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Eyin – A importância do Ovo.

           

O ovo (eyin) é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, borís e ebós de propiciação e defesa.  O Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo; o ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares, o ovo de casca branca relacionada ao Iwà = a explosão da luz, e finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao Àse. = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural. Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. Dele nasceu um novo ser, associado a ideia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ que foi cortejada pelo vento ÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ. O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macrogameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem). O Ovo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes; a 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), a 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), a 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, a 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e autuar no que for necessário.

O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yoruba, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. A força germinal contida no ovo, está associada à energia vital com grande desenvolvimento através de Èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como , desempenha uma função importantíssima no culto Yoruba, principalmente no culto de ÌYAMI ÒSÒRÓNGÀ, ÒSÚN, IYEWÁ, OYÀ, ÒMÒLÚ, etc…
Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida à clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma ideia de união do casal universal; Òrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo. Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vínculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja, não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave. Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de ÌYÀMI ÒSÒRÓNGÀ a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de ÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, o qual faz o ovo um elemento de muito Àse (poder realizador).     O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Ìyawó antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Orí, antecedendo o borí, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebês, tirar a Ikú do caminho de alguém. O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nos negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em ebós.

O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao Ekurú também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de Òrìsá, na finalidade de agradar os Ayes (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os Ayes sob o domínio de Ìyami Òsòróngà, Èsú e Òbálúàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa. O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranquilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò (assentamentos dos Òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o ebò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil. Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa. Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores). Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação e limpeza da  cabeça começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin (caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que está no momento recebendo o puro àse , com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranquilidade. Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyami Òsòróngà é em alguns casos, respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itans de Ifá. Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manhã por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyami Òsòróngà e aspergindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto de Ìyami Òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa e somente os zeladores tem o poder desses rituais. É comum nas Casas de ketu encontrarmos na porta de entrada do terreiro, alguidares ou louças com água e um determinado números de ovos muitas vezes cobertos com dendê para afastar os ajogun.

Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais seus, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em ebós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú Ex: Èsú, Ògún, Òbálúàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òrìsànlà, Ajagémó, Iroko, Obá, Onilé, Egungun, etc.

O único Òrìsá que não possui relação com ikú é o Òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados em vão, sem seu consentimento pois Òsún não aceita desobediência a sua liturgia. Òsún também não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o máximo o contato com a morte, são alguns  aspectos de Osún estão relatados nos Itans do Odu Ósé, assim também podemos entender o porquê que filhas de Òsún não podem fazer aborto em hipótese  alguma (a chimba é dura)

O ovo de pata é amplamente utilizado nos (sacrifício “Ebós–Aiku” de longevidade) tirando qualquer tipo de  morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental. Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento ligado a Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito Àse.

Em algumas Casas antigas é expressamente proibido (èwó) as filhas de Òsún quebrar e fritar ovos devido a sua ligação e trato com as Ìyami, daí entendermos porque Òsún ofereceu omolokun com ovos para apaziguar as Ìyamis, por isso, nas grandes obrigações, as Ìyalòrìsá de Òsún e somente elas, arrumam o ajubó encima de uma árvore para reverenciar a grande feiticeira, Ìyami Òsòròngá.

Classificação dos Ovos :
Ovo de galinha cru – purifica e tranquiliza

Ovo de galinha cozido – tirar doenças.

Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundância.
Ovo de pata cru – enfraquece a força da  morte, doenças graves e perdas.

Ovo de codorna – Neutraliza feitiço.

Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios.

Ovo de pombo – propicia tranquilidade e fertilidade.

Pesquisa: Suami Potinhal D’Osun

Colaboração: Fernando D’Osogiyan

Posse – Incorporação

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Iwa Pele é geralmente traduzido como bom caráter,
Vem da elisão:
Iwa opè ile.
Que significa:
Eu vim para cumprimentar a Terra.

Na cultura yorùbá tradicional saudamos os nossos idosos. Para associar bom caráter com a saudação da Terra, a Terra é o nosso “mais velho”. Isso também sugere que viver em harmonia com a Terra é uma obrigação espiritual. Para mim, a única maneira de aprender com a Terra é a capacidade de sobreviver na natureza contando apenas com os recursos disponíveis no seu ambiente. Sobrevivência com base na dependência direta em seu ambiente não será possível se você não for capaz de negociar uma variedade de estados alterados de consciência. É por isso que a posse e estados alterados de consciência é um aspecto integral da iniciação de Ifá/Òrìşà e seu treinamento.

Iniciados em Èşù entram em estados alterados e aprendem a falar a língua da natureza, eles aprendem a ler os padrões climáticos e ouvem os sons de uma floresta tropical que está sofrendo de desequilíbrio.

Iniciados de Òsóòsì entram em estados alterados e aprendem a caçar usando a viagem astral para ver a floresta e localizar a boa sorte na floresta tropical.

Iniciados de Ògún entraram estados alterados e aprendem a se comunicar com animais para atraí-los para fora do esconderijo e para aprender a caçar, sem colocar qualquer espécie em perigo.

Iniciados de Ợbàtálá têm uma obrigação coletiva no tocante a moral, ao entrar em estados alterados e pedir a essas visões que mostrem como a comunidade deve viver em harmonia com os recursos do ambiente.

