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O ritual do Ajere tem como fundamento principal a disputa entre Yánsán e Ṣàngó pelo dom do uso do fogo.

Ajere é especificamente o nome da própria panela na qual se faz o ritual. Ela é repleta de buracos, por toda parte, por onde escapam línguas de fogo.

Ìtón (mito) resumido:

Ṣàngó sempre em busca de novas formas de poder bélico para controlar e dominar seus adversários, enviou um mensageiro a Èṣù solicitando que este lhe fizesse uma magia para que Ṣàngó passasse a ter domínio sobre o fogo (inọ́n). Èṣù aceitou a encomenda com duas condições, uma que ele deveria receber um cabrito como sacrifício e outra que a esposa de Ṣàngó, Ọya, deveria ser a portadora da magia.

Dias depois, já feito o sacrifício para Èṣù, Ọya foi até ele para buscar o poder produzido. Èṣù entregou a Ọya uma pequena cabaça enrolada em folhas sagradas, ewé ọ̀gbọ́, dizendo-lhe que tivesse cuidado no transporte da poção e que não a abrisse. Ọya, muito curiosa, abriu o pacote e viu que dentro da cabaça havia um líquido muito vermelho e dele tomou um pouco. Nada aconteceu e ela seguiu para o palácio do Aláàfin de Ọ̀yọ́. Ao chegar e entregar o pacote ao ọba, da boca de Ọya saíram faíscas de fogo e Ṣàngó então percebeu que ela havia experimentado um pouco da poção mágica. Ṣàngó ficou enfurecido e Ọya fugiu de sua ira.

Ṣàngó, por sua vez, retirou-se para uma montanha e lá tomou todo o líquido que havia na cabaça e este líquido o fez espirrar. O ọba viu sair de sua boca e de suas narinas imensas labaredas e percebeu que dali em diante seria o dono do poder sobre o fogo, o que o tronava mais poderoso do que nunca.

É nesta perspectiva que se dá o ritual do Ajere, numa representação da disputa do fogo entre esses dois Òrìṣà.

O ritual:

Uma panela de barro repleta de brasas é trazida na cabeça por Ọya que em meio ao toque do àlúja dança e a entrega a Ṣàngó que após dançar com ela, devolve a Ọya novamente  sucessivamente. No fim, é Ṣàngó quem termina com a panela de fogo simbolizando que o poder do fogo é dele.

Ṣàngó sai novamente distribuindo entre fieis o Àmàlà, comida feita com quiabos, camarão, azeite de dendê, dentre outros ingredientes, ao som do seguinte cântico:

 

Yorubá:                    

Àjàká  máa  bẹ̀  ká  wòóo

Àjàká  máa  bẹ̀  ká  wòóo

A e bàbá  Àjàká máa bẹ̀ ká wòóo

 

Pronúncia:

Ajacá mabé cauô

Ajacá mabé cauô

Aê babá, Ajacá mabé cauô

Tradução:

Àjàká não implora nem mesmo ao poderoso Ṣàngó

Àjàká não implora nem mesmo ao poderoso Ṣàngó

Nosso pai Àjàká não implora nem mesmo ao poderoso Ṣàngó

Àṣẹ!

Texto: Bàbá Gill Sampaio Ominirò – Prof. Antropólogo
Última foto, Roger Cipó © Olhar de um Cipó –

