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Abiyan-Ketu/Nagô: Seus Deveres e Responsabilidades

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O Abiyan é toda pessoa que depois de fazer uma consulta através dos búzios com o Babalorixá ou Iyalorixá, tenha tomado no mínimo um Obí  e tenha um fio de contas lavado de Oxalá..

Os procedimentos e comportamentos básicos do Abiyan:

  • Estar vestido de branco principalmente se a casa for de Oxalá, ressaltando que:

Homens – calça comprida e camisa branca;

Mulheres – Vestido ou saia/camisa branca;

  • Ao chegar ir direto beber um copo d’água para esfriar o corpo da rua, sem fazer paradas e evitar qualquer conversa;
  •  Tomar seu banho de ervas e colocar sua roupa de morin;
  • Bater a cabeça no Axé, na porta dos quartos de Santo; para o Babá/Iyá, “trocar” à benção com TODOS os seus irmãos, sendo por ordem hierárquica (dos mais velhos aos mais novos), de acordo com a ordem iniciada;
  • Perguntar ao Babá/Iyá, sobre a função que deverá fazer na Casa; muitas vezes por ordem do Babá/Iyá, as funções podem ser determinadas pelas Ajoiês (Ekédis) da Casa.
  • O Abiyan deverá fazer suas refeições sentado na ení (esteira), e assim que terminarem, deverão levantar as mesmas e guardá-las. Não devem colocar os pés calçados nas enís;
  • O Abiyan somente poderá dormir em ení, caso se faça necessário terá a autorização do Babá/Iyá para dormir nos quartos dos Orisás;
  • O Abiyan ao acordar não deve falar com ninguém, deve antes beber um pouco de água: isso é para apagar os vestígios ou traços negativos provocados pelo mau hálito;
  • O Abiyan não deve ocultar do Babá/Iyá qualquer tipo de dúvida, problema e mal entendido;
  • O Abiyan não deve fumar na frente de seu Babá/Iyá;
  • O Abiyan nunca fica de pé em frente ao Babá/Iyá e sim agachado, com a cabeça baixa;
  • O Abiyan nunca interrompe o Babá/Iyá quando estiver conversando com alguém. Quando tiver visita no barracão (egbomis, ekedes, ogans, zeladores), seja em dia de festa ou em dia corriqueiro, é correto que os filhos se abaixem próximo a ele para dirigir a palavra. Diz então: “AGÔ” (licença), espera ele dizer “AGÔ YA” e de cabeça baixa falar com ele em tom de voz baixa;
  • O Abiyan não deve passar pelo o Babá/Iyá com a cabeça erguida, e sim um pouco curvado para frente;
  • O Abiyan sempre que for servir o Babá/Iyá, deve-se levar o pedido numa bandeja ou prato e abaixar-se para servir;
  • O Abiyan só deverá entrar nas rodas de Xirê se forem chamados pelo Baba/Iyalorixá;
  • O Abiyan tem suas funções na casa relacionadas à limpeza e manutenção, salvo se for um Abiyan antigo e de confiança poderá exercer outras funções;
  • O Abiyan não tem Orixá definido ainda, por isso é denominado um Abiyan (aquele que está começando em um novo caminho) mesmo que venha de outra casa;
  • O Abiyan deverá sempre pedir “Agô” para entrar e sair de cada ambiente do terreiro e esperar a resposta, “Agô ya” de um mais velho;
  • O Abiyan só poderá ir embora com autorização do Baba/Iyalorixá;
  • O Abiyan não questiona rituais litúrgicos de sua casa, respeita a hierarquia e se coloca sempre no seu lugar;
  • O Abiyan deve aproveitar o máximo este período de aprendizado, humildade e retidão, pois é neste momento que irão refletir quanto a futura iniciação, as responsabilidades do que é ser um Adôxu, um Iyawó.

A vivência no axé, a disciplina, observar o comportamento dos mais velhos, ser verdadeiro com seus sentimentos para com o Orixá, estar despojado de vaidades, e entender que o mais importante não é “fazer o santo e sim saber o porquê de se iniciar para o santo”. Não há pressa para iniciação, Orixá entende e nos concede essa oportunidade de aperfeiçoamento e adaptação, salvo as raras exceções.

Ser um bom Abiyan é estar se preparando para no futuro ser um bom Iyawó e assim como ser for um bom Iyawó é estar se preparando para ser um bom Ègbón.