Iniciados de Yemọjá entraram em estados alterados e encontram o medicamento dos assessores do nascimento da criança e apoia o desenvolvimento para crianças saudáveis.

Iniciados de Ợya entraram em estados alterados para abrir a porta para direcionar influência ancestral para toda a comunidade.

Iniciados de Òşún entraram estados alterados para tornar-se sensível às necessidades do rio, sem água potável não há vida.

Iniciados de Òsànyìn entraram em estados alterados para se comunicar com a flora para determinar sua função em diversas situações.

Iniciados de Ifá são os guardiões da fé.

Tornamo-nos Babalawo ou Iyalawo (Iyanifá) Pai ou Mãe dos segredos. Os segredos aqui referidos não são os segredos de como fazer um ritual. Essa é uma interpretação ocidental que não tem base na história das origens de nossa fé. O objetivo de Ifá para cada homem, mulher e criança na cultura yorùbá tradicional é aprender o awo. Awo é uma referência aos segredos da natureza, os mistérios da vida em harmonia com a Terra e a capacidade de compreender esses mistérios. A única maneira de compreender esses mistérios será em estados alterados. Deixe-me dizer que mais uma vez, a única maneira de compreender esses mistérios é através de estados alterados. Não há nenhuma exceção, nenhuma.
Você não pode aprender o awo de um livro, você não pode aprender o awo abraçando uma fixação em fazer rituais corretamente, você não pode aprender awo nem mesmo de um ancião. A função de um mais velho é guiá-lo através desses estados alterados de consciência que lhe permitem ser tocados pela graça.
Ser tocado pela Graça significa estar conectado diretamente à Terra através as forças da natureza que chamamos de Òrìşà.
Como Babalawo e Iyalawo é nosso trabalho preservar o awo, e a única maneira de preservar awo é pela passagem do sagrado estado alterado de consciência para guiar a próxima geração. Nós ensinamos a posse e a conexão com o Espírito, este é o nosso trabalho.
Então, minha pergunta é simples, em nome de tudo que é sagrado:
Como seremos capazes de ensinar a próxima geração como entrar em estados alterados de consciência, como Babalawo e Iyalawo, sem ser capaz de entrar por nós mesmos?
A resposta é que não poderemos.
Deixe-me dizer que mais uma vez a resposta:
Não poderemos.
O título de Babalawo e Iyalawo significa que somos detentores do awo, o que significa que somos capazes de ir à posse com todos os 256 Odu (aqui falamos das interpretações sagradas de cada Odù) e se comunicar diretamente com o Espírito de cada Odu. Isto significa que o Babalawo e a Iyalawo têm uma obrigação espiritual comunitária para ser um veículo de cada presença espiritual que influencia a nossa relação com a Mãe Terra. Nossa capacidade de fazer isso é regulado pela sociedade Ogbóni, que significa:
A sabedoria da Terra.
A religiosidade Ogbóni tem a Mãe Terra (Onile) como irunmolè de adoração.
Por favor, precisamos ligar os pontos.
Então, isso levanta a questão de como nos tornamos tão afastados das fontes de nossa fé e agora estamos confusos sobre a função do ase que temos recebido através da iniciação. A resposta na minha opinião é não considerar a Terra como nosso professor. No mundo ocidental, a Terra é considerada uma coisa a ser explorada para ganho pessoal. Perdemos o sentido da Terra como uma aldeia global e nós perdemos a noção de que a destruição da Terra irá destruir a possibilidade de reencarnação em futuras gerações. Ifá diz que para alcançarmos a imortalidade devemos ser lembrados por sete gerações.
Estamos em um lugar na história da vida na Terra, onde a exploração põe em risco a capacidade da Terra sobreviver por sete gerações. Qualquer pessoa em sã consciência que olhar para o desastre com usinas de energia nuclear no Japão vai saber com absoluta certeza que se nós não resolvermos esse problema hoje, na próxima hora, neste exato momento, se nós não fizermos isso, colocaremos a sobrevivência do planeta em risco.
Que significa que haverá uma bola de terra girando em torno do Sol que um dia foi chamado de Terra, mas será desprovida de qualquer tipo de vida.
Temos chegado a este estado patético como consequência da nossa incapacidade de nos curvar à Terra como nosso mestre supremo e como viver neste planeta. Para mim, isso não é uma ideia complicada. A Terra é o nosso mestre. Esse é o ponto de Ifá, que é uma disciplina baseada na Natureza espiritual e é o ponto da sociedade Ogbóni que monitora o ìwà pèlé.
Que significa: A nossa capacidade de viver em harmonia com a Terra.
Então, para todos aqueles que insistem que iniciados em Ifá não entram em estados alterados de consciência, eu digo isso e digo sabendo que será um desafio e sei que muitas pessoas vão me achar como ou inapropriado. Olhe para a sua resistência em entrar em estados alterados de consciência.
Ouça-me agora e acredite, permanecer no reino humano da consciência é fácil, porque o autoengano vai nos possuir o tempo todo.
Quando você entra no reino do Espírito, não há espaço para autoengano. A parte assustadora de entrar no reino do Espírito é que ela está enraizada na verdade e não tem tolerância para decepção. Ao se tornar conhecedor disso, quando você entrar no reino dos Espíritos, significa que você recebeu a bênção da Graça e que possui a capacidade de retornar à consciência normal com o dom da bênção da Graça, ou seja, o dom de saber viver em harmonia com a Terra.
Qualquer um que pense que este dom envolve denegrir outras pessoas, qualquer um que acredita que isso resulta em destruir os outros por não fazer ritual a sua maneira, qualquer um que acredite que este dom envolve racismo, sexismo ou homofobia está sendo auto enganado e está muito longe dos desafios e dos fundamentos de nossa fé.
Se você acha que entende nossa fé, se você pensa que isto é provar do awo, então, passe um fim de semana na natureza sem nada, mas, com a abundância que a Natureza oferece. Essa é uma experiência profundamente humilhante e em seu núcleo é o awo do Igbòdù. A palavra Igbodu é usada para descrever o lugar da iniciação.
Igbò Odù
Cuja elisão significa:
O ventre da floresta.