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São os Orixás protetores dos gêmeos, na mitologia Yorubá são filhos de Xangô com Oyá e foram criados por Oxun. Os Yorubás acreditam que era Kéhìndé quem mandava Táíwò supervisionar o mundo, onde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho cada gêmeo é representado por uma imagem, os Yorubás colocam oferendas diante de suas imagens para invocar a benevolência dos Ibéjì.
Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em honra a Ibéjì. O animal tradicionalmente associado a Ibéjìi é o macaco kolobo polykomos ou kolobo, que é acompanhado por uma grande lenda mística entre os africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio na copa das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, dai eles serem considerados por vários povos como o mensageiro dos Deuses ou tendo a habilidade de escutar os Deuses.
Ibéjì, o único Orixá permanentemente duplo, aproxima-se de Exu pelo  seu comportamento arquetípico independente. É formado por duas entidades distintas e sua função básica é indicar a contradição, os opostos que coexistem. A ele é associado a tudo o que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano ou ìyàwó.
Ibéjì gosta bolos, balas, frutas,doces, brinquedos, farofa de Ibéjì, franguinhos de leite. Tudo que se dá para Ibéjì é duplo, até mesmo para abrir um obí tem que ser dois. Na sua liturgia não se pode esquecer do Exú que os acompanham, ele sempre terá que ser o primeiro.
Mostram um temperamento infantil, brincalhão, sorridentes, irrequietas, de muita energia nervosa.  São muito cativantes e carinhosos, com uma sensibilidade  à flor da pele; por isso mesmo, magoam-se com facilidade, exageram as contrariedades e agressões que recebem e se deixam levar por mal-entendidos.
Existe muitos mitos sobre Ibéjì em seu culto no Brasil, mas, em algumas cidades na Nigéria seu culto é òrò àsírí, está ligado ao nascimento de um filho, com oferendas anuais e muita festa.
Ibéjì é fundamental numa Casa de candomblé Ketu/Nagô!
Ibéjì tem relação com Ègbé Arágbò e Ègbé Orún e kóreo ou Kóri,  com os Àbíkús e as Ìyámìs Òsòròngá, com Òsàlá na vida e na morte.
Por tudo isso, não se iniciam pessoas para este Orixá, porém existem pessoas deste Orixá, havendo assim a interveniência de Oyá.
Ibéjì Orò mi!
.
Ádurà Ibejì
Igbà Órìsà
(Orixá eu te saúdo)
Órìsà Ibéjì
(Orixá Ibeji)
Dakùn dabó, ma jékì a rì Ikù Omodé,
(Não permita que haja a morte de crianças)
Ma jékì a rì Ikù agbà,
(Não permita que haja a morte de adultos)
Enitì ó bì, máà jékì ó sokùn,
(Quem tem para não chorar)
Máà jékì a kù Ikù airotélé,
(Não deixe acontecer a morte imprevista)
Fun mi lowó latì sé nkan gbógbó,
(Me dê dinheiro para minhas necessidades)
Iwó ti só alakisà di alasó, jowó só akisà mi di asó,
(Você que torna o pobre rico, me torne rico)
Iwó to ti essè mejé ji bé silé alakisà, jowó bé silé mi,
(Você que entrou na casa do pobre, peço entre na minha)
Órìsà Ibéjì, pelé ó,
(Orixá Ibéjì eu te saúdo)
Ejiré àra isokùn,
(Ejirê de Issokun)
Jowó só mi di oloró.
(Peço, me torne próspero).
Orìkí fún Ibéjì
B’eji B’eji’re
B’eji B’eji’la
B’eji B’ejiwo
Igbá omo ire
Axé
Orìkí para Ibeji
Dar a luz aos gêmeos traz fortuna boa
Dar a luz aos gêmeos traz abundância
Dar a luz aos gêmeos traz dinheiro
Saudar as crianças das coisas boas
Axé
fonte: obakeloje.webs.com/oxumlogumeibeji.htm
fonte: Fernando D’Osogiyan

ÈSÙ O MAIS CONTROVERTÍVEL DOS ORIXÁS

Contam os nagôs igbómìnàs que, em tempos passados, sempre ao entardecer, Èsù, entoando um cântico, dirigia-se a um próspero mercado do vilarejo do reino dos igbómìnàs. Lá ao chegar, sentava-se em uma cadeira ou às vezes ficava de pé, alegrando, cantando, entretendo, distraindo, induzindo a clientela a fazer apostas em jogos e contando histórias em troca de uma refeição e um trago de aguardente, conforme combinado com o dono do mercado (Olójà).

Le ró o, le ró o otí l’ayò

Le ró o, le ró o oti l’ayó

“O indolente (Èsù) com a sua astúcia bebe alegremente sua aguardente” (tradução livre)

Com o passar dos meses, o comerciante, julgando já estar com uma clientela fixa, expulsou Èsù do seu estabelecimento comercial. Magoado com a desfeita, uma vez que as pessoas se acercavam do mercado unicamente por sua causa, Èsù atravessou a rua indo sentar-se numa cadeira que estava em frente ao outro empório, que por sinal estava a falir.