 De: Mônica D’Òsóòsì Iyá Kèkèré do Ilé Àse Òsòlùfón-Íwìn
Foto: internet

O que é Ajé?

Na tradição religiosa de Ifá no oeste africano, um dos temas mais difíceis é entender nosso comportamento, nosso caráter e como tudo isto se relaciona com nossas crenças pessoais e quando usamos as tremendas forças que vêm seguindo este caminho espiritual.

Certamente não são as palavras faladas em fóruns públicos de orações, invocações e encantamentos, mas o comportamento problemático que vem de adorar uma tradição que é essencialmente metafísica, imaterial, sobrenatural e sobretudo, mística. Quando alguns desses seguidores inseguros da Tradição estão com medo e às vezes são muito limitados espiritual, emocional ou até mesmo falta a base necessária que lhes permita aprofundar-se na sabedoria interior e no código de Ifá.

Devido a isso, há comportamentos morais que devem ser observados, para que possamos ter ordem dentro de nossas fileiras como sacerdotes e mais seguramente com os nossos devotos.

O versículo di Odu Ifa (ese Ifa) Odi Meji canta para nós, esta parte:

Odi Meji

Grande massa (uma montanha) de terra no final da estrada.

Àse infinito.

Ifá foi consultado para Ìyàmi Òsoròngá.

Quando Elas estavam vindo do céu para o mundo,

Eles disseram, Elas estavam vindo para o mundo

Eles, então, chamaram Òrúnmìlá para vir do òrun

Olodumare deu a Òrúnmìlá permissão para vir,

Òrúnmìlá partiu

No local onde ele estava para partir, ele descansou em uma muralha de pedra de Òrìsá Nla

Ele conheceu Ìyàmi no percurso

Òrúnmìlá disse, “Onde você vai?”

Elas disseram, estamos indo para a Terra.

Ele disse, o que vocês vão fazer lá?

Elas disseram, aqueles que não serão nossos cúmplices, vamos atormentá-los.

Vamos saqueá-los.

Vamos trazer a doença para seus corpos.

Vamos trazer fraqueza a seus corpos.

Vamos tirar os seus intestinos.

Vamos comer seus fígados.

Vamos beber seu sangue.

Nós não vamos ouvir a voz de qualquer pessoa na Terra.

Òrúnmìlá disse: Ha!

Ele disse que seus filhos estavam na Terra.

Elas disseram que não conheciam os filhos de ninguém.

Òrúnmìlá disse, meus filhos estão na Terra.

Elas disseram muito bem, então.

Elas disseram que Òrúnmìlá deveria falar com seus filhos …

Primeiro para qualificar este artigo para o Ile Òrúnmìlá Mimo Iwosan Boletim interno do Templo de janeiro de 2008, queremos esclarecer que o título deste artigo reflete a nossa reverência e obediência ao Awon Ìyàmi Osoronga (A Grande Mãe e Misteriosa), Yewajobi (Mãe de todos os Òrìsá e todas as coisas vivas), todas as grandes mães que fazem as coisas acontecer, Agbalaagba (Um velho e sábio).

Com essas denominações conhecidas como: Saúdo a Terra e Cosmos.

As mães que merecem o “respeito”, há muito tempo esquecido por seus filhos. 

O que é Ajé?

Aqui, fora no templo, tentamos fortemente não usar o certos palavreados sobre as Ajé  “que traz sobre ela a feia imagem, com a conotação ocidental de uma mulher com visual velho, com vassoura, fazendo obras más contra a humanidade.”

O envelhecimento é belo, a força das mulheres e seu poder é incrível e cura.

Esta imagem negativa tem permeado a sociedade mundial da web, criando influência negativa e confluência contra as mulheres que são fortes e tem poder.

No entanto, o ponto e a ênfase deste post não é apenas para corrigir esta imagem, mas também para lidar com o mau uso do poder nas mãos daquelas que são mentalmente e espiritualmente despreparadas para lidar com este tipo de energia maravilhosa e poderosa.

Isto inclui as forças do nosso Pai da Noite e todos os outros espíritos que podem ser usados para o mais escuro dos atos contra a humanidade.

Forças e entidades que foram concebidas para equilibrar as energias do mal nós, seres humanos usamos para cometer atos falhos no mundo.

Também no início do Oriki de Odi Meji você será introduzido pela primeira vez no conhecimento da relação forte e simbiótica entre Ìyà mi Osoronga e Òrúnmìlá.