Em linguagem simbólica de Ifá, Odu é um portal para o reino dos Espíritos.
Olhe sua língua, não entramos no Igbòdù para comprar títulos, entramos no Igbòdù para experimentar o reino dos Espíritos e usar essa experiência para entender como viver em harmonia com a Terra no processo de desenvolvimento de ìwà pèlé.
Isso nunca foi feito, isso não pode ser feito, isso nunca vai ser feito em um estado normal e mundano, mesmo usando o limite da consciência.
Nós vamos para a porta do mundo do Espírito, ao entrar por aquela porta e quando entramos por aquela porta estamos negociando um mundo diferente. Estamos experimentando o Ợrún, a Fonte de toda a Criação.
Fazemos isso com o espectro total da consciência, fazemos isso integrando a cabeça, o coração e o Eu superior. Fazemos isso através da abertura de todos os portais do nosso cérebro e acessando o espectro completo da percepção humana. No idioma Inglês nos referimos a este processo como ir à posse (incorporar o òrìşà).
Se você vier me pedir conselhos, eu diria que não importa como David Wilson pensa. Se você vier me pedir conselhos, o ase do Babalawo Falokun Fatunmbi que foi abençoado para se tornar um veículo de Ęlà (Espirito que encarna toda a pureza do universo), em virtude da orientação daqueles anciãos de Ifá, que também eram veículos de Ęlà, essa pessoa sim, poderá ter uma mensagem do Espírito da Terra que poderá ter algum valor.
Mas isso é apenas minha opinião, eu posso estar errado.

Por Awo Fa’lokun Fatunmbi


Iphan reconhece Roça do Ventura como patrimônio. Foto: Mila Cordeiro/ Ag. A TARDE 18.01.2012Foto: Mila Cordeiro

Iphan reconhece Roça do Ventura como patrimônio Histórico Cultural do Brasil. 

04 de dezembro de 2014.

Mais um terreiro de candomblé acaba de ser reconhecido como patrimônio brasileiro: a Roça do Ventura, que tem o nome sagrado de Zogbodo Male Bogun Seja Unde, localizado em Cachoeira, Bahia. Dessa forma, o Ventura é o primeiro terreiro de nação jeje da Bahia reconhecido como espaço de riqueza cultural, histórica e artística do Brasil. O título é dado  pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A solicitação para o tombamento do terreiro, que é identificado como da tradição jeje-mahi foi feita pela Sociedade Religiosa Zogbodo Male Bogum e aprovada em reunião realizada na tarde de hoje pelo Conselho Consultivo do Iphan. O processo para o reconhecimento foi iniciado em 2008 e é recebido com festa pois a comunidade religiosa tem enfrentado uma intensa batalha para conservar seus espaços sagrados por conta da expansão imobiliária no município situado no recôncavo baiano.

A tradição jeje é uma das mais importantes na configuração do candomblé brasileiro como indicam diversos estudos antropológicos como A família de santo nos candomblés da Bahia, de Vivaldo da Costa Lima; Brancos e Pretos na Bahia, de Donald Pierson, escrito na década de 30; A  formação do candomblé, do antropólogo e professor da Ufba, Nicolau Parés, dentre outros.

A Roça do Ventura teve sua história iniciada em 1858. O terreiro ainda hoje consegue manter os assentamentos de suas divindades, os voduns, no amplo espaço verde que possui em meio a fontes, lagoas e árvores.

Com o reconhecimento da Roça do Ventura, o Brasil passa a ter mais sete terreiros tombados:  Casa Branca, Gantois, Ilê Axé Opô Afonjá, Bate Folha e Casa de Oxumaré, localizados na Bahia e a Casa das Minas, situada no Maranhão.

Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi (marri), daomeana foi escolhida pelos Voduns para fundar O templo para Dan: Kwé Ceja Hundé, que ficou  conhecido como Roça do Ventura por ser o Senhor Ventura o dono das terras, também chamada de Kpó Zehen (Pó zerren) ou ainda “Zogbo Male Gbogun seja Unde”, em cachoeira, Bahia.