Durante o período em que ali ficou sentado, Èsù observou que nenhum cliente dali se aproximava, ao oposto do outro mercado de onde tinha sido expulso, que era um entrar e sair constantes. Decidido a vingar-se da ofensa feita a sua pessoa, Èsù dirigiu-se ao mercador falido (Onisòwo onígbèsè) e lhe propôs reerguer seu estabelecimento. O mercador falido retrucou dizendo-lhe: ‘Como poderei pagar-lhe tal beneficio?’ Èsù respondeu-lhe: ‘Permitindo que eu venha beber e comer graciosamente todas as noites em seu estabelecimento’. ‘Está combinado. Dou-lhe minha palavra’, disse o mercador.

Èsù, após o trato, continuou sentado na cadeira do mercado falido até o início do alvorecer do dia seguinte. Tão logo o dia começou a raiar, o ardiloso Èsù, portando uma cabaça serrada ao meio (igbá) com mel de abelha em seu interior, dirigiu-se ao mercado de onde havia sido expulso, entoando o seguinte cântico:

‘Olooyin, Olooyin o![1]

Olooyin , Olooyion o!

Èsù mõmo ayinrarè

Olooyin, Olooyin o!’

‘Dono do mel de abelha,

Dono do mel de abelha, eu o saúdo!

Èsù, sábio, vaidoso.

Dono do mel de abelha, eu te saúdo!’. Tradução livre.

Ao chegar no mercado próspero, Èsù entoando um cântico , derramou em frente ao mesmo um pouco do mel de abelha. Em seguida, retornou lentamente ao mercado de onde tinha vindo, espalhando pelo chão em sua direção o restante do mel de abelha. Quando Èsù chegou ao término do seu pretexto, o dia já havia clareado totalmente. Incontinente, sentou-se em uma cadeira à entrada do mercado falido e ficou observando os primeiros fregueses chegarem ao estabelecimento comercial, que ele havia tornado próspero e de lá tinha sido expulso.

Rapidamente, formou-se uma aglomeração na porta do estabelecimento, pois um dos fregueses percebeu o líquido espesso derramado na porta do mesmo. Imediatamente, um a um dos clientes resolveu seguir o indício deixado pelo líquido. Tal como Èsù planejou, o mel derramado levou todos os fregueses para o mercado de onde ele sentado os aguardava.

Ao chegarem ao local, depararam com Èsù e nunca mais deixaram de frequentar aquele estabelecimento, que se tornou próspero em curto espaço de tempo. E assim, todas as noites, após beber e comer graciosamente, Èsù cantava alegre e satisfeito para todos os que pernoitavam e gastavam dinheiro naquele empório. E quando se despedia ao alvorecer, todos os presentes o saudavam cantando alegremente:

Ogõgóro ngo Laróyè (Èsù o!)

Ogõgóro ngo Laróyè’.

‘Saudemos Èsù, o intérprete de todos os idiomas!

Ele gosta (ou ele quer) de aguardente feita do dendezeiro’ Tradução livre.

Ressalva: A narrativa em questão esclarece a semelhança do ser humano com o Òrìsà Èsù que, com todas as suas atribulações, contradições e procedimentos, procura jogar as cartas que possui, sempre usando de estratagemas, na esperança de ganhar todas as partidas. Ratifica também que, quando tratamos bem o nosso semelhante, queremos ser bem tratados. Todavia, em algumas vezes, os fatos não são uniformes. A associação em questão faz crer na constante renovação da vida, que se transforma sem cessar, fazendo com que a mesma muitas das vezes deixe de ser uniforme [2].

Notas:

1 – “Olooyin, Olooyin o! Olooyin, Olooyin o!”“ Ojúmomo oyin báre Olooyin, Olooyin o!”(“Dono do mel de abelha, Dono do mel de abelha, eu te saúdo! O dia vem raiando, o mel de abelha trará bons relacionamentos. Dono do mel de abelha, eu te saúdo!”).

2 – Em hipótese alguma, esta narrativa demonstra ou ratifica que os filhos do Òrìsà Èsù devam viver pelos bares em troca de bebida ou comida.

Bibliográfica: ( PENNA, Antonio dos Santos – “Mérìndilogun Kawrí” – “Os Dezesseis Búzios” – Paginas 148 e 149 – Produção Independente – Ano 2009 (Edição Revista e Ampliada) – ISBN 978-85-902226-4-4.