Muitas vezes, ouvimos dentro da comunidade de Ifá e adoradores de òrìsá,  que agora, as pessoas estão jogando bruxaria em seus inimigos, ou cometendo atos desprezíveis, por vezes, muitos com forte violência espiritual contra os outros, por vezes, é feito também nas comunidades do mundo.

São pessoas que não estão relacionadas com a nossa tradição religiosa.

Os atos inomináveis de coisas que elas querem que os outros façam, nas questões de controle, de ciúme, de ódio, de amargura, que as tirem da solidão, dos problemas de auto-estima, dos problemas de saúde mental, é o zelo fora do controle, são comportamentos e pensamentos que não deixam a gente entender “os princípios da Ifá” .

Muitas pessoas na realização de tais atos hediondos e formas nefasta de pensamento, não entendem o terreno espiritual e o que isso realmente implica. Podem até mesmo ver os espíritos que estão de ilusionismo, meditando, invocando ou simplesmente enviando para outra casa, corpo ou espírito.

Estão infligindo normas, têem pensamentos perigosos sobre pessoas que podem ser inocentes ou aquelas cujas capacidades ou karma podem, na verdade igualar o sucesso delas.

Às vezes as pessoas, incluindo alguns adivinhos, fazem e não na ignorância entender que nem todas as energias negativas são aquelas enviadas por nossas mães e pais da Noite, mas pode ser um espírito Egbe trazendo calamidade para uma pessoa que não vem através das promessas feitas ao céu.

Ou pode ser “a mãe acionada pela loucura própria de uma pessoa, trazendo a loucura para seus comportamentos aberrantes, porque elas se recusaram a acatar as lições dadas por Olodumare através de Ifá de boa conduta e bondade adequada em suas vidas.”

Elas mentem para si mesmos e encobrem seus mais íntimos pensamentos, não percebendo que Esu é o operador que liga padrões do pensamento com o Orí, e que o próprio pensamento é uma energia facilmente vista em testes intricados com padrões dentro do universo interior e exterior.

Há até momentos em que as energias do òrìsá podem ser vista defendendo a posição  daquelas pessoas que são afetadas por ajogun, essas forças, estão em uma posição negativa quando elas também violarão o espaço sagrado do outro.

A responsabilidade de todos os adoradores de Ifá / òrìsá, sacerdotes e aleyo equivale a essa idéia, de entender as forças com que se está lidando, deve-se estar consciente da tremenda força de destruição que está nas mãos destas pessoas que querem usar o negativo e o mal sobre os outros, sem serem provocados, tudo fruto de suas próprias inseguranças, ódio e muito mais.

O que é Ajé?

Para um exemplo claro disso:

A “pessoa” quer uma ‘outra pessoa’ tenha uma morte física, desejando ou paganso um sacerdote nefasto para enviar todas as formas de mal, porque ela foi desprezada verbalmente por esta pessoa.

A timidez desta ação é que o crime não vale a pena da punição extrema.

Em vez da pessoa ter a coragem de falar de suas preocupações ou irritabilidade com o outro, elas preferem que esta pessoa ou seus familiares tenham uma morte horrível, apenas para satisfazer seu senso de justiça.

Outro cenário é você querer um homem ou uma mulher para você; uma uma pessoa casada e você está disposta a separar, a destruir sua família, através de meios metafísicos, enviando espíritos malignos, usando charme para seduzir, quebrar, ou simplesmente causar problemas em sua vida até que esteja de acordo com sua vontade.

Existem aquelas ocasiões, em que uma pessoa teve sua vida perturbada por essas forças errantes e um adivinho qualificado foi necessário para  endireitar a situação da sua vida.

A ideia, ainda diz que as ações dessas pessoas, fará por todos os meios necessários trazer dor, danos e ferir a qualquer um por causa de sua mentalidade pequena, é uma tragédia diante dos olhos de Olodumare.

Quando essas forças são invocadas no mundo, é verdadeiramente uma abominação diante dos anciãos do òrun (Céu) e no tempo certo o pagamento, chegará como uma visita terrível, porque a pessoa ou pessoas que usaram este mecanismo para quebrar outro vai ou interferir na vida dos outros violou o princípio sagrado de Olodumare.

(continuação)

Odi meji diz:

Elas construíram um tribunal atrás.

Elas construíram uma câmara.

