã seguinte e lhe disse que seus serviços não eram mais necessários e que ele deveria deixar sua casa e o povoado imediatamente. Ọrúnmìlá lhe pediu uma explicação para sua súbita decisão de mandá-lo embora de seus aposentos e da cidade. Ele disse que não tinha nenhuma explicação para lhe dar ou outra maneira de lhe falar que o queria fora de seus aposentos e da cidade. Sem argumento ou mais alguma informação Ọrúnmìlá arrumou suas coisas que eram basicamente seu adorno de Ifá e os colocou em seu Àmininjekun apo (sacola sagrada de Ifá). Entretanto ele decidiu pagar as pessoas com sua própria moeda antes de ir.

Ele pegou seu Òsòòrò Òpá (osun Ifá / Ifá pessoal) e o apontou para o òrun.

No momento em que fez isto, um eclipse súbito se apoderou do povoado inteiro e cada espirito vivo foi dormir imediatamente. Ọrúnmìlá amaldiçoou a cidade pela plenitude do seu tratamento ingrato e injusto para com ele através de seu Baàlè, Alárè Ountoto. Ele deixou a cidade e foi para outro lugar.

Òşún foi a primeira pessoa a ver os sentidos da esquerda de Ọrúnmìlá. Òşún olhou em volta e ficou assustada com o que viu.

Ela rapidamente supôs que uma calamidade havia se sobrepujado sobre a cidade. Ela também sabia que o que aconteceu estava acima de seus poderes, ela precisava mirar o òrun.

Porém, ela precisava mandar alguém chamar Ọrúnmìlá. Para fazer isso significava que ela teria que recorrer a seus escravos. Ela trabalhou freneticamente com alguns deles, porém, apenas um se prontificou. Ela se alegrou com o êxito por que ela não precisaria usar os escravos de Alárè Ountoto, ela ficou feliz em saber que não era a única pessoa acordada em toda a cidade. Ela enviou seu escravo aos aposentos do Alárè para ver Ọrúnmìlá. Como um vento ele correu até os aposentos do Alárè, porém, voltou para dizer a Òşún que Ọrúnmìlá já havia partido. Òşún supôs imediatamente que o fenômeno antinatural que ocorreu era um tipo de punição para alguma coisa que o povo da cidade tivesse feito. Ela também supôs que somente Ọrúnmìlá poderia controlar a situação. Correndo contra o tempo, Òşún correu em perseguição a Ọrúnmìlá e rastreava seu caminho pelas trilhas. Entre andar rápido e correr, Òşún alcançou Ọrúnmìlá no ponto em que ela estava para cruzar a fronteira de Ọșogbo para outro povoado. Ela se agarrou a Ọrúnmìlá e lhe disse que ela não permitiria que ele partisse sem que dissesse o que havia acontecido de errado. Ọrúnmìlá lhe disse que alguns Adahunse ficaram contra ele e ficou surpreendido com o conluio do Alárè Ountoto com eles. Ele concluiu que se os filhos e as pessoas queriam os Adahunse para eles, eles deveriam cuidar do que havia ocorrido com o povo. Òşún concluiu que Ọrúnmìlá era o único que poderia desfazer a calamidade. Ela começou rogando o perdão em nome de seu povo. Ela rogou e rogou.

Logo depois, Ọrúnmìlá rendeu-se e disse que antes dele reverter à maldição, o povo necessitava proporcionar eku, ejá e eran ao ìgbà que deveria ser: 200 eku, 200 bagres defumados e 200 cabras e muitas outras coisas como ebo para a expiação de sua falta de respeito com Ifá. Rapidamente todos os elementos ritualísticos foram proporcionados.

Ọrúnmìlá perdoou as pessoas de Ọșogbo e reverteu a maldição. Além disso, ele orou para Ọșogbo e seu povo. Com grande remorso as pessoas rogaram e persuadiram Ọrúnmìlá a regressar com eles ao povoado, porém Ọrúnmìlá se negou a ir. Ele lhes disse que tudo estaria em ordem e o povo estaria também salvo, de fato ele fez as pessoas experimentarem um pouco do ódio que os Adahunse sentiram dele como um lembrete. Ele disse que Ọșogbo seria uma ótima cidade, mas teria que lidar com o problema do ódio que nasce na inveja. Com este pedido Ọrúnmìlá partiu para Ilè Ifè e deixou Òşún cuidando de Ọșogbo.

Tão misteriosamente como o súbito eclipse que as pessoas experimentaram, segue crescendo na terra o local onde Ọrúnmìlá e Òşún resistiram inesperadamente. Òşún olha para baixo e pede a nação dela para explicar a água misteriosa de Ọrúnmìlá. Ọrúnmìlá lhe disse que ele acostumou a água a lavar a maldição que ele havia colocado no povo muito tempo atrás e que ele havia quitado esta dívida com o ebo que foi realizado. A água crescente logo se tornou um riacho, O riacho foi nomeado Odò Ikin-tu-okun (Ikin Ifá-Solta a corda).

O significado profundo de Ikin-tun-Okun é:

Ifá lava as negatividades e impurezas das pessoas.

Odò Ikin-tu-okun é muito conhecido como Odò Akintokun em Ọșogbo.

Este riacho é agora um riacho sagrado onde os Áwo de Ọșogbo realizam rituais.

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Importante!

Esta história sobre a relação de Ọrúnmìlá e Òşún nunca deverá ser usada fora de contexto.

Ọrúnmìlá é colocado na posição de condição humana, coisa que é feita na maioria dos relatos de suas histórias.

Por: Oluwo Solagbade Popoợlà

Os Itọn e Esè do Corpus Literário de Ifá pertencem a humanidade (Unesco).

Tradução Odé Gbàfáomi.

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