Amparado pela lei L 9.610 de direitos autorais. Proibido a cópia total ou parcial dos textos por qualquer meio, seja para uso privado ou público, com ou sem fins lucrativos sem a autorização prévia do autor.Foto: Internet.

A Natureza do Odù em Ifá

Ajerè Ifá

Ajerè Ifá

Muitas pessoas definem Odù como os símbolos físicos usados para marcar os sinais recebidos durante o processo de adivinhação.
Outros equiparam Odù com os versos associados a cada símbolo que fazem parte do corpo divinatório do Corpus de Ifá. Embora ambos os elementos revelem uma pequena parte de Odù, o maior mistério está muito abaixo da superfície.
Os Odù são os símbolos sagrados que seguram o àse (potência / força vital) de tudo na existência. Eles são mapas holísticos que traçam o movimento dinâmico da energia e identificam as forças mais primitivas do mundo natural. Os Odù são mandalas transcendentais que marcam as energias ativas e inativas de uma situação com precisão surpreendente.
Tudo o que foi, é ou será, nasce através de Odù, incluindo o Òrìsá e seu àse sagrado.
As manifestações variadas do Céu e da Terra nascem através do Odù e é através desses mesmos caminhos sagrados que eles serão devolvidos para o vazio primordial. Odù governam os ciclos da natureza e as areias do tempo. Eles são as energias cósmicas do tecido da criação da própria vida!
Como pontos brilhantes de luz posicionados em torno da circunferência do Universo, Odù são as estrelas de cuja emanação sagrada, mundos nascem. Eles são o sangue e os ossos de nossa existência natural e sobrenatural.
Odù é a pronunciação oracular dos espíritos, a sabedoria divina de todos aqueles que vieram antes e os que ainda têm de nascer.
Desinibido de espaço e tempo, Odù é o idioma original dos antepassados e dos Òrìşà. Eles são a voz pura da divindade que se expressa na perfeição binária absoluta. Odù segura às respostas a todas as questões da vida e coletivamente, eles se tornam a bússola eterna que direciona e redireciona uma pessoa em sua jornada. Odù carrega palavras de bênçãos, mas também carregam advertências e avisos. Eles revelam as forças obscurecidas da vista e traduzem os padrões de cinética (processo natural de envelhecimento) do espírito em ritmos tangíveis de comunicação.
Servindo como nexo de toda a criação. Odù são pontos de entrada física universal e saída metafísica do mesmo.
Estas forças sagradas são os cordões umbilicais que nutrem e sustentam toda a atividade multidimensional e movimento.
Os Odù estão vivenciando entidades senescentes (processo de envelhecimento), envolvidas na interação potente e constante com as suas criações.
Eles estão interligados e são repositórios de grande força espiritual, que representam a dança infinita de criação e destruição.
O masculino e o feminino, claro e escuro, yin e yang, tal é a natureza de Odù. Os sinais físicos que representam Odù são as chaves do esqueleto simbólico de um universo antigo, um mundo que é o útero do qual toda a vida surgiu. É através destes portais que invocamos o eco do coração do universo e são respondidos pelos espíritos.
Eles são parecidos com antenas espirituais, capazes de transmitir energias que manipulam e modulam a realidade no micro e os níveis do macrocosmo. Eles são notavelmente frequências precisas de energia que revigoram e também negam essas coisas que caem sob os seus auspícios.
Odù governa o nascimento de um recém-nascido e a morte de uma pessoa idosa, as marés e a corrida do leito do rio que seca.
A chuva leve que traz frescor, o furacão que leva a destruição, a chama que ilumina, as explosões são encontradas dentro do Odù e as grandes oportunidades também. Odù veste o sorriso da alegria e solta o grito de angústia na face. O sol em seu zênite ao meio-dia e a lua que ilumina suavemente a paisagem da noite são os filhos de Odù. As forças carismáticas de atração e repulsão são dadas através da licença dos Odù.
A descida do espírito na matéria e sua transfiguração e ascensão, sua eventual caminhada na estrada são mapeadas pelo Odù.
Todas as doenças e suas curas são descobertas através destes seres sagrados. Odù governa o momento da fecundação, o período crítico da gestação, o ato do nascimento e a chamada inevitável da morte.
Odù marca as células dentro de nossos corpos e o espaço entre estas células e o espaço entre os espaços. Odù são as manifestações do fogo, da luz, do vazio e a atração magnética sufocante do Buraco Negro.
Odù são constelações sagradas, os satélites da sabedoria imortal, o impacto da maquinação cósmica do universo e os passos diminutos do indivíduo.
Odù dá luz ao dia, tão certo como o faz a noite.
Em um sentido mais microcósmico, Odù dá origem ao sucesso e traz o fracasso. A capacidade de avançar ou a impossibilidade de manifestação está enraizada no Odù.
Relacionamentos são formados e dissolvidos através destas energias. Eles mantêm a freqüência de conectividade final ou desconexão total. Firmeza e clareza, a instabilidade e a confusão são justapostos através de Odù.
O modelo complexo do ser pode ser claramente mapeado através destas energias sagradas.
Ritos de iniciação da vida, tanto pessoal como comunitária, são fortificados através de seus laços com essas forças. O que está enterrado nas profundezas do passado ou esperando pacientemente no futuro pode ser compreendido através da exploração de seu Odù relativo.
As circunstâncias da clareza ganham presentes ao se examinar o Odù que rege sua forma e sua função. O equilíbrio é tanto perdido e/ou recuperado através de uma relação direta e muitas vezes complicada com Odù.