Postado: Cleidiana Ramos

Protesto contra intolerância une diferentes religiões na Zona Norte

Familiares de menina apedrejada e representantes religiosos caminharam juntos na Vila da Penha

O DIA

Rio – Pessoas de diferentes religiões se reuniram na manhã deste domingo no Largo do Bicão, na Vila da Penha, na Zona Norte, para protestar contra a intolerância religiosa após o apedrejamento da menina candomblecista Kailane Campos, de 11 anos. Usando vestimentas próprias de suas crenças, eles caminharam até o local onde a menina foi agredida. Tanto a família de Kailane quanto o pastor que organizou a passeata disseram estar surpresos com a adesão ao ato, que reúne cerca de 500 pessoas.


Protesto contra intolerância uniu na manhã deste domingo diferentes religiões no Largo do Bicão, na Vila da Penha, na Zona Norte

Foto:  Carlos Moraes / Agência O Dia

“Não esperávamos tantas pessoas unidas nesse ato. É importante que juntemos todos os segmentos religiosos. Mostramos que somos todos irmãos independente de religião”, declarou a avó da menina, conhecida na religião como Vó Kathi, Kátia Coelho Marinho Eduardo, de 53 anos.

A marcha foi organizada pelo pastor João de Melo, da Primeira Igreja Batista em Vila da Penha. “Repudiamos qualquer ato de intolerância, anunciamos um Senhor que é paz e amor”, afirmou o pastor. “Não poderíamos nos calar diante desse fato porque Cristo não se calaria”, disse.

Ao ser perguntada se perdoa os agressores da filha, Karina Coelho afirmou que “quem perdoa é Deus”. “Não vou ser eu que vou apontar para os outros”, declarou a mãe de Kailane. Ela ainda ressaltou a importância de conviver bem com outros segmentos religiosos. “Sempre fui criada com uma família com várias religiões. Não vou negar a minha família”, disse.

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No último dia 14, Kailane Campos, de 11 anos, levou uma pedrada na cabeça por estar vestida com roupas do Candomblé

Foto:  Carlos Moraes / Agência O Dia

Intervenção do governo

O babalorixá Ivani dos Santos também destacou a importância da união entre diferentes segmentos religiosos e pediu uma intervenção do governo. “Esse fato da intolerância religiosa acontece todos os dias, há perseguições em escolas “, declarou o religioso. “É uma atitude fascista que não condiz com a atitude de uma sociedade democrática. Quando você tenta impor uma doutrina sem respeitar a do outro, isso te torna um fascista”, completou o babalorixá.

“O estado precisa tomar uma posição, ele precisa convocar as lideranças evangélicas e de outras religiões para sentar e discutir uma pauta em comum sobre intolerância. Essa questão não aconteceu só com a menina”, afirmou. “Também não dá para tirar responsabilidade de maus pastores”, completou.

O ator reuniu ainda a responsável pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Teresa Cosentino e o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que falou sobre a discriminação da religiões de matriz africana. “Há muito mais afrofobia do que cristofobia”, declarou ao dizer que o respeito deve existir para todas as religiões.

“Eu como representante da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados posso afirmar que a Câmara é unânime e somos contra a intolerância religiosa”, disse Chico Alencar. “Os atos de intolerância religiosa já são considerados crime na Constituição, mas é preciso colocar isso em prática”, completou.

Reportagem de Gabriela Mattos 

Axabó

Axabó

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Axabó é um Orixá feminino, cultuado na Bahia, mas pouco conhecido, é da família de Xangô, algumas vezes tratada até como sua versão feminina.

De origem da região de Tapa e Nupê na África possui fundamentos muito parecidos com os de Xangô.

Iyagbá Axabó, precursora da família de Oyó, é a irmâ de Iyá Massé Malé, e assim sendo tia de Xangô.

Trata-se de uma iyagbá das águas mornas, ligada à toda a ancestralidade da dinastia de Oyó, com ligação com as Iyá-mi, com poderes e dons de cura e alta magia. 

Rege a intuição feminina, o sonho como presságio ou vidência, o sono, o poder curativo e terapêutico dos banhos de axé.

Ligada às artes e à música, representa a mulher de sociedade, altiva e hierárquica.

Axabó é uma Orixá da Casa de Xangô, muito cultuada no Gantois e no Nagô Pernambucano. 

Segundo o que se diz ela cuidava da alimentação de Xangô e preparava os banhos da casa. 

Nas cantigas dela sempre se ressalta a associação dela com as águas e as folhas:

ERIN LÔ NIBÔ Ò AXABÓ NILÊ ODÔ
ORIXÁ IYN NI IMALÉ AXABÓ LOMI ODÔ 

(O Elefante é o dono da floresta, Axabó dona de uma casa no rio.
Venha Orixá dos Ancestrais, Axabó senhora do rio). 

Se diz que nunca teve filhos sendo dai o termo: Agbá-ijena para Senhoras respeitáveis que não parem filhos. 

É forte, feminina, muito confundida com Obá e Oyá, mas se trata de uma orixá à parte, muito pouco conhecida e cultuada, sendo os seus fundamentos relegados à poucos axés e zeladores.

Usa vestimentas nas cores vermelho e branco ou rosa (podendo ser estampado). Usa sempre pano da costa. Traz na mão uma lira.