Elas disseram, este é o lugar onde poderam se reunir.

Elas empilharam um monte enorme, em que as Eleiyes poderiam se  reunir.

Quando elas se reuniram.

Quando chegaram na Terra.

Elas enviaram dores de estômago as crianças.

Elas mandaram a doença para crianças.

Elas tiraram os intestinos das pessoas.

Elas bebiam o sangue das pessoas.

Elas enviaram dores de cabeça a mais crianças.

Elas mandaram a doença de uma criança para outra.

Elas enviaram reumatismo de uma criança para outra.

Elas enviaram dores de cabeça, de estômago ruim e febre de uma criança para outra

Elas causaram o estômago inchado da grávida para prejudicar.

Elas levaram o feto de quem não era estéril.

Elas não permitiam que qualquer mulher engravidasse.

Aquelas que já estavam grávidas, foram impedidas de dar à luz.

As pessoas passaram a implorar aos filhos (Awo) de Òrúnmìlá.

Elas pediram aos filhos de Òrúnmìlá para ajudá-las.

Eles iriam ajudar, aquelas que estavam grávidas.

O sacrifício que Òrúnmìlá disse a seus filhos para realizarem neste dia

Seus filhos haviam feito.

O que é Ajé?

As atitudes dos nossos seguidores para com o uso da feitiçaria, como um meio para arbitrar questões, que poderiam ser prontamente comunicadas através do desenvolvimento das habilidades comunicativas e interpessoais ou por meio da orientação de Ifá ou Òrìsá e em alguns casos, um atendimento profissional de saúde mental.

No entanto, quando optamos por utilizar meios nefastos para saciar nossas vontades e desejos ou conseguimos usar essas metodologias negativas, abre-se a porta para a guerra que pode terminar em tragédia e nos casos mais extremos, até mesmo em morte.

É importante para nós aprender a concordar ou discordar, ao ver o verso de Odi Meji ele fala sobre:

“Como Òrúnmìlá acalmou as Ìyàmi Òsoròngá “, pois quando convidamos essas forças, trazendo-as para o mundo do mal, o mal mesmo, pode ser destinado ao remetente.

Nós realmente temos que perguntar a nós mesmos sobre a qualidade e o estado de espírito de uma pessoa, se ela quer a morte de alguém, simplesmente por que uma  pessoa pisou no seu pé.

Ou se cada vez que há um desastre natural do mundo infelizmente, nós podemos estar em conveniência com as tempestades convergentes? “.

“Esta tempestade pode ter sido enviada pelo òrìsá contra seus inimigos conhecidos ou invisíveis? ”

Se o pai, o filho, ou um amigo íntimo de seu inimigo, tem uma doença, então o seu òrìsá vingará o seu ego ferido por infligir dor enorme em outro?

Então nós realmente precisamos olhar para esta pessoa que as enviou de várias maneiras, porque ela quer a morte, a doença, a perda de emprego, a perda da sua casa ou mais.

Simplesmente porque você tem pouca ou nenhuma coragem e também falta de estima.

Talvez haja um problema sério de saúde mental, existe preocupação e necessidade de olhar seriamente como você processa a sua raiva, ou melhor ainda, a sua mágoa e sua dor.

É lamentável e muito triste que encontremos nossa vida em falta, por que você preferiria ver o dano causado a outro ser vivo, do que encontrar maneiras através de Ifá / òrìsá para encontrar uma solução para seus problemas ou mesmo olhar para dentro do seu próprio espírito e procurar uma resposta.

A paz ainda ainda não chegou.

Aqui em Odi Meji está o nosso chamado e canto para acalmar as forças que foram invocadas, quando nossas mães foram incomodadas desnecessariamente, como também devemos pedir perdão as energias das mulheres que foram traídas quando inadequadamente invocamos essa força para o mal de outras mulheres e suas famílias.

Mais uma vez temos de encontrar melhores formas de comunicação com nossos desejos e aprender a não atingir outro ser humano quando não podemos controlar nossos nossos desejos. 

Odi Meji

Elas precisam gostar deste canto.

Pequena Mãe você conhecerá a minha voz

Ìyàmi Osoronga (Grande Mãe e Misteriosa) cada palavra que eu falar.

A folha ogbó disse que você vai entender absolutamente.

Ìyàmi Osoronga você vai conhecer a minha voz.

Ìyàmi Osoronga a cabaça diz que você vai levá-la.