Ire alaafia.

           

O ovo (eyin) é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, borís e ebós de propiciação e defesa.  O Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo; o ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares, o ovo de casca branca relacionada ao Iwà = a explosão da luz, e finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao Àse. = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural. Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. Dele nasceu um novo ser, associado a ideia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ que foi cortejada pelo vento ÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ. O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macrogameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem). O Ovo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes; a 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), a 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), a 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, a 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e autuar no que for necessário.

O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yoruba, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. A força germinal contida no ovo, está associada à energia vital com grande desenvolvimento através de Èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como , desempenha uma função importantíssima no culto Yoruba, principalmente no culto de ÌYAMI ÒSÒRÓNGÀ, ÒSÚN, IYEWÁ, OYÀ, ÒMÒLÚ, etc…
Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida à clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma ideia de união do casal universal; Òrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo. Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vínculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja, não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave. Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de ÌYÀMI ÒSÒRÓNGÀ a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de ÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, o qual faz o ovo um elemento de muito Àse (poder realizador).     O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Ìyawó antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Orí, antecedendo o borí, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebês, tirar a Ikú do caminho de alguém. O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nos negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em ebós.

O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao Ekurú também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de Òrìsá, na finalidade de agradar os Ayes (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os Ayes sob o domínio de Ìyami Òsòróngà, Èsú e Òbálúàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa. O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranquilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò (assentamentos dos Òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o ebò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil. Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa. Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores). Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação e limpeza da  cabeça começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin (caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que está no momento recebendo o puro àse , com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranquilidade. Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyami Òsòróngà é em alguns casos, respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itans de Ifá. Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manhã por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyami Òsòróngà e aspergindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto de Ìyami Òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa e somente os zeladores tem o poder desses rituais. É comum nas Casas de ketu encontrarmos na porta de entrada do terreiro, alguidares ou louças com água e um determinado números de ovos muitas vezes cobertos com dendê para afastar os ajogun.

Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais seus, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em ebós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú Ex: Èsú, Ògún, Òbálúàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òrìsànlà, Ajagémó, Iroko, Obá, Onilé, Egungun, etc.

O único Òrìsá que não possui relação com ikú é o Òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados em vão, sem seu consentimento pois Òsún não aceita desobediência a sua liturgia. Òsún também não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o máximo o contato com a morte, são alguns  aspectos de Osún estão relatados nos Itans do Odu Ósé, assim também podemos entender o porquê que filhas de Òsún não podem fazer aborto em hipótese  alguma (a chimba é dura)

O ovo de pata é amplamente utilizado nos (sacrifício “Ebós–Aiku” de longevidade) tirando qualquer tipo de  morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental. Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento ligado a Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito Àse.