Dizem os mais antigos ser com essa lira, à qual ela tocando que ela encantava Xangô ao sono, para que ele repousasse, descansasse e retomasse o trono e o andamento de suas guerras.

Adora carneiro, cágado e a maioria das outras comidas rituais de Xangô. 

Responde nos odus 6 Obará, e 12 Ejilaxeborá que representa toda a dinastia de Oyó.

Iya Axabó faz parte dos fundamentos do quarto de Xangô, e segundo algumas tradições Xangô não deve ser assentado sem ela.

Axabò não é considerada uma Iyá porque nunca teve filhos, e assim como Otí não gerou descendentes no Ayé.

Mesmo assim existem algumas filhas dela no Brasil, principalmente nos grandes terreiros tradicionais da Bahia.

Em alguns axés seus iniciados são filhas de Yemanjá que são entregues à ela pela irmã. 

Só se inicia uma pessoa para Axabó quando é mulher e sem filhos e o jogo apontou ser filha de Yemanjá e esta pessoa possui um cargo específico na Casa de Xangô. 

Orixá extremamente raro e só aparece para ser iniciada quando sua filha tem um cargo específico de cuidar do agbô e dos alimentos da casa de Xangô.

Iyá Axabó também faz parte fundamental dos ritos da fogueira de Xangô.

Muitos sacerdotes abrem axés, mas esquecem muitos detalhes e às vezes detalhes que fazem a diferença dentro de um ilêAxé e esta divindade tem por obrigação ser assentada a quem faz fogueira para Xangô e Airá e a família de Oyó.

Principalmente as pessoas que são destes orixás mas é um grupo pequeno e restrito que tem tal conhecimento de tal iyagbá e é ela quem proporciona o sonho aos Iyawos (iniciados enquanto recolhidos).

E também juntamente e fundamentalmente fundamentada com Iyá mí sendo uma delas também no culto Geledé, e Osanyin o senhor das folhas tanto que ela rege todo o omi eró feito no axé juntamente com ele, ela deve ser arrumada no quarto de Xangô e lá cultuada.

Em algumas tradições Axabó não tem parte com Iyá mí, mas com o culto Egungun (mesmo este sendo um rito fechado e relegado apenas aos homens…). 

Lembrando que ao arrumar Iyá Massé Malé (mãe de Xangô) tem que arrumar Iyá Asagbó e vice e versa: uma não caminha sem a outra e só se acende a fogueira para Xangô caso tenha ela assentada em um Ile Axé não e apenas pegar uma amontoado de lenhas e tacar fogo.

Muito pelo contrário, há vários orixás como exemplo Iyá Sogbá (Yemonjá) também responsável por participar da fogueira de Xangô que devem ser assentados para que se realize esta maravilhosa festa uma das mais lindas do candomblé.

Portanto sem esta iyagbá assentada não se pode ser feita a fogueira com seu total axé e com Xangô e Airá satisfeitos senhores principais da fogueira.

MITOLOGIA

Por que Iyá Asagbó se tornou importante para o banho de folhas dadas aos iniciados:

Em Oyó, terra onde Xangô foi rei, houve uma terrível época de seca e neste período como a cidade do rei Xangô sempre estava em guerra com outros estados vizinhos e não poderia sair de sua cidade e palácio.

Então Xangô enviou AIRÁ seu ministro a cidades vizinhas que se encontravam em dificuldade para que seu povo obtivesse ajuda e água.

Algum tempo depois AIRÁ voltou frustrado sem nada ter conseguido isso pelo fato de na época ninguém gostar de Xangô, e por ele mesmo ter tido várias guerras com estes povos.

No entanto em visita à região, sua tia Iyá Asagbó viu a situação de seu sobrinho e ela mesmo tomou os apetrechos das mãos de Airá e partiu para os mesmos povos.

Conseguiu com seu temperamento quente e utilizando de magia que aprendera com as Iyá -mi tudo que precisava e a tão sagrada água dos povos vizinhos fazendo com que o povo de Oyó se limpasse e recolocasse tudo em ordem.

Trouxe de um babalawô local um amuleto e entregou aos cuidados de Airá Adjaosí (responsável pelas chuvas) e desde então jamais faltou água à casa e ao reino de Xangô.

Este reconhecido e grato,confiou a Iyá Assagbó sua tia, a missão de todo e quaisquer iniciados no seu culto ou o culto yorubá que nenhum banho abençoasse nenhum iniciado que não fosse consagrado além de Osanyin, e também à Iyá Asagbó.

E todo ano também em virtude das grandes festas que acontecem em Oyó e indispensável a sua presença para a fogueira.

Fonte: Babalorixá Willian Ty Ògún
Fernando D’Osogiyan

II II
I I
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Òfún’sá

Eriwo ya!