Ìyàmi Osoronga você vai conhecer a minha voz.

Ìyàmi Osoronga, a palavra que o rato okete fala com a terra.

A Terra irá ouvi-lo absolutamente.

Ìyàmi Osoronga você vai conhecer a minha voz.

Ìyàmi Osoronga tudo que eu digo, você vai fazer.

Ìyàmi Osoronga você vai conhecer a minha voz.

Não importa o tipo de entidade espiritual, o que é imperativo e importante é que devemos aprender a parar a guerra desnecessária e o mal que ela trouxe para as pessoas, só porque não gostamos delas e não podemos controlar nossos ciúmes.

Temos que aprender a ir a Ifá e rezar para o nosso esclarecimento e aprender a negociar nossa vida de uma maneira melhor e cumprir o que Ifá e òrìsà orientam.

Mais do que, provavelmente a bruxa, o verdadeiro mal não são as forças que estamos chamando para fazer a guerra que prejudica os outros e os inocentes, na verdade o rosto que reflete no espelho está olhando para você mesma, ou seja, o próprio mal.

Ire gbogbo

Por: Iyanifa Fayomi Falade Aworeni Obafemi

Ile Iwosan Òrúnmìlá Mimo

Sexta-feira Santa.

A Sexta-Feira já é um dia especial, pois consagrada à Oxalá, Orixá ligado diretamente à criação do mundo e intitulado pai de todas as divindades. A Sexta-feira Santa, é ainda mais especial para o Povo de Santo, que guarda fielmente os preceitos que envolvem este dia, mesmo com a consciência que em verdade o sincretismo católico foi uma estratégia de resistência, nos legou uma herança cultural e histórica. Tal momento é tão significativo que nos conduz a respeitar este dia e seguir as tradições assim como nossos ancestrais fizeram.
Ao contrário de muitos radicais, o candomblé adota uma postura pacífica e de respeito a todas regligiões crenças e doutrinas, rendendo, neste momento, à Sexta-Feira Santa, nosso respeito e homenagens de estilo.
Axé!
De:Casa de Oxumare.

Sexta-feira Santa, dia de reflexão, de fazermos a nossa via sacra, de percebermos nossos erros, de pedir misericórdia…mas principalmente um dia para termos a certeza da Ressurreição e por isso sermos felizes, pois amamos um Deus Vivo!
De:Cristina Branco

Quando comecei minha vida de abiyan no candomblé a mais de 35 anos atráz, tínhamos hábitos católicos dentro da “roça de santo”. Chegávamos ao Ilê Axé na quinta à noite para acordarmos na sexta-feira em jejun, rezar, pedir à benção, comer peixe e muita canjica. Nos reuníamos em torno do axé, não haviam telefone, TV e muito menos Internet.
Era um dia diferente, tranquilo, de conversa baixa com harmonia. Às 18 horas íamos todos rezar em yorubá e agradecer humildemente por estarmos vivos também, assim como o santo católico e sua ressureição. Era um sincretismo fascinante e ao mesmo tempo de muita fé. Lembro de meu pai acender velas para as imagens de N.Sha. da Conceição, São Bartolomeu e São Lázaro, fazia o sinal da cruz e beijava o terço de Nossa Senhora do Rosário. Invejava sua fé, seu respeito, embora ele fosse um apaixonado pelo candomblé e os Orixás, mantinha as tradições familiares. Já no final da sexta-feira, começavam os preparativos para a grande festa de sábado de aleluia para Pai Ogun, a preparação das bandeirinhas no teto do barracão, a mesa cheias de grãos de feijão preto,fradinho, roxo, canjica, milho vermelho, milho alho, farinha de acaçá, começavam as funções na casa, cada um sabia o que fazer e a noite se tornaria a nossa criança que só iria dormir no amanhacer do domingo se o samba de caboclo nos deixasse.
De:Fernando D’Osogiyan

Axé.

Ajé  Ògúgúlùsò  Aiye Olámbó yèyé.

Ibá awon  Ìyáàmi,

Èìswù Alágogo haguná to p’oní ma.

Tradução:

Homenagem ao Espírito da riqueza e boa sorte, a honra vem da Mãe Terra.

Eu saúdo todas as Mães Sábias.

O Pássaro branco de poder é a fonte de seu medicamento.

Comentário:

O simbolismo em Ifá, é uma expressão da dinâmica e da forma, que ocorrem na natureza.