Em algumas Casas antigas é expressamente proibido (èwó) as filhas de Òsún quebrar e fritar ovos devido a sua ligação e trato com as Ìyami, daí entendermos porque Òsún ofereceu omolokun com ovos para apaziguar as Ìyamis, por isso, nas grandes obrigações, as Ìyalòrìsá de Òsún e somente elas, arrumam o ajubó encima de uma árvore para reverenciar a grande feiticeira, Ìyami Òsòròngá.

Classificação dos Ovos :
Ovo de galinha cru – purifica e tranquiliza

Ovo de galinha cozido – tirar doenças.

Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundância.
Ovo de pata cru – enfraquece a força da  morte, doenças graves e perdas.

Ovo de codorna – Neutraliza feitiço.

Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios.

Ovo de pombo – propicia tranquilidade e fertilidade.

Pesquisa: Suami Potinhal D’Osun

Colaboração: Fernando D’Osogiyan

Posse – Incorporação

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Iwa Pele é geralmente traduzido como bom caráter,
Vem da elisão:
Iwa opè ile.
Que significa:
Eu vim para cumprimentar a Terra.

Na cultura yorùbá tradicional saudamos os nossos idosos. Para associar bom caráter com a saudação da Terra, a Terra é o nosso “mais velho”. Isso também sugere que viver em harmonia com a Terra é uma obrigação espiritual. Para mim, a única maneira de aprender com a Terra é a capacidade de sobreviver na natureza contando apenas com os recursos disponíveis no seu ambiente. Sobrevivência com base na dependência direta em seu ambiente não será possível se você não for capaz de negociar uma variedade de estados alterados de consciência. É por isso que a posse e estados alterados de consciência é um aspecto integral da iniciação de Ifá/Òrìşà e seu treinamento.

Iniciados em Èşù entram em estados alterados e aprendem a falar a língua da natureza, eles aprendem a ler os padrões climáticos e ouvem os sons de uma floresta tropical que está sofrendo de desequilíbrio.

Iniciados de Òsóòsì entram em estados alterados e aprendem a caçar usando a viagem astral para ver a floresta e localizar a boa sorte na floresta tropical.

Iniciados de Ògún entraram estados alterados e aprendem a se comunicar com animais para atraí-los para fora do esconderijo e para aprender a caçar, sem colocar qualquer espécie em perigo.

Iniciados de Ợbàtálá têm uma obrigação coletiva no tocante a moral, ao entrar em estados alterados e pedir a essas visões que mostrem como a comunidade deve viver em harmonia com os recursos do ambiente.

Iniciados de Yemọjá entraram em estados alterados e encontram o medicamento dos assessores do nascimento da criança e apoia o desenvolvimento para crianças saudáveis.

Iniciados de Ợya entraram em estados alterados para abrir a porta para direcionar influência ancestral para toda a comunidade.

Iniciados de Òşún entraram estados alterados para tornar-se sensível às necessidades do rio, sem água potável não há vida.

Iniciados de Òsànyìn entraram em estados alterados para se comunicar com a flora para determinar sua função em diversas situações.

Iniciados de Ifá são os guardiões da fé.