Saudamos todos vocês em nome de Òlódùmarè, Ọrúnmìlà e todos os outros Òrìşà. Nós também estendemos os cumprimentos de Àràbà Agbaye (da cidade de Ilè Ifé) a todos vocês nesta época do Ifá Festival Mundial. Nós, os membros do Comité de Ética e Escrituras do Conselho Internacional para religião de Ifá, O Odù Ifá que saiu para este ano é Òfún’sá
O Odù veio com ire Aiku, que significa vida longa e um ebo é recomendado para atingir o objetivo. Este Ifá serve para Nigéria, Benin, Brasil, Trinidad e Tobago, Alemanha, Estados Unidos, Venezuela e Cuba. Todos estes países estavam representados e fizeram suas contribuições.
Os versos de Òfún’sá recitados com suas narrativas são as seguintes:
Comentários de Áwo Fa’lokun.

Quando uma divinação vem com ire Aiku ou seja, bênção de vida longa a implicação fala em alinhamento perfeito com o destino.
Durante o passado a estrutura de nossa fé tem estado sob ataque de dentro de nossas hostes.
O Odù nos endereça esta questão e gostaríamos de encorajar todos a meditar sobre o significado da mensagem dos imortais no que diz respeito a preservação de nossa fé.

Ifá diz que deve haver assistência mutua.
Ifá quer que sejamos solidários e trabalhemos juntos.
As pessoas devem fazer aquilo que acharem mais correto no tocante a diminuir as agressões do sistema reparando ou resgatando aqueles que estão em situação deplorável ou desprezível.
Ebo deve ser feito para ter a chance de escolher as pessoas certas para esta tarefa.
Os itens a serem sacrificados neste ebo são:
Oito pombos, mel, gin, Àkàsà e dinheiro.
Aqui o importante é saber que o ebo feito por pessoas não qualificadas, no caso será necessária a presença de um babalawo, pode resultar em danos espirituais para o curioso. Sem contar que o Odù deve ser tefado (marcado) no Ọpọn Ifá e a mecânica correta somente o babalawo saberá seguir.

Aqui Ifá diz:
Comentário de Awo Fa’lokun:
Este primeiro verso, abaixo, vai direto ao ponto.
Nossa fé foi criada por Ọrúnmìlà a muitos milhares de anos atrás. Ele criou nossa disciplina espiritual que conecta nossa vida a nossa família e ao mundo através de um sofisticado sistema de controles e equilíbrio relacionados com o: Ọbà (Rei), Ìyàámi, Ògbóni, Ifá e Egbè Òrìşà. Há uma crença comum (os famosos inventores, curiosos e modernistas) de que Ifá pode ser praticado sem os sistemas de controle e equilíbrio desta estrutura antiga.
O Odù Òfún’sá está dizendo que isso não é verdade, estas estruturas tem um propósito e devem ser preservadas.

Òfún saara
Òfún seesee
O sacerdote de Ifá de Eyin, O Dente
Lançou Ifá para Eyin, O Dente.
Quando o dente estava com saudades do Redentor
Ele aconselhou a fazer ebo
Ele fez
Vamos juntar as mãos
Para reparar nosso Dente
Ele é muito branco
Ele se tornou puramente branco.

Comentário de Awo Fa’lokun:
Nossa fé tem caído em desuso por causa de ataques que vinham de fora, agora estamos diante de ataques internos e será necessário um esforço coletivo para preservar as velhas formas. Os dentes são uma das ferramentas que usamos para nutrir o corpo. A referência ao dente branco e a ideia da nutrição baseada na pureza. Muitos dos ensinamentos originais de Ọrúnmìlà tem sido danificado por pessoas que usam a lente de outras religiões para interpretar suas palavras. As pessoas podem acreditar em Jesus, Maomé ou Buda, mas, cada um desses profetas pregou sua própria mensagem. Eu acredito que a mensagem de Ọrúnmìlà vale por si só e não precisa da lente de outras religiões como base para uma explicação.

O que temos de mais importante dentro deste primeiro aspecto do Odù é ordem expressa de Ifá, para não perdermos o equilíbrio emocional com os ataques que vierem de dentro de nossa religião, aqueles que querem dividir, criar atrito, disseminar o ódio e todas estes sentimentos separatistas devem ser entregues a Ọrúnmìlà/Ifá nas horas de nossas orações.
São estas pessoas que serão cuidadas diretamente por nosso pai.
Não discuta por qualquer motivo, não levante sua voz.
Entrar neste barco, das discussões, poderá lhe trazer mais prejuízos que ganhos.

Os versos foram gravados e traduzidos por:
Fayemi Fatunde Fakayode (Presidente, Comitê de Ética e Escritura)
Àràbà Olusoji Oyekale (Rep. do Estado de Kwara)
Ojesola Windare (Osun State Rep)
Awo Fawale Adebayo (Ondo State Rep)
Otunba Kehinde Idowu Fagbohun (Oyo State Rep)
Fayemi Abidemi (Oyo State Rep)
Chefe Fatunmbi Adeniji (Ogun State Rep)
Fasola Faniyi Babatunde (Ogun State Rep)
Awo Tosin Olomowewe (Lagos State Rep)

Obs.
Estamos cientes de que algumas pessoas têm publicado alguns versos deste Odù na internet. Aqui nós não estamos dizendo que os versos por eles publicados são incorretos, nós acreditamos fortemente que os que aqui apresentados são aqueles recitados com a inspiração de Òlódùmarè. O que queremos dizer é que pode haver mil versos de Òfún’sá, mas a inspiração é o que é necessário para recitar estes versos no momento de adivinhação, é a inspiração que dirige um sacerdote para o verso (s) ele recitar na esteira.