É uma tentativa de explicar as maneiras pelas quais as forças invisíveis da natureza afetam o universo visível.

Todos os aspectos de Ifá, suas história sagrada, simbolismos e rituais expressam a polaridade entre as forças de expansão e contração, que são as expressões fundamentais do poder na Natureza.

Em termos simplificados, essa polaridade é expressa na relação entre Òrìsà feminino e o masculino.

Dentro da estrutura sócio-religiosa, política da religião de Ifá, essa polaridade é expressa através de uma série de ordens religiosas específicas quanto ao sexo.

Destaque entre essas ordens religiosas que honra o poder feminino são as Ìyáàmi awo.

É comum para os antropólogos descrever esta sociedade como ” as bruxas”.

O significado original de “bruxa” da cultura européia é: “Mulher sábia”.

No entanto, o termo tende a ser pejorativo no uso contemporâneo ocidental.

Mulheres Ìyáàmi awo preservam ou estam associadas aos mistérios da menstruação.

Parece absurdo atribuir qualquer conotação negativa a esta tradição sagrada, porque o mistério da menstruação é a fonte da vida na Terra.

Literalmente, falando a verdade, cada ancestral, mesmo os divinizados, ou não que já viveram, vieram à Terra através do útero de uma mulher, tarefa esta, possibilitada pelas Ìyáàmi.

 Por: Awo Fatunmbi.

Mãe Simplícia, uma guerreira!!!

Na época, em que Mãe Simplícia esteva à frente da Casa de Òsùmàrè, Getúlio Vargas já havia editado o Decreto-Lei 1.202, no qual ficava proibido o embargo sobre o exercício da religião do candomblé no Brasil. A partir da edição deste decreto-lei, cultuar os Òrìsà deixou de ser considerada atividade criminosa. Aos Africanos e afrodescendentes ficou assegurado o direito à liberdade de professarem sua fé.

Mas, infelizmente, não foi bem assim. A repressão e intolerância ao candomblé, em verdade havia se organizado. Para realizar as cerimônias religiosas, os rreiros precisavam pedir autorização e requerer um alvará de funcionamento na Delegacia de Jogos e Costumes, pagando taxas impostas para expedição deste documento.

O alvará de nada adiantava, não oferecia nenhum tipo de proteção, os terreiros continuaram a ser invadidos pela polícia que se tornava cada vez mais violenta. Os praticantes do candomblé continuaram a receber ordem de prisão, sofriam as mais diversas formas de intimidação, a citar como exemplo: autuados eram obrigados a carregar os seus atabaques na cabeça e caminhar até a delegacia.

Embora a Casa de Òsùmàrè já não fosse mais vítima dessas tais batidas policiais, Mãe Simplícia continuava indignada com o sofrimento dos povos de religiões de matrizes africanas, e tomou para si esta luta. E assim, começou sua jornada em defesa da liberdade religiosa.

Neste sentido, seu primeiro passo aconteceu em 1952, no inicio de sua gestão na Casa de Òsùmàrè. O carisma que lhe distinguia proporcionava manter relações influentes. Assim, tomou conhecimento que o presidente Getúlio Vargas, juntamente com o governador Régis Pacheco, o senador Assis Chateubriand, o vice-presidente Café Filho iriam inaugurar o Grande Hotel Caldas do Cipó, no sertão da Bahia. Diante desta informação, articulou-se para realizar a recepção para o presidente e sua comitiva, com o intuito de denunciar a releitura da inquisição contra o Candomblé promovido pela polícia baiana da época.

Nesta recepção, realizada aos 24 junho de 1952, Mãe Simplícia conseguiu a esperada conversa com o presidente e denunciou os horrores que os povos de religiões de matrizes africanas ainda sofriam, reivindicando, assim, os direitos de liberação dos cultos, conforme o decreto por ele sancionado. Uma ação que contribuiu para mudar o cenario vivido na epoca pelo povo de santo.

Mãe Simplícia de Ogun, Simpliciana da Encarnação, Ogun Dekisi, (1922 – 1967), era filha carnal de Maria das Neves da Conceição (Oyá Biyi), foi Iyalorixá do Candomblé Ilê Axé Oxumarê no local antigamente chamado de Mata Escura, bairro da Federação, Salvador, Bahia.