Tornamo-nos Babalawo ou Iyalawo (Iyanifá) Pai ou Mãe dos segredos. Os segredos aqui referidos não são os segredos de como fazer um ritual. Essa é uma interpretação ocidental que não tem base na história das origens de nossa fé. O objetivo de Ifá para cada homem, mulher e criança na cultura yorùbá tradicional é aprender o awo. Awo é uma referência aos segredos da natureza, os mistérios da vida em harmonia com a Terra e a capacidade de compreender esses mistérios. A única maneira de compreender esses mistérios será em estados alterados. Deixe-me dizer que mais uma vez, a única maneira de compreender esses mistérios é através de estados alterados. Não há nenhuma exceção, nenhuma.
Você não pode aprender o awo de um livro, você não pode aprender o awo abraçando uma fixação em fazer rituais corretamente, você não pode aprender awo nem mesmo de um ancião. A função de um mais velho é guiá-lo através desses estados alterados de consciência que lhe permitem ser tocados pela graça.
Ser tocado pela Graça significa estar conectado diretamente à Terra através as forças da natureza que chamamos de Òrìşà.
Como Babalawo e Iyalawo é nosso trabalho preservar o awo, e a única maneira de preservar awo é pela passagem do sagrado estado alterado de consciência para guiar a próxima geração. Nós ensinamos a posse e a conexão com o Espírito, este é o nosso trabalho.
Então, minha pergunta é simples, em nome de tudo que é sagrado:
Como seremos capazes de ensinar a próxima geração como entrar em estados alterados de consciência, como Babalawo e Iyalawo, sem ser capaz de entrar por nós mesmos?
A resposta é que não poderemos.
Deixe-me dizer que mais uma vez a resposta:
Não poderemos.
O título de Babalawo e Iyalawo significa que somos detentores do awo, o que significa que somos capazes de ir à posse com todos os 256 Odu (aqui falamos das interpretações sagradas de cada Odù) e se comunicar diretamente com o Espírito de cada Odu. Isto significa que o Babalawo e a Iyalawo têm uma obrigação espiritual comunitária para ser um veículo de cada presença espiritual que influencia a nossa relação com a Mãe Terra. Nossa capacidade de fazer isso é regulado pela sociedade Ogbóni, que significa:
A sabedoria da Terra.
A religiosidade Ogbóni tem a Mãe Terra (Onile) como irunmolè de adoração.
Por favor, precisamos ligar os pontos.
Então, isso levanta a questão de como nos tornamos tão afastados das fontes de nossa fé e agora estamos confusos sobre a função do ase que temos recebido através da iniciação. A resposta na minha opinião é não considerar a Terra como nosso professor. No mundo ocidental, a Terra é considerada uma coisa a ser explorada para ganho pessoal. Perdemos o sentido da Terra como uma aldeia global e nós perdemos a noção de que a destruição da Terra irá destruir a possibilidade de reencarnação em futuras gerações. Ifá diz que para alcançarmos a imortalidade devemos ser lembrados por sete gerações.
Estamos em um lugar na história da vida na Terra, onde a exploração põe em risco a capacidade da Terra sobreviver por sete gerações. Qualquer pessoa em sã consciência que olhar para o desastre com usinas de energia nuclear no Japão vai saber com absoluta certeza que se nós não resolvermos esse problema hoje, na próxima hora, neste exato momento, se nós não fizermos isso, colocaremos a sobrevivência do planeta em risco.
Que significa que haverá uma bola de terra girando em torno do Sol que um dia foi chamado de Terra, mas será desprovida de qualquer tipo de vida.
Temos chegado a este estado patético como consequência da nossa incapacidade de nos curvar à Terra como nosso mestre supremo e como viver neste planeta. Para mim, isso não é uma ideia complicada. A Terra é o nosso mestre. Esse é o ponto de Ifá, que é uma disciplina baseada na Natureza espiritual e é o ponto da sociedade Ogbóni que monitora o ìwà pèlé.
Que significa: A nossa capacidade de viver em harmonia com a Terra.
Então, para todos aqueles que insistem que iniciados em Ifá não entram em estados alterados de consciência, eu digo isso e digo sabendo que será um desafio e sei que muitas pessoas vão me achar como ou inapropriado. Olhe para a sua resistência em entrar em estados alterados de consciência.
Ouça-me agora e acredite, permanecer no reino humano da consciência é fácil, porque o autoengano vai nos possuir o tempo todo.
Quando você entra no reino do Espírito, não há espaço para autoengano. A parte assustadora de entrar no reino do Espírito é que ela está enraizada na verdade e não tem tolerância para decepção. Ao se tornar conhecedor disso, quando você entrar no reino dos Espíritos, significa que você recebeu a bênção da Graça e que possui a capacidade de retornar à consciência normal com o dom da bênção da Graça, ou seja, o dom de saber viver em harmonia com a Terra.
Qualquer um que pense que este dom envolve denegrir outras pessoas, qualquer um que acredita que isso resulta em destruir os outros por não fazer ritual a sua maneira, qualquer um que acredite que este dom envolve racismo, sexismo ou homofobia está sendo auto enganado e está muito longe dos desafios e dos fundamentos de nossa fé.
Se você acha que entende nossa fé, se você pensa que isto é provar do awo, então, passe um fim de semana na natureza sem nada, mas, com a abundância que a Natureza oferece. Essa é uma experiência profundamente humilhante e em seu núcleo é o awo do Igbòdù. A palavra Igbodu é usada para descrever o lugar da iniciação.
Igbò Odù
Cuja elisão significa:
O ventre da floresta.