Comentário Awo Falokun: Esta é uma regra de longa data em Ifá.
Os versos que se aplicam a uma adivinhação são os versos que foram ditas no momento da adivinhação.

Aqui o que os Anciãos de Ilè Ifé estão tentando explicar é que o momento da adivinhação tem um recado direto, quem não participou deste ritual (jogar e interpretar o oráculo), não pode ter a mesma certeza e a mesma conexão que foi atingida por eles.

Nosso blog está mostrando apenas uma parte das revelações de Ifá para este ano yorùbá que se inicia. A informação é longa e deve ser interpretada por um expert (babalawo), o que queremos deixar gravado é necessidade de união, ajuda mútua e defesa de nossa fé.
Estes requisitos se fazem necessário pelo alto nível de agressividade que viemos sofrendo ao longo dos anos. Porém, Ifá nos diz que não estamos sozinhos, que não seremos abandonados pelo Ợrún.
Ifá
Egbè Ợrún
Okú Ợrún (Ancestres/Espíritos que partiram))
Olokun
Olosa
Ogun
Şàngó
Ợya
Òşún
Òsànyìn

Estes òrìşà, irunmolè e energias do plano astral estarão cuidando de nosso mundo e de nossa religião.

Que as bênçãos de Òfún’sá possam se multiplicar sobre a cabeça de todos nós.
Epá Odù. Epá Òrìșà.

Texto do Conselho de Oke-Itase, Ile-Ife, Osun State, Nigéria.
Comentários do Áwo Falokun.
Tradução: Odé Gbafaomi.

Egbé sempre, aqui no blog,  somos perguntados sobre quebra de preceitos, quebra de tabu, romper com os èèwò e as preocupações inerentes a este assunto.
Uma das maiores preocupações de alguns sacerdotes é saber se o suplicante está correspondendo aos alertas enviados pelo oráculo. Pois, não pensem que sacerdote não se preocupa com a pessoa mesmo depois do ebo entregue.
A preocupação não deveria tomar este lugar especial, uma vez que a vontade e as decisões cartesianas pertencem a pessoa em questão.
Este poema de Ifá nos traz à reflexão para tentarmos desmontar os porquês de várias situações que não se concretizaram positivamente ou a favor do suplicante.
Alabahun, a Tartaruga, vai nos deliciar com está história que mostra a inconformidade do pensamento humano, a corrente humana que pensa que tudo pode, a ala dos que acham que fechou a porta do Ilè Ase, minha ‘obrigação’ está terminada.
Ainda temos muito que aprender, refletir e praticar.
Os enamorados pelo culto, os abian, os recém iniciados, os mais antiguinhos, os cascudos, os Oyè, os sacerdotes e mesmo os mais velhos. Todos sem exceção, deveriam refletir sobre o texto, trazer suas experiências, contribuir para este assunto que é muito, mas, muito sério mesmo.
Ele é mais sério que o ebo realizado. Ele pode lhe custar o esforça de uma vida inteira, toda dedicação em prol de um objetivo.
Apreciem no meio do texto, o papel de Èşù como instigador e provador de caráter. As tentações lançadas fazem parte de seu arsenal de bondades, pois, se você não consegue resistir a carne, a curiosidade, a um tipo de alimento, cor ou comportamento, você deve voltar ao fim da fila, nascer novamente e prestar atenção aos bons conselhos.
O que sempre dizemos:
Nossa religião não proíbe ninguém de nada. Somente dos excessos.
Os tabus são assuntos relacionados ao seu mapa astral, assim como todos dizem que respeitam seu Òrìșà, ao não respeitar seus tabus/èèwò/quizilas, seja lá o nome que você queira dar a ele, você estará desrespeitando não somente ao seu Òrìșà, como também a Ifá/Ọrúnmìlà que trabalhou para que você tivesse a oportunidade de viver em paz, com prosperidade, saúde e equilíbrio.
Estamos zombando de uma força maior?
Estamos desrespeitando uma energia imensurável?
Estamos nos tornando desleixados em relação a todo esforço oferecido em prol de uma vida melhor para nós e nossa família?
Acredito que o texto esteja ficando longo e não estamos em uma palestra.
Que todos possam neste novo ano yorùbá, ter as bênçãos de Ęlà Ìwòrì, Ifá, Ọrúnmìlà e Irunmolè/Òrìșà.
Òfún’sá e Ògúndá maa as sejam os conselheiros de todos neste ano que se inicia.

Ire Aláàfia.

Ese Ifá do Odù Òwónrín’ Ìrètè
A curiosidade da Tartaruga lhe deixou na pobreza.