Em 1936 aos 14 anos foi iniciada por Mãe Cotinha de Yewá que depois se tornou sua cunhada por seu casamento com Hilário Bispo dos Santos (Vovô Hilário), irmão de Mãe Cotinha.
Em 1954 aos 38 anos com o falecimento de Mãe Francelina de Ogun, tomou posse como Iyalorixá da Casa de Oxumarê.

Teve cinco filhos: Jutaí Bispo dos Santos, Tânia Maria Bispo da Encarnação, Nilton Bispo dos Santos, Nilzete Austriquiliano da Encarnação e Erenilton Bispo dos Santos, todos iniciados na Casa de Oxumarê.

Descendentes de Mãe Simplícia
Iniciou quarenta e quatro Yawôs: Filhinha de Ogun (Dofona Deusuíta), Leonor de Oxumarê, Elza de Oxóssi, Ana de Ogun, Walquiria de Oxum, Nilza de Ogun, Dó de Ossayin, Cotinha de Oxalá, Deusuíta de Omulu, Pai Pérsio de Xangô, Ana Laura de Ogun, Duzinha de Nanã, Bentinha de Ogun, Rosinha de Obaluaiyê, Zezé de Obaluaiyê, Doroti de Yansan, Ekeji Angelina de Oxóssi.

Mãe era Simplícia e a fama de seu Orixá Ogum Dekisi, era conhecida por toda a cidade de Salvador. Pessoas de todos os lugares do mundo vinham até a Casa de Oxumarê para ter a honra de receber um abraço desta divindade de força tão presente.

Casa de Oxumarê.

Professora evangélica prega em aula e aluno sofre bullying na escola
Por Rafael Ribeiro, do Diário do Grande ABC | Yahoo! Notícias – 2 horas 48 minutos atrás

Adolescente e seus pais em casa (Foto: Tiago Silva/DGABC)Adolescente de 15 anos passou a ser vítima de bullying e intolerância religiosa como resultado de pregação evangélica realizada pela professora de História Roseli Tadeu Tavares de Santana. Aluno do 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Antonio Caputo, no Riacho Grande, em São Bernardo, o garoto começou a ter falta de apetite, problemas na fala e tiques nervosos.

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Ele passou a ser alvo de colegas de classe porque é praticante de candomblé e não queria participar das pregações da professora, que faz um ritual antes de começar cada aula: tira uma Bíblia e faz 20 minutos de pregação evangélica aos alunos. O adolescente, que no ano passado começou a ter aulas com ela, ficava constrangido. Seu pai, o aposentado Sebastião da Silveira, 64 anos, é sacerdote de cultos afros. Neste ano, por não concordar com a pregação, decidiu não imitar os colegas. Eles perceberam e sua vida mudou.

Desde janeiro, ele sofre ataques. Primeiro, uma bola de papel lhe atingiu as costas. Depois, ofensas graves aos pais, que resolveram agir. “Ficamos abalados”, disse Silveira. “A própria escola não deu garantias de que meu filho terá segurança.”

O garoto estuda na unidade desde a 5ª série. Poucos sabiam de sua crença. E quem descobria se afastava.Da professora, ouviu que pregação religiosa fazia parte do seu método. Roseli não quis comentar sobre o caso.

A Secretaria Estadual da Educação promete que a Diretoria de Ensino de São Bernardo irá apurar a história e reconhece que pregar religião é proibido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Na escola, os alunos reclamam da prática. “Não aprendi nada com ela. Só que teria de ter a mesma religião que ela”, disse um menino de 16 anos.

Conheça o Diário do Grande ABC

A CANÇÃO DOS HOMENS

Quando uma mulher de certa tribo da África sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres, e juntas rezam e meditam até que aparece “A canção da criança”.

Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe canta a sua canção.
Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.
Quando chega o momento de seu casamento, a pessoa escuta sua canção.

Finalmente, quando a sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, como em seu nascimento, cantam sua canção para acompanhá-la na “viagem”.

Nesta tribo da África, tem outra ocasião na qual os homens cantam a canção.
Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, levam-no até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor.
Então lhe cantam “sua canção.”

A tribo reconhece que a correção para as condutas antisociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção, já não temos desejo nem necessidade de prejudicar ninguém.

Teus amigos conhecem a “tua canção”. E a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes, ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quanto te sentes feio, tua totalidade quando estás quebrado, tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.

Tolba Phanem
Poetisa Africana

Roberto Machado
Álbum com últimas publicações de Roberto Machado.

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