Em linguagem simbólica de Ifá, Odu é um portal para o reino dos Espíritos.
Olhe sua língua, não entramos no Igbòdù para comprar títulos, entramos no Igbòdù para experimentar o reino dos Espíritos e usar essa experiência para entender como viver em harmonia com a Terra no processo de desenvolvimento de ìwà pèlé.
Isso nunca foi feito, isso não pode ser feito, isso nunca vai ser feito em um estado normal e mundano, mesmo usando o limite da consciência.
Nós vamos para a porta do mundo do Espírito, ao entrar por aquela porta e quando entramos por aquela porta estamos negociando um mundo diferente. Estamos experimentando o Ợrún, a Fonte de toda a Criação.
Fazemos isso com o espectro total da consciência, fazemos isso integrando a cabeça, o coração e o Eu superior. Fazemos isso através da abertura de todos os portais do nosso cérebro e acessando o espectro completo da percepção humana. No idioma Inglês nos referimos a este processo como ir à posse (incorporar o òrìşà).
Se você vier me pedir conselhos, eu diria que não importa como David Wilson pensa. Se você vier me pedir conselhos, o ase do Babalawo Falokun Fatunmbi que foi abençoado para se tornar um veículo de Ęlà (Espirito que encarna toda a pureza do universo), em virtude da orientação daqueles anciãos de Ifá, que também eram veículos de Ęlà, essa pessoa sim, poderá ter uma mensagem do Espírito da Terra que poderá ter algum valor.
Mas isso é apenas minha opinião, eu posso estar errado.

Por Awo Fa’lokun Fatunmbi


Iphan reconhece Roça do Ventura como patrimônio. Foto: Mila Cordeiro/ Ag. A TARDE 18.01.2012Foto: Mila Cordeiro

Iphan reconhece Roça do Ventura como patrimônio Histórico Cultural do Brasil. 

04 de dezembro de 2014.

Mais um terreiro de candomblé acaba de ser reconhecido como patrimônio brasileiro: a Roça do Ventura, que tem o nome sagrado de Zogbodo Male Bogun Seja Unde, localizado em Cachoeira, Bahia. Dessa forma, o Ventura é o primeiro terreiro de nação jeje da Bahia reconhecido como espaço de riqueza cultural, histórica e artística do Brasil. O título é dado  pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A solicitação para o tombamento do terreiro, que é identificado como da tradição jeje-mahi foi feita pela Sociedade Religiosa Zogbodo Male Bogum e aprovada em reunião realizada na tarde de hoje pelo Conselho Consultivo do Iphan. O processo para o reconhecimento foi iniciado em 2008 e é recebido com festa pois a comunidade religiosa tem enfrentado uma intensa batalha para conservar seus espaços sagrados por conta da expansão imobiliária no município situado no recôncavo baiano.

A tradição jeje é uma das mais importantes na configuração do candomblé brasileiro como indicam diversos estudos antropológicos como A família de santo nos candomblés da Bahia, de Vivaldo da Costa Lima; Brancos e Pretos na Bahia, de Donald Pierson, escrito na década de 30; A  formação do candomblé, do antropólogo e professor da Ufba, Nicolau Parés, dentre outros.

A Roça do Ventura teve sua história iniciada em 1858. O terreiro ainda hoje consegue manter os assentamentos de suas divindades, os voduns, no amplo espaço verde que possui em meio a fontes, lagoas e árvores.

Com o reconhecimento da Roça do Ventura, o Brasil passa a ter mais sete terreiros tombados:  Casa Branca, Gantois, Ilê Axé Opô Afonjá, Bate Folha e Casa de Oxumaré, localizados na Bahia e a Casa das Minas, situada no Maranhão.

Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi (marri), daomeana foi escolhida pelos Voduns para fundar O templo para Dan: Kwé Ceja Hundé, que ficou  conhecido como Roça do Ventura por ser o Senhor Ventura o dono das terras, também chamada de Kpó Zehen (Pó zerren) ou ainda “Zogbo Male Gbogun seja Unde”, em cachoeira, Bahia.

Postado: Cleidiana Ramos

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