Introdução

Òpè kute
Foi o Áwo que lançou
Ifá para a Tartaruga
Que sobe na palmeira
No dia em que iria coletar
Frutos no campo de ailerolodún
Ele que levou o Áwo à casa da riqueza
É o mesmo que o leva
A casa da pobreza
Que é a casa do pai da tartaruga

Explicação:

Aqui está Alabahun (Tartaruga) seu pai se dedicou a colher Eyin (fruto do Ikin).
Quando Alabahun cresceu, também se dedicou a mesma profissão. Ele foi com seus Áwo para saber se ele iria prosperar em sua profissão e eles lhe disseram que ele teria que realizar ebo, disseram que teria que oferecer uma de suas ferramentas de trabalho no ebó. Alabahun tinha dois machados e ele ofereceu um no ebó como lhe disseram seus Áwo.

Depois de realizar o ebó, ele foi trabalhar com a único machado que restava. Quando chegou ao lugar onde se encontravam as árvores de palma, começou a trabalhar portanto os ramos de Eyin e quando havia somente um ramo em uma palma que se encontrava na beira do rio, Alabahun começou a cortar a penca e quando estava cortando o machado saiu de mão e caiu dentro do rio. Alabahun ficou chateado quando seu machado caiu no rio e disse:
Por que foi cair logo agora, quando faltava apenas uma penca para retirar?
Como vou me cobrar, se não terminar de colher e completar meu trabalho?

Alabahun desceu da palma para tentar encontrar seu machado e entrou na água, a correnteza o puxou e o arrastou até uma aldeia 9dentro da água). Nesta cidade, a maioria dos habitantes eram mulheres, muitas mulheres e de várias tonalidades de pele, dudu (negras), fun fun (brancas), pupa (rosadas), ayirin (várias cores) e também muito dinheiro, uma incalculável soma de dinheiro. Ao cair, Alabahun, naquela cidade, as pessoas daquele local não tinham um líder e já lhes haviam dito que eles encontrariam uma pessoa de fora da comunidade (estrangeiro) que iria ocupar este posto.

Por isso quando Alabahun chegou a esta cidade, todos os habitantes foram atrás dele e o agarraram e Alabahun não sabia o porquê. Ele se assustou pensando que ele seria agredido e disse?
O que eu fiz para vocês?
Elas o levaram e o sentaram no trono do rei e ali lhe deram dinheiro, mulheres e etc.
Nesta cidade não havia nenhum homem e Alabahun havia sido o único que havia chegado a este lugar.

Eles disseram à Alabahun que naquele povoado elas tinham uma proibição, que era comer Eyin (fruto do Ikin). Elas levaram Alabahun ao pé de uma palma de Eyin e aquele tipo de Eyin não era o que ele conhecia, este era muito grande. O rei desta cidade não podia comer Eyin. Ele foi advertido que se ele comesse aquele fruto, as consequências iriam ser terríveis.

No entanto eles lhe impuseram esta proibição. Ele podia entrar em qualquer parte do palácio, porém existia uma casa onde ele não podia entrar. Este era o quarto menor do palácio. Assim o tempo se passou, até que um dia, ao saírem todos do palácio e Alabahun ficar sozinho, ele se perguntou:
Por que não posso comer Eyin, se este sempre foi o fruto do meu trabalho?
Ele disse:
Eles são tão bonitos e tão grandes!
Eu vou provar um!

Ele foi e comeu um, porém, pegou outros e os levou para seu quarto real para continuar comendo. Como Alabahun estava desfrutando do Eyin, Èşù o induziu dizendo:
Não vê que rico é o Eyin que disseram para você não comer?
Então, vê aquele quarto que te disseram para não entrar?
O que você está esperando para entrar nele!
E desta forma Alabahun foi induzido por Èşù, entrou no quarto e ele viu que ali estava a raiz da palma de onde havia caído seu machado e ao seu lado estava sua ferramenta.

Quando ele foi nomeado rei, suas roupas sujas foram tiradas e elas também estavam ali.
As pessoas da cidade agarraram Alabahun e o mandaram outra vez para fora, com a mesma roupa e sem nenhum dinheiro.

O que leva um Áwo a riqueza
Também leva um Áwo a pobreza
Que é a casa do pai da tartaruga.

Ifá diz que esta pessoa deve fazer ebo.

Este Ese explica como Alabahun teve a riqueza por meio de ebo que os Áwo realizaram, porém, ao mesmo tempo os mostra que tão importantes é o respeito ao quarto, pois, ainda que o ebo tenha lhe trago toda riqueza, ele rompeu com o tabu e isto o levou novamente a mesma pobreza que ele já havia vivido com muito sofrimento.
De que valeu o sacrifício feito, se não respeitou as proibições?
De nada.
Por esta razão é que explicamos que tão importante é conhecer e realizar os sacrifícios e mais importante ainda é respeitar os tabus ditados por Ifá.

Muitos sacerdotes tanto de Ifá como de Òòșà (Òrìșà), são consagrados (iniciados) corretamente na religião, porém, muitos não conhecem seus èèwò e o que é pior, os conhecem e não os respeitam.
E quando seus assuntos começam a dar errado, com certeza sua vida se tornará um calvário.
O respeito aos tabus (èèwò) deve ser levado muito a sério, para que sua vida não se torne um rio de lamentações.
Os sacerdotes de Ifá e Òòșà, devem levar sito muito a sério, para ter uma vida mais tranquila e com menos inconvenientes, pois, se os ebo nos levam a prosperidade, o respeito ao tabu nos faz manter esta mesma prosperidade.

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